Agora que fui demitida do estágio, o dinheiro das lives estava longe de ser suficiente.
No final do mês, quando sentei com Pedro para pagar as contas, o aperto no peito voltou. Aluguel, faculdade (mesmo trancada, ainda tinha parcelas), comida, as novas roupas que eu tinha comprado... Tudo somado dava muito mais do que as doações e os poucos seguidores pagos.
— Vai dar certo — Pedro disse, vendo minha expressão. — Você tá crescendo.
— Crescendo, mas devagar. E as contas não esperam.
Naquela noite, o anônimo mandou mensagem:
*"E aí, linda? Como foram as lives da semana?"*
Respondi: *"Boas, mas a grana ainda tá curta."*
*"Já pensou no OnlyFans?"*
Fiquei olhando pra tela. OnlyFans. Ele já tinha mencionado antes, mas eu sempre desconversava.
*"É muito exposição."*
Ele respondeu com um texto maior:
*"Entendo seu receio. Mas lá você controla tudo. Posta o que quiser, cobra o que quiser. E com seu corpo? Você ganharia em um mês o que não ganha no estágio em um ano."*
*"Meu estágio acabou."*
*"Então é ainda mais motivo. Pensa com carinho."*
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Conversei com Pedro.
— Ele sugeriu OnlyFans de novo.
Pedro largou o celular, me olhando com atenção. — E você? O que acha?
— Não sei. É muito. Mostrar tudo assim...
— Mas você já mostra quase tudo nas lives. Lingerie, biquíni, body... Qual a diferença?
— A diferença é que lá é pago. E as pessoas esperam mais.
— Mais como?
— Nudes. Vídeos mais ousados. Sei lá.
Ele ficou em silêncio por um momento. Depois, segurou minha mão.
— Se você fizer, eu apoio. Mas tem que ser porque você quer. Não só pela grana.
— É pelos dois.
— Então pensa direito. Se decidir, tô junto.
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Passei a noite em claro, pesquisando.
Entrei em perfis de meninas que eu seguia. Vi os valores, os tipos de conteúdo, os comentários. Algumas ganhavam fortunas. Outras tinham uma renda extra boa.
No dia seguinte, mandei mensagem pro anônimo:
*"Criei a conta."*
Ele respondeu na hora: *"Sabia que você ia fazer. Manda o link."*
Mandei. Ele se inscreveu em segundos.
*"Sou seu primeiro assinante."*
Sorri, nervosa.
*"Obrigada."*
Ele respondeu: *"Eu que agradeço. Agora vou poder ver você sempre que quiser."*
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No começo, postei só fotos de lingerie. Nada muito diferente do que eu já mostrava nas lives, mas com qualidade melhor, poses mais provocantes.
Em uma semana, tinha cem assinantes. Em duas, trezentos. O dinheiro começou a entrar. Quinhentos reais, mil, dois mil.
— Tá vendo? — Pedro disse. — Tá dando certo.
— Tá. Mas eles querem mais.
— Mais como?
— Vídeos. Coisas exclusivas.
Ele me olhou. — Você quer fazer?
— Tô pensando.
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Na semana seguinte, gravei meu primeiro vídeo para o OnlyFans.
Era uma dança. Funk bem pesado, eu de shortinho e top cropped, rebolando na frente da câmera. No começo, estava travada, com vergonha. Depois, a música tomou conta e eu me soltei.
Quando assisti, fiquei surpresa. Eu estava gostosa. Rebolando, provocando, me olhando nos olhos da câmera.
Postei.
Em duas horas, trezentas vendas. Seis mil reais.
Liguei pro Pedro, gritando:
— Seis mil! Em duas horas!
Ele riu do outro lado. — Tô vendo. Já tô aqui assistindo de novo.
— Seu tarado.
— Tarado por você.
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Fernanda me chamou pra um café. Quando sentamos, ela já veio direta.
— Vi suas coisas.
— Que coisas?
— O OnlyFans.
Meu sangue gelou. — Como?
— Uma amiga me mostrou. Falou "essa mina é muito parecida com você". Era você.
— Fernanda...
— Não precisa se explicar. Só queria saber se você tá bem.
— Tô. Tô muito bem. Tô ganhando dinheiro, me sentindo viva...
— Mas cuidado, mana. Isso pode acabar com sua imagem. Se a família descobre...
— A família não precisa saber.
Ela suspirou. — Eu não vou contar. Mas toma cuidado. As pessoas são cruéis.
— Eu sei.
— E o Pedro? Como ele tá com isso?
— Ele apoia. Até ajuda.
Ela sorriu, aliviada. — Então tá bom. Mas se precisar de algo, tô aqui.
— Obrigada, mana.
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O OnlyFans virou minha prioridade.
Eu postava todo dia. Fotos de lingerie, de biquíni, de roupa de academia. Vídeos dançando, rebolando, provocando. Os assinantes aumentavam. Quinhentos, oitocentos, mil.
O anônimo era meu maior fã. Comentava em tudo, mandava mensagem toda noite.
*"Hoje você tá perfeita."*
*"Esse vídeo me matou."*
*"Queria tanto estar aí."*
Eu respondia, provocava, mandava fotos exclusivas pra ele.
*"Só pra você."*
Ele respondia: *"Você não tem noção do que faz comigo."*
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Uma noite, ele mandou um vídeo. Ele se masturbando, o pau enorme, latejando.
*"Pensa em você."*
Assisti várias vezes.
Respondi: *"Queria sentir."*
Ele respondeu: *"Um dia quem sabe."*
Na transa com Pedro, naquela noite, eu estava diferente.
— Hoje quero uma coisa — pedi.
— O quê?
— Quero que você me coma, mas me chama de puta. Me chama de vadia.
Ele hesitou, depois entrou no jogo.
— Puta. Minha putinha.
— Isso. Mais. Corninho.
Soltei sem querer, ele me olhou estranho, seu pau parece que ficou maior e mais duro.
Ele acelerou.
— O quê?
— Uma fantasia amor, vamos tentar. Diz que você é meu corno.
— Seu corno?
— É. Meu corninho que me come enquanto eu penso no pauzudo.
Ele gemeu, excitado.
— Seu corninho.
— Isso. Me fode, corninho.
Gozei gritando.
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Depois, ele me abraçou.
— Você tá diferente.
— Tô gostando.
— De quê?
— De ser desejada. De provocar. De ter você de corninho.
Ele riu. — Sou seu corninho feliz.
— E vai continuar sendo.
— Sempre.
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No dia seguinte, fui numa sex shop.
Sozinha, de óculos escuros, o coração batendo forte. Andei pelos corredores até achar a seção de vibradores.
Meus olhos encontraram um. Era enorme. Grosso, comprido, com veias pintadas, parecia de verdade.
— Esse é o maior que tem? — perguntei ao vendedor.
— Nosso mais vendido. As clientes adoram.
Vinte centímetros. Quase o dobro do Pedro.
Comprei.
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Em casa, escondi no armário. Mas naquela noite, quando Pedro dormiu, peguei o vibrador e fui pro banheiro.
Sentei no chão frio, a caixa no colo. Tirei da embalagem. O objeto era ainda maior na mão. Pesado, de silicone macio, mas firme.
Passei gel, deitei no tapete e tentei enfiar.
Não entrou.
Doeu. Uma dor aguda, como se fosse rasgar. Tentei de novo, mais devagar, mas não adiantava. Era grande demais.
Desisti.
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Contei pro anônimo no dia seguinte.
*"Comprei o vibrador."*
*"E aí? Conseguiu usar?"*
*"Não entrou."*
*"Muito grande?"*
*"Demais."*
*"Tenta de novo. Devagar. Com calma. Vai treinando."*
Naquela noite, tentei de novo.
Mais lubrificante. Mais calma. Deitada na cama, com a porta trancada, o celular ao lado com a mensagem dele aberta. Fechei os olhos e imaginei. Imaginei ele ali, o pau dele.
Comecei devagar, só a ponta. Doeu um pouco, mas menos. Fui forçando aos poucos, centímetro por centímetro. Respirava fundo, me soltando, pensando nele.
— Isso... — sussurrei.
Entrou mais um pouco.
Mais lubrificante.
Mais devagar.
Até que, finalmente, entrou inteiro.
Gemi alto. O vibrador vibrando dentro de mim, me preenchendo como nunca. Era uma sensação nova, avassaladora.
Liguei na velocidade máxima.
Gozei em segundos. Um orgasmo tão forte que chorei.
Peguei o celular.
*"Consegui."*
Ele respondeu na hora: *"Sabia que conseguiria. Tô orgulhoso de você."*
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Na transa seguinte com Pedro, usei o vibrador.
— Hoje você vai me comer com isso — mostrei pra ele.
Ele arregalou os olhos. — Caralho. É enorme.
— É quase do tamanho do pauzudo.
— E você quer que eu...
— Quero. Enfia em mim.
Ele hesitou, mas obedeceu. Colocou o vibrador em mim, devagar, sentindo cada centímetro. Eu gemia, pedia mais.
— Isso... assim...
— Gosta?
— Amo.
Ele começou a meter com o vibrador, enquanto eu me masturbava. Em poucos minutos, gozei.
Depois, ele me comeu de verdade, mas eu estava tão excitada que gozei de novo.
— Você é doida — ele disse.
— Doida por pau grande.
— E eu?
— Você é meu corninho. Meu corninho que me ajuda a realizar fantasias.
Ele sorriu. — Tô amando ser seu corninho.
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Meu guarda-roupa mudou completamente.
As roupas largas foram pro fundo. Agora era só top cropped, short curto, vestido justo, salto alto. Até pra ir no mercado eu me arrumava.
Minha mãe notou.
— Filha, você tá diferente.
— Tô mãe?
— Mais bonita. Mais mulher.
— Obrigada.
— E essas roupas? Tão... ousadas.
— É a moda, mãe.
Ela não disse mais nada, mas eu vi a preocupação nos olhos dela.
Fernanda, quando me viu, riu.
— Mana, você tá uma puta.
— Fernanda!
— Tô brincando. Tá linda. E parece feliz.
— Tô.
— Então ótimo.
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No OnlyFans, eu postava cada vez mais ousado.
Vídeos me masturbando, primeiro só de leve, depois mais explícitos. Depois, usando o vibrador. Mostrando tudo. Os comentários enlouqueciam.
*"LENA"*
*"DEUSA"*
*"RAINHA"*
*"MELHOR CONTEÚDO"*
O dinheiro subia. Dez mil, vinte mil, trinta mil no mês.
O anônimo era meu maior incentivador.
*"Você é a mulher mais linda que já vi."*
*"Obrigada."*
*"Queria tanto fazer algo com você."*
*"Tipo o quê?"*
*"Não sei. Qualquer coisa. Só pra sentir você perto."*
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Uma noite, ele mandou a ideia.
*"Já pensou em a gente gravar algo juntos?"*
Meu coração disparou.
*"Gravar como?"*
*"Sem penetração. Só brincadeira. No máximo um boquete."*
*"Você faria isso?"*
*"Só se você quisesse. A gente combina antes. Você controla tudo."*
Fiquei olhando pra tela, sem saber o que responder.
Mostrei pro Pedro.
Ele leu, pensou, depois me olhou.
— O que você acha?
— Não sei. É arriscado.
— É. Mas... se for só isso, sem sexo de verdade... talvez seja uma oportunidade.
— Oportunidade?
— De conteúdo. Seu OnlyFans bombaria ainda mais. E você sempre quis ver ele de perto.
— Você não liga?
— Lena, eu sou doido pro você, sei que meu pau não é grande e não ficaria legal nos videos. Se é isso que você quer... eu apoio.
— Mesmo?
— Mesmo. Mas com limite. O que vocês combinarem.
Beijei ele.
— Te amo, corninho.
— Te amo, putinha.
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Naquela noite, respondi pro anônimo:
*"Topo."*
Ele respondeu na hora:
*"Sério?"*
*"Sério."*
*"Com condições."*
*"Quais?"*
*"A gente combina antes. E meu namorado vai saber de tudo."*
*"Claro. Tem que ser confortável pra você."*
*"E nada de penetração."*
*"Combinado. Só brincadeira, no máximo um boquete."*
*"Então tá."*
*":)"*
Senti um frio na barriga. E um calor.
O pauzudo ia se tornar real.
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**Fim do Capítulo 3**