Fiz uma versão mais curtinha desse relato e espero q gostem bjs
Seu Antônio era parte da paisagem do prédio há quinze anos. Negro, calvo, barrigudo, sempre com aquele sorriso largo e prestativo. Todo mundo gostava dele.
Eu também gostava. E, secretamente, gostava do jeito que ele me olhava.
Não era assédio — era admiração silenciosa. Eu sentia seus olhos me acompanhando quando eu descia de legging, blusa decotada, cabelo solto. E confesso: eu gostava. Provocava disfarçadamente, um botão a mais aberto, uma curvada a mais no balcão. Era meu segredinho, meu jeito de lembrar que ainda era desejada.
Até aquela quarta-feira.
Desci de pijama — blusa de botão entreaberta, shortinho pequeno, chinelo. Nada planejado. Ele estava no balcão.
Quando ergueu os olhos, algo mudou.
Não era o olhar de sempre. Era um olhar que me percorreu inteira, que demorou nos meus seios pesados de leite, na fenda entre minhas coxas. O sorriso continuava lá, mas agora era outro — de quem sabia o que queria.
Meu corpo respondeu antes da minha cabeça. Calor no estômago, mamilos endurecendo visivelmente contra o pijama. Ele percebeu. A boca entreabriu.
*Ele tá me comendo com os olhos.*
Deveria ter me sentido indignada. Senti tesão.
Ele se levantou para pegar minha encomenda. A luz da tarde iluminou o volume estufado na calça apertada — não era sutil. Era um pau duro, grosso, evidente. A cabeça pressionando o zíper.
Meu coração parou. Senti umidade quente entre as pernas, a calcinha colando em mim. Fiquei imóvel, apertando as coxas, tentando disfarçar o óbvio.
Ele voltou com a caixa. Nossos dedos se tocaram. Um segundo. Meu corpo acendeu igual palha seca.
Entrei no elevador como quem foge. As pernas bambas, a caixa suada na mão. No caminho para o apartamento, pressionei a mão entre as pernas.
Em casa, meu filho dormia. Fechei a porta, puxei o shortinho e a calcinha. Minha boceta estava encharcada, latejando. Passei os dedos na gosma quente e comecei a rir — do absurdo, de mim.
Me imaginei de joelhos na portaria, chupando o pau enorme dele enquanto ele atendia o interfone. Ri mais alto.
Deitei na cama, fechei os olhos e gozei sozinha, só na força da imaginação.
Naquela noite, quando meu marido me comeu, fechei os olhos e vi o balcão da portaria. O uniforme azul. O pau duro escapando do zíper.
Depois que ele gozou, ainda estava longe. Meu corpo ainda pedia.
No dia seguinte, passei pela portaria sem olhar.
— Bom dia, Dona Pamela.
— Bom dia, Seu Antônio.
No elevador, sozinha, senti meu corpo queimar exatamente do mesmo jeito.
