Minha Namorada Não Era Tão Inocente - CAP 4

Um conto erótico de contos.eroticos
Categoria: Heterossexual
Contém 2105 palavras
Data: 23/02/2026 16:59:14

(Fernanda)

Na sala, eu tentei voltar ao normal.

Caderno aberto, celular de lado, professora falando… tudo como sempre. Mas não tava igual. Eu ainda sentia o peso da conversa com a Juliana, como se alguma coisa tivesse sido mexida dentro de mim.

Eu não tava mais olhando tudo do mesmo jeito.

Nem as pessoas.

Nem a mim mesma.

Foi quando percebi.

De novo.

Ele.

Não era a primeira vez. Eu já tinha notado antes, mas sempre ignorava. Era mais fácil fingir que não existia, como se aquilo nem fizesse parte do meu mundo.

Só que agora… eu não ignorei.

Ele tava duas fileiras atrás, encostado na cadeira, com o braço apoiado na mesa, olhando na minha direção. Não de um jeito disfarçado. Não daquele jeito tímido que alguns olhares são.

Era direto.

Seguro.

Quando nossos olhos se encontraram, ele não desviou.

E, pela primeira vez… eu também não.

Foi rápido.

Mas suficiente.

Eu virei pra frente logo depois, tentando manter o foco na aula, mas já não conseguia prestar atenção. Eu sabia que ele ainda tava ali. Sabia que, se eu olhasse de novo, provavelmente ia encontrar o olhar dele no mesmo lugar.

E isso mexia comigo mais do que deveria.

Alguns minutos depois, a professora passou um exercício e pediu pra gente formar dupla.

Antes que eu pensasse muito, ouvi a voz atrás de mim.

_ Quer fazer junto?

Virei.

Era ele.

De perto, dava pra perceber melhor. Alto, postura tranquila, aquele tipo de presença que não precisa se esforçar pra chamar atenção. Não era exagerado, não era forçado… era natural.

E isso tornava tudo mais fácil.

– Pode ser, respondi.

Ele puxou a cadeira um pouco mais perto, sem invadir espaço, mas o suficiente pra diminuir a distância entre a gente. O cheiro dele era leve, nada marcante… mas presente.

– Sou o Rafael, ele disse, estendendo a mão.

– Fernanda.

Ele segurou minha mão por um segundo a mais do que o necessário.

Não foi nada demais.

Mas foi o suficiente pra eu perceber.

A gente começou a fazer o exercício, trocando algumas ideias, conversando de forma simples. Nada fora do normal. Mas tinha algo ali… um ritmo diferente. Um tipo de atenção que eu não sentia há dias.

Ele olhava quando eu falava.

Prestava atenção.

Sorria de leve.

Coisa simples.

Mas que fazia diferença.

– Você sempre fica tão quieta assim? ele perguntou, em um momento mais leve da conversa.

– Não… depende, respondi, sem olhar direto pra ele.

– Do quê?

Eu dei um pequeno sorriso.

– Do lugar.

Ele riu de leve.

– Então você ainda não decidiu se gosta daqui?

– Ainda não, bom é que ainda é muito novo, estou mais acostumada com o pessoal da igreja.

Ele me observou por um segundo.

– Acho que você vai gostar.

Não foi o que ele disse.

Foi o jeito.

Como se tivesse mais coisa ali.

A aula passou mais rápido do que eu esperava. Quando terminou, ele se levantou, pegando as coisas com calma.

– A gente continua isso depois, ele disse, você explica melhor aquela parte pra mim.

– Eu explico?

– Explicam, ele respondeu, sorrindo, você só não percebe ainda.

Eu ri, meio sem saber o que dizer.

E ele saiu.

Simples assim.

Sem insistir.

Sem forçar.

Mas deixando alguma coisa no ar.

Fiquei sentada por alguns segundos depois que ele saiu, olhando pro caderno aberto… sem ler nada.

Porque, no fundo, eu sabia.

Não era só sobre a aula.

E não era só sobre ele.

Era sobre o fato de que, pela primeira vez… alguém me olhava sem me julgar.

E, pior que isso…

eu tinha gostado.

Naquele mesmo dia, cheguei em casa após a faculdade e deitei na cama, quando abro meu instagram vejo um convite do Rafael.

Eu não pensei muito quando aceitei seguir o Rafael no Instagram. Na verdade, pensei sim… mas fingi que não. Ele apareceu primeiro, começou curtindo uma foto antiga, depois outra. Nada exagerado, nada chamativo demais, mas o suficiente pra eu perceber. E eu percebi.

Quando vi a notificação de mensagem, meu coração acelerou um pouco. “Você sumiu rápido hoje kkk”. Fiquei olhando pra tela por alguns segundos antes de responder. “Nem sumi, só fui embora na hora”. A resposta dele veio rápido. “Então eu que fiquei pra trás”. Eu sorri sem perceber.

A conversa foi fluindo fácil. Começou pela faculdade, pelas aulas, coisas simples… mas tinha um ritmo diferente. Não tinha esforço. Não tinha aquele cuidado que eu tinha com o Gustavo, de pensar antes de falar, de medir cada palavra. Com o Rafael era leve.

Em algum momento ele perguntou se eu era sempre quieta daquele jeito ou se era só naquele dia. Fiquei olhando a mensagem por alguns segundos antes de responder que dependia do lugar. Ele perguntou se dependia de quem estava junto também. Eu demorei um pouco mais dessa vez, mas respondi que sim. Ele respondeu com um “justo” e aquilo já tinha um peso diferente, como se ele estivesse entendendo mais do que eu dizia.

Pouco tempo depois ele perguntou se podia me chamar no WhatsApp, disse que no Instagram era ruim de conversar. Eu hesitei, só por alguns segundos, mas mandei meu número. Quando percebi, a gente já estava lá, conversando como se fosse natural.

No WhatsApp tudo parecia mais próximo. Mais direto. Sem distração. Só conversa. Ele comentou que agora estava melhor, eu concordei. A gente continuou falando da faculdade, das matérias, da rotina… até que, em algum momento, ele mudou o rumo.

Perguntou se eu era bem religiosa. Eu travei por um segundo antes de responder que sim. Ele disse que dava pra perceber. Perguntei por quê. Ele respondeu que era pelo meu jeito, pelo comportamento, que eu não era igual às outras meninas da sala. Aquilo ficou na minha cabeça. Perguntei se isso era bom ou ruim. Ele disse que dependia. Perguntei de quê. Ele respondeu que dependia do quanto aquilo realmente era eu.

Eu fiquei olhando pra tela sem responder. Porque eu não sabia.

Logo depois ele mandou outra mensagem, dizendo que tinha coisa em mim que não combinava com esse perfil certinho. Meu coração acelerou. Perguntei o que ele queria dizer com isso. Ele respondeu que eu olhava diferente. Engoli seco antes de perguntar como assim. Ele disse que eu parecia alguém que pensava mais do que falava, e isso dizia mais do que qualquer resposta direta.

Eu não saí da conversa. Mesmo sem responder.

Ele não insistiu. Mudou de assunto, falou de aula, de prova… como se nada tivesse acontecido. E foi exatamente isso que me prendeu. Não tinha pressão, não tinha invasão, mas tinha intenção.

Depois de um tempo ele voltou, perguntou se meu namorado estudava lá também. Eu respondi que não. Ele perguntou se ele era de boa, tranquilo com tudo. Eu pensei antes de responder, disse que mais ou menos. Ele respondeu que “mais ou menos” geralmente queria dizer não, e eu acabei sorrindo com aquilo.

Falei que ele era bem certinho. Ele disse que imaginava. Perguntei por quê. Ele respondeu que eu não parecia combinar muito com isso. Fiquei em silêncio. Ele continuou, disse que eu parecia mais intensa.

Essa palavra ficou na minha cabeça.

Intensa.

Eu nunca tinha me visto assim.

Falei que ele nem me conhecia direito. Ele respondeu que conhecia o suficiente. Perguntei o que ele achava que sabia. Ele demorou alguns segundos antes de responder, e dessa vez foi diferente, mais direto, mas ainda sem invadir. Disse que achava que eu ainda tentava seguir tudo certinho… mas que já tinha começado a perceber que não queria mais tanto assim.

Eu não respondi.

Mas também não neguei.

E isso já dizia muita coisa.

A conversa seguiu por mais um tempo, leve, como se nada tivesse acontecido… mas tinha. Eu sentia. Quando parei de responder já era tarde. Fiquei olhando a tela por alguns segundos antes de bloquear o celular.

E pela primeira vez em dias…

eu não estava pensando no Gustavo.

Eu estava pensando no Rafael.

E no jeito como ele me olhava.

Como se já soubesse alguma coisa que eu ainda estava tentando entender.

Naquela noite eu tentei distrair a cabeça, mas não adiantava muito. Pegava o celular, largava, abria de novo… até acabar voltando pro Instagram quase sem perceber. Foi automático. Como se eu já soubesse o que queria encontrar ali.

E encontrei.

Um story dele.

Rafael.

Na academia, em frente ao espelho, sem camisa, com aquele ar despreocupado que não parecia forçado. A iluminação batia de um jeito que destacava o corpo dele, os ombros, o abdômen, tudo bem definido… mas o que mais me prendeu não foi nem isso. Foi o jeito que ele olhava pra câmera. Direto. Seguro. Como se soubesse exatamente o efeito que causava.

Eu fiquei olhando por alguns segundos.

Tempo demais.

Meu dedo passou pela tela antes mesmo de eu decidir. Curti.

Assim que fiz isso, senti aquele frio leve na barriga, o mesmo que tinha começado a aparecer cada vez mais nos últimos dias. Não era medo. Era outra coisa. Expectativa.

Bloqueei o celular, joguei ele do lado… mas não resisti por muito tempo. Quando peguei de novo, a notificação já tava lá.

Mensagem dele.

“Gostou?”

Eu encarei a tela por alguns segundos, sentindo o canto da boca puxar num sorriso involuntário. Era direto, mas ainda leve. Como se ele soubesse exatamente até onde podia ir.

“Convencido você, né”, respondi.

A resposta veio quase na hora.

“Só quando eu tenho motivo”

Meu coração acelerou um pouco mais. Eu podia ter parado ali. Podia ter deixado aquilo morrer.

Mas não deixei.

“E tem?”

Dessa vez ele demorou alguns segundos.

O suficiente pra me fazer esperar.

“Você acabou de provar que sim”

Eu respirei fundo, olhando pra tela, sentindo aquela mistura estranha de curiosidade com algo mais difícil de nomear. Não era só a conversa. Era o jeito que tudo estava acontecendo, sem esforço, sem culpa… pelo menos não naquele momento.

“Talvez eu só tenha curtido por educação”, escrevi, mesmo sabendo que não era verdade.

Ele respondeu quase em seguida.

“Então deixa eu te dar um motivo melhor”

Eu fiquei olhando aquela mensagem por alguns segundos.

E foi aí que eu percebi.

Aquilo já não era mais só conversa.

Tinha intenção.

E, pela primeira vez desde tudo que tinha acontecido…

eu não quis recuar.

Eu Lia novamente:

“Então deixa eu te dar um motivo melhor… seria te ver pessoalmente, sem você fingir que é toda certinha”

Eu fiquei olhando aquela mensagem por alguns segundos, parada, com o celular na mão. Aquilo mexeu de um jeito diferente. Não foi só o que ele disse… foi como ele disse. Direto, mas sem ser invasivo. Como se ele já tivesse entendido alguma coisa sobre mim que nem eu mesma tinha colocado em palavras ainda.

Respirei fundo antes de responder.

“Eu não finjo nada”

Enviei e fiquei esperando. Dessa vez ele demorou um pouco mais, o que só fez minha atenção ficar ainda mais presa na tela.

“Não? então por que parece que você se segura o tempo todo?”

Meu coração acelerou na hora. Eu desviei o olhar do celular por um instante, como se aquilo fosse aliviar alguma coisa, mas não adiantou. A pergunta ficou ali, ecoando.

“Porque nem tudo precisa ser mostrado”, respondi, tentando manter algum controle.

A resposta veio quase imediata.

“Depende de pra quem”

Eu mordi o lábio sem perceber. Aquilo já não era mais só conversa. Tinha alguma coisa ali me puxando, me desafiando de um jeito que eu não estava acostumada.

“E pra você teria que mostrar por quê?”

Dessa vez ele demorou um pouco mais. Eu fiquei olhando a tela, esperando, sentindo aquela expectativa crescer sem motivo claro.

“porque eu tenho a impressão que você é bem diferente do que deixa aparecer”

Eu fiquei em silêncio.

Porque, no fundo… aquilo fazia sentido.

Eu já estava deitada na cama, pronta pra dormir, usando uma blusa leve e um short curto daqueles que eu só usava em casa. Confortável… mas que deixava meu corpo mais evidente do que eu normalmente permitiria fora dali. O tecido acompanhava as curvas, marcava o que eu sempre tentava disfarçar durante o dia.

Sem perceber, eu abri a câmera do celular.

Fiquei olhando a imagem.

A posição, a luz do quarto, o jeito que a roupa caía no corpo… tudo ali parecia diferente quando eu me olhava daquele jeito. Não como alguém tentando ser discreta, mas como alguém que sabia exatamente o que estava mostrando.

Voltei pra conversa.

Ele tinha mandado outra mensagem.

“mas relaxa… você não precisa provar nada agora”

“a não ser que você queira”

Eu soltei um pequeno sorriso, quase sem perceber.

Porque não parecia uma cobrança.

Parecia um convite.

Que eu considerei aceitar.

Continua

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Comentários

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Eu tava gostando achei interessante mas ai vem conto de traição.... nada contra mas será que ninguém escrever sem traição? Precisa sempre ter ?

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Pow o canto estava indo tão bem agora já vai virar um conto de traição MDS ao invés de tentar fazer tudo com o namorado no primeiro obstáculo ela já muda e dá mole pra outro

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