Um homem de classe média, cuja mãe se chamava Maria Dolores, foi pai de três garotas, em um caso raro de trigêmeas e, em homenagem à sua mãe, deu a elas os nomes de Maria Helena, Roxana Maria e Maria Bonita, e explicava o nome da terceira dizendo que era para homenagear a beleza das três.
Se todo pai acha suas filhas lindas, no caso dele não se tratava disso. As meninas cresceram e ao atingirem a adolescência eram realmente lindas. Cópia fiel uma da outra, morenas de um tom acobreado, cabelos negros ondulados, um rosto perfeito com destaque para o nariz perfeito e os lábios carnudos. Os olhos, assim como os cabelos, tinham a cor de um abismo profundo que guarda os mais deliciosos segredos do mundo.
Com dezessete anos, Maria Helena engravidou e teve que se casar com Cesar Augusto, o filho de um poderoso industrial da cidade que, muito ciumento, praticamente a trancou em casa, evitando mostrar aquela beleza insinuante. Abalada por ter perdido a criança, ela se conformava com a situação e aceitava sua reclusão involuntária sem reclamar.
No dia em que completaram vinte anos o pai das meninas deu uma festa maravilhosa para suas filhas e praticamente obrigou Cesar Augusto a levar sua esposa, o que ele se viu na obrigação de fazer, sem saber que essa festa ia mudar tudo.
Entre os convidados, estava Paris, um homem de vinte e cinco anos que carregava consigo a fama de playboy e vivia aparecendo nas mídias sociais, sendo considerado um grande conquistador, o que não era mentira. Bonito, sempre bem vestido, com carros esportivos e um sorriso provocante em seus lábios, ele não perdoava ninguém.
Páris vivia em uma cidade vizinha menor que aquela onde vivia Maria Helena, o que era uma vantagem adicional, pois seu pai tinha construído ali um império ao ser o primeiro a explorar a fabricação de álcool como combustível e se tornou uma espécie de imperador do local. Entretanto, o velho homem já tinha se aposentado e a direção das indústrias estavam nas mãos de Heitor, irmão mais velho de Páris.
Ao felicitar as aniversariantes, o rapaz ficou encantando com a beleza das três, porém, foi a única casada entre elas que se encantou com ele. Olhares foram trocados, sorrisos ligeiros e convidativos foram emitidos e, na primeira oportunidade de ficarem sozinhos, sem mesmo trocar muitas palavras, atiraram-se um no braço do outro e aconteceu o primeiro beijo.
Autoconfiante em excesso, Páris não se separou de Maria Helena enquanto Júlio se remoía de ciúmes e, antes do final da festa, em um arroubo de coragem e na frente de todos os convidados, Páris segurou firmemente as mãos de Helena e a arrastou para onde tinha deixado seu carro, cometendo assim um legítimo sequestro, com a única diferença é que, tudo o que a sequestrada queria era ser raptada.
Pararam no primeiro motel que encontraram e o que aconteceu foi a completa rendição de Páris. Cada peça de roupa que se separava do corpo perfeito de Helena provocava um arrepio e quando ela se encarregou de tirar a roupa deles, beijando cada parte de seu corpo que ia se revelando, ele não conseguiu ficar em pé.
Quando aqueles lábios carnudos beijaram a cabeça do pau do rapaz e em seguida a boca macia e cálida dela engoliu metade de seu pau, ele gemeu alto, como se estivesse sofrendo uma tortura. Sorrindo para ele, Helena parou e perguntou se ele estava sentindo dor e ele respondeu que os carinhos dela eram tão maravilhosos que a última coisa que poderia provocar em um homem era dor.
Feliz com a aceitação daquele ato, ela foi escalando seu corpo com beijos até chegar à sua boca e, enquanto a beijava, usou uma mão para segurar o pau dele e direcionar até a sua buceta já lubrificada por seus próprios fluídos de tesão e começou a abaixar o corpo, sentindo os gemidos abafados dele sumirem em sua boca.
A sintonia entre aquele casal era tão perfeita que eles não se lembraram de sair. Durante dois dias completos, permaneceram naquele motel de onde só saíram quando foram localizados pela polícia que, ao receber a confirmação de Helena que estava ali de livre e espontânea vontade, nada pode fazer.
Páris levou Helena para sua casa prometendo jamais se separar dela.
Entretanto, Júlio não aceitou o abandono que sofreu e passou a exigir que seu pai agisse para prejudicar a família de Páris. Isso deu início a uma verdadeira guerra econômica que perdurou por anos.
Como uma guerra desse tipo também é dispendiosa, chegou o momento em que o grande industrial, pai de Júlio, percebeu que manter aquela disputa por mais tempo poderia levar os dois à falência, porém, como seu filho insistia em ter sua esposa de volta, resolveu agir de uma forma mais inteligente. Contratou duas mulheres belíssimas que foram trabalhar na empresa de seu inimigo e, usando de suas belezas e sedução, foram conquistando os principais diretores e até mesmo o Nestor, irmão de Páris, foi pego nessa armadilha.
De posse de informações importantes, Júlio comemorou o sucesso ao ser anunciado a derrocada da família de Heitor e, dessa vez, a história foi diferente e Páris fugiu levando com ele Helena para viver no litoral nordestino, onde hoje, durante o dia, comanda um barco que transporta turistas de passagem na cidade e, durante a noite, continua gemendo sem sentir dor nos braços de sua deliciosa Helena.
Enquanto a batalha econômica entre as famílias de Júlio e Páris acontecia, o pai das trigêmeas continuava exercendo um cargo de destaque na filial de uma grande empresa de sua cidade. Ele era o segundo em comando de uma empresa de distribuição de produtos farmacêuticos que dominava toda a região e estava prestes a assumir o primeiro posto quando, sem nenhum sinal que deixasse as pessoas preparadas para mudanças, essa empresa foi incorporada por outra que enviou alguém de confiança para assumir a direção.
Tratava-se de Alexandre Pirrata que chegou arrasando. Filho de um dos principais acionistas da empresa com grandes chances de se tornar seu presidente, ele era implacável e logo no início deixou claro a todos que iria promover uma campanha para acabar com todos os seus concorrentes.
Irritadiço, ele conquistou já no início de sua gestão a antipatia de todos da empresa, o que para ele não significava nada, pois tinha escolhido um dos funcionários antigos para servir como bode expiatório enquanto ele ia se destacando como uma pessoa odiosa.
Dois meses depois de chegar à cidade, Alexandre cruzou no corredor com uma jovem mulher que chamou a sua atenção, não só por sua beleza, mas também pelo sexy appeal com que desfilava. Qualquer homem que olhasse para aquela garota, não importando se ela estivesse atrás de uma escrivaninha ou caminhando pelos corredores da empresa, era empurrado pelo instinto a se aproximar dela com o propósito de levá-la para a cama e a foder do jeito que ela sempre demonstrava estar pedindo.
Tratava-se de Roxana Maria que, por estar cursando a faculdade de Ciências Contábeis, recebeu a ajuda de seu pai para estagiar na empresa.
Alexandre, pensando ser ela mais uma daquelas funcionárias que fazem de tudo para se dar bem com o chefe, foi com muita sede ao pote e, na presença de outros funcionários, levou um chega pra lá que não estava acostumado, mas que só fez com que o desejo que sentia por ela aumentasse.
Quando descobriu o parentesco entre Roxana e seu principal funcionário, direcionou ao pai dela toda a sua raiva fazendo com que, todas as manhãs, antes de sair de casa com destino ao escritório, ele fizesse uma prece pedindo por um dia mais tranquilo.
Mas isso nunca acontecia. Tudo o que ele fazia era errado, suas sugestões eram sempre rechaçadas com um comentário depreciativo e se não fazia nada era lembrado, na frente de todos, que estava ali para trabalhar.
Não foi o pobre homem perseguido que fez com que esses acontecimentos chegassem até Roxana. Ele nunca se queixava para ela exatamente por não querer envolvê-la naquela situação. O que aconteceu foi que, sem saber do parentesco dela com a vítima de Alexandre, uma mulher que trabalhava ligado ao segundo fez alguns comentários na hora em que estava na pequena copa que era usada para que os funcionários tomassem um café. Ela não disse nada no momento e também não conversou com seu pai, apenas começou a observar e presenciou, não uma ou duas vezes, mas várias, em que Alexandre destratava seu pai com desprezo.
Então resolveu agir e se lembrou de quando o homem odioso a assediou e resolveu que, se ele estava interessado, seria essa a sua arma para vingar os maus tratos que seu pai sofria.
Depois de passar parte da noite acordada pensando em um plano, Roxana dormiu tranquila já sabendo como agir. Ela não sabia que tipo de mulher exatamente agradava ao Alexandre e resolveu desempenhar um papel a cada semana e, como estava em uma em que estava programado uma confraternização a ser realizada em um sítio no sábado, decidiu que a primeira seria do tipo garota ingênua e comportada, porém, esse comportada e também muito sapeca. Além disso, o aquele dia seria uma quinta-feira e ela não tinha muitas roupas em seu armário que pudesse ser usada e ela não queria ficar se repetindo.
Foi assim que, na manhã seguinte ao descer para tomar café, seu pai já a esperava e ficou impressionado com a simplicidade com que ela se vestia. Usando uma blusa branca com botões e mangas compridas e uma saia que ia até a altura do joelho e um sapato sóbrio com saltos baixos e meias que iam até o meio da canela, ela estava com a aparência mais de uma colegial do que uma universitária. Até mesmo os colegas da seção que ela trabalhava estranharam a roupa que usava.
A atenção da garota naquele dia estava no movimento da copa. Ela sabia que Alexandre procurava ir até lá em horários que não havia ninguém e ficou observando. Quando o viu se dirigindo para aquele recinto, avisou ao chefe que ia tomar uma água e foi atrás dele. Porém, ela entrou no banheiro de onde saiu alguns minutos depois.
Parecia outra mulher. Seu cabelo, que antes estava preso em um rabo de cavalo feito às pressas, tinha mudado para um coque daqueles feito às pressas, com grande parte presa no alto da cabeça e algumas mechas caindo por seu ombro. Os dois primeiros botões da camisa estavam soltos e o sutiã tinha sido deixado no seu armário e a saia também sofreu uma mudança. Com muito cuidado para não ficar aparecendo, ela enrolou o cós da mesma diminuindo seu comprimento em quase trinta centímetros e agora aquela peça de roupa cobria menos da metade de suas coxas lisas e roliças. Nos pés ainda mantinha o mesmo sapato, assim como as meias e sua aparência embora continuasse sendo a de uma colegial, só que agora daquelas colegiais que aparecem em filmes eróticos.
Quando entrou na copa com um andar sensual, Alexandre congelou. Naquele momento ele estava levando a xícara de café à boca e esse movimento ficou a meio caminho enquanto mantinha a boca aberta. Com os olhos arregalados diante daquele monumento de mulher ele tremeu quando ela lhe dedicou seu melhor sorriso e, nesse tremor, aconteceu o inesperado. O café quente contido na xícara entornou e queimou seus dedos e, com sua reação automática de se livrar do que o machucava, soltou a xícara que, antes de se espatifar no chão, derramou mais café em sua gravata e camisa social.
Controlando-se para não rir, Roxana caminhou até ele enquanto perguntava se ele tinha se machucado e, sem dar chance para ele evitar, puxou a gravata a tirando de seu pescoço e começou a abrir os botões de sua camisa. Depois pegou vários guardanapos que estavam sobre o balcão e começou a enxugar o abdômen dele, indo do peito até o cós da calça. Ela fazia isso sem olhar nenhuma vez para ele até chegar ao cós da calça. Nesse momento, ela levantou a cabeça e, sorrindo para ele, forçou sua mão por dentro da calça dele chegando até o início de sua cueca. Não enfiou a mão por baixo da cueca, mas também forçou um pouco para baixo até sentir seus dedos tocarem os pelos pubianos dele.
Sem desviar os olhos, viu o rosto de sua vítima ficar pálido e percebeu que ele estava com dificuldades em respirar, então, voltando a sorrir, puxou sua mão de volta e passou delicadamente na barriga dele enquanto falava:
– Tadinho. Deve estar doendo. Espere um pouco que já vou cuidar disso.
Se afastando do rapaz, Roxana foi até a geladeira, abriu o congelador e retirou uma forma de gelo que levou até a pia. Olhou em volta como se procurasse alguma coisa e, não encontrando o que queria, abaixou-se para abrir uma das gavetas do balcão que havia sob a pia e, ao fazer isso, sua saia subiu deixando parte de sua bunda descoberta, inclusive, permitindo a visão de sua calcinha de algodão de um modelo bem infantil. Endireitou o corpo e, com o pano de pratos que ela retirou da gaveta na mão, o estendeu sobre a pia e depositou no centro dele algumas pedras de gelo, embrulhou bem e voltou a se posicionar na frente do Alexandre começando a pressionar o pano sobre o local onde o café caíra. Ela fazia isso com a mão direita enquanto a outra deslizava por toda a parte dianteira do tronco dele, indo dos mamilos e descia até tocar seu cinto, voltando novamente a subir. Ela fazia questão de ficar um com o torso inclinado pela frente e isso fazia com que seus seios ficassem completamente visíveis.
Ao notar que os mamilos estavam durinhos, Alexandre resolveu pela primeira vez ser mais ativo e levou sua mão para segurar o queixo dela. Ele tinha a intenção de fazer com que ela virasse o rosto para ele e então beijaria sua boca.
Imediatamente ela reagiu dizendo:
– Não me toque, por favor. Isso é assédio e eu posso mover uma ação contra a empresa por causa disso.
A única coisa que Alexandre conseguiu pensar foi em como aquela situação era injusta. Aquela garota estava praticamente abusando de seu corpo, fazendo o que queria com ele e quando ele resolveu retribuir os carinhos foi ameaçado de um processo, quando na verdade era ele que podia processar a ela. Mas essa ideia foi abandonada quando, voltando a sorrir para ele, Roxana apertou com carinho um de seus mamilos.
Assim como começou, o término aconteceu de repente. Em um segundo Roxana estava apertando seu mamilo e sorrindo com o rosto virado para ele como se estivesse esperando ser beijada e no seguinte ela estava jogando o pano que continha os cubos de gelo na pia e saindo da copa com um rebolado que deixou o homem ainda mais trêmulo, desaparecendo a seguir.
Durante aquele dia, ela continuou com sua atenção voltada para onde ficava a copa, porém, Alexandre não apareceu outra vez. Em vez disso, ela viu a secretária dele entrando várias vezes e em todas elas saía dali com um copo de plástico contendo café.
Na sexta feira ela estava ainda mais comportada. Voltou a usar uma camisa rosa, também de mangas compridas, calça jeans apertada que deixava suas formas bem nítidas e tênis de marca nos pés. Essa roupa, a maquiagem leve e o cabelo novamente preso em um rabo de cavalo lhe dava uma aparência quase infantil.
Entretanto, nada de Alexandre aparecer na copa e a secretária dele parecia estar agindo mais como copeira do que como secretária.
A oportunidade só surgiu no período da tarde quando chegou o momento de levar os documentos para assinatura. Ela se apresentou como voluntária para isso e, pegando uma pasta com vários papéis, entrou no banheiro e repetiu o ato do dia seguinte, porém, apenas se livrando do sutiã e mantendo dois botões da blusa soltos e, para não chamar a atenção enquanto caminhava em direção ao escritório do chefe, abraçou a pasta de encontro ao peito, disfarçando assim a forma como estava se apresentando, pois sua camisa era de seda e os mamilos duros marcavam o tecido da mesma, indicando que aquele joguinho, mais do que uma intenção de vingança, estava deixando a garota excitada.
Entrou na sala de recepção e a secretária avisou por interfone ao seu chefe que tinha documentos para serem assinados. Como de costume, esses documentos eram levados até ele pelo funcionário da repartição que o enviava e nunca por sua secretária que tinha que permanecer em seu local de trabalho para atender o telefone e impedir que as pessoas que chegassem entrassem na sala de seu chefe até que ele fosse desocupado por quem tinha levado os papéis até ele.
Com a pasta ainda encostada em seu corpo, Roxana entrou na sala de Alexandre que, quando a viu, suspirou tão alto que ela teve que se conter para não rir da situação dele. Porém, quando ela entregou a pasta a ele e deixou seus seios expostos pela metade, o suspiro se repetiu tão forte que mais pareceu que ele estava gemendo.
Entretanto, a provocação de Roxana nesse dia se limitou às inclinações de seu corpo quando ela se abaixava para entregar cada um dos documentos a ele explicando a que se referiam e permitia que ele tivesse uma visão completa de seus seios firmes, inclusive, dos dois botõezinhos de seus mamilos duros, como uma fruta implorando para serem degustados.
Ao sair da sala, Roxana parou antes de abrir a porta, arrebitou sua bunda e olhou para trás. Em seu rosto, uma expressão que era um misto de inocência com um convite a algum tipo de safadeza. Sorriu para ele enquanto abria a porta e depois saiu a fechando atrás de si. A pasta apertada contra seus seios pressionava seus mamilos e ela sentiu sua calcinha ficar molhada com o fluido que sua buceta deixava escorrer.
Uma chuva forte e persistente no sábado lançou por terra o plano da garota de provocar seu alvo durante a confraternização e ela acabou nem indo. Mas isso lhe deu tempo para programar cada um dos dias da semana seguinte em que ela iria assumir o papel de uma patricinha. Seria arrogante, inconsequente. Sabia que assim, poderia ser mais ativa em suas provocações e ao mesmo tempo pular fora e deixar sua vítima com o pau na mão.
O que ela não sabia é que o termo ‘pau na mão’ era literal, pois desde a quinta-feira a principal atividade de Alexandre era se masturbar em memoráveis homenagens à Roxana.
O engano da linda garota foi imaginar que teria uma longa batalha para conseguir exercer algum domínio sobre Alexandre e isso ficou evidente já na segunda-feira, quando ela, seguindo o seu projeto de se vestir como uma patricinha, chegou na empresa arrasando.
Vestida com um conjuntinho bege com um leve toque para o rosa, cuja saia justa ia até o joelho. Por baixo do casaquinho que foi mantido aberto, uma blusa branca com apliques na frente e gola renda. Nos pés uma sandália de saltos combinando com a roupa, assim como os brincos e os óculos escuros que usava e, completando o quadro, a inseparável bolsa, porque a impressão que se dá é que cada patricinha já saiu da barriga da mãe com uma bolsa ou carteira na mão.
E para a felicidade de Roxana, ela não precisou fazer nenhum movimento no sentido se mostrar para o Alexandre, pois menos de quinze minutos depois que ela chegou na empresa, ele compareceu na seção em que ela trabalhava com a desculpa de consultar os documentos de um funcionário que sequer foram localizados, uma vez que ele, em sua afobação, tinha anotado o nome de uma pessoa e o sobrenome de outra. Mas o que deixou a garota com a certeza de que suas táticas nos dois primeiros dias tinham dado resultado, foi o comentário feito pela chefe da repartição:
– Que estranho isso! O Alexandre nunca entrou nessa sala! Aliás, nunca se deu ao trabalho de ligar pedindo algum documento. Quem sempre faz isso é sua secretária e eu tenho que mandar alguém levar lá.
Roxana, ao ouvir isso e atenta a tudo o que se passava, tinha gravado o nome da pessoa que ele tinha pedido para ver os documentos e, analisando os que existiam, se perguntou se o homem não tinha confusão, pois a existência do nome em uma ficha e o sobrenome em outra fez com que pensasse nessa possibilidade. Feliz em poder iniciar o seu joguinho logo cedo, comentou isso com sua chefe que ficou pensando a respeito. Como ela não queria perder a chance, sugeriu que alguém levasse as duas fichas até o escritório do chefão e perguntasse para ele. A ideia foi aceita de pronto e, como Roxana era a dona da ideia, coube a ela ir levar os documentos até a sala de Alexandre.
Aliás, isso era tudo o que ela queria e, dessa vez estava disposta a não mostrar seu corpo. Sua intenção era se mostrar mais sedutora com gestos e palavras. Foi assim que ela foi admitida na sala do chefe geral, bem vestida, caminhando sensualmente e com um sorriso nos lábios. Não satisfeita, ainda falou com a voz mais suave que conseguiu produzir:
– Trouxe o documento de dois funcionários comigo que talvez possam ser o que você procura.
Agradecendo, Alexandre aceitou os documentos e, mal olhando para eles, confirmou que era sim um deles. O que a garota não deixou de notar foi que ele mal olhou para os papéis que tinha em suas mãos o que, somado ao fato do comentário da mulher na repartição de que ele nunca tinha feito isso, deu à garota a certeza de que tudo não passava de uma desculpa inventada por ele para justificar a sua ida até a seção em que ela trabalhava. Então ela perguntou:
– E aí?
A forma informal que ela se dirigiu ao Alexandre foi notada e ela olhou para ela se deparando com o belo sorriso que ela dedicava a ele. O impacto foi tão forte que, para voltar a falar, ele teve que pigarrear para limpar a garganta antes de falar:
– E aí o que?
– Você vai ficar com esses documentos aí ou posso levar de volta.
Sem responder, o homem estendeu os documentos para ela que, ao pegá-los, deixou que suas mãos se tocassem de propósito e o efeito foi devastador. Só que, dessa vez, devastador para ambos.
A energia produzida pelo toque percorreu pelas fibras de ambos até atingir o centro nervoso, provocando um arrepio em ambos. A reação é que foi diferente, pois enquanto Alexandre emitiu um gemido muito baixo, Roxana se desconcentrou e o sorriso seu sorriso permanente morreu de repente. Mesmo porque, sem que ela quisesse, mordeu levemente o lábio inferior.
A imagem daquela mulher linda diante dele, com o lábio preso por seus dentes brancos e perfeitos, fez com que o gemido se repetisse. Dessa vez mais forte. Roxana, desconcertada com a reação que acabara de ter, virou-se com os papéis na mão e começou a se dirigir à porta, porém, antes que chegasse até lá, ouviu a voz do homem se dirigindo a ela:
– Você poderia voltar aqui no período da tarde? Tem um assunto que preciso conversar com você.
– A que horas, senhor? – Perguntou ela que ficou parada, mas não se virou para ele.
O fato de o tratamento ter voltado a ser formal incomodou Alexandre que tinha se animado com a outra forma que ela se dirigira a ele antes. Mesmo assim, informou:
– Não sei ainda qual seria a melhor hora. Faça o seguinte, fique na sua seção e aguarde que minha secretária te chama quando eu estiver livre.
Nesse momento Roxana já tinha atingido a porta que estava sendo aberta. Ela atravessou o portal e somente quando já ia fechá-la, virou-se para ele e respondeu com voz insegura:
– Sim senhor. Eu espero.
A cabeça da garota estava tão confusa que ela fez se viu obrigada a ir direto ao banheiro. Lá chegando, mirou sua imagem no espelho e viu que sua face estava corada, seus olhos pareciam mais grande e as narinas levemente alteradas diante da aceleração que ocorria em sua respiração. Molhou o rosto tirando toda a sua maquiagem e depois ficou apoiada na pia tentando se concentrar para que voltasse a respirar normalmente. Sua cabeça girava e ela não conseguia entender a reação de seu corpo. Afinal, a intenção era conquistar a admiração e o interesse do Alexandre, mas tudo indicava que ela também estava sendo afetada por ele.
Quando finalmente saiu do banheiro já estava mais calma, porém, sua mente girava na busca de uma explicação para as sensações que a dominavam. Ela se recusava a acreditar que estava se sentindo atraída justamente para o homem a quem ela desejava punir por causa da forma que tratava seu pai. Não conseguiu encontrar nenhuma e, para piorar, foi dominada pela ansiedade que a reunião provocava nela. A cadeira usada por ela, de repente, parecia estar repleta de pregos que a impedia de ficar sem se movimentar sobre ela.
Por sorte, ninguém notou nada ou, se notou, não fez nenhum comentário.
Já era dezesseis horas quando finalmente sua chefe direta se dirigiu a ela dizendo que estava sendo esperada na sala da gerência geral. Com as pernas trêmulas, caminhou pelo corredor com aquela impressão que todos ficam nessa hora. Para elas, todos a olhavam e se perguntavam porque ela estava tão nervosa.
Ficou surpresa ao entrar na sala do chefão e encontrá-lo em uma pose mais descontraída, inclusive, podia ser considerada uma atitude de desleixo. Onde já se viu o chefe receber uma estagiária em sua sala com o corpo quase que deitado na cadeira enquanto descansava as pernas sobre a mesa. Isso, para ela, era um crime de lesa majestade. Onde já se viu?
– Ah! Que bom que você veio. Sente-se aí e fique à vontade. – Falou Alexandre com uma voz amigável.
“Parece até que vim porque quis e não porque ele me chamou! E o que ele quer dizer com ficar à vontade? Será que devo apoiar minhas pernas na mesa também?”
Esse pensamento pelo menos serviu para deixá-la mais calma e, voltando a conquistar o controle sobre seus atos, sentou-se em uma das cadeiras e a virou de lado. Em seguida, virou a outra que estava ao seu lado para ficar de frente para ela e colocou ali seus dois pés enquanto apoiava as costas no encosto daquela que sentava, enquanto dizia:
– Já que você disse que eu podia ficar à vontade, vou aproveitar, estou com as pernas doloridas.
– Se quiser, você pode coloca-las sobre a mesa. Isso vai fazer sua circulação melhorar e as dores desaparecerão.
– O que pra você não vai ser nada ruim também, porque assim vai poder ter uma visão privilegiada.
Depois de um riso breve, ele falou:
– Visão privilegiada eu tive na semana passada. Só que, em uma comparação meio que irreal, foi uma visão aérea. Agora eu queria ter uma no mesmo nível.
“Que filho da puta. Está entendendo tudo errado. Com certeza acha que estou me oferecendo para ele enquanto eu só quero é deixá-lo com vontades.”
Depois de pensar, respondeu com malícia:
– Não pode. Essa visão térrea pode mostrar algo que você não está esperando.
– O que só deixaria essa visão ainda melhor. – Rebateu Alexandre.
– Pode ser que sim, pode ser que não. Vai saber, não é?
– É verdade.
– Então fala porque você me chamou aqui? Acredito que não foi para discutir sobre as formas diferentes que eu posso me sentar.
– Sentar? Olha garota. Eu gostaria de passar muito tempo discutindo posições contigo. Mas posso te garantir que nenhuma delas seria a de uma posição sentada.
– Pois devia. Há muitas formas deliciosas de se sentar, você sabia? – Disparou Roxana com energia, entrando de vez naquele joguinho de frases com segundas intenções.
– Isso é verdade. E quando podemos começar?
– Nunca, eu acho. – Pela primeira vez, desde que começou o jogo, Roxana se colocava na defensiva.
Alexandre percebeu que o seu comentário criou um incômodo e mudou radicalmente seu comportamento. Tirou os pés de sobre a mesa, puxou a cadeira mais para perto da mesa e assumiu uma posição normal ficando com os antebraços apoiados sobre a mesa. Ao ver que seu chefe mudava a postura, a garota imediatamente fez o mesmo.
De repente, o clima na sala mudou e havia um aura de seriedade envolvendo os dois. Foi então que o chefe, limpando a garganta, começou a explicar porque tinha promovido aquela reunião:
– Muito bem senhorita. O motivo de eu ter pedido que você viesse até aqui é porque estou com um problema e acredito que você pode me ajudar. E antes que você pergunte, tomei essa liberdade por causa do seu comportamento nesses últimos dias.
“A próxima coisa que ele vai fazer é pedir para eu chupar o pau dele” – Pensou Roxana enquanto falava em voz alta:
– Se eu puder ajudar, ajudo sim. Sem problemas!
– Então, é um assunto meio delicado.
“Bingo! Vai em frente garanhão. Vai enfrente que sou capaz de dizer que chupo só para arrancar esse pauzinho seu com os dentes”. – E, em voz alta:
– Acho meio tarde para decidirmos se é ou não delicado. Afinal, você me chamou e estou bem aqui. Diga o que você quer de mim.
– É o seguinte. Como você sabe, essa empresa foi incorporada pela aquela que eu já trabalhava e fui enviado aqui para gerenciar essa união e depois voltar para a capital. O problema é que estou tendo dificuldades em me entender com a pessoa indicada para assumir tudo isso depois que eu for embora e, como essa pessoa é seu pai e eu não consigo entender o que se passa com ele, gostaria que você me ajudasse nessa parte.
– Espera aí! Explica esse negócio direito. Você está me dizendo que quando chegou aqui já estava praticamente decidido que meu pai assumiria depois?
– É isso aí.
– E você já disse isso a ele?
– Não. E não foi porque eu não podia. O problema é que a comunicação entre seu pai e eu está muito difícil. Ele está sempre na defensiva.
– Na defensiva como? Explique isso, por favor.
– Não sei. Tento conversar com ele e não consigo. Ele está sempre fechado a conversa. Eu pergunto as coisas e ele respondo seco e sempre economizando palavras. A impressão que tenho é que ele está sempre na defensiva, como se eu estivesse vindo aqui só para prejudicá-lo, quando na verdade minha missão é ajudá-lo a entender nossa política, mas até agora estou na estaca zero.
Ao parar de falar, um silêncio absoluto tomou conta do ambiente e os dois ficaram se encarando. O tempo parecia ter sido congelado e nenhum deles movia um músculo de seu corpo. As coisas ficaram nesse pé até que, de repente, Roxana começou a rir e seu riso foi se intensificando até se transformar em uma gargalhada.
Alexandre, sem entender mais nada, ficou olhando para ela com a boca do emoji “boquiaberto ”. O problema agora era esperar até que a garota conseguisse se controlar e parasse de rir. A conversa só foi retomada depois que ele, sem saber o que fazer, foi até o frigobar que mantinha no escritório, pegou um copo que foi enchido com água e entregue a ela.
Quando finalmente conseguiu falar, Roxana se abriu para ele contando tudo o que estava se passando, inclusive, fazendo questão de deixar bem claro que seu pai não sabia e não podia sequer sonhar que ela tinha resolvido se vingar pela forma como era tratado por Alexandre.
E ele ficou muito surpreso ao saber que, da mesma forma como ele estranhava a atitude do pai da garota, o mesmo acontecia. Ou seja, eram duas pessoas que precisavam se entender, queriam se entender, entretanto, cada um deles acreditava que o outro só queria prejudicá-lo. Mas ele teve humildade suficiente para pedir a ajuda de Roxana para furar o bloqueio que o pai dela estava impondo e ela lhe deu algumas dicas e disse que falaria com seu pai. O rapaz gostou das informações que ela deu, todavia, pediu encarecidamente que ela não comentasse nada com seu pai e ela entendeu os motivos dele e prometeu não tocar no assunto.
Com esse assunto resolvido, os dois passaram a conversar sobre vários assuntos e foram descobrindo que tinha muitas coisas em comum entre eles. Quando falaram de família, Alexandre explicou que era filho do principal acionista daquela empresa, novamente pedindo segredo sobre isso. Sobre família, ela só contou que tinha duas irmãs e morava com os pais, mas no final, deixou escapar:
– Por sinal, minha irmã que mora no Nordeste está nos visitando. Ela veio comemorar meu aniversário.
– E quando vai ser esse aniversário?
– Depois de amanhã. Mas não vai ter nada de especial. Vamos todos sair para jantar em um restaurante. Apenas isso.
– Ah sim. Legal isso. Também não gosto de muita bagunça nessas ocasiões. Prefiro passar meu aniversário sozinho.
– E quando vai ser esse aniversário?
– Foi a seis meses atrás.
Depois disso, ela resolveu se retirar, mesmo porque, naquela altura o pessoal já estava se retirando pois havia passado do horário da saída. Alexandre se ofereceu para levar Roxana em casa e ela agradeceu dizendo que iria de carona com seu pai.
No dia seguinte ela foi trabalhar usando a roupa normal que usava sempre. Isso chegou a causar mais comentários do que quando ela começou a alterar seu look. Mas ela não se importou. O que a deixou mais tranquila foi que, durante o expediente, ela viu Alexandre e seu pai caminhando juntos pelo corredor e conversando, senão como grandes amigos, pelo menos como dois homens que tinham a consciência que jogavam no mesmo time.
Ao chegar em casa naquela tarde, foi puxada por Helena que, agarrando em suas mãos, a levou para seu quarto e lá chegando viu a Nita, nome como elas chamavam Maria Bonita, com uma roupa idêntica a que sua outra irmã usava e disse:
– Não acredito que vocês vão insistir nessas brincadeira! Ele sempre acerta!
– Hoje não.
As trigêmeas tinham a mania de brincar com seu pai. Era algo que faziam desde a infância que era se vestirem com roupas iguais e tentá-lo confundir e durante toda as suas vidas, só por duas vezes ele não conseguiu e uma delas nem foi durante esse jogo, mas sim quando estava furioso por algo que a Helena fez e quase deu uma surra na Roxana que só foi salva por sua mãe no último momento, pois essa nunca errava. A outra foi em uma festa em família em que ele bebeu demais.
Vestidas com roupas idênticas que Helena tinha comprado naquele dia, desceram só para serem mais uma vez decepcionada, pois o pai acertou o nome das três sem nem precisar pensar muito. Chateadas por perderem mais uma vez aquele jogo, se separaram. Roxana subiu junto com seu pai se dirigindo ao seu quarto para se vestir e sair para ir à Faculdade e Nita foi até a cozinha.
Nesse exato momento a campainha tocou e Helena, que ainda estava na sala, foi atender. Ao abrir a porta deu de cara com o Alexandre, que ela não conhecia. Ele, todo sorridente, estendeu um maço de rosas para ela e falou:
– Como sei que você vai comemorar seu aniversário amanhã com a família, resolvi passar aqui hoje. Feliz aniversário.
Desconfiada que aquelas flores não se destinavam a ela, Helena aceitou as flores e o convidou para entrar. Quando ele tinha dado três passos para dentro da sala de visitas, Nita vinha voltando da cozinha e, ao ver Alexandre, parou e ficou olhando para ele com uma expressão de fúria, pois Roxana tinha contado para ela sobre a perseguição que o pai delas estava sofrendo, mas ainda não tinha tido tempo de revelar que tudo não passava de um engano. Ao ver a imagem exata de Roxana ali parada, Alexandre falou para Helena, ainda acreditando que se tratava de Roxana:
– Você me disse que tinha duas irmãs, mas não disse que uma delas era gêmea contigo.
– O que está acontecendo aqui... Você? O que está fazendo aqui?
Era Roxana que tinha retornado para a sala quando ouviu a voz de Alexandre que, ao vê-la, ficou parado alternando o olhar para as três como se estivesse olhando para três extraterrestres que acabassem de aparecer na sua frente. Então ela entendeu a situação e, indo até ele, pegou em sua o levou até o sofá e fez com que ele se sentasse. Nesse exato momento, como um bólido, Nita estava se movimentando, indo até Alexandre e, não fosse a reação de Roxana, teria arranhado seu rosto. Com fúria, ela gritava:
– SEU FILHO DA PUTA. O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI SEU IDIOTA!
– PARE COM ISSO, NITA. ESTÁ TUDO CERTO. FOI SÓ UM ENGANO,
Nita olhou para ela com ar de descrédito e ela falou, agora sem gritar:
– Foi tudo um mal entendido de dois caras que têm dificuldades em se comunicar. Mas isso já foi resolvido.
Envergonhada, Nita pediu desculpas e já ia se retirando quando o pai desceu a escada perguntando:
– O que está acontecendo aqui... Senhor Alexandre! Aconteceu alguma coisa? O que o senhor está fazendo aqui.
Ao falar isso, ele olhou para Helena que segurava as flores que tinha sido entregue por Alexandre. Em seu olhar, um brilho de quem estava se divertindo muito com a situação. E para completar o quadro, Alexandre falou baixinho:
– Nossa! Uma mulher bonita assim é difícil. Duas já é um milagre. Agora, três! Nem sei dizer o que é isso.
Enquanto isso, o pai falava se dirigindo à Helena:
– Filha! Eu acho que essas flores não são suas. Por favor, devolve para o senhor Alexandre.
– Ah papai! Mas é meu aniversário também.
Roxana, ao ouvir isso, pegou as flores e notou que se tratava de um buquê contendo uma dúzia de rosas e, com muito cuidado para não estragar o arranjo, as separou em três grupos de quatro cada e os distribuiu com suas irmãs, ficando com o último.
– Parabéns, solução salomônica a sua.
– Obrigado pelas Flores Alexandre. – Falou Roxana se inclinando e lhe dando um beijo no rosto, muito perto da boca.
Nita também se aproximou, agradeceu também beijando seu rosto e se desculpou pela tentativa de agressão. Então Helena se aproximou, também agradeceu, mas quando foi beijá-lo foi puxada por Roxana que falou:
– Não. Você não. Você é muito pra frente. Sai daí.
Aquela reação provocou o riso de todos os presentes e serviu para descontrair o ambiente. Logo estavam as três rodeando Alexandre e logo a mãe delas, que chegava do emprego naquele momento, foi apresentada e se uniu a elas. Mas logo Roxana pediu licença e foi se vestir para poder ir assistir às suas aulas. Ao regressar, estava linda. O pouco tempo não permitiu que ela se produzisse, porém, a simplicidade de suas roupas e a maquiagem discreta só serviam para melhorar ainda mais o seu visual. Aquelas garotas eram do tipo que ficavam bem de qualquer jeito.
Alexandre se ofereceu para levar Roxana à faculdade, o que ela aceitou, mesmo sabendo que isso não era necessário, pois todos os dias ela fazia o trajeto dirigindo o carro de sua mãe. Durante o trajeto, ela o provocou relembrando as reações que ele teve às provocações dela durante os últimos dias e ele, num arroubo de coragem, confessou:
– Você quase me mata. Tive que me virar sozinho.
E ela, também buscando coragem sabe-se lá aonde, brincou com ele:
– Verdade isso? Quer dizer que o senhor se acabou na masturbação pensando em mim?
– Nãoooo! Não foi isso que eu falei!
– Não falou, mas deixou claro nas entrelinhas.
– Isso é você que está falando. Eu não me masturbei coisa nenhuma.
– Ah! Confessa vai. Fala, que mal tem em bater uma punhetinha?
– Você ia ficar brava.
Roxana riu dele que, só depois de ouvir o riso dela entendeu que tinha acabado de confessar que tinha sim. Então, Roxana parou de rir e disse para ele com um sorriso:
– Olha. As aulas programadas para hoje não são importantes e estou com notas boas nas disciplinas. Vamos fazer o seguinte, me leva para algum lugar e me mostra como você fez isso.
– Você está louca? Seu pai vai me matar se eu fizer isso. Justo agora que começamos a nos entender. Não pode.
– E quem vai contar para o meu pai? Você?
– Lógico que eu não vou contar. Nem para o seu pai e nem para ninguém.
– Então vamos. Eu quero ver você fazendo isso.
– Não pode.
– Vamos vai. Por favor, Alexandre. Oh. Você podia fazer isso como um presente. Amanhã é meu aniversário, está lembrado?
– É aniversário de suas irmãs também.
– Seu tarado. Já está querendo bater punheta na frente das minhas irmãs. – Disse Roxana fingindo estar zangada e quando Alexandre olhou para ela assustado, viu que ela estava sorrindo para ele. Sem dizer mais nada, ele ligou a seta do carro, virou na esquina seguinte e tomou a direção que levava a uma região onde havia um grande número de motéis.
Roxana olhava para ele tentando ver o quanto ele estava excitado e ficou decepcionada ao não ver nenhum volume se formando entre suas pernas. Ao imaginar que ele não estava se excitando e, quando estavam entrando em um motel, ela tomou uma decisão e falou, quase que como uma vingança:
– Só tem uma coisa. Você vai bater uma punheta e vou ficar só olhando. Não vou nem tirar minhas roupas e você fica proibido de me tocar.
– Sério isso? Você só pode estar brincando. – Reclamou Alexandre.
– É pegar ou largar. Ou você aceita, ou então dá meia volta e me leva até minha faculdade.
Estalando a língua para demonstrar que estava contrariado, ele seguiu em frente assim mesmo.
No quarto de motel, Roxana foi até o sofá e se sentou sobre suas pernas dobradas, fazendo questão de puxar o vestido para que nenhum centímetro de suas pernas ficasse à vista e ordenou:
– Vamos lá. Pode começar. Fique ali na cama e tire a roupa.
– Toda a roupa?
– Você que sabe. Se sujar seu lindo terno depois, não reclame comigo.
Alexandre obedeceu tirando o paletó, arrancando a gravata em um gesto teatral que depois enrolou no pescoço dela e tirou a camisa. Depois se livrou dos sapatos, meias e por fim tirou a calça. Foi mais uma decepção pra Roxana ao ver o que ele usava debaixo da calça. Era um desses shorts de lycra apertado, cujo comprimento ocupava metade da coxa dele. Mas quando ela prestou melhor atenção, sua contrariedade se transformou em ansiedade. Ao logo da perna esquerda de Alexandre, havia algo forçando o tecido de sua última peça de roupa formando um enorme volume. Ela viu aquilo e imaginou que ali havia sido colocado um grande pepino, pois além de grossos, era longo e ia quase até o final da perna do short.
– Meu Deus do Céu! – Foi o que ela falou para expressar o seu expando quando ele, em um gesto apenas, abaixou a cueca e a atirou longe com os pés.
Diante dela, havia um pau que, se medido, poderia revelar ter uns vinte e cinco centímetros de comprimento, além se ser muito grosso e a primeira coisa que ela pensou foi:
“Nossa! Que maravilha. Esse sim deveria ser conhecido como Alexandre, O Grande!”
Nem em seu piores, ou talvez melhores sonhos ela se imaginara ficar diante de um colosso daqueles. Sentiu o suco de sua buceta molhar a sua calcinha imediatamente. Mas não foi só isso. A produção de sua saliva ficou tão intensa em uma realização da frase “ficar com água na boca”. E era exatamente isso. Ela estava não só com água na boca e poderia se dizer lima outra frase que ela nunca viu ninguém usar. Além da água na boca, ela estava com água na buceta também. Como se dominada por instinto, ela pediu:
– Venha aqui perto de mim, Alexandre. Eu preciso muito ver isso de perto.
Ele obedeceu e ela ficou com os olhos arregalados e presos naquele pau enorme. Como se tivesse vida própria, sua mão se movimentou e ela tocou o indicador na cabeça daquele pau e forçou, descobrindo que se não fizesse força, o pau nem se mexia de tão duro que estava.
Entretanto, sentindo que o jogo tinha virado e agora era ele que estava no controle, Alexandre recuou dois passos e falou:
– A proibição de tocar serve para você também, garota. Fica parada aí.
Mas já era tarde. Quando ele se afastou, ela se levantou e num gesto apressado arrancou a blusa que usava pela cabeça e, como não usava sutiã, seus peitos grandes e perfeitos balançaram com o movimento que ela fez ao se levantar, se ajoelhar no chão, enquanto dizia:
– Que se foda as proibições. Quem mandou não me confessar que você era pausudo desse jeito.
– Nã nã nã naninha. Volte para o sofá. As regras são suas.
– Vai te foder Alexandre. Você está louco se pensa que vou sair daqui sem fazer tudo o que essa maravilha que você tem aí merece.
– Mas....
– CALE A BOCA, PORRA. ANDA, ME DÁ ESSE PAU AQUI.
Sorrindo, Alexandre fingiu estar se rendendo e, como tinha dado mais um passo para trás, estava encostado na cama. Então se sentou, abriu as pernas, segurou seu pau pela base e disse a ela:
– Venha gatinha. É todo seu.
Nem houve resposta. Roxana era uma moça muito bem educada e tinha sido orientada a nunca falar com a boca cheia. E, naquele exato momento, sua boquinha ávida estava muito cheia. Mais cheia do que a sua capacidade de engolir. Mesmo assim, chupou, beijou, lambeu e se lambuzou toda esfregando o pau melado com a junção do pré gozo de Alexandre e da saliva que ela deixava vazar de sua boca, feliz por ter uma oportunidade de ser multitarefa, pois ali havia pau para ela chupar e ao mesmo tempo bater uma punheta. E ainda sobrava um grande pedaço dele.
Depois de se esbaldar em chupar aquele colosso, Roxana passou a explicar na prática as várias formas de sentar que ela conhecia. E como ela sentou. Sentou tanto que o casal só saiu do motel quando já era madrugada, porém, carregando um sentimento novo. Ambos estavam completamente apaixonados um pelo outro e foram embora carregando também as promessas de uma longa vida juntos.
O namoro de Roxana e Alexandre logo se tornou assunto de todos e ficava cada dia mais firme e não demorou para que eles começassem a falar em noivado e planejamento de um casamento.
Enquanto isso, Nita seguia um rumo um pouco diferente de suas irmãs. Ela, que sempre foi a mais politizada, começou a se movimentar no sentido de dar vazão à sua revolta e foi por isso que ela se aproximou do grupo que, por anos, controlava o Diretório Acadêmico da faculdade onde ela estudava Direito. Seu brilhantismo, somado à sua beleza, foram abrindo todas as portas e não demorou para que ela começasse a participar das reuniões da Confederação de Diretórios Acadêmicos do Estado em que ela morava.
Logo ela se viu desejosa de ser mais participativa e sabia que, para isso, teria que fazer parte da diretoria daquela agremiação. Porém, ela não fez o que se era esperado, por em vez de se aproximar dos líderes, ela pendeu para o lado de um jovem que fazia oposição ao grupo que também dominava essa confederação há mais de dez anos.
O rapaz, cujo nome era Luiz Virgulino de Souza, tinha nascido no Nordeste e foi trazido ainda criança para a região sul, fugindo da seca que era um flagelo aos habitantes de seu Estado natal. Combativo, com uma oratória admirável e apregoando a revolta que todos deviam sentir com a dominação das elites, ele logo conquistou a admiração de Maria Bonita que se aproximou dele.
Virgulino não era um homem bonito. Entroncado, um pouco mais baixo que ela, cabelos compridos e lisos e uma barba que, apesar de nunca ser raspada, também parecia nunca crescer. Outra característica muito pessoal dele era algo que, embora chamasse a atenção de todos, ele fazia questão de não falar a respeito.
Foi um acidente ocorrido quando, junto com a família, fazia o trajeto cujo ponto de partida tinha sido a Estação da Fome e do Desespero e o destino a Estação da Esperança e da Coragem. Nesse acidente, ele perdeu dois dedos, um de cada mão e, por coincidência, os dois dedos médios.
Sendo assim, Luiz Virgulino de Souza era um homem prejudicado em qualquer discussão que descambasse para a ofensa, pois ele era sempre o único que não podia fazer aquele gesto que conhecemos como “cotoco”, onde um cara com o punho fechado e os dedos médios estendidos, manda o outro ir se foder. Mas isso não o prejudicava e, chama-lo de “Oito Dedos” era um convite para uma troca de socos.
Trabalhando com afinco e, cada vez se aproximando mais de Luiz, Nita foi convidada para formar uma chapa que concorreria às eleições para a Presidência e demais cargos da tal Confederação. Seu papel durante a campanha era o de escrever os discursos, pois Luiz, apesar de estar frequentando a Faculdade, não era lá grande conhecedor da língua portuguesa e, a maior irritação dela era ver que, depois de passar horas escrevendo discursos bem redigidos, devidamente revisados, eram recitados com o sotaque de Luiz que, não satisfeito com isso, ainda machucava o pobre idioma.
Entretanto, o tempo que passaram juntos foi fazendo com que eles se aproximassem cada vez mais e Nita, disposta a tudo para fazer com que seu ídolo se tornasse o Presidente do Diretório, não media esforços para atingir o objetivo. Não o dela, mas o dele.
Daí nasceu uma amizade que permitia que ela fosse a única a criticar Luiz quando ele falava as merdas que era acostumado a dizer, principalmente nas entrevistas. Mas ele, em vez de se aborrecer como fazia quando era outra pessoa, se divertia e caçoava dela a chamando de riquinha mimada, o que sempre acabava em uma acalorada discussão.
Foi durante uma dessas discussão que, pegando Nita desprevenida, Luiz a agarrou e beijou sua boca. A primeira reação dela foi empurrar o corpo do homem que se esfregava no seu, porém, ao sentir aquela barba áspera roçando o seu pescoço, foi traída por seu corpo e, quando menos esperava, estava correspondendo ao beijo.
A primeira transa aconteceu logo depois. Não houve jogos, não houve nada sofisticado e nem um exercício de sedução. Foi algo comparável a duas crianças que estão descobrindo o sexo e o menino fala para a menina:
– Dá pra mim?
E ela responde:
– Dou.
Mas se o começo foi sem graça e meio que ligado no automático, o durante foi outra história. Luiz, educado por sua mãe para ser o machão da hora, fodeu Nita como se não tivesse amanhã e ela, em vez de reclamar, viu nele uma vantagem que nunca ninguém via.
O que acontecia com o Luiz é que ele agia no sexo como agia em todas as outras coisas. Dizia que era o tal, se achava a última bolacha do pacote e dizia ter solução para tudo, mas quando estava em condições de fazer alguma coisa, só enrolava e não fazia nada.
E assim foi. Ele fodia Nita, mas demorava muito a gozar e ela viu uma grande vantagem nisso, pois enquanto o macho de palanque ficava sobre ela como se estivesse discursando para uma multidão, ela ia gozando uma vez atrás da outra. Final da história. Nita ficou terrivelmente apaixonada por Luiz Virgulino, que mais tarde, alçou voo mais altos, sempre com a ajuda e conselhos de Nita que fazia todo o trabalho, o sujo e o limpo, fazendo com que seu amado nunca perdesse uma eleição e conquistasse o apelido de O Rei das Urnas.
O problema de Nita era quando a família se reunia. Luiz Virgulino nunca sabia quem era quem entre as três irmãs e foram várias as vezes em que ele avançou o sinal com uma das irmãs dela. Mas quando isso acontecia, ele sempre usava a desculpa de que, para ele, Elite é tudo igual.
Nita, que conhecia seu amado, logo resolveu o problema e assim, todas as vezes que estava em família e as irmãs, ou pelo menos uma delas estivessem por perto, ela obrigava que crachás fossem usados pelas três, o que não causou nenhuma estranheza em Luiz, pois ele já estava tão institucionalizado que usar crachá para ele, ou ver alguém usando, era como respirar. Ou seja, a coisa mais natural do mundo.
Encerrando o conto, quero deixar aqui o meu obrigado ao Zé Ramalho, esse gênio que, com uma simples letra de música, nos deu uma aula de história, além de nos mostrar que, quando uma mulher decide ser participativa, ela não precisa ser feminista, machona nem nada. Para ela, basta ser MULHER, por que uma mulher carinhosa, nem precisa ser tão bonita para fazer um homem gemer sem sentir dor.
E para a Amélia, meus parabéns pelo brilhantismo da carreira.
OBRIGADO ZÉ! OBRIGADO AMELINHA