História de Carol - Pt. 7

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 568 palavras
Data: 23/02/2026 00:05:05

As mensagens continuaram chegando em um ritmo confortável, quase como uma conversa que já existia há tempos.

Ele perguntava coisas simples — sobre músicas, filmes, como tinha sido o dia — e Carol respondia sorrindo para a tela, cada vez mais à vontade. Já não precisava pensar tanto antes de escrever. As palavras saíam naturais, como se aquela versão dela sempre tivesse estado ali, só esperando espaço.

Em certo momento, ele demorou um pouco mais a responder.

“Vou precisar sair agora… amanhã acordo cedo. Mas gostei de conversar com você.”

Carol leu a mensagem duas vezes, sentindo uma mistura de leve frustração e uma satisfação inesperada.

“Também gostei. Boa noite :)”

“Boa noite, Carol. A gente se fala.”

A tela ficou silenciosa.

A música ainda tocava na sala, mas agora parecia mais suave. A euforia da dança tinha dado lugar a uma sensação de calma — aquela calma boa de quando algo importante acontece por dentro, mesmo que ninguém mais veja.

Ela ficou alguns segundos parada, olhando o próprio reflexo escuro na TV desligada.

Então teve uma ideia.

Foi até o quarto e abriu novamente o guarda-roupa da mãe, com cuidado, como quem visita um segredo. Entre peças que já conhecia, encontrou algo que ainda não tinha experimentado: um babydoll novo, delicadamente dobrado.

O tecido era leve, quase etéreo. Um tom rosado suave, com detalhes em renda fina na barra e nas alças. Não era chamativo — era delicado. Feminino de um jeito tranquilo, íntimo.

Carol passou os dedos sobre o tecido antes de vestir.

No corpo, ele parecia diferente de tudo que já tinha usado. Não moldava, não apertava, não criava personagem. Apenas caía com naturalidade, acompanhando seus movimentos.

Ela se olhou no espelho.

Não era a “Carol da balada” de minutos atrás. Era uma versão mais serena. Mais próxima de um cotidiano que ainda não existia… mas que ela imaginava.

Sentou-se na cama, cruzando as pernas, deixando o tecido deslizar suavemente sobre a pele.

Pensou em como seria acordar assim todos os dias.

Escolher uma roupa sem pressa.

Sair de casa sem medo.

Tomar café numa padaria, caminhar na rua, viver pequenas coisas sem precisar esconder.

Não era um plano ainda.

Era só um sonho.

Mas, pela primeira vez, parecia possível.

Deitou-se, ainda com o leve perfume que havia passado mais cedo, e ficou olhando o teto enquanto a casa mergulhava no silêncio da madrugada.

Acabou adormecendo assim — entre expectativa e tranquilidade.

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A manhã chegou cedo, com a luz entrando pelas frestas da janela.

Carol abriu os olhos devagar, ainda um pouco sonolenta, tentando entender por um instante por que se sentia diferente.

Então lembrou.

Olhou para o próprio corpo, para o tecido delicado do babydoll, e sorriu sozinha.

Levantou-se, caminhando até o banheiro. Lavou o rosto, prendeu o cabelo natural de forma simples, sem pressa. Não havia produção, nem salto, nem maquiagem elaborada.

Era só manhã.

Na cozinha, preparou o café como sempre — pão na chapa, café quente, o barulho familiar da casa despertando. Mas havia algo novo na maneira como se sentava à mesa, segurando a xícara com as duas mãos.

Uma sensação silenciosa de pertencimento.

Enquanto tomava o café, pensou na conversa da noite anterior. Pensou no quanto tinha se sentido confortável sendo chamada de Carol. Pensou no futuro, ainda indefinido, mas agora menos distante.

Do lado de fora, a cidade começava mais um dia comum.

E, dentro dela, algo também começava.

Sem pressa.

Sem alarde.

Mas começava.

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