O Café do Teatro está quase vazio nessa tarde fria de julho. As luzes amareladas refletem nas mesas de madeira escura, e o cheiro de café forte se mistura ao de pastelão recém-saído do forno. Do lado de fora, a Rua XV de Novembro tem poucos pedestres apressados contra o vento gelado. Dentro, o som abafado de uma música indistinta, talvez de espera de telefone ou de elevador toca baixo nos alto-falantes.
Mauá chega primeiro. Ele entra empurrando a porta com o ombro largo, o casaco de lã preta aberto sobre uma camisa social que luta para conter a barriga proeminente. Tem cerca de 1,83 m, peso que varia entre os 110 e 130 kg dependendo do mês, cabelo escasso penteado para trás com gel, rosto largo e angular, olhos escuros que parecem sempre analisar o ambiente antes de se sentar. Ele se move com uma lentidão deliberada, como se o mundo devesse esperar por ele. Pede um espresso duplo e se acomoda numa mesa de canto, de costas para a parede — hábito antigo que nunca perdeu. Seu rosto carrega linhas profundas de preocupação e cansaço, mas também uma intensidade que faz as pessoas olharem duas vezes. Ele folheia distraidamente uma revista abandonada ali, mas na verdade está pensando em como tudo na vida parece uma negociação que ele nunca termina de ganhar.
Minutos depois, Pedro entra. Ele é mais leve no passo: barba grisalha bem aparada, cabelos cacheados grisalhos um pouco bagunçados pelo vento, rosto redondo e sorridente mesmo quando está sério. Usa um suéter de lã cinza sobre uma camiseta preta com estampa desbotada, calça jeans e tênis gastos. Tem porte médio-robusto, nada imponente, mas confortável na própria pele. Seus olhos escuros brilham com uma mistura de curiosidade e ironia. Ele avista Mauá imediatamente, acena com um sorriso amplo e pede um cappuccino com canela antes de se aproximar.
— Mauá, quanto tempo — diz Pedro, estendendo a mão. A voz é calorosa, apesar dos anos.
Mauá ergue o olhar devagar, quase relutante, mas aperta a mão com firmeza.
— Pedro. Senta aí. Tá frio pra caramba lá fora.
Eles se acomodam. Pedro puxa conversa primeiro, como sempre faz. Enquanto escuta Mauá solta um riso curto, rouco, que não chega aos olhos. E Pedro ri, genuíno, inclinando-se para frente.
E aí, o que te trouxe pra cá? Não me diz que é só turismo.
Mauá hesita. Ele gira a xícara vazia entre os dedos grossos.
— Às vezes a gente precisa de um lugar onde ninguém te conhece. Onde você pode sentar e fingir que não tem nada pra resolver. Mas no fundo... sempre tem.
Pedro observa o outro homem por um momento. Mauá parece carregar o peso do mundo nas costas largas, mas há algo vulnerável ali, uma melancolia que ele esconde atrás da postura dominante.
Mauá olha fixo para Pedro. Por um segundo, a máscara cai: os olhos suavizam, a boca treme quase imperceptivelmente.
Um professor da UFPR se reunindo com um barbeiro que nasceu na serra gaúcha e viajou o país mais de uma vez, inclusive amando muitas mulheres e talvez alguns homens. Os dois riem baixo. O garçom traz mais café. Fora, a tarde escurece cedo. Dentro do Café do Teatro, duas figuras improváveis — o homem robusto e imponente com alma pesada, e o barbudo cacheado de sorriso fácil e mente afiada — continuam conversando. Sobre o que significa carregar o peso das próprias escolhas e também muitas amenidades. Ninguém ali sabe quem eles realmente são, e talvez seja exatamente por isso que, por algumas horas, eles podem simplesmente ser.
O inverno de julho segue lá fora, mas dentro, o calor da conversa — e de dois cafés quentes — basta para aquecer o lugar.
O Café do Teatro foi se esvaziando aos poucos, até restarem apenas eles dois e o garçom que já limpava as mesas com desânimo. A conversa havia derivado de assuntos leves para silêncios mais longos, daqueles que carregam perguntas não ditas. Mauá pagou a conta sem perguntar, gesto automático de quem sempre assume o comando, e olhou para Pedro com uma intensidade que não deixava margem para mal-entendidos.
— Você ainda mora naquela casa afastada? — perguntou Mauá, voz baixa, quase rouca.
Pedro sustentou o olhar, o sorriso diminuindo até virar apenas um traço de cumplicidade.
— Moro. Herdei da mãe. Longe de tudo. Silêncio que ajuda a pensar… ou a não pensar.
Mauá assentiu devagar, como se pesasse cada palavra.
— Me leva lá.
Não foi pedido. Foi constatação seguida de movimento. Pedro não respondeu com palavras; apenas pegou o casaco, acenou para o garçom e saiu na frente, sabendo que Mauá o seguiria.
A viagem de carro foi curta e muda. O vento batia forte contra as janelas, o asfalto molhado refletia os faróis. Quando chegaram à casa — uma construção simples de madeira e pedra, isolada no fim de uma estradinha de terra —, o frio parecia mais cortante. Pedro acendeu a lareira com gestos práticos, enquanto Mauá tirava o casaco e ficava parado no meio da sala, ocupando espaço como sempre fazia.
— Faz tempo que não nos vemos — disse Pedro, quebrando o silêncio enquanto servia dois copos de Jack Daniels que nem perguntou se Mauá queria.
— Tempo suficiente pra eu lembrar que você sempre soube olhar pra mim de um jeito que os outros não olhavam — respondeu Mauá, aceitando o copo. Seus dedos grossos envolveram o vidro como se fosse algo frágil.
Pedro se aproximou, parando a um passo de distância. Olhou para cima — Mauá era bem mais alto — e deixou o olhar descer devagar pelo peito largo, pela camisa esticada sobre a barriga proeminente, pelo volume evidente sob a calça social.
— Eu sempre admirei isso em você — murmurou Pedro. — Essa… presença. Esse peso. Você entra num lugar e o ar muda. E eu… eu sempre quis saber como era ficar perto.
Mauá ficou imóvel por alguns segundos. Então, com uma lentidão quase cerimonial, levou a mão ao queixo de Pedro, erguendo-o levemente.
— Uma noite — disse, voz grave. — Só esta noite. Sem promessas, sem depois. Eu não conquisto, não fico de burro de carga, quando estou assim. Mas hoje… hoje eu aceito. Você deita, abre, recebe. E eu faço o que quiser com você.
Pedro sentiu o estômago se contrair de antecipação. Assentiu uma única vez.
— Então faz.
Mauá não beijou de imediato. Primeiro mandou Pedro tirar a roupa — peça por peça, devagar — enquanto ele próprio se despia com economia de movimentos. Quando Pedro ficou nu, a pele morena clara contrastando com os pelos grisalhos do peito e da barriga, Mauá o observou como quem avalia uma posse temporária. O próprio corpo dele, exposto, era imponente: barriga arredondada mas firme, peito denso de pelos escuros, braços grossos, coxas pesadas. A ereção já se destacava, grossa, pesada, apontando para cima com veias salientes.
Ele Pediu por banha de porco que Pedro lhe trouxe na vasilha, no que Mauá empurrou Pedro de costas contra a parede de madeira ao lado da lareira, o calor das chamas lambendo a pele dos dois. Mauá colou o corpo contra o dele, a barriga pressionando a lombar de Pedro, o pau duro encaixando-se na curva da bunda. Uma das mãos grandes envolveu o pescoço de Pedro — não apertando, apenas segurando, dominando o ângulo do rosto e lhe estreitando forte entre os braços por um longo minuto.
— De quatro no tapete — ordenou, baixo.
Pedro obedeceu, joelhos afundando no tecido gasto diante do fogo. Mauá se ajoelhou atrás, abriu as nádegas com as duas mãos grandes e ficou ali um instante, apenas olhando, respirando pesado. Depois espalhou banha de porco na palma, passou pelo próprio pau e, sem mais preliminares, posicionou a cabeça grossa contra a entrada.
Entrou devagar no começo, centímetro por centímetro, sentindo a resistência ceder, o calor apertado envolver cada veia. Pedro gemeu baixo, testa encostada no tapete, punhos cerrados. Mauá parou quando estava todo dentro, barriga colada nas costas de Pedro, e ficou imóvel, deixando o outro se acostumar ao tamanho, ao peso.
— Isso — murmurou Mauá, quase para si mesmo. — Assim. Quietinho. Só sentindo.
Então começou a se mover. Estocadas lentas, profundas, controladas. Cada saída quase até a borda, cada entrada até encostar os ossos. O som era molhado, ritmado, misturado ao crepitar da lenha. Mauá segurava os quadris de Pedro com força, dedos afundando na carne, marcando. Às vezes se inclinava e mordia o ombro, o pescoço, deixando impressões vermelhas que desapareceriam em dois dias.
Pedro se entregava completamente — cabeça baixa, costas arqueadas, gemidos abafados contra o antebraço. Quando Mauá acelerou, o impacto fazia o corpo inteiro de Pedro estremecer. A barriga pesada batia contra as nádegas a cada estocada, um som surdo e carnal. Mauá grunhia baixo, quase animal, uma mão subindo para agarrar os cabelos cacheados grisalhos e puxar a cabeça para trás.
— Você queria isso, não queria? — rosnou perto da orelha. — Ser meu. Ser empalado. Ser usado.
Pedro só conseguiu assentir, voz rouca:
— Queria… há muito tempo.
Mauá não avisou quando gozou. Simplesmente enterrou-se até o fundo, corpo inteiro tenso, e esvaziou dentro dele em jatos longos e quentes, grunhindo baixo contra a nuca suada. Ficou ali alguns segundos, pulsando, respirando pesado, antes de sair devagar, vendo o sêmen escorrer do buraco bem aberto em que uma bolha de porra se formava separada do restante de banha de porco e da carne sensível, então, descer pela parte interna da coxa de Pedro.
Depois, silêncio. Mauá se sentou no sofá, pernas abertas, ainda semi-ereto, e fez sinal para Pedro se aproximar. Ele obedeceu, sentando-se entre as coxas grossas, cabeça apoiada no ombro. Mauá passou a mão grande pelos cabelos cacheados, um gesto quase terno.
— Uma noite — repetiu, voz mais suave agora. — Amanhã cada um segue.
Pedro fechou os olhos, sentindo o cheiro de suor, lenha e sexo impregnado na pele do outro.
— Uma noite já valeu.
Lá fora o vento uivava, mas dentro da casa velha só restava o calor decrescente da lareira e o peso reconfortante de dois corpos que, por algumas horas, não precisaram explicar nada a ninguém.
Mauá seguiu Pedro pelo corredor estreito da casa velha, os passos pesados fazendo o assoalho ranger como se protestasse contra o peso. O corpo grande preenchia o espaço, a sombra projetada pela luz fraca do abajur alongando-se à frente como um aviso. Pedro andava na frente, nu, a pele ainda marcada pelas mãos grandes que o haviam segurado horas antes, o andar um pouco mais lento, as coxas roçando uma na outra com o resíduo do sêmen seco e da entrega.
Chegaram ao quarto pequeno, cama de casal com lençóis amassados e um cobertor grosso jogado de qualquer jeito. Pedro se deitou primeiro, de lado, virado para a parede, deixando espaço suficiente — ou quase — para o outro. Mauá hesitou um segundo na porta, o peito largo subindo e descendo devagar, depois se aproximou. A cama gemeu alto quando ele se sentou na beirada; o colchão afundou tanto que Pedro rolou levemente para trás, quase colando as costas na barriga peluda.
Mauá puxou para cima deles, mais para si mesmo o cobertor e se deitou de barriga para cima, ocupando mais da metade da cama sem nem tentar se desculpar. Uma das mãos grossas caiu sobre a coxa de Pedro, não como carícia, mas como posse casual. Fechou os olhos quase imediatamente. Em menos de dois minutos, o ronco começou: grave, ritmado, sacudindo o peito e reverberando no quarto como um motor distante. Era um ronco de homem exausto, sem pudor, que enchia o silêncio da casa e parecia dizer “estou aqui, e o mundo que espere”.
Pedro, ainda acordado, ficou ouvindo. O som era reconfortante de um jeito estranho — bruto, real, sem fingimento. Ele sorriu no escuro, sentindo o calor do corpo pesado ao lado, o cheiro de suor seco misturado a lenha e sexo impregnado neles dois. Aos poucos, o cansaço o venceu também. Desmaiou de sono, corpo relaxado, satisfeito.
Quando acordou, a luz cinzenta da manhã entrava pela cortina fina. O ronco ainda ecoava, ininterrupto. Pedro abriu os olhos devagar, virou o rosto e viu Mauá deitado de costas, boca entreaberta, barba rala do dia anterior já aparecendo, o peito subindo e descendo em ondas largas. Sentiu uma alegria quieta: o macho que partilhara os travesseiros com ele ainda estava ali, grande, pesado, real. Não havia sido sonho.
Levantou-se sem fazer barulho, pés descalços no chão frio. Mauá nem se mexeu. Pedro saiu do quarto, de dentro da cozinha ouviu o jato forte começando quase no mesmo instante — Mauá acordara com a bexiga cheia. O som era demorado, abundante, ecoando pelas paredes finas como se o homem estivesse marcando território mesmo ali.
Enquanto Pedro já se adiantava bastante no café da manhã com gestos simples: café coado num bule de porcelana antiga, pão de forma na torradeira, ovos que fritou na indispensável banha com sal grosso. O cheiro subiu rápido, misturando-se ao ar úmido da manhã.
Mauá apareceu na porta da cozinha minutos depois, nu como Pedro, o corpo imponente ocupando o batente inteiro. Barriga proeminente, peito peludo, pau ainda meio inchado do sono e da lembrança da noite. Ele não disse nada; apenas entrou, pegou duas canecas do armário como se já conhecesse o lugar, e começou a ajudar: cortou tomates, quebrou ovos extras, arrumando também a mesa com Pedro.
Terminaram tudo em silêncio cúmplice. A mesa era pequena, de madeira de Lei, com uma patina que combinava com a toalha trazida dos Estados Unidos. Ficaram em pé, um de cada lado, nus, sem pressa de se cobrir. O sol tímido de inverno entrava pela janela da cozinha, batendo fraco na periferia semi-rural de Curitiba — casas espaçadas, quintais com galinhas, calçadas irregulares numa rua de terra batida. A luz pálida desenhava sombras suaves nos corpos: na barriga arredondada de Mauá, nos pelos grisalhos do peito de Pedro, nas marcas vermelhas que as mãos grandes haviam deixado nas coxas dele.
Eles se serviam sem cerimônia. Mauá pegava fatias de pão, passava manteiga com a faca de cutelaria artesanal, comia em mordidas grandes. Pedro cortava ovo, levava à boca, observava o outro por cima da borda da caneca. Mauá sustentava o olhar de vez em quando, olhos escuros ainda carregados de sono e de algo mais indefinível — satisfação, talvez posse de fera, talvez apenas aceitação do momento.
Não havia conversa desnecessária. Só o som de talheres batendo no prato, o ronco distante de aeronaves longe no céu, o vento leve batendo na telha. Dois homens nus, em pé, comendo devagar, se olhando sem disfarce, enquanto o dia começava lá fora, indiferente ao que havia acontecido entre aquelas paredes durante a noite.
Quando terminaram, Mauá limpou a boca com as costas da mão, olhou para Pedro mais uma vez e disse, voz rouca de sono:
— Também acorda cedo com fome.
Pedro sorriu, amplo, genuíno.
— Coisa de hoje.
E foi só isso. O resto da manhã podia esperar.
Mauá voltou da cozinha sem pressa, o corpo ainda nu balançando com o andar pesado. A lareira estava fria, cinzas espalhadas como neve suja. Ele se abaixou, pegou o controle remoto jogado no braço do sofá e ligou a TV sem nem olhar para a tela. O som do aparelho bem baixo, intervalo comercial, o próximo já seria o telejornal com o locutor falando de greves, chuva no interior, dólar subindo. Mauá se sentou na ponta do sofá, pernas abertas, e começou a se vestir devagar, quase por instinto, sem cerimônia nem pressa.
Primeiro a cueca preta que havia tirado na noite anterior — amassada, ainda com o cheiro forte de suor e sexo seco. Enfiou as pernas, subiu pela coxa grossa, ajustou o volume na frente com um gesto casual da mão. Depois as meias escuras, uma de cada vez, dedos grossos puxando o tecido até o tornozelo. Calça social cinza, zíper subindo com um som seco. Sapatos pretos, amarrados frouxamente. Por último a camisa branca, que deixou aberta sobre o peito peludo, botões ignorados, barriga proeminente à mostra, pelos escuros contrastando com a pele clara.
Pedro terminou de lavar a louça em silêncio: prato, caneca, talher, tudo enxaguado e colocado no escorredor. Passou pano úmido na mesa, limpou as migalhas. Foi ao banheiro. Tomou banho rápido, água morna escorrendo pelo corpo moreno claro, lavando o suor da noite, as marcas das mãos grandes. Quando terminou, ficou ali um instante, porta entreaberta, inspirando fundo o cheiro forte que ainda pairava no ar — o mijo de Mauá, abundante, marcando o vaso como se fosse território conquistado. Pedro sorriu sozinho, satisfeito, quase reverente. Deu descarga, o som da água girando levou embora o amarelo, mas não o que ficou impregnado na memória.
Voltou à sala. Sem dizer nada, sem que Mauá virasse a cabeça ou demonstrasse notar, Pedro se vestiu com as mesmas roupas do reencontro no Café do Teatro: cueca cinza, calça jeans desgastada, meias pretas, tênis gastos. Camiseta preta desbotada por cima, suéter de lã cinza deixado de lado por enquanto. Sentou-se no sofá ao lado de Mauá, a uma distância respeitosa, mas próxima o suficiente para que o calor dos corpos se tocasse no ar frio da manhã.
Ambos calados. Olhos na tela. O telejornal seguia seu ritmo previsível: política, trânsito, previsão do tempo. Mauá não comentava, não mudava de canal. Pedro também não. Só assistiam, respirando no mesmo compasso lento.
Quando o telejornal terminou —, Mauá se levantou com um movimento fluido apesar do tamanho. Apertou o botão de desligar, a tela escureceu, o silêncio voltou a encher a casa. Virou-se para Pedro, olhos escuros fixos, expressão séria, mas com um brilho de intenção crua.
— Quero comer você de frente naquela cama — disse, voz firme, sem rodeios. A ereção já marcava a virilha da calça social, o tecido esticado delineando o pau grosso, apontando para cima, sem disfarce nem vergonha.
Pedro sentiu o estômago se contrair de entusiasmo. Os olhos escuros brilharam, um sorriso lento se abrindo no rosto redondo, barba grisalha emoldurando a boca que se entreabriu levemente.
— Então vem — respondeu, voz baixa, quase rouca de antecipação.
Mauá não esperou mais. Deu dois passos largos, pegou Pedro pelo braço — não com força bruta, mas com autoridade —, e o guiou de volta ao quarto. A cama ainda desarrumada os esperava. Mauá saiu, apanhou a banha de porco e no quarto, empurrou Pedro de costas sobre os lençóis, subiu por cima dele sem tirar a camisa aberta nem a calça inteira — só abriu o zíper, baixou a cueca o suficiente para liberar o pau duro, pesado, ainda quente do corpo. Enquanto Pedro que já tinha se livrado da cueca e calças deixando elas no chão esperava por Mauá que espalhou banha de porco na palma, passou no próprio pau, posicionou-se entre as coxas de Pedro e entrou devagar, olhando nos olhos dele o tempo todo. De frente, como prometera. Barriga pesada pressionando a barriga de Pedro, peito peludo roçando o peito grisalho enquanto a camiseta de Pedro foi levantada até os sovacos, mãos grandes segurando os pulsos de Pedro contra o colchão.
O ritmo começou lento, profundo, cada estocada fazendo a cama ranger. Mauá não falava mais. Só respirava pesado, grunhia baixo no fundo da garganta. Pedro arqueava as costas, gemidos abafados escapando, olhos fixos nos de Mauá — aquele olhar sério, melancólico, agora carregado de desejo puro.
Eles seguiram assim, corpos colados, roupas meio vestidas, o sol tímido da tarde filtrando pela cortina fina, iluminando a pele suada, os pelos misturados, o movimento ritmado e inevitável.
Nenhuma palavra. Só o som da carne encontrando carne, da respiração pesada, do colchão protestando.
E o resto do dia, lá fora, podia esperar mais um pouco.