História de Carol - Pt. 1

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 478 palavras
Data: 22/02/2026 09:15:22

Carlos sempre foi um garoto quieto, daqueles que preferem observar antes de falar. Morava apenas com a mãe em uma casa simples, onde os dias seguiam previsíveis entre escola, tarefas domésticas e as novelas que ela assistia religiosamente todas as noites.

Tudo começou quando na adolescência, num verão abafado em plena época de carnaval.

As primas vieram passar alguns dias na casa deles. A casa, antes silenciosa, encheu-se de risadas, músicas altas e roupas espalhadas pelo quarto. Elas planejavam sair para um bloco de rua e, empolgadas, chamaram Carlos para ir junto.

— Vai ser divertido! — disseram.

— Mas eu não tenho fantasia — respondeu ele, meio sem jeito.

Entre brincadeiras e provocações carinhosas, sugeriram que ele fosse com alguma roupa delas. Um vestido colorido, talvez, ou uma saia cheia de brilho. Carlos riu, negando imediatamente. Sentiu o rosto esquentar. Disse que não era louco.

Mas a ideia ficou.

Naquela noite, enquanto ouvia as primas se arrumando no quarto, o som dos zíperes, dos sprays de cabelo e das gargalhadas ecoava pela casa. Ele ficou imaginando como seria. Não exatamente sair na rua — isso parecia impossível —, mas apenas ver.

Depois que o carnaval passou e as primas foram embora, a casa voltou ao silêncio habitual. A mãe trabalhava o dia inteiro, e Carlos ficava sozinho nas tardes quentes.

Foi numa dessas tardes que a curiosidade venceu.

No cesto do banheiro havia algumas roupas que as primas haviam deixado para lavar: uma blusa leve, uma saia simples, nada extravagante. Ele olhou para a porta fechada, o coração acelerado por um motivo que não sabia explicar direito. Não era apenas curiosidade infantil; era algo mais profundo, como se estivesse prestes a descobrir um segredo.

Pegou as peças com cuidado e foi para o quarto.

O espelho do guarda-roupa refletia um garoto magro, tímido, com os cabelos ainda desalinhados. Ele vestiu primeiro a blusa. O tecido parecia diferente na pele — mais leve, mais delicado. Depois a saia. Quando se olhou no espelho, não sentiu vergonha.

Sentiu surpresa.

Não era uma brincadeira. Não era apenas fantasia de carnaval.

Havia algo ali que encaixava.

Ele passou alguns minutos se observando, ajeitando o cabelo, imaginando um nome. Carlos parecia distante naquela imagem refletida. O que via ali era outra presença — mais suave, mas também mais confiante.

“Carol”, pensou, quase sem querer.

O nome surgiu como se já estivesse guardado dentro dele, esperando o momento certo para aparecer.

Naquele dia, ele não saiu do quarto. Não tirou fotos. Não contou a ninguém. Apenas guardou as roupas de volta no cesto, como se nada tivesse acontecido. Mas algo tinha acontecido, sim.

Carlos agora sabia que Carol existia.

E, nos dias seguintes, quando a casa ficava vazia e o mundo parecia grande demais para ele, Carol começava a surgir aos poucos — primeiro nos pensamentos, depois no espelho.

O carnaval tinha passado.

Mas para Carlos, a fantasia tinha acabado de começar.

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