FURDUNÇO (II)

Um conto erótico de Claudio_New
Categoria: Homossexual
Contém 1387 palavras
Data: 20/02/2026 17:40:54
Assuntos: Gay, Homossexual

Dois anos depois de coordenar uma campanha política malsucedida para prefeito de uma pequena cidade do interior, retornei para me dedicar a eleger o derrotado candidato, agora para a assembleia legislativa. Eu não precisava estar lá com a frequência de quando o tentara levar à prefeitura, mas necessitava organizar minimamente o diretório municipal.

Foi aí que reencontrei Geisa, esposa do meu amigo Everardo, baixinha gostosa que peguei na minha despedida da cidade. Estava um pouco mais cheinha de carnes, e conseguira o emprego numa das empresas do candidato, como sugeri (a ela que pedisse e a ele que desse). Conversamos e ela me atualizou sobre os fatos, já que eu não tinha ideia do que acontecera ali, após a minha partida. Eu não falara mais com Everardo, e nem o reencontrara na atual campanha.

– A gente se separou. A minha filha denunciou ele no Conselho Tutelar, sem eu nem saber. Foi uma confusão danada e ele foi preso e condenado. Está preso até agora, mas vai sair por esses dias, em condicional. Tem uma medida protetiva exigindo que ele não pode se aproximar nem de mim nem de minha filha.

Escutei tudo, fiz o possível para não falar muito, a fim de não me envolver mais do que estivera envolvido. Foi a única vez que conversamos, que nossas atividades díspares não nos permitiam encontros frequentes. Mas confesso que, após saber dos novos acontecimentos, não parava de pensar no meu amigo. Tudo bem que ele pisara feio na bola, mas pelo jeito já fora julgado e estava sendo punido – não seria eu que iria mandar um segundo julgamento para cima dele.

Depois de algumas hesitações e desistências, resolvi visitá-lo na penitenciária. Eu estava com saudade. Ele, claro, surpreendeu-se com a minha presença. Jamais esperava me ver ali. Estava mais encorpado, ligeiramente malhado – a prisão lhe proporcionara tempo para exercícios. Não pude deixar de encher meus olhos e a boca d’água, ao mirar as generosas coxas que escapavam do seu short, e o pau que descansava, deitado, entre as pernas. Não era somente uma visita de solidariedade, afinal...

Conversamos durante o tempo necessário para ele falar de sua rotina ali, do abandono dos amigos, dos seus vacilos, da condicional que viria em oito dias, da saudade de Geisa e da certeza de que a perdera para sempre; confidenciou o quanto gostava de foder com ela, que ela era uma baixinha muito fogosa na cama – eu apenas torcendo para que ele não percebesse meu desconforto em ouvi-lo contar aquelas intimidades que eu também conheci. Estremeci quando ele me puxou para perto de si, como me contando um segredo:

– Eu sei que perdi ela para sempre, tudo bem, vou deixá-la em paz... Mas, meu amigo Cláudio, que baixinha mais gostosa, fala a verdade... Me diz, tu pegava ela?

Meu coração disparou. Não consegui interpretar com certeza aquela pergunta. Estaria ele perguntando se eu costumava pegá-la ou se ela era “pegável”?! Devo ter exteriorizado meu nervosismo, que ele tomou como timidez, e procurou me deixar à vontade: “Não, amigo, pode ficar tranquilo, são águas passadas.” Não soltou a carniça, entretanto: “mas tu pegava, pegava não?!”

Então escapou-me, inadvertidamente:

– Que é isso, Everardo?! Eu curto homem...

Ele me olhou, bem menos surpreso do que esperei que ficasse:

– Eu sei, Cláudio. Sempre desconfiei, durante a campanha, e tive a certeza com suas olhadas para minhas pernas agora. Relaxa...

Filho da puta! Era bem mais ligado do que eu julgava que fosse. Perdi completamente o prumo da prosa, fiquei sem ter absolutamente o que dizer. Baixei o rosto vermelho e quente. Ele continuou:

– Tem grilo não, meu amigo! Nesse tempo que passei aqui eu também peguei uns carinhas, que a falta de mulher é foda. E vou te dizer: eu gostei, visse? Não é ruim, não!

Nos meus quarenta e tantos anos eu não me recordava de ter vivido uma situação tão dúbia como aquela: desconfortável mas agradável. Eu não sabia o que dizer, mas queria ouvi-lo, desenrolado, falando de sexo com homens. E, principalmente, eu estava num frenesi da porra, numa vontade louca de agarrá-lo ali, no meio dos demais presos. A sensatez, entretanto, falou mais alto, aproveitei um intervalo e disse que precisava ir, mas que voltaria no dia de sua saída. Ele me olhou, os olhos marejaram enquanto falava de quanto estava feliz por ter pelo menos um amigo de verdade, que não o abandonara. Reafirmou seu firme propósito de voltar a trabalhar e nunca mais pisar num lugar daquele. Perguntou ao guarda se poderia me dar um abraço; este aquiesceu, com o dedo polegar erguido, e pude sentir seus braços me envolverem e seu peito forte colar no meu. O coração disparou e a rola se mexeu.

Na semana seguinte, depois de alguns dias viajando, fui cumprir a promessa que fizera a Everardo e (não vou mentir) sossegar minha enorme vontade de revê-lo. Quando apontou no portão de saída, borboletas me farfalhavam ao lhe fazer o sinal de que o esperava. Ele veio em minha direção, entrou no carro, sorriso estampado na cara, e nos abraçamos sentados. Disse que iria para a casa do irmão, por enquanto, enquanto rearrumava sua vida. Deixei-o lá, com a mútua promessa de nos encontrarmos à noite, no hotel, para tomarmos cerveja e conversarmos merda até a madrugada nos surpreender.

Passava pouco das nove, quando o conhecido som da campainha soou, adulterando o ritmo da minha ansiedade. Ele estava bonito, barbeado, cabelo cortado, camiseta regata, bermuda jeans, tênis... Abraçamo-nos demoradamente (deliciosamente cheiroso), senti-lhe a rola dura e a minha endurecendo, mas nos soltamos e sentamos na cama. Abri duas loiras geladas e os assuntos foram pingando, tornando-se contínuos, engrossando e em algum tempo ríamos, meio bêbados, de coisas bobas de que nos lembrávamos, da trágica corrida eleitoral, dois anos atrás.

Nessas risadas, terminamos embolando sobre a cama e roçando o corpo um do outro, e, como a típica cena de novela, paramos, com os olhos dentro dos olhos do outro, gastamos os últimos pedaços de riso, ficamos sérios... e nos beijamos. Nova represa rompendo-se, roupas arrancando-se, carícias por todo o corpo, rolas rígidas sendo simultaneamente sugadas em cálido sessenta-e-nove, enquanto nossos dedos vasculhavam nossos buracos.

Eu estava louco por sentir aquela tora em meu rabo; deixei isso bem claro quando me joguei sob ele, na cama, e recebi seu mastro teso violando as rugas do meu cu, e eu me arreganhando para ele. Como ele fodia gostoso – aprendera direitinho na prisão, o filho-da-puta! Seus movimentos eram precisos e impetuosos. Sua pica crescia dentro de mim, pulsava e passeava. Até que o senti parar e sua mangueira esguichar com força seu sumo de tesão em meu cu, enquanto ele gemia em descontrole.

Quase como um déjà-vu, na mesma cama que, dois anos atrás, fodera o cu de sua mulher, novamente agora o virei em ímpeto, admirei por segundos suas nádegas perfeitas e redondas, besuntei seu cu piscante com minha língua e fui enterrando minha rola em seu buraquinho, que a engolia com sofreguidão, enquanto gemíamos os dois. O apertadinho do seu cu era como o de Geisa, e já os dois se misturavam no meu tesão, e nos meus frenéticos movimentos, que acelerei quando senti o gozo se aproximando: gritei sufocado a cada jato, minha rola mais e mais se enfiando, involuntariamente, enquanto Everardo me instigava, com putarias e pornografias maravilhosas.

Nossos corpos abraçados, nus e suados, cheiro de sexo e nossos cheiros se misturavam. E assim Morfeu nos pegou nos braços e dormimos um bom tempo. Acordamos com nossos paus novamente em riste e nos chupamos e nos fodemos tudo de novo. Aquela madrugada foi pequena para tanta foda, para banho junto, para tanto carinho e gozo. Até quando o sol da manhã pôs fim a toda aquela festa de corpos, àquele furdunço, e cada um foi cuidar do seu dia.

Não quis lhe dizer nada (nem ele a mim), mas sabíamos que seria nossa primeira e última noite. Eu viajaria no dia seguinte, e acompanharia a eleição a partir do diretório central, na capital. Eu não podia correr o risco de rolar uma paixão e um desejo de nos comermos mais e mais, como rolou com Geisa. Nos dois casos, sufoquei tudo incontinenti, pois a vida me mostrara claramente a doidice que poderia ser deixar-me levar pela emoção e pelo tesão daqueles dois corpos.

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