O Novinho Negão Quer Acabar com o meu Casamento - Parte 8

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 4915 palavras
Data: 20/02/2026 15:12:44
Última revisão: 20/02/2026 15:18:52

Acordei com a sensação de ter boiado em águas profundas. Por um momento, não soube onde estava. O teto era diferente do meu quarto, as paredes cobertas de pôsteres que eu não conhecia, e o cheiro no ar... era o cheiro dele.

Virei a cabeça devagar. Victor dormia ao meu lado na cama de solteiro, o corpo grande ocupando quase todo o espaço, a respiração lenta e profunda. A luz que entrava pela janela desenhava sombras nos músculos do ombro e no perfil tranquilo do rosto.

Meu coração apertou. Ele parecia tão jovem dormindo. Tão indefeso. Tão diferente do Victor que me fodia com palavras sujas e estocadas violentas. Ali, na penumbra do quarto, era só um garoto.

O celular vibrou na cômoda. Estiquei o braço, tentando não fazer barulho, e a tela acendeu no meu rosto. 03h25. Tinham passado duas horas desde que eu deitei ao lado dele, exausta e saciada. Meu corpo ainda doía deliciosamente, cada músculo lembrando do que tinha acontecido.

Sentei na cama devagar, colocando os pés no chão frio. Meu vestido preto estava amassado no canto, a calcinha rasgada em algum lugar que eu não conseguia ver. Levantei e comecei a me vestir em silêncio, cada movimento calculado para não acordá-lo.

- Já vai?

A voz dele veio rouca, ainda carregada de sono. Me virei. Victor estava deitado de lado, me olhando com aqueles olhos escuros que ainda conseguiam me desarmar mesmo depois de tudo.

- Preciso ir - respondi baixo, puxando o vestido sobre os ombros. - Já está muito tarde. O Roberto acorda às seis.

Ele se sentou na cama, o lençol caindo, revelando o peito nu. Passou a mão no cabelo crespo, ajeitando os fios amassados pelo sono.

- Volta aqui - pediu, estendendo a mão. - Só mais um pouco.

Balancei a cabeça, um sorriso involuntário nos lábios.

- Não posso. Você sabe que não posso.

Ele suspirou, mas não insistiu. Ficou me olhando enquanto eu calçava as sandálias, ajeitava o cabelo com os dedos, tentava me recompor no escuro do quarto dele.

- Bia - chamou, quando eu já estava de pé, pronta para ir.

- Sim?

Ele levantou da cama. Veio até mim, completamente nu, sem nenhuma vergonha do corpo exposto. A rola mole balançava entre as pernas enquanto ele se aproximava, e eu desviei o olhar, sentindo o calor subir ao rosto. Mesmo assim, mole, o pau duro de Roberto não chegava nem aos pés.

As mãos dele encontraram minha cintura, me puxando para perto.

- Antes de você ir... - disse, a voz mais baixa. - Queria te perguntar uma coisa.

- O quê?

Ele ficou sério por um momento. Os olhos escuros procuraram os meus, e ali não tinha mais o moleque debochado, não tinha o cafajeste que me provocava. Tinha só um garoto, vulnerável, perguntando algo que parecia custar a sair.

- Já que eu vou terminar com a minha namorada pra ficarmos juntos - ele começou, e meu coração deu um salto -, você não acha que também deveria separar do Roberto?

A pergunta pairou no ar entre nós como um objeto estranho, algo que eu não sabia como pegar, como processar.

Meu corpo inteiro paralisou nos braços dele, e eu senti o chão se abrir sob meus pés. Separar do Roberto. A ideia simplesmente não tinha passado pela minha cabeça. Em nenhum momento, em nenhum dos encontros, em nenhuma das vezes que me entreguei a Victor, eu tinha considerado seriamente a possibilidade de deixar meu casamento.

- Eu... - minha voz falhou. - Eu não tinha pensado nisso.

Victor não pareceu surpreso. Apenas acenou com a cabeça, compreensivo, mas seus olhos continuavam fixos nos meus.

- É o certo a fazer, não acha? - perguntou, com calma. - Assim não vamos mais precisar nos ver escondido. Você não precisa mais mentir, não precisa mais ficar com medo de ser descoberta. A gente pode... pode tentar algo de verdade.

A fala dele ecoou na minha cabeça como um sino. Algo de verdade. O que eu tinha com Roberto era verdade? Vinte e dois anos de casamento, de rotina, de silêncios e vazios. Isso era verdade?

- Eu... - engoli em seco, sentindo o peso da situação me esmagar. - Eu vou ver a melhor forma de lidar com isso.

Victor me beijou. Um beijo suave, sem pressa, sem a fome de sempre. Quando se afastou, seus olhos estavam mais calmos.

- Tá bom. Não quero te pressionar. Só quero que você saiba que eu tô aqui. E que eu quero você. Só você.

Saí do quarto dele com o coração na boca, atravessei o jardim no escuro, entrei em casa como uma ladra. Na cama, ao lado de Roberto que roncava placidamente, fiquei de olhos abertos até o dia clarear.

Na manhã seguinte, o despertador tocou no horário de sempre. Levantei, fiz o café, coloquei a mesa. Roberto desceu, leu o jornal, comeu, saiu. A rotina.

Era dia de polir pratarias. Peguei o pano de flanela especial, a pasta de prata, e comecei o trabalho metódico na sala de jantar. Cada movimento circular nos talheres, nas bandejas, nos castiçais. Eu precisava daquilo. Precisava da ordem, do controle, da ilusão de que tudo estava no lugar.

Por volta das dez, a campainha tocou.

Limpei as mãos no pano e fui atender. Adriana estava na porta, com um vestido longo estampado com desenhos roxos e um sorriso no rosto. Na mão, uma travessa de vidro coberta com um pano de prato.

- Beatriz! - exclamou, com a voz melodiosa de sempre. - Resolvi trazer uma coisa pra você. É uma receita típica da minha terra, um doce de abóbora que minha avó fazia. Quer experimentar?

Sorri, aliviada. Conversa fiada de vizinha era exatamente o que eu precisava para tirar a cabeça dos pensamentos.

- Claro! Entra, Adriana. Vou passar um café pra gente.

Ela entrou, e eu a conduzi até a cozinha. Sentei à mesa com ela, servi o café, cortei dois pedaços do doce de abóbora que realmente estava delicioso. Conversamos sobre coisas triviais: o calor que estava fazendo, a reforma da igreja, o neto recém-nascido da dona Maria, da casa da esquina.

- Nossa, Beatriz - Adriana disse em determinado momento, inclinando a cabeça para me olhar. - Você tá com umas olheiras, hein? Parece que não dormiu nada.

Toquei instintivamente o rosto, rindo sem graça.

- É, a noite foi um pouco difícil. Insônia, você sabe como é.

- Sei muito bem - ela concordou, tomando um gole de café. - Eu também não consegui dormir direito ontem.

Meu coração gelou.

Olhei para ela. Adriana mantinha o sorriso no rosto, mas havia algo diferente nos olhos. Algo que eu não conseguia identificar.

- Jura? - consegui dizer, a voz saindo estranha. - Bem... em noites que não consigo dormir, eu tomo um chá de camomila. Me ajuda muito a pegar no sono.

Adriana colocou a xícara no pires com um clique delicado. O sorriso ainda estava lá, mas agora ele tinha uma curvatura diferente. Mais tensa. Mais... calculista.

- É mesmo? - ela disse devagar, os olhos fixos nos meus. - Mas pelo visto o chá que você anda tomando no quarto do Victor não é de camomila.

O mundo parou.

Fiquei olhando para ela, a boca aberta, o coração simplesmente deixando de bater por um instante inteiro. Adriana não desviou o olhar. A expressão dela era calma, controlada, mas por trás da calma eu via uma fúria fria, contida, prestes a explodir.

- Adriana, eu...

- Eu vi vocês dois ontem. No jardim dos fundos. Se beijando como dois adolescentes apaixonados.

Fechei os olhos por um segundo. Quando os abri, ela ainda estava ali, me encarando.

- E não foi só o beijo - continuou. - Fiquei ouvindo. A conversa, o... resto. Tudo.

- Adriana, me deixa explicar...

- Explicar o quê, Beatriz? - a voz dela subiu um tom, o sorriso finalmente morrendo. - Que eu confiei em você? Que abri minha casa, achando que tinha feito uma amiga?

- Eu sou sua amiga - tentei, mas a frase soou fraca, ridícula.

- Amiga? - ela riu, um som amargo. - Amiga não transa com o filho da outra escondido, Beatriz. Amiga não trai a confiança, não entra na casa da pessoa de noite, não transa com o menino enquanto os pais dormem no andar de baixo.

As palavras dela me atingiam como chicotadas. Eu não conseguia responder. Não conseguia me defender.

- Sabe o que eu pensei quando mudei pra cá? - Adriana continuou, a voz mais baixa agora, mas mais perigosa. - Pensei: que sorte, uma vizinha tão boa. Educada, recatada, prendada. Alguém com quem eu podia tomar café, conversar, dividir receitas. Uma amiga de verdade, pela primeira vez em anos.

Ela balançou a cabeça, os olhos marejados.

- Mas você é uma predadora, Beatriz.

A palavra me atingiu como um soco no estômago.

- Não é isso - tentei, mas minha voz falhou.

- Não é? - Adriana ergueu as sobrancelhas. - Uma mulher da sua idade, casada, mãe de um filho mais velho que o meu... e você vai atrás de um garoto de dezoito anos? O que você quer com ele, Beatriz? O que uma mulher de quarenta anos quer com um menino?

- Eu não fui atrás dele - a defesa escapou antes que eu pudesse pensar. - Ele veio atrás de mim.

Adriana riu. Um riso seco, sem humor.

- Ah, claro. A culpa é do menino. A pobre vizinha mais velha, seduzida pelo novinho. Que sorte a dele, hein? Ter uma coroa dando pra ele escondido.

- Não é assim! - minha voz subiu, mas sem convicção. - Não foi assim.

- Então me diz como foi - ela desafiou, os braços cruzados sobre o vestido. - Me explica como uma mulher casada, de quarenta anos, membro ativo da igreja, acabou na cama do meu filho de dezoito.

Fiquei em silêncio. Não tinha resposta. Não tinha defesa. Tudo que ela dizia era verdade, dito de um ângulo que eu mesma evitava encarar.

- Ele tem uma namorada, sabia? - Adriana continuou, e agora a voz dela tremia. - Uma menina linda, respeitosa, da idade dele. Ela o ama! Os pais são nossos amigos. Eles têm planos, Beatriz. Futuro. E você entra no meio, destruindo tudo, sem se importar com ninguém além de você mesma.

- Eu sei da namorada - murmurei. - Ele vai terminar com ela.

Adriana me olhou como se eu tivesse dito a maior sandice do mundo.

- Ele vai terminar? - repetiu, incrédula. - Você acredita mesmo nisso? Victor é um menino, Beatriz. Um menino imaturo, que mal sabe o que quer da própria vida. E você, uma mulher crescida, com marido, com casa, com história, vai destruir tudo por causa de uma aventura?

- Não é aventura - a palavra escapou antes que eu pudesse conter.

O silêncio de Adriana durou apenas um segundo. Depois ela se levantou, a cadeira rangendo contra o chão da cozinha.

- Escuta aqui, Beatriz - disse, a voz baixa, mas cada palavra pesando como chumbo. - Eu vou ser clara com você. Você não vai mais se encontrar com meu filho. Não vai mais pôr os pés na minha casa. Não vai mais chegar perto dele.

- Adriana... - comecei.

- Se você fizer isso - ela continuou, me cortando -, se eu descobrir que vocês continuam se vendo, eu conto tudo pro Roberto. E não vou contar só que você tá traindo ele. Vou contar cada detalhe do que ouvi vocês conversarem. Tudo.

O ar sumiu dos meus pulmões.

Ela se dirigiu à porta da cozinha, mas parou antes de sair. Virou-se para mim mais uma vez, agora com um sorriso debochado.

- Espero que tenha gostado do doce - disse, com um cinismo cortante. - Fica com ele. É a última coisa que vai ter dessa família.

A porta bateu.

Fiquei sentada na cozinha por muito tempo, olhando para as xícaras vazias, para os pratos com os restos do doce, para o pano de prato bordado que Adriana tinha trazido. Meu corpo tremia, mas por dentro eu estava vazia. Um poço de silêncio e culpa.

O celular vibrou no bolso. Tirei com dedos trêmulos. Era uma mensagem de Victor.

V: Oi, gostosa. Hoje a noite no mesmo horário? Não vejo a hora de te comer de novo.

Fiquei encarando a tela. Ele não sonhava que Adriana sabia sobre nós.

Meus dedos pairaram sobre o teclado, mas nenhuma palavra vinha. Como eu contava pra ele? Como eu dizia que a própria mãe dele tinha me descoberto, me ameaçado, me reduzido a uma predadora aos olhos dela?

O celular vibrou de novo.

V: Bia? Tá tudo bem?

Respirei fundo. Digitei rápido, antes que a coragem fosse embora.

B: Sua mãe sabe.

O "visto" apareceu instantaneamente. Ele leu. O silêncio se esticou por um minuto inteiro, dois, três. Eu imaginava ele do outro lado, processando, sentindo o chão sumir dos pés como tinha sumido dos meus há pouco.

V: Como assim? O que aconteceu?

B: Ela apareceu aqui hoje. Disse que viu a gente ontem no jardim. E que ouviu tudo pela porta do seu quarto.

Dessa vez a resposta veio na hora.

V: Puta que pariu. Bia, me desculpa, eu não sabia, eu juro que não sabia. Ela falou o quê?

B: Falou que se a gente continuar se vendo, ela conta tudo pro Roberto.

O silêncio virtual era ensurdecedor. Eu olhava para a tela esperando alguma resposta, alguma palavra que pudesse consertar o irreparável. Nada vinha. Uns dez minutos se passaram até que ele respondeu.

V: Bia, eu vou falar com ela. Vou resolver isso. Não deixa ela te ameaçar assim. A gente vai dar um jeito.

Olhei para as mensagens dele. Olhei para a prataria ainda pela metade na mesa da sala, os talheres de prata esperando para serem polidos, a ordem que eu tentava manter num mundo que tinha virado caos.

B: Não faz nada, Victor. É melhor nem me mandar mensagem. Pelo menos por enquanto. Sua mãe não está brincando. Se ela fizer o que disse, minha vida acaba.

O "visto" apareceu. Depois os três pontinhos, indicando que ele estava digitando. Depois sumiram. Depois apareceram de novo. Depois sumiram.

Nenhuma mensagem veio.

Guardei o celular no bolso e voltei para a sala. Peguei o pano de flanela. Peguei a pasta de prata. E comecei a esfregar os talheres com uma fúria silenciosa, movimentos circulares que tentavam apagar não as marcas do tempo nas pratarias, mas as marcas das últimas horas na minha alma.

O resto da tarde passou rápido. Terminei as pratarias. Fiz o jantar. Roberto chegou, comeu, comentou sobre o dia no escritório, leu na poltrona antes de dormir. A rotina. A maldita rotina que continuava, indiferente à tempestade que eu carregava.

Nove horas. Os roncos dele começaram, familiares, previsíveis.

Nove e meia. O celular vibrou no meu bolso. Eu sabia que seria ele.

V: Ela trancou a porta dos fundos. Não consigo sair de casa.

Li a mensagem no escuro da sala, a única luz vindo da televisão ligada no mudo. Uma parte de mim sentiu alívio. Outra parte, uma parte que eu tentava ignorar, sentiu um vazio imenso.

B: Era o que tinha que acontecer. Talvez ela esteja certa, Victor. Talvez não seja bom a gente continuar com isso.

V: Não fala assim. Eu vou dar um jeito de sair. Vou te encontrar aí.

B: Não tem como, se ela trancou tudo.

V: Ela esqueceu da janela do banheiro. Dá pro quintal. É no térreo.

Meu coração disparou.

B: Você vai pular a janela?

V: Vou sim. A gente precisa conversar, Bia. Pessoalmente.

B: E se ela acordar?

V: Não vai. Eu esperei ela pegar no sono.

Fiquei olhando para a tela, o coração dividido entre o medo e uma esperança absurda.

V: Fica de olho na porta dos fundos. Daqui a pouco tô aí.

Guardei o celular e fiquei parada no meio da sala, ouvindo o silêncio da noite. Meu corpo tremia. Minha cabeça era um turbilhão.

Vinte minutos depois, uma batida suave na porta dos fundos.

Atravessei a cozinha no escuro, destranquei com mãos trêmulas, e lá estava ele. Victor entrou rápido, fechou a porta atrás de si, e por um momento ficamos apenas nos olhando na penumbra.

Ele estava sujo de terra, o shorts manchado, a camiseta branca amassada. O cabelo crespo cheio de folhas secas. Deve ter caído em um arbusto.

- Meu Deus - murmurei. - Você está bem?

Ele não respondeu com palavras. Apenas me puxou para um abraço apertado, o rosto enterrado no meu cabelo.

- Quem importa aqui é você, Bia. Eu não ia deixar você passar por isso sozinha.

Ficamos assim por um longo momento, apenas sentindo um ao outro. Depois ele se afastou só o suficiente para olhar no meu rosto.

- A gente precisa conversar - disse. - Sobre tudo.

Caminhamos para a sala, e sentamos no sofá, lado a lado. Ele segurou minha mão, os dedos entrelaçados nos meus, e por um momento nenhum de nós falou nada.

- Bia - ele começou, a voz baixa, séria. - Eu sei que minha mãe te ameaçou. Sei que ela falou um monte de merda. Mas eu pensei numa solução.

Olhei para ele, esperando.

- Se você se divorciar logo do Roberto, ela não tem mais o que chantagear - disse, os olhos fixos nos meus.

Prendi a respiração. Eu não tinha tido tempo ainda de pensar sobre isso. A confusão devia ser notável em meu rosto, porque Victor continuou:

- Pensa comigo - ele apertou minha mão. - A única arma que ela tem é contar pro seu marido. Mas se você já tiver terminado, se já tiver pedido o divórcio, o que ela vai contar?

Meu coração começou a bater mais forte.

- Victor, eu...

- A gente pode ficar junto de verdade, Bia - ele continuou, a voz urgente. - Sem esconder, sem medo, sem mentira. Minha mãe vai ter que aceitar, porque não vai ter mais jeito. E se ela não aceitar, problema dela. Eu sou maior de idade, faço o que quiser da minha vida.

Fiquei olhando para ele, processando as palavras. Divórcio. A palavra ecoava na minha cabeça como um sino.

- Você quer isso? - perguntei, a voz falhando. - Quer ficar comigo de verdade? Mesmo com toda confusão, com sua mãe contra, talvez com a cidade inteira fofocando?

Ele segurou meu rosto com as duas mãos, os olhos escuros queimando nos meus.

- Eu tô apaixonado por você, Bia. Já falei. E não é da boca pra fora. Eu quero você.

As lágrimas vieram sem aviso, quentes e silenciosas, escorrendo pelo rosto. Ele enxugou com os polegares, delicado. Ele me puxou para um abraço, e eu me aninhei no peito dele, sentindo o coração batendo forte contra minha orelha.

- Então, você topa? - ele perguntou depois de um tempo. - Vai falar com ele?

Respirei fundo. Pensei nos vinte e dois anos de casamento. Na rotina. No vazio. Nos elogios que nunca vieram. No desejo que ele nunca despertou.

- Topo - respondi, e a palavra saiu mais firme do que eu esperava. - Vou falar amanhã mesmo, no café da manhã.

Victor se afastou só o suficiente para me olhar, um sorriso enorme no rosto.

- Jura?

- Juro - confirmei, e pela primeira vez em dias, sorri de verdade. - Não quero mais nenhum minuto dessa rotina monótona. Não quero mais acordar todos os dias fingindo que está tudo bem. Eu quero você.

Ele me beijou. Era um beijo lento, profundo, cheio de promessa. A língua dele encontrou a minha numa dança suave, e eu senti o corpo inteiro derreter.

Quando nos separamos, estávamos ofegantes.

- Eu te amo, Bia - ele murmurou contra meus lábios.

Senti o coração palpitar.

- Eu também te amo - respondi, e era verdade. Era mais verdade do que tudo que eu tinha dito nos últimos vinte anos.

O beijo recomeçou, dessa vez mais intenso. As mãos dele encontraram minha cintura, puxando meu corpo contra o dele. As minhas subiram para o cabelo dele, os dedos se enroscando nos fios crespos.

- Vem cá - ele murmurou, me puxando para deitar no tapete da sala.

O tapete persa, herança da mãe de Roberto, testemunha de tantos jantares formais e conversas educadas, agora serviria de cama para o meu pecado.

Ele tirou minha blusa devagar, beijando cada centímetro de pele que aparecia. Depois o sutiã, e sua boca encontrou meus seios com aquela fome de sempre, aquela que me fazia perder a cabeça.

- Victor... - gemi, puxando o cabelo dele.

Ele riu contra minha pele, a vibração arrepiando meu corpo inteiro. Desceu mais, beijou minha barriga, minhas coxas, e quando chegou na calcinha, parou.

- Hoje - disse, erguendo os olhos para mim - eu quero te ensinar uma coisa nova.

Meu coração disparou.

- O quê?

Ele não respondeu. Apenas tirou minha calcinha num movimento rápido, depois se ergueu e tirou a própria roupa. Ficou nu na minha frente, a rola enorme já dura, apontando para mim.

- Vira de lado - pediu.

Obedeci, virando o corpo no tapete, deitada de lado. Ele se posicionou atrás de mim, o corpo quente colado nas minhas costas. Sua mão desceu para minha bunda, apertando a carne generosa, separando devagar.

Senti a cabeça da rola dele deslizar entre minhas nádegas, mas não parou na entrada da buceta. Subiu mais. Parou num lugar diferente. Meu corpo inteiro enrijeceu.

- Victor... - minha voz saiu um fio. - Eu nunca... Você não vai...

Ele pressionou de leve, só a cabeça encostando na entrada do meu cuzinho.

- Vou - disse, a voz rouca no meu ouvido. - Quero sentir esse cu apertado na minha pica.

- Você vai arrombar meu cu com esse tamanho - murmurei, o medo e o tesão se misturando num coquetel perigoso.

Ele riu, um som grave e quente.

- Mas é essa a intenção - mordiscou minha orelha. - Deixar seu cuzinho de puta todo largo. Pra você lembrar de mim amanhã, no café da manhã, quando sentar para pedir o divórcio.

Um arrepio percorreu minha espinha. A palavra "puta" na boca dele, dita naquele tom de posse, sempre acendia alguma coisa dentro de mim.

- Você quer? - ele perguntou, a voz mais suave. - Só faço se você quiser.

Fechei os olhos. Pensei em tudo que tinha descoberto nas últimas semanas. Em como meu corpo podia sentir prazer. Em como eu podia ser outra mulher. Em como eu queria ser outra mulher.

- Quero - respondi.

Ele cuspiu na própria mão, levou à entrada apertada, espalhando a saliva. Depois posicionou a cabeça da rola e começou a pressionar. A dor veio imediata. Era uma queimação, um estiramento, uma sensação de que meu corpo estava sendo partido ao meio.

- Ai - gemi, as unhas cravando no tapete. - Ai, Victor, tá doendo...

Ele parou imediatamente. A mão dele encontrou meu rosto, virando para o lado, e seus lábios encontraram os meus num beijo suave.

- Shhh - murmurou contra minha boca. - Calma, Bia. Respira. Daqui a pouco vai começar a ficar gostoso.

Beijou meus lábios molhados, lentamente, enquanto a mão livre descia para meu grelinho, começando a massagear com delicadeza. Aos poucos, a dor foi dando lugar a outra coisa. Uma pressão estranha, diferente, mas não totalmente desagradável.

- Tenta relaxar - ele sussurrou. - Deixa eu entrar mais.

Empurrou devagar. Mais um centímetro. Mais outro. A cabeça grossa abrindo caminho num lugar que nunca tinha sido tocado.

- Isso - ele gemeu, a voz falhando. - Caralho, Bia, que apertado. Minha rola tá socada quase inteira.

- Quase? - repeti, incrédula.

Ele riu, ofegante.

- Falta um pouco. Aguenta?

Mordi o lábio e assenti.

Ele empurrou mais fundo. Dessa vez a dor foi menor, substituída por uma sensação de plenitude absurda, de estar completamente preenchida por algo grande demais.

- Entrou - ele murmurou, incrédulo. - Entrou tudo. Caralho, Bia, você aguentou tudo. Minha pica inteira dentro do seu cuzinho. Que puta gostosa.

Ficamos assim por um momento, ele parado dentro de mim, os dois respirando fundo. Eu sentia sua rola grossa latejando dentro do meu cuzinho. Depois ele começou a se mover.

Devagar no começo. Estocadas curtas, suaves, que iam e vinham num ritmo quase hipnótico. A sensação era estranha, diferente de tudo que eu conhecia, mas aos poucos algo começou a mudar.

- Victor - murmurei. - Acho que... acho que tá começando a ficar bom.

Ele riu, o hálito quente no meu ouvido.

- Eu disse. Relaxa e aproveita.

Acelerou um pouco. As estocadas ficaram mais profundas, mais firmes, e a cada entrada uma onda de prazer estranho subia pela minha espinha. Minha buceta estava encharcada, mel escorrendo pelas coxas, e eu sentia cada movimento dele como se fosse a primeira vez.

- Assim? - ele perguntou, a voz rouca. - Assim que você gosta?

- Assim - gemi. - Mais forte.

Ele obedeceu. As estocadas ficaram mais rápidas, mais violentas, a rola preta entrando e saindo do meu rabo num ritmo que me tirava o ar. Minhas mãos se agarravam ao tapete, os gemidos escapando sem controle.

- Vadia do caralho. Olha como você aguenta minha pica preta no cu. Não acredito que tô desvirginando um cu gostoso desse - ele gemia enquanto socava a rola em mim. - Como seu cu todo dia se deixar, cavala gostosa.

A mão de Victor ainda massageava meu grelinho melado.

- Vou gozar - avisei, a voz falhando. - Victor, vou...

- Goza - ele ordenou. - Goza no meu pau, putinha. Mostra que você gosta de dar o cu pro negão.

O orgasmo veio como um terremoto. Meu corpo inteiro se contraiu, espasmos violentos sacudindo cada músculo, e um gemido alto escapou, tão alto que ecoou pela sala vazia.

- Que porra é essa, Beatriz?!

A voz veio do alto da escada.

Meu corpo congelou. Victor parou instantaneamente dentro de mim. Por um segundo que durou uma eternidade, nenhum de nós se moveu.

Depois, lentamente, virei a cabeça.

Roberto estava no alto da escada. A luz do quarto atrás dele criava uma silhueta, mas dava pra ver perfeitamente a expressão no rosto dele. Olhos arregalados, boca aberta, a mão apertando o corrimão com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ele viu tudo.

- Roberto... - minha voz saiu num fio, irreconhecível.

Ele não respondeu. Ficou ali, paralisado, processando o impensável.

Victor se afastou de mim devagar, a rola saindo do meu cuzinho com um som úmido que pareceu ensurdecedor no silêncio da sala. Ficamos de pé no tapete, eu tentava cobrir o corpo com as mãos, mas obviamente era inútil.

Roberto desceu um degrau. Depois outro. Caminhou até o meio da escada e parou, os olhos fixos em mim. Ele estava ofegante, com o rosto vermelho.

- Roberto, me deixa explicar...

- Explicar? - ele repetiu, sua voz tremeu. - Explicar o quê, Beatriz? Eu vi. Eu vi tudo. Você estava fazendo sexo anal com esse garoto da vizinha!

Victor, completamente nu, deu um passo à frente.

- Seu Roberto - começou, a voz firme. - A culpa não é só dela. Eu também...

- Cale a boca - Roberto cortou, sem desviar o olhar de mim. - Cale a porra da boca, seu moleque de merda.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Roberto me olhou por um longo momento. Depois balançou a cabeça devagar, como se estivesse vendo um fantasma.

- Eu tentei - disse, a voz quebrada. - Eu tentei ser um bom marido. Trabalhei, sustentei essa casa, nunca levantei a mão pra você... e você faz isso?

- Você nunca me viu, Roberto - respondi, e a voz saiu mais forte do que eu esperava. - Nunca. Vinte e dois anos olhando pra mim sem me enxergar.

Ele me encarou, e pela primeira vez em muito tempo, vi algo diferente nos olhos dele. Dor. Raiva. E, por baixo de tudo, uma ponta de reconhecimento. Ele se afastou de mim como se eu fosse um bicho e, de ré, subiu alguns degraus da escada.

- Eu te enxergo agora. Te enxergo muito bem. Você é uma puta - ele cuspiu. - Eu não te reconheço, Beatriz. Amanhã você vai sair dessa casa e...

Ele não terminou a frase.

A mão dele subiu para o peito. O rosto, já vermelho, ficou pálido num instante. Os olhos arregalaram de um jeito diferente, não mais de raiva, mas de algo que eu reconheci instantaneamente: medo

- Roberto? - dei um passo à frente, esquecendo da minha nudez.

Ele cambaleou. A mão livre agarrou o corrimão com força, mas os dedos escorregaram. O corpo dele balançou, pesado, desequilibrado.

- Roberto!

Gritei, mas já era tarde. O corpo despencou escada abaixo num som horrível de ossos batendo na madeira, um baque surdo a cada degrau, até parar no chão da sala, aos nossos pés.

Ficamos paralisados, Victor e eu. Por um segundo que durou uma vida, ninguém se mexeu. Depois Victor agiu. Ajoelhou ao lado de Roberto, virou o corpo com cuidado. O rosto do meu marido estava cinzento, os olhos semiabertos.

- Ele não tá respirando - Victor gritou. - Liga pra emergência!

Meu corpo não se moveu.

- Beatriz, agora! - berrou.

Saindo do transe de horror, corri para o telefone, completamente nua, e disquei com dedos trêmulos. Enquanto a ligação chamava, eu via Victor inclinar a cabeça de Roberto para trás, começar a fazer compressões no peito daquele corpo que eu conhecia há vinte e dois anos.

- Aqui é Beatriz Rocha, moro na Rua das Acácias, número 47 - minha voz saiu automática, como se fosse outra pessoa falando. - Meu marido... ele caiu da escada. Ele não está respirando. Por favor, venham rápido.

Coloquei um vestido simples e um roupão por cima, quase no mesmo instante que a ambulância chegou. Os vizinhos acordaram com as sirenes. Adriana apareceu na porta de casa, de roupão, os olhos arregalados. Victor tinha se vestido às pressas e voltado pra casa, e agora estava ao lado dela, os dois me olhando da calçada enquanto os paramédicos colocavam Roberto na maca.

Alguém me perguntou o que aconteceu. Alguém disse "infarto", "parada cardiorrespiratória", "vamos correr". Meu cérebro não processava nada. Eu não sentia nada.

(N.A.: Agora uma curiosidade - inicialmente, quando a história era apenas um rascunho, a ideia era o par romântico da Beatriz ser outra mulher. Filha da vizinha, novinha, cheia de ideias progressistas. Beatriz ia descobrir que não gostava de sexo com o Roberto porque talvez gostasse era com mulheres. Achei que iria ficar com muita cara de romance juvenil, por isso mudei. Mas não se desanimem, ainda tenho outras ideias para histórias lésbicas.)

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Comentários

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A gente vê quando o conto é bom quando ve a esposa olha depois do prazer e vem a memória tudo que passou com o marido, a família, o começo e pensa nos filhos .

Será que o menino sustenta uma casa ? Ou apenas uma rola faz uma mulher feliz ?

Será que vale a pena trocar "tudo" mesmo o marido não enxergando a esposa e nao a fazendo gozar igual o menino em troca de sexo ?

Agora o conto ficou sério.

Esse conto se passa na vida de vários brasileiros no cotidiano.

Vc trocaria uma vida de sexo bom em troca de sua família ?

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Esse conto não trata de uma mulher que descobriu uma suposta liberdade e está escolhendo viver uma vida mais "colorida"

Esse conto se trata de uma mulher que não buscou em nenhum momento no marido se satisfazer sexualmente ou satisfazê-lo sexualmente. Uma mulher que se acomodou e viveu a vida boa que o marido proporcionou e quando surgiu a oportunidade praticou a traição.

Trata de uma mulher que escolheu viver o prazer e a vida boa de maldade e trair o parceiro que conviveu por anos.

Por mais que a autora force, fica difícil defender essa personagem.

Deveria ter tentado com o marido, caso percebe-se que não daria certo, aí se divorciasse e fosse viver a vida de solteira.

Caráter, honestidade, parceria. Esse conto matou qualquer possibilidade de virtude.

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Essa história está ótima, não ligue para os críticos( Se te incomodar algum comentário pode apagar) de história com tema traição ou cukold pois eles viraram uma praga aqui , só sabem críticar a história mas continuam a ler.

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Esse foi rapido, sabia que a narrativa tava acelerando por um motivo o conto tã chegando no final.

Bom isso é foi o climax com um plot twist.

Agora falta o desfecho, quando disse que a protagonista era a vilã não esperava que ela fosse matar o marido kkkk, agora sério, o erotismo do conto acabou, esse romance fora de lugar matou o conto.

A propria autora deixou claro no dialogo da mãe do neguniho, isso não vai para lugar nenhum, um muleque de 18 anos come até papel rasgado na ventania, claro ele vai assumir uma balzaca de mais 40 com um filho mais velho do que ele kkkkkk.

Agora fiquei cuirioso, como a autora vai usar o infarto do marido, isso foi para salvar a cara da protagonista, o cara vai morrer ou não, se morrer ninguem fica sabendo da traição exceto a mãe do muleque, como ela vai explicar o que aconteceu para o filho e como ele vai reagir, se o marido não morrer ela vai se separar e ainda querer metade de tudo.

Como disse de erótico esse conto não tem mais nada, agora só resta saber se a protagonista vai sofrer alguma consequencia, ou vai ficar tudo de boa para ela no final, agora não é nem questão de empoderamento ou qualquer coisa, a protagonista possivelmente mata o marido tudo em nome de uma rola e tá tudo certo.

Espero estar errado mas a sensação que fica é essa em geral o conto tava progredindo até que bem, um bom tanto de erotismo, incertezas mas sem conflito interno ou culpa como o caracter hipocrita da protagonista exige, mas esse romance e o desfecho de matar/incapacitar o marido para libertar a puta do confronto e consequencias acabaram com a narrativa.

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marido morrendo ou não, eu quero ver como isso vai ficar quando o filho dela descobrir as duas bombas.

uma que seu pai sofreu um infarto e outra a causa absurda disso(traição da mãe com um moleque mais novo que ele)

porque adriana não vai deixar barato e vai contar ao Felipe.

cara, ela vai ter que fugir com o moleque. vai herdar a metade de tudo e sumir. vai sacrificar a relação com o filho por uma rola de um verme emocionado que acabou de conhecer.

cara esse moleque vai usá-la um pouquinho e depois vai vazar, deixando-a sozinha.

agora ela vai passar o resto da vida assim, pulando de galho em galho sustentando novinhos por migalhas de afeto para preencher um vazio na alma que nunca será preenchido.

pois nao terá mais a segurança do marido, e nem mais amor genuino ou incondicional do filho.

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Já vi um caso parecido.

A mulher mais velha com filho criado, trocou o marido e a vida feita por um homem mais novo.

No final o cara arrumou uma mulher mais jovem e mais nova, a tiazinha ficou na mão e penou para conseguir o perdão das duas filhas.

Foi anos de depressão e vitimismo.

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bicho,

isso acontece mais do que se imagina...

problema que traições como essas não só destroem o traidor(sendo que tem muito traidor que nem se ferra)

, mas toda sua familia

é muito triste estas situações.

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Está fantástico, estou ansioso para ler todos os capítulos, força nisso amiga.

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Essa puta traidora deve estar torcendo muito para o Roberto morrer, e ela ficar com tudo. Só resta depois disso, a Adriana mãe do Vitor, colocar areia na farinha dela.

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Boa Aurora, mais um capítulo com a qualidade de sempre!!

Gostei que o Victor cobrou a reciprocidade da Beatriz e ela percebendo o seu sentimento, azar que o marido acordou, quero ver o que os moralistas de contos eróticos vão reclamar agora??

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Moralismo eu não diria, mas que o conto tomou um rumo que matou o erotismo da estoria, tomou.

A questão agora não é nem julgar moralmente mais, e sim que ela possivelmente matou o marido por conta de uma rola não tem como falar que isso é ok, com moral ou sem moral.

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Culpa dele, se tivesse o sono mais pesado, no café da manhã tava divorciado e não no hospital. Kkkkkk

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kkkk, porra mais ai tambem já é demais a mulher dando o cu e berrando na sala para não escutar o cara tem que estãr em coma, a estoria ficou interessante mas infelizmnete sem mais nenhum erotismo.

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