​Capítulo XI: O Sol que Denuncia (e a Preguiça que Fica)

Um conto erótico de Entre agua e fogo
Categoria: Heterossexual
Contém 963 palavras
Data: 25/02/2026 19:23:04

A luz do sol em Limeira não pede licença; ela invade.

​Acordei com um raio de sol batendo direto no meu rosto, denunciando o caos da noite anterior. O lençol estava embolado nos meus pés, e o ar do quarto ainda carregava o cheiro denso de sexo e manteiga de karité.

​Ao meu lado, Ayandara dormia profundamente. A respiração dela era lenta, ritmada, o peito subindo e descendo numa paz que contrastava com a fêmea selvagem que me marcou horas antes.

​Meu corpo, no entanto, já estava desperto. Acordei duro, latejando, com aquela urgência matinal que não entende o conceito de descanso. Olhei para ela. A pele preta brilhava sob a luz da manhã, e a visão daquela mulher vulnerável e poderosa ao mesmo tempo me desarmou.

​Não resisti.

​Com cuidado para não assustá-la, deslizei para o meio das pernas dela. Ayandara nem se mexeu. Afastei as coxas dela devagar, expondo a intimidade que agora parecia minha casa. O monte de Vênus, com seus pelos escuros e aparados, era um convite silencioso.

​Abaixei a cabeça.

​Não foi um ataque. Foi uma reverência. Beijei a virilha dela, sentindo o cheiro natural do sono. Subi devagar, roçando o nariz nos pelos, venerando cada fio daquele triângulo sagrado, antes de finalmente encontrar os lábios da buceta dela.

​Dei uma chupada leve, longa e preguiçosa. Nada feroz. Era um "bom dia" úmido.

​Ayandara se mexeu na cama. Soltou um gemido baixo, rouco de sono, pensando que ainda estava sonhando. Mas quando minha língua traçou o clitóris dela com calma, a realidade a atingiu. Ela abriu os olhos devagar, perdidos, até focar em mim.

​Desta vez, não houve puxão de cabelo nem ordem.

​A mão dela desceu e acariciou minha cabeça com uma gentileza que fez meu peito apertar.

Os dedos dela se perderam nos meus fios curtos, num cafuné lento, retribuindo o carinho que eu dava com a boca. O corpo dela respondeu imediatamente: a cintura contraiu, criando ondas de prazer que eu sentia na língua.

​Ela me olhou. Havia desejo ali, sim, mas havia algo mais perigoso: havia amor.

​— Vem... — ela suplicou, a voz arrastada de sono. — Vem me foder, Malik.

​Subi o corpo devagar, beijando a barriga dela, sentindo a textura das estrias sob meus lábios. Subi pelos seios, mordiscando de leve, passei pelo pescoço marcado e finalmente encontrei a boca dela. O beijo foi lento, com gosto de manhã e promessa.

​Aproximei meus lábios do lóbulo da orelha dela e sussurrei:

​— Coloca ele pra dentro, minha Rainha.

​Ayandara sorriu, um sorriso desavergonhado e safado. A mão dela desceu, envolveu meu pau duro e quente, sentindo a pulsação na palma da mão. Ela o guiou, esfregando a cabeça do meu pau nos pelos dela, arrancando de nós dois um gemido que cortou o silêncio da manhã.

​Ela posicionou a entrada.

​Eu entrei.

​Não houve fúria. Não houve pressa. Foi um encaixe perfeito, lento, profundo. Eu a preenchi cm ternura, beijando a boca dela enquanto meu pau beijava o interior dela.

​Olhei nos olhos de Ayandara. A luz do sol iluminava o rosto dela, e eu me perdi naquela profundeza. A pele dela harmonizava com a minha, o coração dela batia no ritmo do meu. O som molhado dos nossos corpos se movendo não era apenas sexo; era a trilha sonora de algo que estava sendo construído ali, naquele colchão bagunçado.

​— Isso... — ela gemia baixinho no meu ouvido, como se me contasse um segredo de alma.

​O fim se aproximava, inevitável e doce. O gozo começou a subir, invadindo e tomando nossos corpos enquanto nos beijávamos com urgência.

​Quando explodi dentro dela, segurei o rosto de Ayandara entre as mãos e sussurrei, com a certeza de quem assina um contrato vitalício:

​— Você será minha mulher.

​Ayandara sorriu. Uma mistura linda de mulher madura e garota apaixonada. Ficamos ali, colados, nos admirando, querendo que o tempo parasse.

​Mas a realidade é um chão frio.

​Olhei para o relógio na parede. O horário de saída da van escolar. A paz do nosso casulo foi quebrada pela consciência de que havia uma criança na casa e uma rotina a cumprir.

​— Como eu saio daqui com ele acordado? — perguntei, o pânico súbito na voz.

​Ayandara riu, achando graça do meu desespero. Ela se levantou, nua e gloriosa, assumindo o papel de mãe com a mesma naturalidade com que assumiu o de amante.

​— Relaxa, Rei. Eu sou mãe ninja. — Ela vestiu um roupão. — Vou acordar o pequeno, dar o leite e colocar na van. Você fica aqui, quieto. Nem respira alto.

​Ela saiu do quarto.

​Fiquei deitado, ouvindo os sons da manhã: a voz doce dela acordando o filho, o barulho de desenho animado, a porta da frente batendo, o motor da van se afastando na rua.

​Quando o silêncio voltou, Ayandara reapareceu na porta do quarto. O roupão estava meio aberto.

​— A casa é nossa de novo — ela anunciou.

​Levantei-me e fui até ela. Estávamos semivestidos, descabelados e felizes. Dei um beijo nela e ela sorriu, me puxando pela mão.

​— Vem. Vamos tirar esse cheiro de sexo antes do café.

​O banho foi diferente da noite anterior. Não houve provocação, houve intimidade. A água morna caía sobre nós enquanto eu lavava as costas dela, passando o sabonete com cuidado. Ela se virou e, num gesto de ousadia e carinho, permitiu que eu me agachasse e lavasse sua buceta, cuidando dela como ela cuidou de mim.

​Saímos do banho renovados, mas ainda conectados.

​Na cozinha, o sol entrava forte. O cheiro de café fresco subiu. Ayandara colocou o pão na chapa e sentamos à mesa, um de frente para o outro.

​Não precisávamos dizer nada. O pão com mortadela estava lá, quente e crocante. E o olhar dela me dizia que aquele era apenas o primeiro de muitos cafés da manhã.

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