Capítulo 04: Sob a Mesa
Por Fernanda
A mesa de jantar da nossa casa era uma obra de arte em jacarandá, longa o suficiente para acomodar doze pessoas, mas naquela noite, parecia pequena demais para o oxigênio que Alice e eu estávamos roubando.
Meu pai abriu um vinho chileno caro, celebrando a "união das famílias". Cristina estava radiante, falando sobre os detalhes das flores do casamento. Stefano, o namorado impecável, estava sentado ao lado de Alice, com a mão possessiva sobre a coxa dela por cima do vestido de seda clara que ela usava.
Eu? Eu estava bem na frente deles. Bebendo meu vinho e observando cada microexpressão da minha nova "irmã".
— Alice me contou que você faz Design de Interiores, Fernanda — Cristina disse, tentando puxar assunto. — Quem sabe você não ajuda a decorar o novo quarto dela?
— Engraçado você dizer isso, Cristina — respondi, sorrindo de lado, sentindo uma malícia deliciosa subir pela minha espinha. — Eu estava pensando justamente que o quarto da Alice precisa de um toque... mais pessoal. Algo que a faça se sentir realmente em casa.
Alice engasgou com um gole de água.
Por Alice
Eu sentia o olhar de Fernanda como uma brasa na minha pele. Ela não estava apenas conversando; ela estava me caçando.
— Tutto bene, amore? — Stefano perguntou, batendo de leve nas minhas costas.
— Sim, só o tempero... está um pouco forte — menti, sentindo meu rosto queimar.
Para tentar me acalmar, deixei meu guardanapo cair propositalmente. Abaixei-me para pegá-lo sob a mesa, buscando um segundo de isolamento daquele interrogatório disfarçado de jantar. Foi quando vi.
As pernas de Fernanda estavam relaxadas, mas assim que desci, ela moveu o pé. Com uma audácia que me fez perder o ar, ela tirou o sapato e começou a deslizar os dedos do pé pela minha canela, subindo lentamente pelo tecido fino do meu vestido.
Subi rapidamente, o coração batendo na garganta. Olhei para ela, pronta para fulminá-la com o olhar, mas Fernanda estava calmamente ouvindo meu pai falar sobre colunas gregas, levando a taça de vinho aos lábios com uma elegância irritante.
Por Fernanda
Era perigoso. Era estúpido. E era a coisa mais excitante que eu já tinha feito.
Debaixo da mesa, meu pé continuava sua exploração. Eu sentia a musculatura da perna de Alice retesar. Ela estava tentando manter a compostura enquanto Stefano falava sobre os vinhedos da Toscana. Subi um pouco mais, sentindo o calor da pele dela onde o vestido terminava.
— Alice? — chamei, a voz doce como mel. — Você está tão calada. Está gostando do jantar?
Ela me olhou. Os olhos dela estavam escuros, uma mistura de fúria e um desejo que ela não conseguia mais esconder.
— O jantar está... inesquecível, Fernanda — ela disse, apertando os talheres com força. — Mas acho que o vinho subiu um pouco à cabeça. Preciso de um ar. Com licença.
Ela se levantou abruptamente e saiu em direção à varanda que dava para a piscina.
Por Alice
O ar frio da noite de Florianópolis não foi o suficiente para apagar o incêndio que Fernanda tinha começado debaixo daquela mesa. Eu me apoiei no parapeito, fechando os olhos, tentando lembrar por que o Stefano era a escolha certa. Ele era seguro. Ele era o que minha mãe esperava.
— Fugindo tão cedo, maninha?
A voz dela veio das sombras. Ouvi o som dos passos dela no piso de mármore. Fernanda parou ao meu lado, mas não olhou para a vista. Olhou para mim.
— Você é louca? — sussurrei, virando-me para ela. — Meu namorado e nossos pais estão a metros de distância!
— O perigo é o que torna isso real, Alice — ela deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. — Você pode fingir para eles, pode fingir para o italiano, mas não pode mentir para o seu corpo. Eu senti como você tremeu lá dentro.
— Foi um erro — repeti, mas minha voz falhou.
— Erros não costumam ser tão viciantes — Fernanda estendeu a mão e tocou uma mecha do meu cabelo loiro, enrolando-a nos dedos. — Você vai passar a noite naquele quarto com ele, não vai? Vai deixar ele te tocar enquanto imagina que são as minhas mãos?
Antes que eu pudesse responder, ouvimos a voz de Stefano chamando meu nome dentro de casa.
Fernanda sorriu, aquele sorriso predatório que me assombrava desde a boate. Ela se inclinou, sua boca a milímetros da minha, apenas para sussurrar:
— Boa noite, Alice. Tente não gritar o meu nome no escuro.
Ela se afastou e voltou para o jantar como se nada tivesse acontecido, deixando-me ali, sozinha com o silêncio da noite e a certeza de que a convivência naquela casa seria a minha maior tortura.
Notas da Autora:
O que acham desse jogo de sedução?
A tensão está subindo e Fernanda não está dando trégua! No próximo capítulo, a primeira noite sob o mesmo teto reserva encontros inesperados no corredor da mansão.
