“Emoções”
Tiago trancou a porta do banheiro com um clique suave, quase culpado. O cômodo era pequeno, mas limpo: azulejos brancos com algumas manchas de tempo, um box de vidro fosco, um espelho grande em cima da pia que já começava a embaçar só de respirar. A luz amarelada da lâmpada nua dava um tom quente à pele clara dele, destacando cada curva suave do corpo que ele ainda não sabia se amava ou tolerava.
Ele abriu o registro. A água veio morna quase quente, o jato forte batendo no peito e escorrendo em filetes grossos pela barriga macia. Tiago fechou os olhos e deixou a cabeça pender para trás, sentindo o calor abrir os poros, relaxar os músculos tensos da viagem longa.
Mas o relaxamento durou pouco.
A imagem de Daniel na varanda voltou como um flash: camiseta cinza colada no peitoral definido, braços cruzados fazendo os bíceps saltarem, o jeito que o boné virado para trás deixava a testa larga à mostra, os olhos castanhos brilhando com aquela mistura de deboche e carinho que sempre desarmava Tiago desde criança.
Ele passou as mãos pelo peito, devagar. Os mamilos já estavam duros — não só pelo contraste da água quente com o ar fresco que entrava pela fresta da janela. Ele apertou de leve, sentindo o choque subir pela espinha. Um gemido baixo escapou sem querer.
“Merda… para com isso.”
Mas as mãos não pararam.
Desceram pela barriga, contornando o umbigo, até a virilha. O pau já estava meio inchado, pesado entre as pernas, a pele lisa e sensível porque ele tinha se depilado dois dias antes da viagem. Tiago segurou a base com a mão direita, sem apertar, só sentindo o volume crescer na palma. Com a esquerda, voltou ao peito, circulando um mamilo devagar, depois beliscando de leve.
A água batia nas costas agora, quente o suficiente para deixar a pele vermelha. Ele imaginou que eram as mãos de Daniel. Mãos grandes, calejadas de trabalhar no sítio, mas gentis quando queriam. Imaginou Daniel atrás dele, peito colado nas costas, queixo apoiado no ombro, respirando quente na orelha.
— Relaxa, priminho… deixa eu cuidar de você — a voz grave de Daniel ecoou na cabeça dele, inventada, mas tão real que Tiago sentiu o pau pulsar forte.
Ele começou a se masturbar devagar. Movimentos longos, da base até a glande, o polegar roçando a cabeça sensível a cada subida. A outra mão desceu também, apertando as bolas macias, depois voltando ao peito. Ele imaginou Daniel chupando ali. Língua quente circulando o mamilo, dentes roçando de leve, sugando até doer gostoso.
Tiago mordeu o lábio inferior para não gemer alto. A água abafava o som, mas o banheiro era pequeno demais; Daniel estava no quintal, a poucos metros dali, virando carne na churrasqueira. O risco fazia tudo mais intenso.
Ele acelerou um pouco. O pau agora completamente duro, 12 centímetros latejando na mão. A pele esticada, veias marcadas, a cabeça vermelha e brilhante de pré-gozo misturado com a água. Tiago apoiou a testa na parede de azulejo, quadris empurrando para frente num ritmo instintivo, fodendo a própria mão enquanto imaginava Daniel ajoelhado na frente dele — não, melhor: Daniel o levantando contra a parede, pernas abertas, língua invadindo a boca enquanto uma mão grande envolvia os dois paus juntos.
— Caralho… Daniel… — o nome escapou num sussurro rouco.
Ele imaginou o pau de Daniel. Nunca tinha visto, mas já tinha fantasiado mil vezes. Grosso, comprido, veias saltadas, a cabeça gorda roçando na entrada do cu dele, pressionando devagar, entrando centímetro por centímetro até não caber mais. Até Daniel estar todo dentro, quadris colados na bunda macia de Tiago, respirando pesado contra a nuca.
Tiago apertou mais forte. A mão subia e descia rápido agora, o som molhado se misturando ao barulho da água. Ele levou dois dedos à boca, chupou, molhou bem, depois desceu e pressionou a entrada do cu. Não entrou — só circulou, pressionou de leve, sentindo o anel se contrair de antecipação.
— Porra… me fode… — murmurou para o nada, voz tremendo.
A fantasia mudou. Agora Daniel estava atrás, segurando os quadris dele com força, estocando fundo, o pau grosso abrindo caminho, batendo na próstata a cada investida. Tiago imaginou o som dos corpos se chocando, a respiração pesada de Daniel no ouvido, as palavras sujas que ele diria:
— Tá gostando, né, seu putinho? Tá apertando meu pau todo… goza pra mim, vai… goza sem encostar no pau…
Tiago sentiu o orgasmo subir como uma onda. Ele parou de se tocar no pau por um segundo, só apertando a base com força, tentando segurar. Mas era tarde. A imagem de Daniel gozando dentro dele, enchendo o cu quente, foi o gatilho final.
Ele gozou forte.
O primeiro jato saiu tão intenso que bateu no azulejo à frente, escorrendo branco e grosso pela parede. O segundo e o terceiro espirraram na barriga, misturando-se com a água quente. Tiago tremeu inteiro, pernas bambas, mão ainda apertando o pau que pulsava seco agora. Ele apoiou a outra mão na parede para não cair, ofegando alto, coração disparado.
A água continuou caindo, lavando tudo. O sêmen escorreu pelo ralo junto com a espuma do sabonete que ele nem tinha usado ainda.
Tiago ficou ali parado por longos segundos, recuperando o fôlego. O calor da vergonha subiu pelo pescoço. Ele tinha acabado de gozar pensando no primo. No primo que estava lá fora, provavelmente assobiando enquanto temperava a carne.
Ele fechou o registro com mãos trêmulas.
Pegou a toalha pendurada no gancho e se secou devagar, evitando olhar o próprio reflexo no espelho embaçado. Quando limpou um pedaço com a mão, viu os olhos castanhos dilatados, as bochechas vermelhas, os lábios inchados de tanto morder.
“Você é um idiota, Tiago.”
Vestiu a cueca boxer cinza e uma camiseta larga. Antes de sair, respirou fundo três vezes, tentando apagar qualquer traço de culpa no rosto.
Quando abriu a porta, o cheiro de carne assada invadiu o corredor. Daniel estava na sala, já sem boné, cabelo preto úmido de suor da churrasqueira, colocando os pratos na mesa pequena de madeira.
— Demorou, hein — disse Daniel, olhando por cima do ombro com um sorriso torto. — Achei que tinha se afogado.
Tiago forçou um riso.
— Água quente demais. Derreti.
Daniel ergueu uma sobrancelha, mas não insistiu. Só apontou a cadeira.
— Senta aí antes que esfrie. Fiz pão de alho também. Tu ainda come que nem adolescente?
Tiago sentou, pernas ainda meio moles.
— Sempre.
Daniel serviu a carne, a salada de manga com coentro e limão, o pão dourado. Sentou de frente para ele. Seus olhos passearam pelo rosto de Tiago por um segundo a mais do que o normal.
— Tá tudo bem mesmo? — perguntou, voz mais baixa, quase cuidadosa.
Tiago engoliu em seco. Sentiu o calor subir de novo, mas dessa vez não era só tesão. Era algo mais perigoso. Algo que parecia carinho misturado com desejo misturado com medo.
— Tô. Só… feliz de estar aqui.
Daniel sorriu devagar, daqueles sorrisos que faziam o estômago de Tiago dar cambalhotas.
— Que bom. Porque eu também tô.
Eles comeram em silêncio por alguns minutos, mas não era silêncio pesado. Era confortável. Como se os dois soubessem que havia algo pairando no ar, mas ainda não estivessem prontos para nomear.
Tiago olhava para Daniel por cima do garfo: o jeito que ele mastigava devagar, o pomo de adão subindo e descendo, os músculos do antebraço flexionando quando pegava o copo de cerveja. Tudo parecia sexual agora. Tudo parecia convite.
Quando terminaram, Daniel se levantou e começou a recolher os pratos.
— Vai deitar cedo hoje? Viagem longa, né.
Tiago assentiu.
— Acho que sim. Tô moído.
Daniel parou na porta da cozinha, pratos nas mãos, e olhou para trás.
— Se precisar de qualquer coisa… — fez uma pausa, sorriso malicioso voltando — …qualquer coisa mesmo… é só chamar. Tô no quarto do lado.
Tiago sentiu o pau dar um leve sinal de vida dentro da cueca, mesmo depois de ter gozado há menos de meia hora.
— Anotado — respondeu, voz saindo mais rouca do que pretendia.
Daniel riu baixo e sumiu na cozinha.
Tiago ficou na sala por mais alguns minutos, olhando o teto de madeira, ouvindo o barulho da louça sendo lavada.
Ele sabia que não ia dormir tão cedo.
Sabia que, assim que deitasse na cama, a mão ia descer de novo.
Sabia que o nome “Daniel” ia escapar de novo, mais alto dessa vez.
E, pela primeira vez, a ideia não o assustava tanto.
Continua…