Era uma tarde morna de fim de fevereiro na cidade, o tipo de dia em que o ar-condicionado dos shoppings parece um luxo desnecessário, mas as decorações do carnaval ainda tomavam conta de tudo. Domingos caminhava devagar pelo corredor principal do shopping, mãos nos bolsos da calça jeans surrada, a camisa preta com discretos padrões geométricos cor salmão. Aos 52 anos, ele usava os óculos de aros de tartaruga com naturalidade, como se fossem parte do rosto oval e sereno. O cabelo curto e escuro estava penteado para o lado, e a expressão era neutra — nem alegre, nem triste, apenas presente.
Ele parou em frente à loja, fingindo interesse nos enfeites que já deveriam ter sido removidos. Na verdade, seus olhos vagavam para o lado, onde Reginaldo estava. Reginaldo, o segurança ali há três anos, acabara de sair da posição para uma pausa rápida. Sem o boné, nem o casaco (que ele tirava sempre que possível para não derreter), revelava-se um homem de 63 anos robusto, barriga proeminente mas bem distribuída, barba branca cheia e ondulada. Os olhos castanhos claros brilhavam e o sorriso era largo, daqueles que parecem permanentes.
Reginaldo percebeu o olhar primeiro. Virou-se devagar, limpou a garganta com um riso grave e rouco, e disse:
— Tá admirando a decoração ou o velhote aqui?
Domingos piscou, pego no flagra. Ajustou os óculos com o dedo médio, um gesto automático.
— As duas coisas, acho. O shopping é impressionante. Você... complementa bem.
Reginaldo riu de novo, o som ecoando como sinos de vento.
— Combino mesmo. Sou o acessório vivo. Mas hoje tô de folga parcial. Quer companhia pra dar uma volta? Ou prefere ficar só admirando de longe?
Domingos hesitou por meio segundo — tempo suficiente para Reginaldo notar e sorrir ainda mais. Então, com um leve aceno de cabeça, aceitou.
Eles começaram a andar lado a lado, devagar, passando pelas vitrines cheias de luzes. Reginaldo contava histórias exageradas de clientes que pediam coisas impossíveis, e Domingos ria baixo, quase surpreso consigo mesmo. Em certo momento, Reginaldo parou perto de uma fonte iluminada, virou-se para ele e perguntou direto:
— Você sempre usa essa cara de quem tá pensando em mil coisas ao mesmo tempo?
— Culpa dos óculos — respondeu Domingos, tocando a armação. — Fazem parecer que tô analisando tudo.
— Eu gosto. Dá um ar de mistério. — Reginaldo se aproximou um passo, a barriga quase roçando a camisa listrada. — E eu sou bom em desvendar mistérios. Principalmente os quietos.
Domingos sentiu o calor subir pelo pescoço. Não era costumeiro para ele — sempre reservado, sempre o que observava de longe. Mas havia algo na voz grave de Reginaldo, no jeito como a barba branca se movia quando ele falava, que desarmava.
— E o que você vê agora? — perguntou, a voz mais baixa.
Reginaldo ergueu a mão devagar, como se pedisse permissão, e tocou de leve o braço de Domingos, logo acima do cotovelo.
— Vejo um homem que tá receptivo. Que não fugiu ainda. Que talvez queira mais do que só uma volta no shopping.
Domingos não recuou. Em vez disso, inclinou-se um pouco para frente, os óculos refletindo a iluminação.
— Talvez eu queira. Mas sou lento pra essas coisas.
— Eu sou paciente — disse Reginaldo, o polegar traçando um círculo pequeno no tecido da camisa. — E tenho o ano inteiro pra esperar o carnaval chegar de novo. Mas prefiro não esperar tanto assim pra te ver sorrir de verdade.
Eles ficaram ali por um longo momento, o barulho do shopping virando fundo musical. Domingos, pela primeira vez em muito tempo, deixou as mãos saírem dos bolsos e tocaram a barba branca de Reginaldo — macia, real, cheirando levemente a café.
— Então não espera — murmurou.
Reginaldo sorriu, puxou-o gentilmente para um canto mais discreto atrás de uma pilastra decorada, e ali, entre luzes e o cheiro de baunilha dos biscoitos, eles se beijaram. Foi lento, exploratório, como se os dois estivessem descobrindo algo que já sabiam que existia. A barba de Reginaldo roçava o rosto de Domingos, os óculos escorregaram um pouco no nariz, e os dois riram contra os lábios um do outro.
Quando se afastaram, Reginaldo sussurrou:
— Quer continuar a volta? Ou prefere ir pra algum lugar mais quieto?
Domingos ajustou os óculos de novo, mas dessa vez com um sorriso genuíno.
— Vamos continuar a volta. Mas devagar. Temos tempo.
E assim, de mãos dadas discretamente (porque o shopping ainda era cheio de olhares), eles seguiram pelo corredor iluminado, dois homens que pareciam opostos — o discreto de óculos e o barbudo jovial — mas que, naquela tarde, se encaixavam perfeitamente no brilho que os cercava.
As luzes do shopping começavam a diminuir de intensidade quando o expediente de Reginaldo terminou. Ele trocara o uniforme de trabalho por uma camisa social azul-marinho de linho, calça escura e um blazer leve jogado sobre os ombros largos. A barba branca ainda cheirava levemente a café, mas agora misturado ao perfume amadeirado que ele usava fora do emprego. Domingos esperava perto da saída lateral, ajustando os óculos enquanto olhava o relógio — 20h15.
— Pronto pro próximo ato? — perguntou Reginaldo, aproximando-se com aquele sorriso largo que parecia iluminar o corredor.
Domingos assentiu, sentindo um frio na barriga que não era exatamente nervoso, mas algo vivo, novo.
— Vamos. Mas nada de pressa.
Eles saíram do shopping e pegaram um táxi curto até o bairro boêmio. Reginaldo sugeriu o Lasai — um restaurante que ele chamava de “tranqüilo, mas com personalidade”. O lugar ficava numa casa antiga reformada, com paredes de tijolos aparentes, teto alto de madeira escura e iluminação suave que fazia as mesas parecerem ilhas de intimidade no meio do salão.
Sentaram-se numa mesa de canto, perto de uma janela que dava para a rua calma. O garçom trouxe o cardápio degustação sem alarde, e eles optaram por ele — pratos vibrantes, com ervas da horta própria, frutos do mar frescos e toques brasileiros sutis. Enquanto esperavam o primeiro prato, Reginaldo ergueu a taça de água com gás.
— Saúde à noite que não acabou ainda.
Domingos sorriu, tocando a taça na dele.
— Às decorações que duram mais que o carnaval.
O jantar fluiu devagar. Eles comentaram a qualidade impecável: o equilíbrio perfeito entre texturas crocantes e cremosas, a forma como o chef usava ingredientes locais sem forçar exotismo. Reginaldo elogiou a leveza dos pratos — “nada que pese depois, pra gente poder continuar a conversa” — e Domingos concordou, dizendo que apreciava quando a gastronomia era estudada, não só consumida. Ambos revelaram ser aficionados por bons restaurantes: Reginaldo contava que, viúvo há cinco anos, aprendera a cozinhar sozinho e a caçar lugares que valessem a pena; Domingos, recém-divorciado há oito meses, admitiu que o divórcio o fizera redescobrir o prazer de sair sozinho ou com companhia escolhida, sem pressa.
— Eu sempre fui o cara que pagava a conta e ia embora cedo — disse Domingos, girando o drink de romã sem álcool na taça. — Agora... tô gostando de ficar.
Reginaldo inclinou-se um pouco sobre a mesa, os olhos claros fixos nos dele.
— Eu também. Faz tempo que não sinto vontade de estender a noite assim.
O jantar terminou com um café forte e uma sobremesa mínima — um sorvete de frutas vermelhas que derretia devagar. Quando o garçom trouxe a conta, Reginaldo insistiu em dividir, mas Domingos a pagou toda.
Na rua, o ar estava fresco, com cheiro de mar próximo. Reginaldo parou e olhou para Domingos.
— A noite ainda tá jovem. Que tal um licor no meu duplex? Fica logo aqui mesmo, uns dez minutos a pé. Nada de barulho, vista bonita pro cais à noite. E eu sou viúvo, então o meu cantinho é só meu. Sem pressa, sem explicações.
Domingos hesitou só o tempo de ajustar os óculos mais uma vez — um gesto que já virara código entre eles.
— Aceito. Mas só se tiver um licor decente. Nada de pinga disfarçada.
Reginaldo riu, grave e rouco.
— Tenho um limoncello caseiro que fiz no verão passado. Geladinho, cítrico que guardo pra ocasiões especiais. Vai ser perfeito pra não deixar a gente abstêmio.
Eles caminharam lado a lado pelas ruas arborizadas, mãos roçando de vez em quando. O prédio era discreto, antigo mas bem conservado. No elevador, Reginaldo apertou o botão do último andar. Quando a porta abriu, o duplex se revelou: sala ampla com sofá claro, tapete persa, quadros coloridos nas paredes e janelas grandes que davam para as luzes da cidade e logo adiante o porto.
Reginaldo foi até a cozinha aberta, pegou duas taças e trouxe o limoncello gelado primeiro. Serviu devagar, entregando uma taça a Domingos.
— Pra digestão... e pro que vier depois.
Eles brindaram sentados no sofá, as luzes baixas. O licor desceu fresco, doce-azedo, aquecendo por dentro. A conversa continuou baixa: sobre perdas, recomeços, o quanto a vida podia surpreender depois dos 50. Reginaldo contou da esposa que partira cedo demais; Domingos falou do casamento que acabou por desgaste mútuo, sem drama, só vazio.
Em certo momento, Reginaldo pousou a taça e tocou o rosto de Domingos, o polegar traçando a linha da barba feita.
— Você tá receptivo de novo.
Domingos deixou os óculos escorregarem um pouco no nariz, rindo baixo.
— Sempre estive. Só tava esperando o convite certo.
Reginaldo puxou-o devagar, e o beijo veio como continuação natural do jantar — lento, exploratório, com gosto de limão e café. A barba branca roçou o rosto de Domingos, as mãos grandes de Reginaldo envolveram sua cintura. Eles se demoraram ali, no sofá, sem pressa, enquanto as luzes da cidade piscavam lá fora.
A noite não acabou abstêmia. Nem cedo. E, pela primeira vez em muito tempo, nenhum dos dois sentiu vontade de ir embora.
Reginaldo manteve o ritmo lento, deliberado, como se cada segundo fosse um presente que não queria apressar. Seus braços grandes envolveram Domingos com firmeza gentil, puxando-o mais para perto no sofá. Os beijos vinham em camadas: primeiro leves, roçando os lábios; depois mais profundos, explorando a boca com a língua morna e paciente. A barba branca roçava o rosto e o pescoço de Domingos, deixando rastros de formigamento que faziam o outro estremecer sutilmente.
Ele notou primeiro a mudança na respiração: o ar entrando e saindo mais rápido, superficial, como se Domingos estivesse segurando algo dentro de si. Depois, o rubor subindo pelas bochechas e pelo pescoço, tingindo a pele clara de um tom rosado quente. E, por fim, aquele sorriso pequeno, quase involuntário, que enrugava o canto dos olhos por trás dos óculos — um sinal de entrega misturada com surpresa consigo mesmo.
Reginaldo sorriu contra a boca dele, um sorriso rouco e satisfeito.
— Vem cá — murmurou, afastando-se apenas o suficiente para se levantar do sofá.
Ele estendeu a mão, palma para cima, um convite silencioso. Domingos pegou-a, sentindo o calor largo da palma de Reginaldo, e se pôs de pé devagar, ficando frente a frente. Os dois homens eram quase da mesma altura, mas a presença de Reginaldo parecia maior: os ombros largos, a barriga proeminente, a barba branca ondulada, uma moldura viva.
Reginaldo colocou as duas mãos espalmadas no peito de Domingos, sobre a camisa listrada, sentindo o coração acelerado por baixo do tecido.
— Tira a camisa — pediu, a voz baixa, suave, quase um sussurro rouco. Era convite firme, carregado de desejo calmo.
Domingos obedeceu sem pressa. Desabotoou os botões um a um, os dedos um pouco trêmulos, mas determinados. Quando a camisa caiu aberta, revelando o peito liso, levemente peludo no centro, e a barriga suave de quem não malhava, mas também não se descuidara demais, Reginaldo soltou um suspiro baixo de aprovação. Ele ajudou a tirar a peça dos ombros, deixando-a cair no chão e lhe removendo os óculos para o sofá.
Domingos ficou ali, torso nu, o ar fresco da varanda roçando a pele aquecida. Seus olhos encontraram os de Reginaldo — castanho escuros, brilhantes, cheios de algo terno e faminto ao mesmo tempo. Ele esperava, caloroso, a respiração ainda entrecortada.
Reginaldo deslizou as mãos pelas laterais do corpo dele, descendo devagar até a cintura da jeans.
— Agora as calças — disse, mantendo o tom baixo, os polegares traçando círculos leves na pele acima do cós.
Domingos engoliu em seco, um leve nervosismo visível no tremor dos dedos ao abrir o botão e baixar o zíper. A calça escorregou pelas coxas, amontoando-se nos tornozelos. Ele saiu dela, ficando só de cueca preta simples, o volume já evidente sob o tecido.
Reginaldo não riu nem comentou; apenas observou, admirou, como se estivesse vendo algo precioso.
— A cueca também — pediu, a voz ainda mais baixa, quase um ronronar.
Domingos hesitou por um segundo — o último vestígio de reserva —, mas então enganchou os polegares no elástico e baixou a peça devagar, deixando-a cair. Com os próprios pés removeu sapato e meia um do outro. Ficou completamente nu diante de Reginaldo, a pele arrepiada pelo ar e pela expectativa, o membro semi-ereto tremendo levemente com a exposição.
Reginaldo não disse nada de imediato. Em vez disso, abriu os braços e o puxou de novo para um abraço pleno,. O calor do corpo robusto de Reginaldo envolveu Domingos como um cobertor vivo: a barriga macia pressionando contra a dele, os braços fortes cercando suas costas, a barba branca roçando o ombro nu quando depositava beijos ali. Ele beijou o pescoço de Domingos devagar, mordiscando de leve a pele sensível, depois subiu até a boca para um beijo mais profundo, possessivo, mas ainda gentil.
Enquanto se beijavam, uma das mãos grandes de Reginaldo desceu pelas costas de Domingos, traçando a coluna vertebral até chegar às nádegas que livres tinham aspecto arredondado e cheias lateralmente. Ele as acariciou com as duas palmas abertas, apertando de leve, depois massageando em círculos lentos, demorados. Os dedos exploravam a curva, a firmeza, a maciez da pele, sem pressa alguma. Domingos gemeu baixo contra a boca dele, o corpo se arqueando instintivamente para o toque.
— Você é lindo assim — murmurou Reginaldo entre beijos, a voz rouca vibrando no peito de Domingos. — Todo entregue... todo meu agora.
Domingos não respondeu com palavras. Apenas passou os braços ao redor do pescoço largo de Reginaldo, puxando-o mais perto, deixando que o abraço, os beijos e as carícias gentis nas nádegas dissolvessem o que restava de qualquer dúvida ou nervosismo. A noite, lá fora, continuava quieta, com as luzes piscando ao longe, mas dentro do duplex, o mundo se resumia àqueles dois corpos, ao calor compartilhado e ao prazer que se construía devagar, toque a toque.
Reginaldo manteve os olhos fixos nos de Domingos enquanto começava a se despir, devagar, como se cada movimento fosse uma resposta ao olhar do outro — um olhar cheio de expectativa doce, quase reverente. Primeiro, ele abriu os botões da camisa azul-marinho, revelando o peito largo, coberto por pelos brancos que desciam em linha até a barriga proeminente. A camisa caiu aberta, depois escorregou pelos ombros robustos e foi jogada de lado com um gesto casual.
Domingos observava sem piscar, quase fechando os olhos pelo calor que subia entre eles. Reginaldo desabotoou a calça escura, baixou o zíper com calma e deixou a peça deslizar pelas coxas grossas, revelando cuecas boxer pretas que mal continham o volume crescente. Ele as puxou para baixo em um movimento fluido, e o membro semi-ereto surgiu livre, pesado, pendendo com uma promessa evidente.
Domingos ficou visivelmente embasbacado. Seus olhos se arregalaram, a boca entreaberta em um suspiro silencioso. Ele engoliu em seco, depois murmurou, quase inaudível:
— Mede quanto?
Reginaldo sorriu, aquele sorriso largo e rouco que parecia abraçar o ar ao redor.
— Dezoito centímetros de comprimento... e catorze de circunferência — respondeu, sem vaidade, apenas com a naturalidade de quem já ouvira a pergunta antes, mas nunca com tanta ternura no olhar de quem perguntava. — Você vai gostar.
Domingos baixou os olhos por um instante, depois os ergueu de novo, o rubor voltando ao rosto.
— Eu... sou inexperiente nisso — confessou, a voz baixa e tímida. — Tenho medo de fazer algo errado. E... não quero sentir dor. Não agüento dor.
Reginaldo aproximou-se devagar, envolvendo Domingos novamente nos braços fortes, colando os corpos nus. A pele quente de Reginaldo contra a de Domingos era um contraste perfeito: a barriga macia pressionando a dele, o peito largo como um escudo gentil. Ele beijou a testa do outro, depois a têmpora, e falou perto do ouvido, a voz grave e serena:
— Não vou causar dor nenhuma. Já entendi que preciso ser mais lento... mais atencioso. A gente vai conquistar o prazer dos dois juntos, no tempo certo. Sem pressa, sem forçar.
Domingos assentiu devagar, ainda hesitante, mas a tensão nos ombros começou a se desfazer. Ele ergueu a mão, tímido, e tocou o membro de Reginaldo — primeiro com as pontas dos dedos, depois envolvendo-o com a palma inteira. Sentiu o calor, a pulsação, a firmeza que crescia sob o toque. Reginaldo soltou um suspiro baixo de aprovação, sem se mover, deixando que Domingos explorasse no próprio ritmo.
— Assim... devagar — murmurou Reginaldo, beijando o canto da boca dele.
Depois de alguns momentos longos, em que o único som era a respiração dos dois e o leve roçar das peles, Reginaldo saiu dos sapatos, tirou as meias, pegou a mão livre de Domingos e entrelaçou os dedos.
— Vem — disse, suave.
No box do chuveiro Domingos imitava os gestos do outro homem, após interromper o fluxo Reginaldo avança e o beija contra o blindex.
— Vamos pra cama. A gente quer os dois.
Ele o conduziu tranqüilamente, a luz suave do abajur já acesa no quarto. A cama era ampla, lençóis brancos e limpos, travesseiros arrumados com cuidado. Reginaldo sentou-se primeiro na beira, puxando Domingos para ficar entre suas pernas abertas. Beijou a barriga dele, subiu até o peito, depois o pescoço, enquanto as mãos grandes deslizavam pelas costas e nádegas de novo, acariciando com a mesma paciência de antes.
Domingos se deixou guiar, sentando-se no colo de Reginaldo, os joelhos de cada lado das coxas grossas. Seus braços envolveram o pescoço barbudo, e eles se beijaram mais uma vez — um beijo longo, molhado, cheio de promessas silenciosas.
A noite se estendia à frente, sem pressa, sem dor, só com o desejo mútuo de descobrir o que os corpos podiam oferecer um ao outro, devagar, com carinho e atenção.
Reginaldo guiou Domingos para se deitar de costas na cama ampla, os lençóis brancos já amassados pela antecipação. Ele se posicionou sobre o corpo do outro, apoiando-se nos antebraços fortes para não pesar demais, e começou a descer devagar, beijando e lambendo cada centímetro exposto como se estivesse mapeando um território novo e precioso.
Começou pelos lóbulos das orelhas: mordiscou de leve, depois lambeu a curva interna, sentindo Domingos estremecer e soltar um suspiro rouco. Desceu pelo pescoço, traçando a linha da clavícula com a língua morna, depois chegou aos mamilos. Chupou um devagar, circulando a ponta com a língua, depois o outro, alternando sucção suave e mordidas leves que faziam Domingos arquear as costas e apertar os lençóis.
As mãos grandes de Reginaldo acompanhavam o caminho: massageavam as costas largas de Domingos em movimentos circulares longos, descendo até a base da coluna, depois voltando para acariciar as laterais do corpo, as costelas, a barriga suave. Ele beijou o umbigo, lambeu a linha fina de pelos que descia até a virilha. Ali, parou por um instante, respirando quente contra a pele sensível, depois dedicou-se ao saco: uma bola na boca, chupando com cuidado, depois a outra, a língua roçando a pele fina e enrugada. Domingos gemeu baixo, as pernas se abrindo instintivamente. Reginaldo continuou para o períneo, pressionando a língua firme contra o ponto sensível, massageando com movimentos lentos e ritmados que faziam o corpo inteiro de Domingos tremer.
Nos intervalos, Domingos tentava retribuir. Se movia apoiando a cabeça na coxa do parceiro e as próprias pernas abertas e em direção aos travesseiros. Virava o rosto para o lado, esticava o pescoço e abria a boca para envolver a cabeça grossa do pau de Reginaldo. Chupava com hesitação no início, depois com mais vontade, a língua explorando o sulco, as veias salientes, tentando engolir mais fundo, mas sempre parando quando sentia o limite. Reginaldo gemia grave, incentivando com carinhos na nuca dele — “devagar... assim mesmo... tá perfeito”.
Reginaldo voltou a desvirá-lo. Deixou Domingos de coxas afastadas e as abraçando contra si, os quadris dele levemente levantados para expor as nádegas. Abriu-as com as mãos grandes, admirando o cuzinho compacto, vermelho quase marrom e tensionado. Começou com beijos leves ao redor, lambidas suaves na pele interna das nádegas, depois aproximou a língua do centro. Lambeu devagar, em círculos largos no início, apenas roçando, sentindo a tensão inicial ceder aos poucos.
A intensidade cresceu devagar, como ele prometera. As linguadas ficaram mais firmes, mais profundas, pressionando a entrada cerrada, circulando o anel apertado com paciência infinita. Domingos gemeu alto, o som como rugido de fera, e começou a impulsionar os quadris para cima enquanto o corpo inteiro se cobria de suor — gotas escorrendo pelas costas, pelas laterais, pelo vinco entre as nádegas.
Reginaldo não parava. Continuava lambendo, agora alternando pressão e suavidade, a barba branca roçando a pele sensível e aumentando a sensação. Utilizava ambas as mãos para manter as nádegas abertas.
— Assim... relaxa pra mim — murmurou Reginaldo contra a pele molhada, a voz rouca vibrando direto no corpo de Domingos. — Deixa eu te abrir devagar... você tá lindo assim, todo molhado, todo entregue.
Domingos só conseguia gemer em resposta, os quadris se movendo em ritmo instintivo, o suor escorrendo, o corpo tremendo de prazer acumulado. A tensão inicial dera lugar a uma fome quieta, profunda, e Reginaldo seguia ali, paciente, atento, levando os dois cada vez mais fundo na noite que não queria acabar.
Reginaldo se afastou por um instante apenas o necessário para estender o braço até a mesinha de cabeceira. Abriu a gaveta com calma e pegou um frasco de lubrificante transparente, gel frio ao toque. Voltou para a cama, se posicionando entre as coxas do parceiro, o corpo de Domingos brilhando de suor e saliva.
Reginaldo abriu o frasco e derramou uma generosa quantidade de gel nos dedos. A outra mão abriu delicadamente as nádegas, expondo o cuzinho que se contraía em espasmos irregulares, ora apertando forte, ora relaxando de repente — sinal de nervosismo misturado com desejo.
— Respira fundo pra mim — murmurou Reginaldo, a voz grave e reconfortante. — Só relaxa... eu vou devagar.
Ele espalhou o lubrificante ao redor da entrada primeiro, circulando com a ponta do dedo indicador em movimentos lentos e amplos. Depois, pressionou suavemente a ponta do dedo contra o anel apertado. Quando Domingos se contraiu de novo, Reginaldo parou, esperando o ritmo irregular se acalmar. Assim que sentiu uma pausa, empurrou amavelmente, entrando apenas a primeira falange. Domingos soltou um gemido baixo, meio surpresa, meio alívio.
Reginaldo continuou assim: entrava um pouco, parava, saía devagar, voltava a entrar mais fundo na próxima tentativa. O gel facilitava, o corpo de Domingos começava a se acostumar. Quando Reginaldo pausava para pegar mais lubrificante ou simplesmente para admirar, Domingos se movia novamente, procurava o pau grosso de Reginaldo com a boca aberta.
Ele chupava com vontade agora, a boca se esticando ao máximo para envolver a cabeça larga e parte do tronco. A saliva escorria abundante, pingando no saco pesado de Reginaldo e escorrendo pelas coxas grossas, deixando rastros brilhantes na pele. Reginaldo gemia rouco, uma mão na nuca de Domingos, sem forçar, apenas guiando o ritmo.
— Isso... assim mesmo... molha tudo pra mim — sussurrava, enquanto os dedos voltavam ao trabalho.
Dois dedos agora entravam com mais facilidade, abrindo caminho devagar, curvando-se para massagear a próstata em círculos lentos. Domingos arqueava as costas, empurrando para trás, gemendo contra o pau na boca.
Reginaldo retirou os dedos com cuidado e pegou o primeiro plugue — pequeno, de silicone macio, com base larga. Lubrificou generosamente e pressionou a ponta contra a entrada relaxada. Entrou devagar, centímetro a centímetro, até a base se acomodar entre as nádegas. Domingos respirou fundo, acostumando-se à sensação de preenchimento.
Reginaldo deixou o plugue ali por alguns minutos, beijando as costas, lambendo o suor da nuca. Depois, retirou o plugue e trocou por um mais largo — médio, ainda confortável, mas já esticando visivelmente o anel. Domingos gemeu mais alto, os quadris tremendo.
Eles repetiram o ciclo: plugue dentro, tempo para o corpo se adaptar, carícias, beijos, chupadas intercaladas. O terceiro plugue era o mais largo até então — grosso o suficiente para preparar de verdade. Reginaldo o inseriu com paciência infinita, girando devagar, empurrando e puxando em movimentos suaves até que Domingos o aceitasse inteiro, o corpo relaxado, a respiração pesada, mas ritmada.
Quando sentiu que o momento chegara, Reginaldo retirou o terceiro plugue devagar, admirando a entrada agora úmida e dilatada, pulsando levemente.
— De lado, amor — pediu, a voz baixa e carregada de ternura. — De lado pra mim. Você tá pronto... pronto pra ser o prato melhor dessa noite inesquecível que a gente tá fazendo juntos.
Domingos virou-se devagar, deitando de lado, uma perna dobrada para cima, expondo-se completamente. Reginaldo se posicionou atrás dele, colando o peito largo nas costas de Domingos, a barriga macia pressionando as costas suadas. Com a mão guiava o próprio membro grosso até o cu preparado.
Ele roçou a cabeça larga contra o anel relaxado, espalhando mais lubrificante, depois pressionou devagar — só a cabeça primeiro, sentindo a resistência ceder aos poucos. Domingos soltou um gemido longo, as mãos apertando o braço de Reginaldo.
— Devagar... devagar... — repetia Reginaldo, beijando o ombro, o pescoço, a orelha. — Você tá lindo... tá me recebendo tão bem...
E, centímetro a centímetro, Reginaldo entrou, preenchendo Domingos com o pau grande e grosso, sem dor, só com uma sensação plena, intensa, que fazia os dois gemerem juntos. Quando estava todo dentro, Reginaldo parou, apenas respirando contra a nuca do outro, deixando os corpos se acostumarem um ao outro.
— Agora a gente vai devagar... bem devagar... até você pedir mais — sussurrou.
E começou a se mover, saídas curtas e entradas suaves, cada estocada um pouco mais profunda, um pouco mais ritmada, enquanto as mãos não paravam de acariciar, de abraçar. A noite se estendia, quente, molhada, perfeita — dois homens descobrindo o prazer mútuo, sem pressa, sem fim à vista.
Reginaldo parou por um instante, completamente dentro de Domingos, imóvel, apenas respirando fundo contra a nuca suada do outro. O silêncio no quarto era preenchido pelo som ritmado das respirações dos dois e pelo leve farfalhar dos lençóis. Ele deslizou o pé descalço devagar pela parte interna da coxa de Domingos, a sola áspera roçando a pele sensível, subindo até quase a virilha, um toque lento e possessivo que fez Domingos estremecer inteiro.
Beijou o rosto dele — a bochecha afogueada, a têmpora úmida, o canto da boca entreaberta — e murmurou perto do ouvido, a voz rouca e baixa como um segredo:
— Pega na minha pica... sente como ela tá toda dentro de você.
Domingos, ainda de lado, o corpo colado ao de Reginaldo como duas peças encaixadas, obedeceu sem hesitar. Esticou o braço para trás, a mão tremendo levemente de excitação, e encontrou o membro grosso enterrado fundo nas entranhas dele. Tateou primeiro os pêlos pubianos de ambos, emaranhados e úmidos de suor e lubrificante, uma massa quente e viva que parecia unir os dois ainda mais. Depois, os dedos envolveram a base do pau de Reginaldo — imensa grossura, pulsando quente, firme, preenchendo-o por completo. Desceu até o saco pesado, acariciando-o com a palma aberta, sentindo os testículos contraídos e quentes sob a pele fina.
Reginaldo soltou um gemido grave de prazer, o som vibrando direto nas costas de Domingos.
— Isso... sente tudo... — sussurrou, mordiscando de leve o ombro dele.
Com um movimento fluido e carinhoso, Reginaldo passou o braço por cima da cintura de Domingos e o ajudou a virar de bruços, erguendo os quadris dele com gentileza. Domingos se posicionou de quatro, joelhos abertos, costas arqueadas, oferecendo-se completamente. Reginaldo se ajoelhou atrás, colando o peito largo nas costas dele mais uma vez, a barriga macia pressionando a lombar suada, e segurou os quadris com as duas mãos grandes.
Começou a foder com mais força agora — estocadas profundas, ritmadas, saindo quase todo e voltando até o fundo em um movimento contínuo e firme. Mas a ternura nunca se perdeu: cada investida era acompanhada de beijos na nuca, na orelha, nos ombros; as mãos acariciavam as costas, as nádegas, deslizavam pela barriga de Domingos no mesmo compasso.
Domingos gemia alto, sem pudor, o corpo tremendo a cada entrada. Empurrava para trás, encontrando o ritmo de Reginaldo, os quadris batendo contra a pança pesada do parceiro com um som molhado e ritmado. O pau grosso roçava exatamente onde precisava, estimulando a próstata a cada estocada, enviando ondas de prazer que faziam as pernas de Domingos fraquejarem.
— Você é perfeito assim... todo aberto pra mim... — Reginaldo falava entre gemidos, a voz rouca e feliz. — Tá sentindo? Tá sentindo como eu te preencho?
— Sim... sim... não para... — Domingos conseguia responder entre suspiros, a cabeça baixa.
Reginaldo aumentou o ritmo, as estocadas ficando mais rápidas, mais profundas, mas sempre controladas, sempre atentas ao corpo do outro. O prazer se acumulava, quente, inevitável, os dois suados, colados, perdidos um no outro.
A noite seguia, intensa e doce, com Reginaldo fodendo Domingos com força e carinho ao mesmo tempo — como se quisesse marcar cada centímetro dele com prazer, sem nunca esquecer que aquilo era para os dois, juntos, inesquecivelmente.
Reginaldo sentiu o corpo de Domingos tensionar de repente, os músculos internos se contraindo em espasmos ritmados e fortes ao redor do seu pau grosso. Domingos gemeu longo e baixo, o som abafado contra o travesseiro, enquanto o orgasmo o atravessava inteiro — jorrando sêmen quente sobre os lençóis já encharcados de suor. A visão e a sensação levaram Reginaldo ao limite: ele acelerou as estocadas, profundas e rápidas agora, sem perder o controle, mas deixando o instinto tomar conta. Enterrou-se até o fundo uma última vez, grunhindo rouco contra a nuca de Domingos, e gozou forte, enchendo-o com jatos quentes e abundantes que pareciam não ter fim. Cada pulsação era poderosa, satisfatória, como se todo o desejo acumulado da noite se derramasse ali, dentro do parceiro que se entregara tão completamente.
Quando os últimos tremores passaram, Reginaldo não saiu de imediato. Ficou dentro dele por mais alguns segundos, respirando pesado, beijando as costas suadas devagar aos poucos ambos desmoronaram contra os lençóis ainda engatados pela rola dura de Reginaldo e as contrações espasmódicas de Domingos. Os dois caíram de lado na cama, exaustos, os corpos colados, pernas entrelaçadas, membros por fim flácidos repousando contra coxas úmidas.
O tempo parecia suspenso. Como se fossem donos dos relógios do mundo inteiro, eles se estenderam ali, sem pressa de se mexer. O suor escorria lento pelas costas, pelo peito, misturando-se ao cheiro de sexo, lubrificante e pele quente. Reginaldo passou o braço pesado sobre a cintura de Domingos, puxando-o mais para perto, o peito largo servindo de travesseiro.
— Tá se sentindo frouxo? — perguntou Reginaldo, a voz rouca e baixa, com um tom de carinho protetor.
Domingos riu fraco, ainda ofegante.
— Meu cu tá muito aberto... parece que você me alargou pra sempre.
Reginaldo sorriu contra o cabelo dele, beijando a têmpora.
— Eu que te deixei de cu frouxo... e vou querer repetir quando tu estiver com tempo e vontade. Do meu beijo, da minha foda, da nossa intimidade. Se preferir ir com mais calma, eu vou estar aqui de qualquer forma.
Domingos virou o rosto para encará-lo, os olhos brilhando de uma mistura de alegria e surpresa. Apoiar a cabeça no peito largo de Reginaldo era como se deitar em nuvens altas no céu — sustentado, seguro, sem medo de cair.
— Eu não sei quando exatamente vou me sentir tão doido de tesão de novo... ou se devo vir de novo porque você vai certamente acender a chama do desejo em mim. Mas posso garantir que vou querer ficar mais vezes com você. Não sei o dia, nem a hora... mas vou querer.
Reginaldo passou os dedos pela barba feita de Domingos, depois pelo cabelo curto e úmido, um gesto lento e orgulhoso. Seus olhos claros estavam cheios de confiança, de uma proteção quieta e profunda.
— Então tá combinado. Quando o tesão bater, ou quando bater saudade, ou quando bater só vontade de ficar quieto do meu lado... me liga. Eu vou estar aqui.
Eles se entreolharam por um longo momento, lavados em suor, os corpos ainda quentes e relaxados. Reginaldo, um homem que acabara de encontrar algo raro e precioso. Domingos, alegre, surpreendido, apoiado no peito do parceiro como se ali fosse o lugar mais seguro do mundo.
Não havia mais palavras necessárias. Apenas o som das respirações se acalmando, o leve roçar das peles, o pulsar lento dos corações que, pela primeira vez em muito tempo, batiam em sintonia perfeita. A noite, que começara com um flerte no shopping, terminava ali — não como fim, mas como começo de algo que nenhum dos dois sabia nomear ainda, mas que já sentiam ser inevitável e bom.