Capítulo 15: Vitória: O Refúgio entre as Ruínas

Um conto erótico de João Vitor
Categoria: Heterossexual
Contém 2834 palavras
Data: 21/02/2026 16:32:33

Novembro avançava arrastando correntes. O apartamento na Tijuca, que antes pulsava com a adrenalina do risco e do desejo, havia se transformado em um mausoléu de mágoas. O silêncio era tão denso que parecia ter peso. Ana Beatriz e Mariana tornaram-se especialistas em invisibilidade; elas cruzavam o corredor como sombras, evitando até mesmo a direção do meu olhar. Quando o encontro era inevitável na cozinha ou na sala, o ar gelava instantaneamente.

Camila, minha mãe, estava no limite. Ela via a alegria que tentou construir no meu aniversário ser incinerada por um motivo que ela não alcançava. Ela tentou, de todas as formas, quebrar o bloqueio. Chamou Ana Beatriz no seu quarto, que apenas disse, com uma frieza profissional, que eu tinha "mostrado um caráter decepcionante e imaturo". Chamou Mariana, que explodiu em choro, dizendo que eu a tinha "traído da pior forma possível", sem entrar em detalhes. Sobrou para mim. Minha mãe me encurralou na sala, com os olhos vermelhos de uma tristeza que me rasgou o peito.

— "João, o que você fez? Eu lutei tanto para ter meus filhos juntos de novo e agora vocês moram em um cemitério! Me diz a verdade!" — ela gritou, a voz embargada. — "Não foi nada, mãe... briga de irmãos, coisas da faculdade," — eu mentia, sentindo o gosto de bile na boca.

As brigas com a Camila tornaram-se frequentes. Ela se sentia desrespeitada pelo nosso silêncio, e eu me sentia um lixo por ser a causa daquela dor. Eu tinha decepcionado as duas mulheres que dominavam meus pensamentos, estava deixando minha mãe em um tristeza profunda e o peso de ter sido o "arquiteto da própria ruína" me tirava o sono. Na faculdade, eu era um zumbi. O "Dono da República" tinha morrido. Eu faltava às aulas, evitava as pilhas dos amigos e meu desempenho nas matérias de Direito despencou. Sem o apoio e as revisões implacáveis da Ana Beatriz, eu estava perdido entre códigos e doutrinas.

Foi em uma tarde cinzenta, sentado em um banco isolado do pátio, que a luz finalmente atravessou a fumaça. Vitória parou na minha frente. Ela usava um jeans justo e uma regata branca simples, mas sua presença exalava uma paz que eu não sentia há semanas.

— "João... chega. Você está sumindo," — ela disse, sentando ao meu lado. — "Onde está aquele cara que não parava de rir na festa? O que está acontecendo?"

A princípio, tentei dar a desculpa de sempre, mas a sensibilidade dela era como um raio-x. Ela segurou minha mão e, por um momento, o mundo parou. — "Pode confiar em mim. Eu não estou aqui para te julgar, estou aqui por você," — ela sussurrou. Aquelas palavras me desarmaram. Não contei a verdade suja, mas desabafei sobre o caos em casa, sobre a solidão e o fracasso. Ela me ouviu com uma atenção genuína, oferecendo um consolo que não tinha segundas intenções. Quando nos levantamos para ir embora, um estalo de sobrevivência brilhou em mim.

— "Vitória... não vai embora agora. Vamos tomar um chopp? Preciso de um ar que não tenha cheiro de velório."

Fomos a um barzinho tradicional perto da universidade. Entre o suor das tulipas de chopp gelado, eu conheci uma Vitória que não aparecia nas salas de aula. Ela contou sobre seus sonhos, sobre a pressão de ser a primeira da família a cursar Direito, sobre suas inseguranças. Ela era profunda, inteligente e tinha uma luz que começou a espantar as sombras que as minhas irmãs tinham deixado.

Quando decidimos ir embora, caminhamos lado a lado até a estação de metrô São Francisco Xavier. Paramos perto da entrada, sob a luz amarelada dos postes. Ela baixou levemente o olhar, um sorriso tímido brincando nos lábios, e as bochechas ganharam um tom de rubor que contrastava lindamente com sua pele morena.

— "Obrigada, João... por ter me deixado entrar hoje," — ela respondeu, a voz um pouco mais rouca, enquanto mexia na alça da bolsa. — "Eu sempre te observei na faculdade, sabe? Tem algo em você que me chamava a atenção, mas você parecia estar sempre tão longe, tão fechado nesse seu mundo, que eu achei que nunca teria espaço para mim."

Ela levantou os olhos e me encarou com uma sinceridade que me atravessou. Eu, que passei os últimos meses mergulhado no egoísmo do meu próprio caos, me senti pequeno diante daquela confissão. Não aguentei mais aquela distância de poucos centímetros. Dei um passo à frente, quebrando qualquer barreira, e envolvi a cintura dela com firmeza, sentindo o calor do seu corpo através do jeans.

Puxei-a para mim, e no segundo em que nossos corpos se tocaram, a química que estava represada o dia todo explodiu. Eu a beijei com uma vontade que vinha da alma, um beijo profundo, explorador, onde nossas línguas se encontraram em um ritmo perfeito. O perfume dela, aquela mistura de flores brancas e cítricos, me embriagou, apagando qualquer rastro de amargura que eu trouxesse de casa.

Vitória correspondeu com a mesma urgência, as mãos dela subindo pela minha nuca e se perdendo nos meus cabelos, puxando-me para mais perto, como se quisesse fundir nossos corpos ali mesmo, na calçada da estação. O mundo ao redor — o barulho dos carros, as pessoas passando, o som do metrô — desapareceu. Só existia o calor da boca dela e a sensação de que, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisava fingir nada.

Nos separamos ofegantes, os lábios ainda próximos, compartilhando o mesmo ar.

— "Acho que a gente deveria ter feito isso há muito tempo," — sussurrei, ainda tonto com a pegada dela.

Ela apenas sorriu, com os olhos brilhando, e me deu um último selinho antes de entrar na estação. Eu caminhei de volta para casa sentindo que meus pés nem tocavam o chão, feliz da vida, com o gosto dela impregnado em mim. Mas bastou eu girar a chave na fechadura e entrar no apartamento para o silêncio fúnebre da Casa das Três cair sobre mim como uma lápide, me lembrando que, no escuro daquele corredor, eu ainda era o réu de um tribunal sem perdão.

No dia seguinte, acordei com o celular vibrando. Era ela. "A noite foi incrível, João. Obrigada por confiar em mim. Se precisar de um porto seguro para esse caos, eu estou aqui... e aquele beijo não sai da minha cabeça, você me surpreendeu." Aquelas palavras foram o combustível que eu precisava para enfrentar o gelo daquela casa. Respondi na hora, sentindo meu coração acelerar contra o peito: "Nem da minha, Vitória. A noite foi incrível, mas eu quero mais. Quero tempo com você... Você foi a melhor parte do meu mês. Vamos jantar no sábado? Um encontro de verdade, num lugar que você mereça."

O sábado à noite chegou como uma promessa de redenção. Eu precisava daquela noite para me sentir vivo, para lavar o gosto de derrota que a convivência na Tijuca tinha deixado na minha boca. Como eu não tinha carro, chamei um táxi e fui buscá-la. O trajeto foi uma mistura de ansiedade e expectativa, o coração batendo no ritmo do trânsito do Rio.

Quando ela desceu do prédio e entrou no carro, senti o sangue pulsar nas têmporas. Vitória estava um escândalo. Ela usava um vestido de seda cor de vinho que abraçava cada curva daquele corpo de morena escultural, o decote valorizando o colo impecável e a cor canela da sua pele. O cabelo negro estava solto, caindo em ondas sedosas, e quando ela se acomodou ao meu lado no banco traseiro, aquele perfume floral fresco me atingiu como um nocaute. Ela era, sem dúvida, a mulher mais linda que eu já tinha levado para jantar.

— "Você quer me matar antes mesmo do jantar, Vitória?" — sussurrei, enquanto o táxi seguia em direção a Ipanema. — "Gostou, João?" — ela deu um sorriso malicioso, os olhos brilhando de desejo na penumbra do carro. — "Eu também me esforcei para estar à altura do meu acompanhante."

O restaurante era sofisticado, com luz baixa e uma atmosfera de intimidade. Entre garfadas de um risoto impecável e goles de um vinho tinto encorpado, as palavras fluíam. Falei sobre meus objetivos no Direito, sobre querer mudar a trajetória da minha vida, omitindo a parte suja que me assombrava em casa. Vitória me ouvia com uma atenção devota, contando sobre sua luta para ser a primeira da família na faculdade. Rimos, trocamos olhares que queimavam e o toque das nossas mãos por cima da mesa fazia a temperatura subir. O clima era tão gostoso que, por alguns instantes, eu esqueci que existia um apartamento gelado me esperando na volta.

Mas o restaurante ficou pequeno para o que estávamos sentindo. O desejo era uma pressão física. Chamamos outro carro pelo aplicativo e seguimos direto para um motel de luxo no Alto da Boa Vista, com uma suíte que parecia um templo ao prazer.

Assim que a porta se fechou e a tranca estalou, o mundo lá fora morreu. Eu a prensei contra a parede e a beijei com uma fúria faminta. Minhas mãos subiram pelas coxas grossas dela, levantando o vestido de seda até sentir a textura da sua calcinha de renda.

— "Eu vou te deixar louca hoje," — rosnei no ouvido dela.

Fomos para a hidromassagem. A água quente borbulhava, mas não chegava nem perto do calor dos nossos corpos. Tirei a roupa dela ali mesmo, revelando os seios firmes, com aréolas escuras que se destacavam na pele morena. Eu a coloquei de costas para mim, segurando sua cintura com força enquanto penetrava aquela boceta apertada e ensopada. O som da água batendo se misturava aos gemidos roucos dela. Eu sentia meu pau latejar dentro dela, cada estocada era um choque de prazer que me fazia perder a razão.

— "Isso, João... me fode gostoso vai!" — ela gritava, a cabeça jogada para trás, o rosto contorcido de gozo.

Saímos da água e a festa continuou pela suíte inteira. No tapete do quarto, eu a explorei com a língua até fazê-la revirar os olhos e tremer em um orgasmo que a deixou sem fôlego. Na cama, a maratona foi selvagem. Eu a coloquei de quatro, puxando seu cabelo negro enquanto via aquele bumbum monumental balançar a cada golpe seco que eu dava. A visão era um delírio: a pele canela suada e o som da carne batendo.

No auge do ato, quando o prazer estava prestes a transbordar, ela segurou meu rosto com urgência. — "João... não goza dentro! Eu não estou tomando pílula!"

Eu a puxei para cima, sentindo-a cavalgar no meu colo., olhando aquela bunda imensa no teto espelhado do quarto. O sexo era intenso, amoroso e animal ao mesmo tempo. Quando senti que ia explodir, eu a deitei e tirei meu pau daquela cavidade quente. Comecei a me masturbar rápido diante dela, e ela segurou os próprios peitos com as mãos, oferecendo-os como alvo. Gozei com força, jatos quentes cobrindo os seios fartos dela, a brancura do sêmen contrastando com o moreno da pele.

Foi um pernoite de pura luxúria. Dormimos e acordamos nos possuindo de novo. Na última rodada da madrugada, eu a virei de bruços e estoquei com uma força absurda, sentindo o aperto delicioso daquela bunda monumental. No momento final, despejei todo o resto do meu gozo em cima das nádegas dela, vendo o líquido escorrer por aquelas curvas que me deixavam louco.

Ficamos abraçados, o suor secando nos corpos exaustos. Com a Vitória, eu era um homem inteiro. Mas o sol estava começando a sair, e eu sabia que aquele paraíso tinha hora para acabar.

O trajeto de volta no Uber foi silencioso, mas o silêncio era preenchido pelo toque das nossas mãos entrelaçadas no banco de trás. Vitória encostou a cabeça no meu ombro, e eu podia sentir o calor da pele dela ainda vibrando sob o vestido de seda. Quando o carro parou na porta do prédio dela, o sol da manhã já castigava o asfalto do Rio.

— "João... essa noite foi muito mais do que eu imaginei. Foi incrível," — ela sussurrou, me olhando com uma ternura que quase me fez esquecer que eu tinha um CEP para voltar.

Nos despedimos com um beijo apaixonado, um beijo que carregava o gosto de tudo o que tínhamos vivido naquele pernoite. Eu a vi entrar e segui para a Tijuca, sentindo-me invencível. Eu tinha o corpo saciado, a mente leve e a certeza de que a Vitória era o meu porto seguro.

Paguei o motorista e caminhei até o hall do meu prédio, ainda ajeitando a camisa, com um sorriso bobo no rosto. Mas, assim que a chave girou e a porta do apartamento se abriu, o castelo de vidro estilhaçou.

Camila estava em pé no meio da sala, de braços cruzados. Ela vestia um robe de seda preta curto, que deixava as pernas torneadas totalmente à mostra sob a luz fraca do abajur. O rosto estava inchado, marcado por uma noite em claro, e o olhar que ela me lançou foi como uma chicotada. A raiva e a decepção emanavam dela de forma física.

— "Onde você estava, João Vítor?" — a voz dela saiu baixa, mas carregada de uma fúria perigosa. — "São nove horas da manhã! Você sumiu a noite inteira sem dar um sinal de vida!"

— "Mãe, calma... eu só saí pra jantar e acabei ficando..."

— "CALMA? NÃO ME PEÇA CALMA!" — ela explodiu, avançando na minha direção até que seu perfume se misturasse ao calor do seu corpo. — "Eu conheço esse roteiro! Você voltou a ser aquele rebelde inconsequente, não foi? É isso que você está fazendo na rua de novo? Usando drogas? Se perdendo em biqueira com gente que não presta?"

Ela começou a esmurrar meu peito com as mãos pequenas, soluçando de indignação. — "Você voltou para destruir o que sobrou de mim! Primeiro suas irmãs param de se falar por sua causa, esse clima de morte que você trouxe pra dentro dessa casa, e agora isso? Você é um egoísta que só pensa nesse seu prazer barato, se drogando por aí enquanto eu morro de preocupação!"

Segurei os pulsos dela para contê-la, e o contato físico foi como um choque elétrico. Camila estava ofegante, o peito subindo e descendo com força, fazendo o decote do robe se abrir perigosamente, revelando a pele clara que brilhava sob a penumbra.

— "Mãe, para! Me escuta!" — exclamei, forçando-a a me encarar. — "Eu não estou usando nada, eu não pisei em boca nenhuma. Eu estava com a Vitória! A menina da faculdade que você conheceu na festa! A gente foi pro motel, eu dormi com ela, foi só isso!"

Camila parou de lutar instantaneamente. Seus olhos vasculharam os meus em busca da verdade. Vi uma onda de alívio genuíno atravessar seu rosto ao perceber que eu não tinha voltado para o abismo das drogas, mas, logo em seguida, sua expressão mudou. Houve um breve silêncio onde o olhar dela desceu para a minha boca e depois para o meu peito, um brilho de algo estranho e possessivo — um ciúme discreto e involuntário que ela mesma parecia não entender.

— "Motel, João?" — ela sussurrou, a voz subitamente rouca. Ela encostou a testa no meu ombro, desarmada, e senti o peso dos seus seios fartos pressionarem levemente o meu peito através da seda fina. — "Você se entrega pra essa menina... enquanto eu fico aqui, sozinha, vendo esse cemitério que a nossa família virou..."

Senti o calor do corpo dela contra o meu. A mão dela, que antes me batia, agora subiu trêmula até o meu pescoço, os dedos roçando a minha nuca com uma hesitação que me fez arrepiar por inteiro. Camila parecia perdida entre o alívio de mãe e a carência de uma mulher abandonada.

Eu não aguentei vê-la daquele jeito. Abracei-a com uma força que beirava a posse, sentindo a maciez da pele das suas costas onde o robe havia escorregado. — "Mãe... perdão. Me desculpa, por favor," — sussurrei no ouvido dela, sentindo-a estremecer nos meus braços. — "Eu vou consertar tudo. Eu prometo que vou dar um jeito de acabar com esse gelo entre a Ana e a Mari. Eu vou trazer a paz de volta para essa casa. Confia em mim."

Ficamos assim por longos segundos, um abraço que carregava uma eletricidade intensa e o peso de uma promessa quase impossível. Ela se afastou devagar, limpando uma lágrima e fechando o robe com as mãos trêmulas. Deu-me um último olhar profundo e foi para o quarto, exausta.

Eu fiquei ali na sala, sozinho, enquanto o sol da manhã iluminava a poeira que dançava no ar. A promessa pesava nos meus ombros como chumbo. Como eu ia consertar uma casa que eu mesmo tinha implodido? Como eu ia pedir trégua para duas mulheres que eu tinha possuído, enganado e que agora me olhavam como se eu fosse um câncer?

Subi para o meu quarto e me joguei na cama. O cheiro da Vitória ainda estava na minha pele, mas a sombra da Casa das Três era o que agora me cobria. O verão estava apenas começando, e eu sabia que cada dia de calor lá fora seria um dia de gelo absoluto lá dentro.

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