Minha Namorada Não Era Tão Inocente - CAP 6

Um conto erótico de contos.eroticos
Categoria: Heterossexual
Contém 1516 palavras
Data: 24/02/2026 15:53:17

Eu dormi pouco naquela noite. Não porque não consegui pegar no sono, mas porque minha cabeça não parava quieta. Quando acordei, o corpo ainda parecia lembrar de tudo, como se a noite não tivesse terminado completamente. Não era culpa o que eu sentia, e isso ainda me deixava um pouco confusa. Era mais como uma consciência nova, um incômodo leve, mas que ao mesmo tempo não vinha acompanhado de arrependimento.

Levantei cedo pra trabalhar, como sempre. O dia não ia esperar eu organizar meus pensamentos, e talvez isso fosse até melhor. Tomei banho, me arrumei no automático, mas me olhei no espelho por mais tempo do que o normal. Tinha alguma coisa diferente ali. Não era visível, não era algo que outra pessoa perceberia fácil… mas eu via. Era como se eu tivesse cruzado uma linha invisível e agora não conseguisse mais fingir que estava do outro lado.

No trabalho, tentei focar no que precisava fazer. Responder cliente, organizar documentos, cumprir horário. Por fora, tudo seguia igual. Mas por dentro, não encaixava mais tão fácil. Em vários momentos, minha mente voltava pra noite anterior, não só pro que aconteceu, mas pra como eu me senti. E, junto disso, vinha outra coisa… a expectativa.

Eu peguei o celular algumas vezes ao longo do dia, quase sem perceber. A conversa com o Rafael continuava ali, mas não tinha mensagem nova. No começo eu nem liguei muito, disse pra mim mesma que era normal, que cada um tinha sua rotina. Mas, com o passar das horas, aquilo começou a incomodar de um jeito que eu não esperava.

Não era cobrança. Eu não tinha direito de cobrar nada.

Mas era estranho.

Porque ontem parecia intenso.

E hoje parecia… comum.

Quando deu a hora de ir pra faculdade, eu já estava cansada, mas não era um cansaço físico. Era mental. Mesmo assim, fui. Como sempre fui. Só que, dessa vez, eu sabia que alguma coisa ali não ia ser igual.

Entrei na sala e procurei ele quase sem perceber.

Rafael estava lá, conversando com o pessoal, rindo, completamente à vontade. Quando me viu, fez um aceno leve com a cabeça, como quem cumprimenta alguém de forma natural.

Natural demais.

Eu sentei, tentando ignorar aquilo, mas não dava. Não era que ele estivesse me tratando mal. Pelo contrário. Ele foi simpático, puxou assunto, falou comigo normalmente. Mas era só isso.

Normal.

E, de alguma forma, aquilo pesava mais do que se ele tivesse sido frio.

No intervalo, ele sentou do meu lado, como já tinha feito antes.

-- Sumiu rápido ontem, disse, com um meio sorriso.

Eu olhei pra ele por um segundo, tentando encontrar alguma coisa ali além do que ele estava mostrando.

-- Você também.

Ele deu de ombros, tranquilo.

-- Te deixei em casa e fui dormir.

Simples.

Sem continuação.

Sem aquela sensação de que tinha algo além.

Eu assenti de leve, desviando o olhar.

Naquele momento, eu entendi.

Pra mim, aquilo tinha sido um passo.

Pra ele… tinha sido só uma noite.

E não era culpa dele.

Eu que tinha colocado peso onde talvez não existisse.

A aula continuou, mas eu já não estava mais ali de verdade. Fiquei quieta, pensando, deixando aquela percepção se encaixar dentro de mim. Não era dor ainda, nem decepção completa. Era mais como um ajuste de realidade.

Quando saí da faculdade, o ar da noite parecia mais frio do que o normal. Caminhei até em casa em silêncio, com a cabeça cheia, mas mais organizada do que antes.

E, pela primeira vez naquele dia, pensei no Gustavo de verdade.

Não como comparação.

Mas como consequência.

Cheguei em casa, tomei banho, coloquei uma roupa confortável e sentei na cama com o celular na mão. A conversa com ele ainda estava ali. As mensagens antigas, o jeito dele, tudo aquilo que sempre foi seguro.

Mas agora… parecia distante.

Não porque ele tinha mudado.

Mas porque eu tinha.

Fiquei alguns minutos olhando a tela, tentando encontrar uma forma de começar aquela conversa. Não era fácil. Porque eu sabia que não era só um término. Ia muito além disso.

Mesmo assim, comecei.

Perguntei se ele podia conversar.

A resposta veio rápida, como sempre.

Ele podia.

A gente se encontrou mais tarde, perto da casa dele, em um lugar tranquilo como de costume. O ambiente era o mesmo de sempre, mas a sensação não era.

Ele começou a falar primeiro, perguntando se eu estava bem, dizendo que a gente precisava conversar sobre tudo que tinha acontecido, que não podia deixar aquilo nos afastar. O tom dele era calmo, mas tinha aquela firmeza de quem já tinha um caminho certo na cabeça.

Eu ouvi.

Mas não me encaixava mais naquilo.

Respirei fundo antes de falar, tentando manter a calma.

Disse que ainda gostava dele, e isso era verdade. Nada do que eu estava fazendo apagava o que a gente tinha vivido. Mas também falei que não estava mais conseguindo me ver no mesmo lugar que ele. Que não era só sobre o que aconteceu entre a gente… era sobre tudo.

Sobre quem eu estava me tornando.

Ele tentou argumentar. Disse que a gente podia consertar, que aquilo tinha sido um erro, que bastava a gente fazer o certo agora. Falou de Deus, de caminho, de consequência.

E, pela primeira vez…

aquilo não me trouxe conforto.

Eu balancei a cabeça de leve.

Disse que não queria viver tentando consertar algo que, pra mim, já não fazia mais sentido da mesma forma. Que eu não queria fingir que nada tinha mudado, porque tinha.

Que eu não sabia mais se queria continuar dentro da religião do jeito que sempre foi.

Aquilo fez ele travar.

Eu vi no olhar.

Não era só o término.

Era tudo que vinha junto.

-- Você tá falando sério? ele perguntou, mais baixo.

Eu assenti.

Sem firmeza exagerada.

Mas sem dúvida.

-- Eu ainda gosto de você, falei, mas não dá mais pra viver algo que eu sinto que não sou mais.

O silêncio que veio depois foi pesado.

Mas necessário.

Ele não discutiu, não levantou a voz. Só ficou ali, tentando entender algo que, pra ele, não fazia sentido.

E eu também não tentei convencer.

Porque não era sobre convencer.

Era sobre aceitar.

Quando a gente se despediu, foi estranho. Não teve briga, não teve drama. Só um espaço que se abriu entre nós dois e que nenhum dos dois tentou fechar.

Na volta pra casa, eu senti.

Não alívio.

Mas… verdade.

Pela primeira vez, eu não estava tentando caber em nada.

E isso assustava.

Mas também… libertava.

(Gustavo)

Eu não dormi direito naquela noite.

Fiquei deitado olhando pro teto, repassando cada palavra que ela disse, tentando encontrar algum ponto que eu pudesse mudar, alguma coisa que eu pudesse ter feito diferente. Mas não tinha. Não era sobre uma discussão, nem sobre um erro específico.

Era como se eu tivesse perdido alguma coisa que eu nem percebi quando começou a escapar.

O pior não era nem o término.

Era o motivo.

Porque, na minha cabeça, aquilo não fazia sentido. A Fernanda sempre foi firme, sempre foi dedicada, sempre acreditou nas mesmas coisas que eu. E, de repente, ela estava ali, falando que não se via mais dentro daquilo.

Como alguém muda assim?

Essa pergunta ficou na minha cabeça o tempo todo.

Mas, no fundo, tinha outra coisa me incomodando mais.

Eu sabia.

Sabia que não era só sobre dúvida.

Tinha acontecido alguma coisa.

E isso não me dava paz.

No dia seguinte, acordei com aquela sensação pesada no peito, como se eu estivesse carregando algo que ainda não tinha nome. Tentei seguir a rotina normal, mas tudo parecia fora do lugar. A leitura não fluía, a oração não saía, e até as coisas simples pareciam mais difíceis.

E, pela primeira vez… eu pensei em contar.

Não sobre o término.

Mas sobre o que tinha acontecido antes.

A ideia veio como uma necessidade de aliviar aquilo dentro de mim, como se falar fosse colocar tudo de volta no lugar certo. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia o que isso significava.

Não era só sobre mim.

Envolvia ela.

E as consequências não eram pequenas.

Naquela religião, nada disso passava despercebido. Um namoro que termina do nada já chama atenção. E, dependendo do que fosse descoberto… podia ir muito além.

Eu fiquei dividido.

Entre fazer o que eu acreditava ser certo… e proteger ela.

Ou talvez proteger a mim mesmo também.

No culto daquele fim de semana, tudo ficou ainda mais evidente. As pessoas perguntavam dela, perguntavam da gente, e eu respondia de forma vaga, tentando manter tudo sob controle.

Mas eu sabia que aquilo não ia durar.

Mais cedo ou mais tarde, alguém ia perceber.

E quando percebessem… ia ter pergunta.

E eu não sabia se estava pronto pra responder.

Eu sentava ali, ouvindo os discursos, tentando me reconectar, tentando sentir aquela mesma certeza de antes… mas não vinha. Porque, por mais que eu quisesse acreditar que estava fazendo a coisa certa, tinha uma parte de mim que não estava em paz.

Não era só pela perda.

Era porque, no fundo, eu ainda queria ela.

E isso… me fazia sentir ainda mais errado.

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Comentários

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De acordo com o que li até agora, o nome do conto não deveria ser esse, uma vez que a namorada era virgem, entregou a sua virgindade ao namorado, buscou conversar com ele no sentido de explorarem juntos essas momentos íntimos, e ele quer seguir o caminho da religião. Portanto ela fez a opção dela, e ele não quis seguir, então acredito que o nome do conto deveria ser: namorado bundão e a namorada querendo se soltar.

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Tô bem interessado pelos caminhos que os protagonistas vão seguir.

A guria descobrindo os prazeres e também o vazio das relações baseadas apenas no desejo.

E o cara, se vai se manter fiel a religião ou vai sair do caminho.

Eu enquanto leitor, queria só entender o que mudou a chave na cabeça dela.

Fico no aguardo dos próximos capítulos.

Parabéns pelo conto, autor!

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