Eu, Lara e a Júlia sempre fomos praticamente a mesma pessoa, principalmente por sermos gêmeas idênticas.
Não só pela idade ou por termos acabado na mesma faculdade, mas por um conjunto de coisas que só os gêmeos possuem. A gente gostava das mesmas coisas, tinha o mesmo ritmo, as mesmas manias, até o jeito de reagir às coisas era parecido. Às vezes parecia que não precisava nem falar, porque a outra já sabia.
E isso só piorava, ou melhorava, por causa da aparência.
Desde que nossos pais se divorciaram fomos morar com o nosso pai em uma casa no interior, casa pequena, apenas com dois quartos, onde Eu e Júlia dividimos.
Mesma altura, corpo igual, curvas no mesmo lugar, a mesma pele clara que marcava fácil, o cabelo escuro caindo pelas costas quase do mesmo jeito. Era estranho, mas ao mesmo tempo natural, porque a gente convivia com isso todos os dias.
Dividir o quarto só reforçava tudo.
Duas camas, uma de frente pra outra, roupas misturadas, espelho pequeno demais pras duas, e uma rotina onde não existia muito espaço pra individualidade. A gente se trocava ali mesmo, conversando sobre qualquer coisa, jogando roupa pra lá e pra cá, pegando peça uma da outra sem nem pedir.
Nunca teve vergonha.
Nunca teve limite.
E talvez por isso eu nunca tenha parado pra pensar em nada além do óbvio.
Até aquele dia.
A Júlia estava sentada na cama dela, mexendo no celular como sempre, completamente distraída. Usava uma camiseta larga, dessas que ela pegava sem pensar muito, e um short curto que já tinha subido mais do que devia enquanto ela se inclinava pra frente.
Eu olhei.
Sem querer… mas não tão sem querer assim.
A bunda dela estava marcada no tecido, redonda, firme, ocupando espaço de um jeito que chamava atenção mesmo sem esforço. E não era novidade. Eu já tinha visto aquilo mil vezes.
Mas, naquele momento… não parecia igual.
Talvez porque fosse igual demais.
Porque, olhando pra ela, era como olhar pra mim mesma… só que de fora.
O mesmo corpo.
As mesmas curvas.
Mas não era o meu.
E isso mexeu comigo de um jeito estranho.
Meu olhar demorou um segundo a mais do que devia, descendo, reparando no jeito que o short marcava, subia um pouco mais quando ela mudava de posição, no movimento natural do corpo dela ali, tão próximo… tão familiar.
Só que diferente.
– O que foi? ela perguntou, sem nem tirar os olhos do celular.
Eu desviei na hora, virando pro guarda-roupa rápido demais pra parecer natural.
– Nada.
Ela não insistiu.
Nunca insistia.
Mas aquilo já tinha acontecido.
E não dava pra simplesmente ignorar.
O quarto continuava o mesmo, o ventilador girando devagar, o som baixo do celular dela, a rotina de sempre… só que alguma coisa tinha saído do lugar.
Não do lado de fora.
Dentro.
Eu sempre soube que era bisexual, Júlia também sabia do meu gosto por mulheres, mas eu nunca tinha olhado Júlia de forma diferente, e dessa vez, naquele pequeno espaço eu estava vendo ela como algo separado de mim.
E, ao mesmo tempo… igual demais pra ser só isso.
Eu fiquei alguns segundos parada olhando pro guarda-roupa, fingindo que estava escolhendo alguma coisa, mas sem realmente ver nada. A cabeça ainda presa no que tinha acabado de acontecer, naquele olhar que passou do normal.
Atrás de mim, ouvi o som do colchão mexendo.
– A gente não vai se arrumar? a Júlia falou, agora já mais atenta, largando o celular de lado.
– Vai… respondi, ainda meio automática.
Quando virei de novo, ela já estava puxando a camiseta pela cabeça, sem cerimônia nenhuma, como sempre fez. O movimento foi rápido, natural… e, em segundos, ela estava só de sutiã e short na minha frente.
Nada novo.
E, ainda assim… completamente diferente.
Meu olhar foi direto, sem rodeio dessa vez. Desceu pelo corpo dela quase por instinto, como se eu não tivesse mais aquele reflexo automático de desviar.
O sutiã marcava bem os seios, cheios, firmes, praticamente iguais aos meus. O tecido apertava o suficiente pra desenhar tudo, sem esconder muita coisa. O short baixo deixava a cintura à mostra, a curva do quadril evidente… e, quando ela virou de lado pra pegar uma roupa na cama, a bunda ficou ainda mais marcada.
Eu senti.
Não era só curiosidade.
Era… atenção demais.
– Vai ficar me olhando ou vai se arrumar também? ela disse, com um meio sorriso, ainda de costas.
Aquilo me pegou.
Porque não soou como brincadeira.
Soou como se ela tivesse percebido.
Eu soltei um ar leve pelo nariz, tentando manter o tom normal.
– Tô pensando no que usar.
– Uhum… sei.
Ela riu baixo, puxando o short pra baixo sem pressa nenhuma, deixando cair pelas pernas. Ficou só de calcinha, andando pelo quarto como se fosse a coisa mais comum do mundo.
E sempre foi.
Mas não naquele momento.
Eu engoli seco, sentindo meu próprio corpo reagir de um jeito que eu não estava esperando. Virei pro guarda-roupa e, quase no automático, puxei minha blusa pra cima, tirando também.
O ar do quarto bateu na pele.
E, pela primeira vez… eu fiquei consciente disso.
Muito consciente.
Peguei um short qualquer e comecei a tirar o meu também, mais devagar do que o normal. Não porque precisava… mas porque eu sabia que ela estava ali.
E que, talvez… estivesse olhando também.
Quando levantei o rosto, nossos olhos se encontraram pelo espelho.
Por um segundo.
Dois.
Ninguém desviou na hora.
A gente estava praticamente igual. Mesma altura, mesmo corpo, mesma roupa íntima… como um reflexo fora do lugar. Só que não era um espelho.
Era outra pessoa.
Respirando.
Olhando de volta.
– A gente podia ir com roupa parecida hoje, ela disse, quebrando o silêncio, mas sem tirar os olhos de mim.
– A gente sempre vai, respondi, mais baixo do que eu pretendia.
Ela deu um meio sorriso.
– Mas hoje… combinando mesmo.
Eu não respondi na hora, apenas fui me vestindo.
A gente acabou escolhendo roupa parecida mesmo.
Sem combinar de verdade… mas combinando.
Short jeans curto, daqueles que modelam bem o corpo, cintura alta marcando a curva. Blusa mais leve, justa o suficiente pra desenhar o peito sem ficar exagerado. O cabelo solto, caindo quase igual nas costas.
Quando a gente parou na frente do espelho, lado a lado, ficou até estranho.
Parecia duplicado.
– Se a gente chegar assim, vão confundir, a Júlia falou, ajeitando o cabelo com a mão.
– Sempre confundem – respondi, mas dessa vez… aquilo teve outro peso.
Ela me olhou pelo reflexo.
Eu segurei o olhar.
Por um segundo a mais.
– Vamos logo, antes que eu desista, ela disse, quebrando o clima de leve, mas sem perder o sorriso.
A gente saiu do quarto, pegando bolsa, celular… tudo meio automático. A casa estava vazia, silenciosa, e isso só deixava tudo mais evidente.
O som da porta fechando atrás da gente pareceu mais alto do que o normal.
Lá fora, o ar da noite estava quente, típico de interior. A rua estava meio escura, só alguns postes acesos, a chácara ficava a uns vinte minutos dali.
A gente foi de carro em um ritmo tranquilo.
No começo, conversando normal. Comentando da faculdade, das pessoas que provavelmente iam estar lá, quem ia beber demais, quem ia dar trabalho… o de sempre.
Mas, aos poucos, a conversa foi diminuindo.
Não porque faltava assunto.
Mas porque tinha outra coisa ali.
Uma consciência diferente.
Eu sentia ela do meu lado o tempo todo. O braço às vezes encostando no meu sem querer… ou não tão sem querer assim.
Quando a gente entrou na estrada de terra que levava até a chácara, dava para ouvir a música alta, assim que desligamos o carro ouvimos o Funk misturado com eletrônico, gente rindo, vozes espalhadas pelo espaço aberto.
Já dava pra ver as luzes.
Pisca-pisca improvisado, carro estacionado de qualquer jeito, um grupo na entrada com copo na mão e sorriso fácil.
– Chegamos, a Júlia falou, olhando pra frente.
Mas antes de dar o primeiro passo pra dentro, ela virou pra mim.
De perto.
Muito perto.
O olhar desceu rápido, quase automático, passando pelo meu corpo… do mesmo jeito que eu tinha feito mais cedo.
E parou.
Subiu de volta.
– Tá bonita, ela disse, simples.
Eu senti.
–Você também, respondi.
Aquelas palavras soaram com segundas intenções, não dava para entender de onde vinha aquilo, afinal era minha irmã, mas , bom a gente sabia, de alguma forma a gente sabia.
A gente entrou.
A música bateu mais forte, o ambiente cheio, gente espalhada pela grama, alguns mais afastados perto das árvores, outros dançando perto do som.
E, mesmo com tudo aquilo acontecendo ao redor…
eu ainda estava consciente de uma coisa só.
Ela.
Do meu lado.
Como sempre.
Só que agora… não parecia exatamente do mesmo jeito.
A gente nem demorou muito pra se misturar com o pessoal. Cumprimento, risada, copo na mão… tudo no automático. A música alta preenchendo o espaço, gente dançando perto do som, outros espalhados pela grama, alguns já meio alterados, rindo alto demais. Era aquele tipo de festa onde ninguém presta atenção em nada por muito tempo… mas, mesmo assim, a gente chamava atenção.
– Caralho, de novo… alguém comentou mais baixo, achando que a gente não ia ouvir, elas são iguais mesmo.
– Mas claro, elas são gêmeas.
– Sim… mas parece muito em.
A gente só ignorou. Já estava acostumada.
Depois de um tempo, alguém puxou o clássico. – Bora um verdade ou desafio? E pronto. Em poucos minutos já tinha gente sentando em círculo, garrafa no meio, celular na mão pra cronometrar, todo mundo rindo antes mesmo de começar. A bebida já tinha feito efeito, nada exagerado, mas o suficiente pra deixar tudo mais leve, mais solto, mais fácil de entrar no jogo.
A garrafa girou algumas vezes, caindo em desafios bobos, verdades desconfortáveis, beijo entre gente aleatória, zoação… o padrão. Até parar na Júlia.
– Ihhh… alguém soltou, rindo, verdade ou desafio?
Ela nem pensou. – Desafio.
– Sabia, outro respondeu, já olhando em volta, então tá… deixa eu pensar…
O olhar dele passou pelo grupo até parar em mim, e o sorriso que veio depois já entregava tudo.
– Um beijo de língua de um minuto… com ela.
Na hora, o círculo explodiu em reação. Risada, “eita”, “quero ver”, alguém já pegando o celular pra contar o tempo. E, no meio disso tudo, eu travei por meio segundo. Só meio. Porque antes de qualquer reação minha, eu senti o olhar da Júlia.
Direto.
Pesado.
Diferente.
– Um minuto é muito tempo hein, alguém comentou.
– Cronometrado, outro reforçou.
– Mas pera aí… uma garota riu,
– elas não são irmãs não?
— Isso parece errado… e ao mesmo tempo… o cara riu, “melhor ainda”.
– Vai arreglar agora? a Júlia falou pra mim, com aquele meio sorriso que eu conhecia… mas que naquele momento tinha outra coisa por trás.
Aquilo me pegou.
– Você que pediu desafio, respondi.
O barulho ao redor diminuiu por um instante, como se todo mundo estivesse esperando. Não era silêncio vazio… era expectativa.
Ela se aproximou primeiro. Devagar, sem pressa, como se estivesse sentindo o momento e não só reagindo a ele. Eu não recuei. Nem pensei em recuar.
Quando a boca dela encostou na minha, não foi um selinho rápido como normalmente seria. Foi firme. Quente. Presente.
O primeiro segundo já foi diferente. Não teve hesitação de brincadeira. Teve intenção.
Eu senti o gosto da bebida nos lábios dela, a respiração mais próxima, o calor do corpo vindo junto quando ela encostou mais. E, sem perceber exatamente quando… eu correspondi. De verdade.
O beijo encaixou rápido, como se não fosse novo. Como se a gente já soubesse. Como se não fosse a primeira vez… mesmo sendo. A mão dela subiu devagar pelo meu braço, parando no meu ombro, firme o suficiente pra me puxar mais pra perto.
E eu deixei.
Alguém comentou alguma coisa. Risada. Um “caralho” mais alto. “Mano… olha isso”.
– Eu acho que elas tão gostando mesmo. Não é possível que seja só desafio.
Mas tudo isso ficou distante.
Muito distante.
Porque ali… não parecia mais um desafio.
Parecia outra coisa.
O beijo ficou mais lento, mais profundo, mais sentido. Não era apressado, não era desajeitado. Era consistente. Quase íntimo demais pra ser só uma brincadeira. Em algum momento, eu senti o corpo dela encostar mais no meu, natural, como se aquilo já estivesse permitido.
E eu não pensei.
Não analisei.
Só senti.
– Deu um minuto! alguém gritou.
Mas a gente ainda demorou um segundo pra se afastar.
Um segundo que disse mais do que todo o resto.
A gente se separou devagar, sem pressa. O olhar veio logo depois… e ficou.
Ao redor, o barulho voltou com tudo. Risada, comentário, zoação, gente repetindo a cena, alguém falando alto demais, outro ainda tentando entender.
– Eu falei… não é normal isso.
– Normal é… mas não é só normal.
– Essas duas…
Mas nada daquilo encaixava direito.
Porque alguma coisa tinha mudado.
De verdade.
Eu senti.
E, pelo jeito que a Júlia ainda me olhava…
ela também.
A gente não ficou muito tempo depois daquilo.
Tentaram puxar mais rodada, mais desafio, mais zoação… mas já não encaixava mais. Pelo menos pra mim. E, pelo jeito que a Júlia estava mais quieta do que o normal, pra ela também não.
– Vamos embora? ela falou baixo, só pra mim.
Eu nem pensei.
–Vamos.
A gente se despediu rápido, com aquele tipo de saída que não chama atenção… mas que, ainda assim, parece meio apressada demais pra quem estava se divertindo minutos antes.
–Já? alguém perguntou.
–Amanhã tem aula. a Júlia respondeu, dando de ombros.
Mentira fraca.
Mas suficiente.
A volta foi mais silenciosa do que qualquer uma das duas esperava. O carro seguia pela estrada quase vazia, farol cortando o escuro, o som baixo da música preenchendo o espaço sem realmente dizer nada. Nenhuma das duas comentou sobre o que tinha acontecido, e não era por falta de assunto… era porque qualquer palavra parecia diminuir aquilo.
Júlia dirigia com uma mão no volante, a outra apoiada perto da marcha, e em alguns momentos eu sentia o olhar dela escapando rápido na minha direção. Eu também olhava, mas sempre por pouco tempo, como se encarar demais fosse confirmar alguma coisa que ainda estava sem nome.
Quando chegamos em casa, o silêncio veio junto. A porta abriu, a luz acendeu, e o ambiente de sempre apareceu igual, pequeno, familiar, seguro. Só que não tinha mais o mesmo efeito. A gente entrou sem pressa, deixando as chaves em cima da mesa, os passos leves pelo corredor até o quarto.
Lá dentro, tudo estava como sempre: as duas camas, o ventilador girando devagar, as roupas jogadas de antes. Eu fechei a porta atrás de mim e, por um segundo, nenhuma das duas fez nada. Só ficamos ali, ainda com a energia da noite grudada na pele.
Júlia foi a primeira a se mexer. Tirou o tênis com o pé, jogando de lado, depois puxou a camiseta pela barra e deixou cair no chão sem cuidado, desabotoando o sutiã e fazendo ele cair ao chão. Eu fiz o mesmo, quase no automático. A troca de roupa, que sempre foi natural entre a gente, continuava sendo… mas não do mesmo jeito. Cada movimento parecia mais presente, mais consciente. O som do tecido caindo no chão era mais alto do que deveria, o ar parecia mais quente.
– Quem vai tomar banho primeiro? ela perguntou, simples, como se fosse só rotina.
Eu dei de ombros, ainda mexendo na roupa.
–Tanto faz.
Silêncio de novo.
Eu levantei o olhar.
Ela já estava olhando.
Sem pressa.
Sem desviar.
A distância entre a gente sempre foi pequena. Dois passos, no máximo. Mas, naquele momento, parecia menor ainda quando ela começou a andar na minha direção. Devagar. Sem hesitação. Como se não estivesse decidindo… só seguindo algo que já vinha acontecendo desde antes.
Eu não recuei.
Nem pensei em recuar.
Quando ela parou na minha frente, a gente ficou por um segundo só se encarando. Perto o suficiente pra sentir a respiração, o calor da pele, o mesmo corpo que sempre esteve ali… mas que agora parecia diferente só porque estava sendo visto de outro jeito.
Não teve aviso.
Nem pergunta.
Ela se inclinou levemente e, quando a boca dela encostou na minha de novo, não parecia repetição.
Parecia continuação.
O beijo veio mais fácil dessa vez. Mais lento. Mais consciente. Como se cada movimento estivesse sendo sentido de verdade. A mão dela subiu pelo meu braço, firme, me puxando um pouco mais pra perto, e eu deixei. Os nossos corpos se encostaram de vez, e quando os seios dela roçaram nos meus, um arrepio percorreu inteiro o meu corpo, fazendo o beijo ganhar outra intensidade.
Nada precisava ser dito.
Porque não era mais dúvida.
Era entendimento.
O ventilador continuava girando no teto, o quarto o mesmo de sempre, as roupas espalhadas pelo chão… mas ali, naquele espaço pequeno, a gente já não era exatamente igual ao que era antes.
As mãos dela começaram a explorar meu corpo com mais segurança, descendo pelas costas, apertando minha bunda, me puxando ainda mais pra perto. Eu respondi no mesmo ritmo, sentindo cada detalhe dela, cada curva… como se estivesse descobrindo algo novo em algo que sempre esteve ali.
E foi aí que ficou claro.
Ali não tinha mais só a minha irmã.
Ali tinha uma mulher que eu queria.
A gente se afastou só o suficiente pra respirar, mas sem realmente quebrar o contato. O olhar dela ainda preso no meu, intenso, vivo… como se estivesse confirmando que eu estava ali com ela.
A gente precisava de um banho.
Mas até isso virou parte do momento.
Fomos juntas, em silêncio, entrando no banheiro sem pressa. A água caiu quente sobre a gente, escorrendo pelos corpos, e mesmo assim a gente não se afastou. Pelo contrário. As mãos voltaram, os toques ficaram mais naturais, mais livres.
O beijo voltou.
E dessa vez… sem limite.
Minha mão desceu devagar pelo corpo dela, passando pela barriga, pelas coxas… até encontrar o calor entre as pernas. Eu senti o corpo dela reagir na hora, um arrepio mais forte, um suspiro preso que escapou perto da minha boca.
Ela me olhou.
E naquele olhar… não tinha mais espaço pra dúvida.
Eu comecei devagar, sentindo ela, entendendo cada reação, cada movimento. O corpo dela respondia fácil, como se já estivesse esperando por aquilo. Os gemidos vinham baixos, contidos… mas cheios de vontade.
Eu desci com a boca pelo pescoço dela, pelos seios, sentindo a pele quente, o arrepio fácil, até me ajoelhar. Ali, entre as pernas dela, eu não pensei muito.
Só quis.
E fui.
O corpo dela se entregou sem resistência, os movimentos ficando mais intensos, as mãos na minha cabeça, na minha nuca… guiando, pedindo mais sem precisar dizer.
Até que veio.
O corpo dela travou por um segundo, depois se soltou de uma vez, tremendo, respirando forte, em um orgasmo intenso, o olhar perdido e ao mesmo tempo preso em mim.
Eu subi devagar, encontrando o olhar dela de novo.
– Sua safada… falei baixo, quase rindo.
Ela sorriu.
E naquele sorriso… tinha resposta.
A gente voltou pro quarto ainda molhadas, sem se preocupar muito em se secar. A cama parecia mais confortável do que nunca. E, de novo, foi natural. Ela veio por cima dessa vez, tomando o controle com a mesma intensidade que tinha acabado de sentir.
Eu deixei.
E senti.
Cada toque, cada movimento, cada sensação crescendo de novo, mais forte, mais livre. Meu corpo reagia fácil, sem resistência, como se já tivesse entendido o caminho. Com sua boca ela me chupou, me fazendo gemer, louca de tezão, sem controle de mim, começo a gozar sem controle, me arrancando um gemido que eu precisei segurar no meio do caminho, lembrando por um segundo que não estávamos sozinhas na casa.
Depois… só o silêncio.
Mas não vazio.
A gente ficou ali, encaixada, abraçada, as pernas misturadas, o corpo ainda quente, o toque ainda presente. Os beijos voltaram mais leves, mais lentos, sem pressa.
Até o cansaço chegar.
E o sono também.
Na manhã seguinte, a luz entrou pela janela do mesmo jeito de sempre. Eu ainda estava meio perdida entre o sono e a lembrança da noite quando ouvi a voz dela.
– Mana… a gente vai chegar atrasada.
Eu abri os olhos.
Ela já estava acordada, sentada na cama, o cabelo bagunçado, o mesmo jeito de sempre.
Eu ri.
Porque, no meio de tudo…
ela ainda era a Júlia.
Mas agora…
não só isso.