Harém - Parte 1 - Tomás.

Da série Harém
Um conto erótico de Rafael
Categoria: Homossexual
Contém 2195 palavras
Data: 02/02/2026 21:34:24

Parte 1 – Tomás.

ESSE CONTO É FICTÍCIO E ENVOLVE TEMAS COMO DOMINAÇÃO E SUBMISSÃO. PODE CONTER CENAS DE MANIPULAÇÃO E DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA. SE VOCÊ SE E SENSÍVEL, NÃO CONTINUE A LEITURA. AOS DEMAIS QUE SE INTERESSAREM, BOA LEITURA.

Quando me formei no ensino médio, sonhava em fazer um curso superior. Me formar engenheiro. Mas as condições eram poucas, o que me forçou a passar dois anos sem estudar, apenas trabalhando e juntando dinheiro para esse sonho. Meu nome é Rafael, e eu tinha uns 21 anos nesse tempo. Eu fiz o Enem e consegui entrar em uma universidade pública em uma cidade não muito distante da que eu nasci. Eu tinha dinheiro para me sustentar por um período inteiro, talvez dois. Depois disso, eu iria dar um jeito. Conseguir um trabalho que me permitisse continuar ali até que me formasse. Numa dessas, procurando alguma república barata para morar, acabei conhecendo Tomás. Nosso contato, de início, foi virtual. Tomás era um homem de quase 30 anos, que procurava alguém para dividir as contas em sua casa. Como essa foi a opção mais barata que encontrei, decidi me mudar para junto dele.

Eu nunca vou me esquecer do fatídico dia em que o vi pela primeira vez. Tomás era um homem alto, acima do peso, com braços fortes e um peitoral tão repleto de pelos que saíam pela gola da camisa. Eu confesso que era difícil não olhar para ele. A barba que ele carregava no rosto o deixava com um ar rústico e eu tinha certeza de que ele sabia como deixar alguém louco. Com certa dificuldade, anuviei esses pensamentos e comecei a trazer minhas coisas para dentro. Tomás era extremamente solicito, educado e gostou de interagir comigo. Eu tinha basicamente uma cama, algumas malas com roupas e livros. Muitos livros. Em pouco tempo, tudo já estava descarregado e a caminhonete que me trouxe já havia partido de volta.

- Rafael, né!? – Perguntou, quando já entrávamos com a cama, última coisa que ficou para fora. – Veio para fazer faculdade?

- Sim. Engenharia. – Respondi, com orgulho.

- Bacana. Eu estou voltando esse período. Engenharia também.

- Voltando?

- Sim. Há alguns anos eu entrei, mas minha mãe adoeceu e eu larguei. Não completei nem o primeiro período. Provavelmente seremos da mesma turma.

- Ah, sim. Que pena. Espero que sua mãe tenha melhorado. – Falei, inocente. Uma gafe.

- Ela… faleceu. Há uns dois anos. Mas só agora senti vontade de voltar e me formar.

- Eu… sinto muito. Não é fácil perder a mãe. – Gaguejei, corando embaraçado.

- Não precisa se constranger. É difícil, sim, mas agora… já foi. Essa era a casa dela, ela deixou para mim e, como resolvi voltar para a cidade, pensei que seria melhor morar com alguém. Você sabe, pra evitar a saudade que nasce da solidão e, claro, ter alguém para rachar as contas.

- Claro. Eu entendo. – Falei, simpático, enquanto colocávamos a cama no lugar. – Também faria a mesma coisa, eu acho.

Esse foi o primeiro contato que tivemos. Ele saiu e me deixou ali, arrumando minhas coisas. Quando já estava tudo no lugar, eu sentia fome e resolvi fazer algo para comer. Tomás me explicou onde era o mercado mais próximo e eu fui comprar algo para jantar. Quando voltei, Tomás estava sentado no sofá, sem camisa, assistindo alguma coisa na TV. Eu devo ter ficado quase um minuto estático, apenas olhando o peito forte e peludo, a barriga proeminente, e o jeito largado que ele estava. Não posso negar que me senti mais que atraído por ele. Mas era melhor só ignorar. Quer dizer, era o lugar mais barato que eu tinha encontrado e eu não queria estragar tudo. Eu me forcei a não olhar mais, e, quando percebeu minha presença, ele se ajeitou no sofá, sentando-se direto enquanto sorria para mim.

- Eu me esparramo por aqui. Mas tem espaço, se você quiser se sentar também

- Não… tudo bem. Eu… eu estou bem. – Falei, vacilante. Então, tentando mudar de assunto, disse. - Na verdade, vou fazer algo para comer. Você… você aceita?

- Depende. O que você vai fazer? – Respondeu, os olhos fixos em mim.

- Bem, comida normal. Arroz, feijão, carne…

- Você sabe fazer feijão? Porra, cara, eu nunca mais comi depois que minha mãe se foi. Eu não me dou bem na cozinha.

- Sei, claro. Se quiser, posso fazer para nós dois.

- Eu vou aceitar se você não se importar. Já estou meio enjoado de pizza e fast food.

- Claro. Eu vou fazer e te chamo.

- Obrigado, irmão. Já vi que vamos nos dar bem. – Falou, levando os olhos de volta para a televisão por uns segundos. Então, voltando a olhar para mim, disse, num tom baixo, quase rouco. - Você parece ser um bom menino.

Não sei se foi a atração que senti quando cheguei, ou sua voz firme e rouca, mas um arrepio me correu todo o corpo. Eu saí para a cozinha antes que meu pau começasse a dar sinais de vida, incrédulo com aquela sensação no meu corpo. Eu nunca tinha tido nenhum tipo de contato com outras pessoas, menos ainda me sentido… assim… com alguém. Tomei um copo de água gelada para esfriar o corpo, e comecei a me virar ali, preparando a comida. Consegui acalmar meus pensamentos e focar no feijão que fazia. Era como se eu quisesse fazer o melhor feijão do mundo. E, estranhamente, eu senti uma satisfação descomunal quando, terminando de comer, Tomás disse.

- Porra, que comida boa do caralho. Você devia fazer gastronomia. O feijão… que saudade eu tinha de um feijãozinho bem temperado assim.

Os dias se passaram e a faculdade começou com todo o vapor. Tomás e eu fazíamos todas as disciplinas juntos, visto que ele também voltou para a estaca zero. Desde o início, como Tomás tinha carro, combinamos que eu cozinharia em casa e ele me levaria para a faculdade sem me cobrar. E dava muito certo. Tomás gostava de tudo que eu fazia, e eu sempre me sentia… orgulhoso… com os elogios que recebia dele. Além disso, era um alívio não ter de ir andando para a faculdade, com o sol queimado a moleira. Tudo isso acabou nos aproximando, e eu aprendi a dominar a atração que sentia por ele. Claro, era difícil tirar o olhar dele quando ele se jogava só de cueca no sofá, ou quando ele saia do banho completamente nu e ia para o quarto. Ainda assim, o que a gente tinha podia ser chamado de amizade.

Nenhum de nós dois tinha o hábito de sair muito. Tomás, no entanto, sempre levava alguém em casa. Eu já tinha o visto com mulheres, mas ele se relacionava mais com homens pelo que eu notava. Mesmo sabendo disso e sentindo o maior tesão nele, eu não arriscava nada além da amizade. Eu sempre pensei de forma lógica, e não queria perder os benefícios de morar ali. O tempo passou e eu me saí bem na primeira rodada de pontuação em todas as matérias. Cálculo, o terror para a maioria dos meus colegas, era onde eu me destacava mais. Eu entendia bem o conteúdo e havia fechado todas as atividades e a prova da disciplina até então. Com o final iminente do período, eu estava basicamente folgado em tudo, com nota suficiente para fazer pouco ou nenhum esforço nas provas finais. Há poucos dias para a final de cálculo, enquanto íamos para a faculdade, Tomás me abordou.

- Será… que você pode me ajudar com cálculo? Eu fui mal na primeira prova, corro o risco de não passar.

- Claro. Em casa podemos…

- Na faculdade. – Me interrompeu, rude. Então, suavizando a voz, continuou. – Eu prefiro que seja na biblioteca, se você não se importar. Você sabe, vai cair a matéria de todo o período. Os livros podem ajudar.

- Sem problema. – Respondi. – Se você acha melhor assim, por mim tudo bem.

- É melhor assim. – Interpôs, firme, estacionando o carro. Eu só concordei com a cabeça.

A aula segui normal. Tomás e eu nos sentávamos perto um do outro, além de um outro amigo que fizemos chamado Vini. Durante a aula, Vini disse que também estava com dificuldade e eu comentei que ajudaria Tomás na biblioteca, o convidando para ir junto. Naquele dia, Tomás ficou com o semblante fechado, em silêncio. Devia estar com algum problema, eu pensava, me lembrando da forma rude que ele havia falado comigo no carro mais cedo. No fim do último horário, Vini saiu para atender uma ligação e acabou ficando um bom tempo de fora. Nesse meio tempo, Tomás me chamou dizendo para que voltássemos em casa para que ele pegasse seu notebook antes de irmos até a biblioteca, o que eu concordei. E assim fizemos. Quando o professor de desenho técnico dispensou a turma, eu juntei as coisas de Vini, que ainda não havia voltado, e levamos até ele.

- Amigo, nós só vamos dar um pulo em casa e já voltamos. – Expliquei a Vini, entregando sua mochila.

- Tudo bem. Eu espero vocês. E… obrigado por trazer minhas coisas. – Respondeu.

Nós fomos até o carro e Tomás ainda estava em silêncio. Eu pensava se nós já éramos amigos a tempo o suficiente para que eu não fosse invasivo a perguntar o que estava acontecendo. Conclui que sim, éramos próximos o suficiente para que eu perguntasse numa boa. Enquanto passávamos pela portaria da universidade, puxei conversa com ele.

- Essa disciplina de desenho é um saco.

- Uhum. – Grunhiu.

- Tomás, você… está tudo bem? Você está… diferente.

- Sim. Eu só… uns problemas aí.

- Se você quiser conversar, pode falar comigo.

- Eu meio que tô… quer saber, deixa pra lá. Eu não quero conversar sobre isso.

- Você que sabe. – Respondi, calmo. Ele respirou fundo, e então disse.

- Eu estou de saco cheio do Vinicius. É isso. Ele não… sai de perto da gente.

- Ele fez alguma coisa com você?

- Nada em específico. É só… não sei, o jeito dele. Ele é folgado, e você ainda faz as coisas para ele.

- Ele é meu amigo. Achei que você fosse amigo dele também. E eu não faço coisa nenhuma pra ele.

- Não? Hoje mesmo você juntou as coisas dele e levou enquanto ele matava aula lá fora. – Falou, baixo, tirando os olhos da rua e colocando em mim.

- E o que tem de mal nisso? Eu teria feito a mesma coisa por você.

- É diferente. – Retrucou.

- Diferente por quê?

- Ora, como por quê!? – Disse, voltando os olhos para a rua. – Porque nós somos mesmo amigos. Passamos grande parte do tempo juntos, você sabe, moramos na mesma casa.

- Eu gosto de você e dele da mesma forma. – Falei, na inocência. Tomás não respondeu nada até chegarmos na porta de casa. Parando ali, me encarou fixamente e então, com a voz grave, disse.

– Eu não quero desligar o carro. O notebook está no meu quarto. Pega lá pra mim.

Foi assim. Seco. Sem nenhum “por favor”. Mas aquilo, aquela fala imperativa, como uma ordem, me arrepiou todo o corpo. Eu concordei com a cabeça, sem questionar, saí do carro, e só pensei na forma como ele havia falado quando já estava dentro do quarto dele. O quarto cheirava a testosterona e perfume barato, e o notebook estava em cima da cama, conectado à tomada. Eu recolhi o carregador e levei tudo. Entrando no carro, entreguei na mão dele.

- Aqui está. – Falei, pensando que ele fosse, ao menos me agradecer.

- Bom garoto, trouxe até o carregador. Muito bem. – Ele disse, colocando o notebook no banco de trás.

Na volta para a faculdade, Tomás estava mais receptivo a conversar. Me perguntou sobre o que eu achava que ia cair na prova, disse o que tinha mais dificuldade e até fez algumas piadinhas. Quando chegamos, descemos do carro e voltamos onde Vini estava, mas ele tinha saído de lá. Tomás se dispôs a ligar para ele enquanto eu ia até o bebedouro encher nossas garrafas. Quando voltei, soube que Vini precisou ir embora, e ficaríamos só nós dois para estudar. Foram quase duas horas estudando até estarmos, os dois, de saco cheio daquilo. Já tínhamos resolvido, pelo que parecia, um milhão de exercícios.

- Você se importa se pararmos por hoje? – Perguntei, cansado.

- Não me importo, eu também já não aguento mais. Podemos parar. – Falou, soltando a lapiseira em cima do caderno. Nós estávamos sentados muito próximos um do outro, e ele ergueu a mão grande em minha direção, a apoiou no meu ombro e, com os olhos fundos nos meus, quase sussurrou. – Você é mesmo um bom menino, Rafa.

Tomás nunca chamava ninguém por apelido. Nesses quase cinco meses em que estivemos dividindo a república, ele nunca havia me chamado assim. Era sempre Rafael, ou quando conversava com Vini o chamava de Vinícius. Ouvi-lo me chamar assim, quase carinhoso, enquanto me tocava… era como um choque elétrico percorrendo todo o meu ser. Com a voz arrastada, falando antes de pensar, disse.

- Obrigado.

- Imagina. Foi massa deixar você me ajudar. Podemos fazer assim: sempre que eu tiver com dificuldade, eu deixo você me me ajudar. O que você acha?

- Pode… pode ser. – Gaguejei, como se tivesse hipnotizado.

- Muito bem. – Falou, firme, enquanto sua mão subia até meus cabelos, os bagunçando, enquanto ele sorria de canto. – Agora vamos. Você ainda tem que fazer o jantar.

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