O carteiro

Um conto erótico de Tardenhu
Categoria: Gay
Contém 362 palavras
Data: 23/02/2026 09:51:35
Assuntos: Gay

Quando finalmente me deitei sobre ele, sentindo o peso do meu corpo sob o dele, o choque de pele quente foi um choque elétrico. Beijei seu pescoço, seus ombros, o centro exato do seu peito, enquanto minha mão descia para explorar mais. Ele arqueou as costas, um gemido baixo escapando de seus lábios, um som rouco que me incentivou a continuar. Era ele o guia silencioso dos meus atos, cada arrepio, cada movimento de quadris me dizendo onde tocar, onde beijar, onde morder de leve.

Guiá-lo para o momento final foi uma negociação de corpos. Ele virou-se de bruços, enterrando o rosto no travesseiro, e eu o segui, colando meu peito às suas costas. Minha boca estava em sua nuca, sentindo o sal da sua pele. Minhas mãos seguravam seus quadris, firmes, e ouvi sua respiração mudar, ficar mais ofegante, mais urgente. Eu estava no comando, mas cada movimento meu era uma resposta a um pedido silencioso dele, uma dança onde ele, passivo, ditava o ritmo com a linguagem primitiva do seu corpo.

O mundo lá fora, com suas entregas e protocolos, deixou de existir. Só havia o som dos nossos corpos, o calor úmido da pele, os gemidos que ele soltava, abafados, e que me levavam ao limite. O ápice, quando veio, foi um colapso conjunto, um tremor que começou nele e se alastrou por mim, nos deixando exaustos, entrelaçados em um silêncio diferente, agora cheio e pesado.

Ficamos assim por um tempo que não sei medir. Até que ele se moveu, levantou-se sem dizer nada. Vestiu o uniforme com a mesma calma com que entrou, ajeitou a bolsa no ombro. Na porta do quarto, nossos olhares se encontraram mais uma vez. Não havia constrangimento. Havia uma cumplicidade nova, um segredo aceso.

Ele foi até a sala, pegou o protocolo assinado que ficara na mesa. Antes de sair pela porta, virou-se e me deu um pequeno sorriso, daqueles que a distância nunca mostrou. O portão rangeu ao fechar. O som das suas botas no cimento sumiu na rua.

Fiquei ali, ouvindo o silêncio da casa que voltava. Peguei o envelope da entrega especial sobre a mesa. Era uma conta de luz.

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