O restaurante estava mais movimentado do que o normal naquele dia. As mesas estavam cheias, e o ambiente transbordava de vozes e risos. Maioria que estava naquele restaurante não estavam interessado em bife acebolado e nem arroz e feijão. O prato principal daquela tarde atendia por outro nome.
— Cassandra, cadê a minha comida?
— Aqui seu perdido, senhores. Desculpa o atraso!
Ela andava pelo restaurante com um sorriso de quem se sentia no centro das atenções, seus passos leves e descomplicados, como se estivesse desfilando em uma passarela e os olhares dos clientes eram como se fosse os jurados. A minissaia que ela usava era tão curta que mal cobria suas coxas torneadas. Cassandra adora chama atenção.
Ela parou uma da mesa pra anotar os pedidos. Ela se curvou um pouco encostando os cotovelos na mesa. As pernas, torneadas e sem-vergonhas, se exibiam sob a minissaia que ameaçava subir mais. Um dos clientes deixou o guardanapo cair no chão, se abaixou discretamente pra ver. O que viu debaixo da saia de surpreendeu positivamente. Acabou caindo da cadeira.
— Nossa, que buceta linda... — disse o cliente que caiu no chão.
— Hein, moça, que vergonha. Não sabe usar calcinha não? — manifestou uma senhora na mesa ao lado.
— A senhora vai pedir alguma coisa, senão melhor procurar outro restaurante, preferencia um asilo!
A senhora levantou furiosa de raiva e saiu daquele restaurante.
Débora, que estava por trás do balcão organizando algumas encomendas, observava a irmã tudo com certa raiva.
Débora falou tudo pra seu pai.
— Pai, preciso falar com o senhor. Cassandra está apontando de novo.
Hugo, que arrumar algumas coisas nos fundos da loja, virou-se para a filha com um olhar preocupado.
— O que foi dessa vez? — perguntou ele, já imaginando o pior.
— Ela está andando pelo restaurante com uma minissaia ridiculamente curta e sem calcinha. E pior, ela acabou de expulsar uma cliente. — disse Débora.
Hugo arregalou os olhos, incrédulo. Ele sabia que Cassandra gostava de chamar atenção, isso não era novidade, mas aquilo era demais. Sempre tentara dar liberdade às filhas, mas havia limites. E Cassandra estava ultrapassando todos eles.
— Isso já saiu do controle. Vou falar com ela agora mesmo. — declarou Hugo, num tom firme.
Cassandra foi por quatro retocar a maquiagem quando seu pai entrou no quarto.
— Cassandra, que história é essa de andar sem calcinha pelo restaurante? Você não se dá ao respeito?
— Aposto que a minha irmã fofoqueira inventou alguma coisa pro senhor. — rebateu, tentando desviar o foco, o tom carregado de sarcasmo.
— Cassandra, você ainda não respondeu à minha pergunta. — Hugo insistiu, claramente perdendo a paciência.
Ela suspirou, virou-se para encará-lo, o olhar desafiador.
— E daí, pai? Qual o problema?
— Qual o problema?! Ainda pergunta?! — a voz de Hugo se elevou, vibrando de indignação. — Essa não foi a educação que eu te dei, Cassandra. O que os outros vão pensar? Que eu tenho uma filha promíscua? Uma filha puta? É isso que você quer? Me envergonhar diante do bairro inteiro?
— Ah pai, vai me dizer que eu não fiquei bonita com essa minissaia. - disse ela dando uma volta.
— Isso pra mim é pouca vergonha. Está tudo de fora. É bem capaz ser confundida com uma prostituta. Não criei minha duas filhas pra uma ser puta.
Cassandra suspiro de raiva tirou a minissaia ficando seminua. Caminhou na direção de seu pai com aquela enorme buceta depilada. Ela abrir a gaveta e com calma, ainda encarando o pai com expressões brava, vestiu calmamente a calça jeans, como se tivesse todo tempo do mundo. Puxou o zíper e encarou o pai que tempo todo continuava parado e olhando pra filha.
— Dá satisfeito?
— Acho bom andar na linha Cassandra. Eu nunca toquei um dedo em ti, mas se apontar novamente eu juro que vai levar uma boa palmada no bumbum.
Depois daquele sermão ele saiu pra cuidar do restaurante lá embaixo. Cassandra por sua vez gritava pulando em cima da cama afundando a cabeça no travesseiro. Depois com muita calma deve uma grande ideia.
Num belo dia, lá estava ela outra vez, saindo de casa com sua minissaia indecente, convicta de que suas pernas torneadas mereciam mais atenção do que qualquer outdoor na rua. E não deu outra. Bastaram alguns passos para que os olhares dos transeuntes se voltassem todos para ela. Cassandra estava radiante, achando que tinha conquistado o mundo. Cassandra não conquistou o mundo, mas aquelas pernas conquistaram quem passava naquela rua.
O que ela não esperava era a chegada de um inimigo traiçoeiro, invisível e cruel: o vento. Levantou a saia dela a ficando nua da cintura pra baixo.
A sua enorme buceta foi expostas pra todo mundo que passava na rua.
Cassandra, desesperada, tentou abaixar a saia, mas acabou tropeçando nos próprios pés e caiu no chão com a bunda empinada para cima. As pessoas que passava no local correram pra ver aquela cena que eles não iriam esquece tão cedo.
Não bastasse a vergonha da queda, os risos começaram, acompanhados de câmeras de celulares para registrar a cena.
— Veja que pouca vergonha! — gritou a vizinha fofoqueira.
— Que falta de respeito... Sempre soube que essas filhas do Hugo eram muito indecentes! Essa nasceu pra ser puta! — completou uma outra vizinha fofoqueira, se abanando com a mão, como se estivesse prestes a desmaiar.
A vizinha, com toda sua moralidade jogou um balde de água fria sobre Cassandra, acertando em cheio a pobre garota, que ficou encharcada da cabeça aos pés. O público ao redor continuou a rir, e os flashes das câmeras não paravam de disparar. Ela tentou se recompor, mas a situação era tão absurda que tudo o que ela conseguia fazer era sair correndo de lá mesmo com a bunda de fora e perdendo a minissaia que desapareceu do local.
Chegando em casa, completamente molhada e com a cara de quem tinha acabado de ser atropelada, Cassandra entrou no quarto e foi direto para onde Débora estava.
Cassandra, ainda tentando se recompor tentando esconder as vergonhas, olhou para a irmã.
— Não... você não vai acreditar o que aconteceu...
Débora olhou para ela, segurando o riso com dificuldade, como se tivesse jubilando com aquela situação.
Após ouvir o relato da irmã, não resistiu:
— Bem feito! Quem sabe agora, depois dessa vergonha, você resolve vestir uma calça... e aprende a usar calcinha!