Olá, meu nome é Paulo… Ao menos esse é o nome de batismo que me deram quando eu nasci. Esse não é exatamente o nome que eu queria me apresentar, mas serve como a primeira linha dessa história…
Eu sempre fui bastante feminina, minha mãe me contava que desde neném, todo mundo perguntava, “Nossa é menina?”, e ela fechava a cara e dizia que não… Claro, isso não ajudou já que antes de saber o que estava fazendo eu já gostava de me vestir de menina, me bater como bateram, me fez esconder, mas não parar. Não dá para você não ser quem você é de verdade, não dá para esconder o brilho que está em você.
Mas a mamãe tentava, ela fingia que não sabia quando era útil. Vasculhava minhas coisas, quando queria, ela sempre jogava indiretas, uma vez, uma prima, a Suelen, quis me vestir de menina em um carnaval, minha mãe foi terminantemente contra, assim, super contra… E eu meio abobada sem entender porquê, até que a Suelen perguntou, “Mas poxa tia porquê? Meu irmão André também vai vestido de mulher.”, minha mãe olhou para mim olhou para ela, “Suelen, seu irmão coloca um vestido e continua um homem.”, eu fiquei olhando sem entender, na verdade, só entenderia anos depois…
Mas o tempo passa… Meninos viram homens, meninas viram mulheres e eu… Eu estava para me tornar uma linda mulher, embora alguns ainda achassem que seria um homem… kkkkk… Lindos olhos negros puxadinhos, cabelos em cachinhos curtinhos, (insistência da minha mãe), mas mesmo curtos não escondiam a feminilidade que aflorava pelo meu corpo, neto de índia, da vovó herdei a tendência a ter pouco pelo e ralinho, quase não precisaria depilar, nem uma barba, mesmo já estando entrando na idade adulta com a pele morena, os ombros estreitos, bumbum redondinho, pernas longas com coxas grossas e a cintura marcada.
Mas o principal era minha postura, eu me portava como menina, caminhar rebolando de leve sem querer a maior parte do tempo, o jeito de sentar, o jeito de parar em pé, o jeito de falar com as pessoas, eu era muito mais uma menina do que qualquer homem jamais poderia ser e isso sempre chamou a atenção dos meninos a minha volta para o bem e para o mal…
Desde que comecei a entender melhor determinadas coisas eu comecei a reparar em como eu era observada por homens mais velhos, como pais de amigos, me olhavam com cara bem mais de desejo do que deveriam, outros homens á minha volta, ou mesmo garotos mais velhos, todos aproveitavam qualquer oportunidade para ficar me secando, ou mesmo me tocar aqui e ali, isso seria um escândalo se eu tivesse nascido uma menina, mas como não era o caso, parecia haver um consenso que pegava nada se não fosse além.
Na questão de ser confundida com menina, eu também não ajudava, minhas roupas com a idade, foram ficando mais e mais andróginas, minha mãe surtava comigo, mas havia pouco que ela pudesse fazer além de estragar algumas roupas de propósito fingindo que ia lavar, quando ela chegava a conclusão, que uma peça específica me deixava feminina de mais para o gosto dela… Ao menos enquanto eu não aparecesse com um homem em casa, ela conseguia fingir não perceber, mesmo enquanto na sua cabeça doente, estava ‘tomando atitudes’...
Enfim, mas esse panorama inteiro mudou naquele fim de ano. Nós fomos passar o fim de ano na casa de campo do meu tio Luiz, o pai da Suelen e do André já citados. Ali o meu mundo ia mudar totalmente e nunca mais seria o mesmo…
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“Oi maninha…”, meu tio cumprimentou minha mãe assim que nos viu, atrás dele vinha a tia Vanda mulher dele, “Oi Luzia quanto tempo, nossa esse homão todo é o Paulinho.”, eu fico sem jeito minha mãe diz que sim e eu aceito cumprimentar os dois, meu tio insiste em um abraço apertado, eu encolho de leve os ombros, ele com o corpo talhado pelo campo, me aperta quase me esmaga, depois são os beijos no rosto da minha tia.
“E a Patrícia?”, meu tio perguntou, “Ela vem com o Danilo mais tarde.”, Patrícia minha irmã, Danilo seu marido, eles haviam se casado já fazia quase dois anos, meu tio tinha ressalvas em relação ao Danilo e depois que a Patrícia começou a namorar, ela não se dava tão bem com ele. “Ah tah, bom, espero que os dois se divirtam um pouco em família.”, minha mãe dá de ombros assim como a minha tia. “André vem com a esposa também.”, minha tia anuncia, o meu primo André havia se casado também, mas um ou dois anos antes da minha irmã e a família toda já sabia que Lucimara a esposa do meu primo, estava grávida.
Enquanto toda as fofocas sobre filhos casados são trocadas, eu fico lá com cara de tacho até que a minha tia fala olhando para mim, “Paulinho a Suelen está lá dentro com uma amiga do colégio, vai lá.”, eu sorrio, meu sorriso é sincero e alegre por ter sido dispensado dessa parte das fofocas e etc, saio correndo para cumprimentar as únicas pessoas da minha idade que estariam na casa de campo…
Quando eu chego no quarto dela ela está de shorts jeans e camiseta, com a amiga, vestida de shorts de lycra e camiseta também, “Paulo oi.”, ela se levanta e vem me abraçar, eu abraço de volta com um sorriso, ela me leva até a amiga dela, “Valéria, esse é o meu primo Paulo.”, a Valéria sorri olhando para mim, “Prazer, nossa você é bem bonitinho.”, eu fico sem jeito, “Obrigada.”, sai no feminino, algo que eu sempre fiz, quando eu era mais novo diziam que era por ter sido criada com mãe e irmã, sem a presença de um homem…
Claro que a Valéria estranha e eu dou a velha desculpa de sempre, antes da Suelen falar, “Está seguro Paulo…”, eu olho para ela e fico vermelha desviei os olhos para a janela que dá para fora, Valéria leva um tempo para entender o ‘seguro’, quando entende olha com a boca aberta, “Você é?”, ela não fala só sinaliza quebrando a mão de leve, e faço que sim. “Mano que desperdício!”, eu dou risada e a Suelen também.
Rapidamente estabelecido que a fruta que ela gostava eu chuparia até o talo, começamos a conversar se dando super bem, a maioria dos meninos, sempre morreu de inveja com como me dou bem com as meninas, sempre cercado delas, mas poucos, realmente poucos, já haviam realmente entendido, que eu estou sempre cercado de meninas por ser uma delas.
Durante a conversa, Suelen me deu a notícia que iria iniciar o furacão que mudaria tudo… “Paulo eu comprei um presente para você, que você vinha falando.”, eu olhei para ela e meu queixo caiu, “Nem morto eu vou usar uma calcinha Suelen, se alguém me pega, vão ter que chamar o Ibama.”, a Valéria, sem entender meu nível já estranha, “Porque Ibama?”, “Porque veado ainda é vida selvagem.”, mal termino de falar um travesseiro voa na minha cara da mão da Suelen.
“Para de palhaçada Paulo.”, Valéria, riu eu ri também, estávamos em um ambiente gostoso, eventualmente eu e as meninas começamos a jogar videogame ouvindo música, mas minha mãe apareceu na porta, “Paulo vai colocar uma roupa para ficar em casa menino, nem se trocou ainda e já se trancou com a Suelen.”, eu olho para ela e reviro os olhos, minha mãe sempre implicou com a Suelen, para todo mundo ela fala que eu sou afim da minha prima, mas eu sempre percebi um subtom de que a suelen da corda para a minha sexualidade e é isso que minha mãe não gosta…
Eu fui me trocar para não arrumar confusão, a última coisa que eu precisava era uma discussão com a minha mãe, onde meu tio iria se meter e isso ia arruinar a pouca alegria de estar aqui… Como meu tio já falou uma vez para mim, sobre discutir com a minha mãe, “Quando sua avó morreu eu estava com 34 anos e ainda obedecia o que ela mandava…”, essa era a expectativa nessa família, então quanto menos eu discuto, menos dou motivos para me encherem…
A noite estávamos só nós conversando e vendo filme, minha mãe não vem encher de madrugada, ela dorme como uma pedra, então a gente podia conversar mais livres, minha prima de pijama de shortinho, Valéria de pijama de calça e eu de bermuda e camiseta… Valéria tinha ido buscar água quando Suelen resolve falar, “Fiquei impressionada com como sua mãe continua igual.”.
“Todo mundo continua igual Suelen, a gente vai virar o ano, nós dois vamos fazer promessas de perder a virgindade e vamos continuar aqui.”,eu respondo, estava um pouco chateada com o jeito que minha mãe estava me tratando na frente das meninas, como se eu fosse agarrar as duas, que era a expectativa dela, para disfarçar sua postura homofóbica, mas ela parou olhando para mim, o sorrisinho se formando eu levo uns segundos para entender.
“Não!!!…”, falo espantada mas muito feliz pela minha prima, “Siiim, não sou mais virgem.”, “Conta?”, ela deu risada, “Foi com um cara do colégio chamado Sidney.”, “E aí foi bom?”, ela fez que não com a cabeça, “A primeira não. Doeu, foi esquisito, eu estava nervosa… Mas a segunda…”, ela revira os olhos para enfatizar o quão bom foi, “Mel Deus… Foi in-crí-vel…”, eu dou risada e olho para ela, “Fico tão feliz por você, que você nem imagina.”, “Vai dar certo para você também Paulinho, tenha fé.”.
“Fé é pra hétero Suelen, não ouviu falar que Deus não gosta de meninas como eu?”, ela deu risada da piadinha, mas segurou minha mão, sabendo o quanto essa própria frase tinha o poder de me machucar, “Vai dar tudo certo Paulo, o ano não acabou ainda.”, eu dei risada da ideia de transar com alguém antes da virada do ano, aí a Valéria voltou e voltamos para o filme.
No dia seguinte, casa cheia e meu tio resolve que falta algumas compras, ele chama todos os ‘homens da casa’, entre ‘’ porque me inclui… “Leva o Paulo Luiz, ele é forte e consegue carregar parte da compra.”, diz minha mãe, meu tio olha acena para mim ir junto,, “Ok Paulo, você vai atrás com o Danilo, André filhão você vem comigo na frente.”, veja não tenho problemas de fazer compras, ou carregar alguma coisa, a frase: ‘só vão os homens’ é que me magoou de leve.
Eu estava com um shortinho de exercício, que dá uma bela de uma valorizada na minha bunda, quando olho para trás, percebo meu tio olhando, enquanto fala com o filho, ou talvez, tenha sido só coisa da minha cabeça. Dentro do carro meu tio começou a puxar assunto de futebol, uma isca que ele sempre pega o Danilo, um é Corinthiano, (o Danilo), o outro é São Paulino (meu tio), eu nunca me interessei por futebol, mas na época, eu ainda dizia Corinthians para evitar encheção de saco.
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Fomos até o mercado onde o Danilo resolveu falar comigo, isolando um pouco a gente dos outros dois… “Paulo sua irmã mandou eu falar com você.”, eu olho para ele, “Como assim falar comigo?”, ele começa, “Você sabe que sua irmã não se dá com o seu tio desde de que ela me conheceu né?”, faço que sim com a cabeça. “Então ela tinha um caso com o seu tio.”, eu olho para ele de queixo caído, “Como?”, “Ele convenceu ela a dar para ele uma vez e aí ela dava para ele toda vez que vinha para a casa de campo até ela me conhecer, por isso ele tem birra de mim.”
“Mas?…”, ele olha em volta, “Só escuta moleque!”, eu faço que sim com a cabeça percebendo que ele quer falar antes que sejamos encontrados… “Sua irmã me pediu para falar isso, porque ela acha que o seu tio está de olho nessa sua bunda redondinha.”, pronto ali eu sabia que era zueira, “Que bunda redondinha Danilo eu sou homem…”, eu falei isso, mas o rosto dele demonstra que não era zueira e eu também tinha escorregado para fora do personagem, eu falei isso gesticulando com tanto trejeito que inclusive minha postura mudou, meu cunhado deve ter pensado que eu só não menstruava por problemas adquiridos no nascimento com a escorregada que eu dei.
“Paulo, sua irmã só não quer que você se machuque, porquê…”, ele pára analisando como vai falar, sinto meu coração apertado, imaginando que meu tio tenha feito algo horrível com a minha irmã, ele parece desistir de procurar palavras para amenizar, “Ela acha que você nunca beijou ninguém e pode acabar apaixonado pelo primeiro que te comer…”, ele fala de uma vez e eu tenho ali, a certeza, de que vou matar a minha irmã…
Antes que eu conseguisse responder, meu tio e meu primo nos encontraram, nós fingimos que nada tinha sido dito e voltamos à naturalidade das compras… Mas comecei a reparar mais no meu tio, na forma como me olhava, peguei ele realmente reparando em mim, especialmente… Da cintura para baixo e por trás, não sei o que deu em mim, de verdade, um fogo, uma curiosidade, um orgulho de estar atraindo atenção, quando percebi já caminhava rebolando de leve, delicadamente, para ser vista e admirada.
O Tio Lu deu um jeito de me encontrar sozinha em um corredor, “Nossa Paulo, está com uma bundinha linda ein?”, eu olho para ele, sem jeito, sinto as bochechas esquentando conforme ficam vermelhas, “Que isso tio?”, ele dá risada, eu rio sem graça também, mas percebo a fome em seus olhos, fico sem jeito, entre o medo, o mesmo medo de pais de amigos e amigas que me olham com essa fome e curiosidade, principalmente após saber da Suelen.
Ele percebe minha indecisão, ele percebe a curiosidade e assim como eu estava me exibindo começa a se exibir também, mostrando os braços sarados, enquanto pega as coisas na minha frente, flexibilizando os braços um pouco mais do que precisaria, um jogo de sedução, entre nós dois começa a se instalar, ele pega algo na prateleira flexibilizando o músculo e eu pego algo, me abaixando para ler valores, ou empinando o bumbum para alcançar a prateleira mais alta.
Um determinado momento, vejo ele cansar do joguinho, ou talvez, tenha confirmado o que queria, ou talvez, só tenha percebido que eu já estava na dele, ele se aproxima e coloca a mão no meu peito, eu me incomodo é claro, mas não é o mesmo que se eu tivesse seios, ele espalma a mão no meu peito e alisa… Paulinho é o seguinte, eu sei que você acha que não têm nem um homem para perguntar sobre coisas como namoro, sexo e etc, mas têm eu aqui tah? Saiba que podemos conversar.
Meus olhos estão grudados nos olhos dele e minha respiração levemente alterada, ele sorri com uma cara safada, ele sabe muito bem o que eu quero e o que ele me deixou pensando com isso, antes de sair e nos encaminharmos para perto dos outros, eu fico um pouco mais próxima do meu cunhado, que parece ter percebido algo, mas ficado quieto, olhando para mim e reparando no meu jeito.
No caminho de volta, fomos conversando sobre o sítio e meu tio disse que ia levar a gente para pescar, um passeio só para ‘os homens’, para a gente passar mais tempo junto, Danilo e André ficaram obviamente empolgados, falando de pesca e etc, eu tinha certeza que para mim, esse ‘momento entre tio e sobrinha’, poderia virar outra coisa, por isso estava pensativa a viagem inteira de volta, pensando comigo mesma, se eu tinha como arrumar uma desculpa para não ir, porque ainda estava com receios.
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Em casa já fomos abordados pela minha irmã, que junto com o meu cunhado me cercaram em um canto da casa para conversar comigo, fingindo que era uma conversa sobre escola, faculdade e etc, ao menos foi o que disseram para minha mãe assim que me puxaram de lado, eu estava um pouco vermelha, já tinha plena ideia de qual seria o conteúdo dos ‘cursos’ dos quais estaríamos conversando.
“O Danilo falou com você Paulo?”, “Falou Patrícia, mas eu acho que vocês estão exagerando, nem curto homem.”, meu cunhado deu risada, minha irmã revirou os olhos, “Paulo presta atenção!”, eu olho para ela, olhos nos olhos, ambos olhos negros puchadinhos e com cachinhos, herdados de nosso avô paterno, do papai que abandonou minha mãe há anos, trocada por uma amiga do escritório dele, Da avó materna, herdamos bem pouco, “Eu sei, mamãe sabe e acho que o titio já sabe, que você não é nada hétero.”, eu olho para ela, tetando fingir indignação, minha mãe ficaria furiosa se ouvisse algo assim.
“Patrícia, que papo!!”, ela me segura pela mão, me fazendo voltar a olhar nos olhos dela, já que eu tinha desviado para mentir, “Paulo, eu te amo, você é meu irmãozinho querido, ou melhor, minha irmãzinha querida, caso decida me deixar entrar nesse seu mundo…”, eu fico olhando para ela, ela percebe que têm minha total atenção agora… “Eu nunca te julguei quando você se vestia de menina e nunca vou te julgar, só quero seu bem.”, eu faço que sim com a cabeça.
Ela sorri percebendo que eu baixei minha guarda, “E aí quer me contar mais desse seu mundinho secreto?”, eu olho para o Danilo, ela sorri, “Dan deixa eu ficar sozinha com ela? Acho que temos coisas delicadas para conversar.”, meu cunhado sorri, e ela ter pronunciado elA para falar de mim, me deixou derretida, “Tah bom.”, acena para nós duas e sai, deixando duas irmãs para se conhecerem, já que minha irmã, queria conhecer a irmã que nunca deixei ela ver…
Contei tudo para ela, tudo mesmo, como me sentia vestida de menina, como sentia minha aparência no espelho, como me via, inclusive, mais feminina do que as pessoas já veem, também contei coisas mas intimas, mais delicadas, como os homens sempre pareciam notar e como me olhavam, mesmo o bullying dos meninos e como aprendi a sentir prazer pelo meu cuzinho muito antes de aprender a bater punheta, as minhas descobertas, foram anais primeiro, senti prazer em massagear meu cuzinho com a ponta do dedo, muito muito antes, de aprender que poderia ter prazer batendo uma…
Na verdade, meu primeiro orgasmo na vida, foi com um dedinho massageando e alisando por trás e não batendo uma… Ela quase caiu para trás, minha irmã de queixo caído com essa nossa conversa íntima, entendia pela primeira vez, que eu era muito mais menina do que ela jamais imaginara, ao mesmo tempo que depois eu viria a descobrir, ela percebeu ali, o quanto a farsa forçada pela minha mãe, estava me machucando psicologicamente.
Depois dessa descoberta de duas irmãs, minha irmã prometeu me dar todo apoio para sair da casa da minha mãe, para poder me libertar e ser quem eu nasci pra ser, mas é claro, isso levaria algum tempo, mas ao menos agora eu tinha mais uma aliada, não só a Suelen, eu tinha uma aliada, que era uma mulher casada, com sua própria profissão, que me prometia ajuda para fazer o mesmo, me estabelecer sem precisar prestar contas para ninguém.
Aliás, minha irmã confirmou que dava para o meu tio por um tempo antes de conhecer o Danilo, “E que história é essa de se apaixonar pelo primeiro que tirar meu cabaço, Patrícia, tah doida?”, ela deu risada, olhando para meus olhos e acariciou meus cabelos, “Paulinha… Você é muito mais delicadinha do que você se dá crédito, eu acho que até mais do que eu imaginava antes, só você não percebe… Mas se é o que quer, então vai lá e dá pra ele. Só me promete que não vai se machucar.”, eu olho para ela e fico surpresa, eu sorrio toda sem jeito e sussurro, “Priscila…”, ela ficou olhando para mim por alguns segundos depois fez que positivo com a cabeça.
“Priscila, você é extremamente delicadinha… Inclusive, um nome lindo. Você sabe que…”, “Era o nome que eu ia ter se tivesse nascido menina, sim sei.”, ela sorri olhando para mim, antes de me fazer um carinho nos meus cabelos, “Eu vou te ajudar Pri, você vai ser a mais linda princesa só me promete que se cuida.”, eu fiz que sim para ela e ela aceitou.
Claro que depois do jantar em família voltei a ficar com as duas meninas, nós éramos as pessoas mais jovens hospedadas no sítio, já que nem minha irmã, nem o irmão dela, ainda tinham filhos, embora, sabíamos que era para breve, naquela noite, Suelen me fez ir ao seu quarto… “Quer experimentar?”, “Suelen e se alguém nos pega?”, “Paulo pelo amor de Deus, é só uma calcinha e vai ser no meu quarto, ninguém vai nos pegar.”, “Eu não sei…”, ela me olhou com carinha de cachorro pidão, eu olhei para a Valéria que também parecia ansiosa respirei fundo e aceitei…
Ela pegou da gaveta a calcinha que tinha comprado, uma cuequinha feminina, não era tão escandalosa, mas definitivamente uma calcinha, minha primeira calcinha, já que era um presente para mim… “Que linda Suelen, é muito fofinha.”, era um modelo cor-de-rosa todo enfeitado com imagens da Minnie e escrito love em coraçõezinhos espalhados, e parece mais uma boxer que uma calcinha.
Eu revisei os vídeos de como esconder o… Bem… Vocês sabem… E segurar com a calcinha e coloquei ela, ficou super perfeita, mas, também bem cavadinha na bunda, um bom pedaço de bunda para fora além de socada para dentro, mas estava linda, eu saí do banheiro de alcinha e camiseta, as meninas, olharam e sorriram, elas também de calcinha e camiseta.
Eu me sentia excitada, não uma excitação sexual, mas me sentia livre, me sentia completa, me sentia perfeita, me sentia eu, o brilho que carrego em mim finalmente, estava brilhando para todos verem, eu nasci assim eu cresci assim, nesse momento mágico, três meninas de calcinha e camiseta no quarto da minha prima não havia nada que o mundo lá fora pudesse fazer para me machucar ou me obrigar a não brilhar
Suelen se aproxima e me dá um abraço, “Bem vinda Priscila, queria muito te conhecer.”, eu fico toda vermelha e toda sem jeito, sinto minhas bochechas quentes, sinto meu corpo arrepiado e a verdade é, mesmo me vestindo de menina desde criança, as convicções se formaram depois e até ali, eu nunca tinha me sentido tão Priscila na vida, muito menos tão completa, eu sorri sem jeito e baixei os olhos. “Tadaima”...
Uso o cumprimento japonês da nossa cultura Nerd, ‘cheguei em casa’, para elas, que me abraçam apertado enquanto as lágrimas rolam…
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É isso gente, minha segunda série de história mais densa, mas ao contrário do Canto da Sereia essa não é uma história com magia, também não é uma história triste cheia de crueldades, eu prometo, eu pretendo que seja um romance, com um toque muito forte de amadurecimento, espero que gostem de acompanhar nossa protagonista Priscila, ela vai aprontar muitas, mas vai aprender com um caminho bem próprio de meninas que como nós, tem que aprender a enfrentar o mundo para nascer.
Espero que gostem da jornada.
