Tudo começou com a visita das minhas primas. Cláudia, em particular, sempre teve uma presença que dominava qualquer ambiente. Ela chegava com seus shorts curtos, blusas decotadas e um sorriso que era um convite ao pecado. Durante o dia, na praia, foi o ápice.
Quando ela tirou o short e ficou apenas com aquele micro biquíni cor de mel, todo enfiado, parecia que o tempo parou. As pessoas se viravam, os olhares se perdiam nas curvas do seu corpo – pernas grossas, uma bunda empinada que desafiava o tecido mínimo.
E eu… eu também olhava. Mas não era só desejo por ela. Era algo diferente, mais profundo e assustador. Era a vontade de ser como ela. De ser olhado daquela forma, desejado, admirado.
Esse pensamento não me largou. Ficou ecoando na minha mente, um sussurro insistente, mesmo depois que elas saíram para a boate. A casa vazia amplificava a solidão e aquele desejo estranho que eu não conseguia nomear.
Foi por volta da uma da manhã, no silêncio opressor do corredor, que entrei no banheiro para escovar os dentes. E então vi. Pendurado no cabide do box do chuveiro, quase como uma miragem, estava o biquíni de Cláudia.
Aquele pedaço minúsculo de tecido, ainda úmido do mar, parecia pulsar com uma energia própria. Minhas pernas fraquejaram. As mãos começaram a tremer. Um calor subiu do meu estômago até meu peito, sufocante e irresistível. Era um desejo incontrolável, puro e simples.
Não pensei. Apenas agi. Abri a porta de correr, peguei o biquíni e fui direto para o meu quarto, trancando a porta com a chave. O coração batia tão forte que eu temia que alguém ouvisse, mesmo estando sozinho.
Tirei minhas roupas, peça por peça, até ficar nu diante do espelho. O ar frio do quarto arrepiou minha pele. Então, com uma reverência quase ritualística, vesti o biquíni. Foi uma sensação estranha no início – o tecido elástico se ajustando a um corpo que não era feito para ele.
Puxei as tiras, ajustei a parte de baixo, enfiando-a… e então olhei.O reflexo não era mais apenas o meu. Era uma versão distorcida, proibida, e incrivelmente excitante. O tecido cor de mel contrastava com minha pele, realçando formas que eu nunca tinha notado.
Passei as mãos sobre o quadril, sentindo a textura úmida e a pressão do elástico. Senti-me frágil. Senti-me poderoso. Senti-me… bonito. Uma onda de êxtase percorreu meu corpo, tão intensa que me fez apoiar na cômoda.
Foram quase duas horas. Duas horas em que me observei, me virei, me estudei sob a luz amarelada. A imaginação voou livre. Não era mais sobre Cláudia. Era sobre mim. Fantasiei ser ela, com aquele olhar desafiador. Fantasiei alguém me olhando como eu a olhei na praia.
Fantasiei… mais. Toques, carícias, um corpo contra o meu. A fronteira entre o eu e o desejo se dissolveu no reflexo do espelho.
Quando finalmente tirei o biquíni, com cuidado antes de devolvê-lo ao seu lugar, algo dentro de mim tinha se quebrado e remontado de forma diferente. O medo inicial derreteu-se, deixando para trás uma clareza estranha e tranquila.
Na manhã seguinte, ao ver Cláudia no café da manhã, usando um shorts jeans justíssimo e rindo alto, eu não senti mais aquele turbilhão de desejo e inveja confusos. Senti um reconhecimento silencioso. Um segredo compartilhado apenas com meu reflexo.
A partir daquele dia, nada foi mais o mesmo. Não porque o mundo tivesse mudado, mas porque eu finalmente tinha visto uma parte de mim que sempre estivera lá, esperando sua primeira vez à luz.
Minha obsessão começou com um simples biquíni, tão pequeno que cabia na palma da minha mão. Não era sobre sensualidade, não exatamente. Era sobre a promessa que ele carregava.
Aprendi que a verdadeira sensualidade feminina não se anuncia. Ela respira. E uma vez que você aprende a reconhecê-la, o mundo nunca mais parece tão opaco.