Aviso: esse conto to pode haver cenas de degradação humana nos próximos capítulos
Hoje, meu nome é Andra. Sou uma sissy. Minha Dona me visita pelo menos duas vezes por semana para me humilhar, me dominar e cuidar da minha aparência. Eu ainda a amo; ela é minha dona, meu norte, e sou imensamente feliz por pertencer a ela. Ela me pediu que contasse nossa história e, para isso, precisamos fazer uma viagem no tempo de cinco anos, voltando para o período em que eu ainda tentava sustentar a identidade de André.
Eu nasci e cresci em uma família comum de classe média. Era um moreno de pele clara, com 1,70m de altura, nem gordo, nem magro — o tipo de homem que passava completamente despercebido na multidão. Eu tinha um conflito constante com o meu cabelo cacheado; por não ter a menor ideia de como lidar com os fios que insistiam em armar, eu os raspava militarmente na máquina, duas vezes por semana. Era uma tentativa desesperada de manter um controle que eu não tinha sobre mim mesmo.
Fiz Administração por pura dúvida sobre o que fazer da vida, empurrado pela correnteza da mediocridade. Sexualmente, eu me considerava hétero, mas minha vida íntima era um campo de batalha de inseguranças. Eu sofria de uma ansiedade crônica que me traía nos momentos cruciais: ou eu gozava em questão de segundos, ou, na tentativa desesperada de me segurar, acabava perdendo a ereção e brochando, sentindo o peso do fracasso sobre os ombros. O único momento em que eu realmente me destacava com as mulheres era no sexo oral; elas sempre elogiavam minha boca, minha dedicação em servi-las dessa forma, sem que eu percebesse que ali já residia o embrião da minha submissão.
No último ano da faculdade, consegui uma vaga em um renomado escritório de investimentos. Fui direcionado para ser o auxiliar de Valquíria, uma mulher que parecia esculpida em gelo e autoridade. Aos 50 anos, ela ostentava seus cabelos grisalhos com um orgulho aristocrático, sempre presos em penteados administrativos tão perfeitos e tensos que pareciam elevar suas sobrancelhas em um perpétuo sinal de desdém.
Valquíria nunca caminhava; ela desfilava com uma precisão cirúrgica sobre saltos agulha de bico fino, altíssimos, que ecoavam pelo mármore do corredor: toc, toc, toc. Aquele som era o meu sinal de alerta. Meus antecessores não duravam um mês sob o seu chicote verbal, mas eu era diferente. Eu descobri que sentia uma paz estranha ao ser comandado por ela.
— Você é meio inútil para ser criativo, garoto — ela disse certa vez, ajustando os óculos e me olhando com um desprezo que fez meu sangue ferver de uma forma nova —, mas para meu auxiliar está ótimo. Você segue ordens perfeitamente. Quase como uma máquina sem vontade própria.
Aquelas palavras, que deveriam ter me ofendido, me deram um prazer sombrio. Eu amava chamá-la de "senhora" e me acostumar a ser apenas um instrumento para a vontade dela.
Após dois meses de serviço impecável, Valquíria me chamou em sua sala. O sol da tarde batia nos seus cabelos de prata enquanto ela me examinava com uma lupa imaginária. — André, não é correto eu ter um auxiliar tão desleixado com a própria imagem. Esse corte militar é fruto de preguiça mental. Você não tem a disciplina para cuidar de si mesmo, então eu terei. Deixe esse cabelo crescer.
— Mas senhora... ele fica horrível se não raspar, eu não sei o que fazer... — comecei a justificar, sentindo minhas mãos suarem.
Ela nem me deixou terminar. Sacou um cartão de um salão de luxo e deslizou-o pela mesa de carvalho. — Eu pagarei. Você tem sido minimamente eficaz, e isso é um presente para que você não ofenda mais a minha visão. Você irá lá semanalmente; eles já têm instruções específicas sobre o que fazer com você.
Nas semanas seguintes, minha rotina mudou. O salão tornou-se um santuário. Sob as mãos de profissionais que me olhavam com sorrisos cúmplices, aprendi a usar shampoos caros, condicionadores que deixavam meus fios macios e tônicos de crescimento com aromas florais intensos. O cheiro de gardênias e orquídeas começou a impregnar minha pele, e eu me pegava cheirando meus próprios pulsos no meio do expediente, sentindo um prazer proibido.
Logo depois, veio o próximo passo na minha desconstrução. Ela me entregou um pacote pesado. Dentro, dez camisas de cetim e seda em tons de rosa choque, preto acetinado, azul pastel e lavanda. — Vista a rosa agora. Atrás do biombo — ordenou, sem desviar os olhos dos seus gráficos.
Ao vestir, o toque do cetim nos meus mamilos foi como uma carícia elétrica. A modelagem era propositalmente mais justa no abdômen do que no peito, forçando-me a manter uma postura ereta e destacando a curvatura das minhas costas. Saí de trás do biombo sentindo-me ridiculamente exposto. — Está melhor — ela comentou friamente —, mas você está flácido. Desproporcional. Ativei seu benefício de academia. Você treinará com o Ricardo na minha academia pessoal a partir de amanhã.
A rotina imposta por Ricardo era um pesadelo de dor e glória. Seguindo as ordens diretas de Valquíria, o treino era focado quase 90% em cardio e membros inferiores. Dos cinco dias da semana, três eram dedicados às pernas e um era exclusivamente para glúteos. Agachamentos, elevações pélvicas e extensões eram feitos até a falha. O treino de superiores era tão leve que parecia uma piada de mau gosto.
— Por que não treinamos braço, Ricardo? — perguntei um dia, sentindo minhas coxas tremerem.
— Homens ganham músculos muito fácil em cima, André — ele respondeu com um sorriso de canto — e a Valquíria deixou claro: ela te quer elegante, com linhas finas. Nada de ombros brutos. Ela quer que você "encaixe" no que ela planejou.
Eu aceitava cada gota de suor. Minha cintura começou a afinar drasticamente, e meus glúteos ficaram firmes, redondos e proeminentes sob as calças sociais que ela, com um prazer sádico, mandava apertar cada vez mais na alfaiataria da empresa.
Já estávamos no final do meu contrato de experiência. Eu vivia em um estado de transe, dando o meu sangue para auxiliá-la, viciado naqueles elogios que sempre vinham acompanhados de uma pitada de humilhação. Um dia, após o expediente, Valquíria me aguardava sentada em sua mesa, com uma perna cruzada sobre a outra, o salto agulha balançando perigosamente perto de mim.
— André, comprei mais algumas peças para compor seu uniforme. Você deve usá-las imediatamente. Não quero ver você com nada que não tenha passado pelo meu crivo.
Ela me entregou uma mala de viagem média, de um tom de rosa choque tão brilhante que parecia emitir luz própria. Peguei-a, sentindo o peso e o perfume dela impregnado no couro. Durante as duas horas de ônibus até o meu pequeno e apertado apartamento, a mala sobre meu colo parecia um segredo escandaloso.
Cheguei exausto, mas a curiosidade foi maior que o cansaço. Ao abrir o zíper, meu coração martelou contra as costelas. Havia camisas de seda ainda mais translúcidas, calças de alfaiataria com cortes inegavelmente femininos, desenhadas para abraçar quadris que eu agora possuía. Mas, no fundo, sob um papel de seda, havia um pacote de calcinhas brancas de elastano, sem costura, de toque frio e sedoso.
Tomei um banho longo, lavando meu cabelo agora sedoso e começando a ganhar alguns cachos devido ao crescimento. Naquela noite, o medo me impediu de tocá-las. Mas no sábado de manhã, acordei com a voz de Valquíria ecoando na minha mente: obedeça.
Comecei pela calcinha. Ao deslizar o tecido elástico pelas minhas pernas, senti o elastano abraçar minhas coxas e se acomodar perfeitamente no meu bumbum treinado. Não havia o volume incômodo de uma cueca; havia apenas o conforto de algo que parecia feito para mim. Por cima, coloquei a camisa branca de cetim — cujos botões eram costurados com linha rosa claro — e a calça preta de alfaiataria.
Olhei-me no espelho e perdi o fôlego. O André estava desaparecendo. A calça desenhava minhas curvas de forma escandalosa, e a camisa moldava uma silhueta que eu nunca imaginei ter. Vesti meu único sapato preto e me preparei para o salão. Valquíria estaria lá. Eu queria que ela visse que eu era o seu melhor projeto.
O que eu ainda não entendia era que aquele visual era apenas a moldura. Valquíria tinha planos para o conteúdo daquela mala rosa que fariam o meu "uniforme" parecer a parte mais discreta da minha nova vida.
