Foi totalmente anticlimax. Antes de ir embora ele me levou ao ponto e esperou meu ônibus comigo. Eu estava um pouco bêbado antes de ir. Ficamos conversando muito tempo no bar até ficar tarde. Queria ficar mais um pouco, mas ele disse que iríamos embora e meio que não me deu opção. Ele pagou a conta e me levou para o ponto, depois disse que ao chegar em casa era para avisar ele. Ele salvou o nome dele no meu celular e deu um toque para gravar o dele.
Isso mesmo. Sem beijo, sem mamada, sem sexo, sem nem mesmo uma pegada. Ele disse que não traia e que eu estava certo. Eu não acreditei nesse papo furado. E não me entendam mal, não sou puritano, já fiz tanto sexo nessa vida que poderia passar horas aqui escrevendo sobre. Mas confesso que não gosto de ficar com gente que namora, ainda mais um que eu gostei. Trabalho de mais, dor de cabeça de mais, energia de mais para uma foda. Mesmo que uma foda com ele.
Esperei ele mandar mensagem nos dias seguintes e nada. Eu também não mandei. A ansiedade me consumiu e eu pegava o celular o tempo todo. Dormia pensando no sexo com ele, acordava de madrugada e batia uma. Tava doido para ver ele de novo.
Entendam o seguinte: quem curte ser dominado e encontra um dominador como ele perde o rumo. É como se você encontrasse aquilo que sempre quis. Aquele cara que sempre idealizou. E por incrível que parece o Renan demonstrava que estava muito afim de mim também. Desde que o encontrei pela primeira vez conheci somente dois dominadores, um mais estranho que o outro. Um surtado que queria vir morar comigo depois do primeiro encontro (sexo maravilhoso, diga-se de passagem, gozei várias vezes na noite com ele, rolou muitos fetiches). O outro era porra louca, bebia todo dia e parecia não ter objetivo na vida (para o sexo tudo bem, mas para um relacionamento isso pesava muito e acabei pulando fora quando o vi num bar bêbado em plena segunda feira). Então nesses, eu acho, uns quatro anos, não encontrei ninguém que fizesse eu ter esperança novamente.
Minha mente pensou de mais enquanto esperava ele responder e foi somente na sexta feira que ele mandou mensagem, alguns dias depois do nosso encontro.
- Posso te ver Estressadinho?”
Pensei e fiz uma de difícil, respondi com dez segundos.
“Podemos”.
“Eu e o João não estamos mais juntos. Se tem uma coisa que você disse era que de fato não era eu mesmo quando estava com ele. Sei que não me perguntou sobre e não se sinta na obrigação de nada”.
Meu coração deu um salto no peito. Então ele havia mesmo terminado. Meu Deus…
[…]
Ele me encontrou perto de onde eu trabalhava. Hoje ele estava vestido uma camisa de botão de manga curta preta com bolso, havia uns três botões abertos. Os peitos musculosos e peludos a mostra e as mangas da camisa justas por causa dos braços fortes. Estava de calça jeans e sapato social. Parecia voltar de algum lugar. Quando me viu se impôs sobre mim com os olhos penetrantes de sempre. Fiquei meio sem jeito e desviei o olhar. Pude ver um sorriso bem discreto no canto da boca dele.
- Como está Estressadinho? - perguntou ele.
- Estou bem e você?
- Um pouco cansado, acabei resolvendo muita coisa hoje – disse ele olhando para frente.
Ficamos um tempo em silêncio.
- Pensei que te veria de farda – disse para ele.
- Eu não saiu do quartel de farda – disse ele.
- Entendo.
- Queria te ver hoje, passar um tempo com você – disse ele sem olhar para mim. - Quero muito dar uns beijos nessa sua boca.
Aquilo foi direto.
- Quero muito também.
- Podemos ir num motel não muito longe daqui.
- No centro?
- Sim – disse ele.
- Pensei que teria vergonha ou algo do tipo.
- Eu? Se me der vontade até entro de mãos dadas com você – disse ele. - Mas não quero te passar a ideia errada. Não quero ficar de casalzinho com você. Quero te tratar como você merece, seja na cama ou fora dela.
- Na cama e fora dela, um conceito interessante e difícil de colocar em prática – disse para ele.
- A gente arruma um jeito, agora aperta o passo – disse ele.
Fomos para um motel não muito longe dali, no centro mesmo. O motel era surpreendentemente bom inclusive. O quarto era grande, com um espelho grande na cabeceira e outro na frente da cama e um no teto. Estava tudo muito limpo e o quarto estava frio.
Fiquei um pouco sem jeito, ele desabotoou a camisa mas não a tirou, o peitoral musculoso e peludo dele se revelou, agora com um abdômen definido. Pude ver a rola marcada na calça jeans enquanto ele puxava o cinto e dobrava. Mas ele não me bateu, somente puxou as pontas fazendo um sonoro “platf” e jogou o cinto na cama. No mesmo instante ele me pegou pelo braço e me puxou em um beijo.
O beijo dele me envolveu por completo. A língua dele forçou minha boca no momento que a mão dele desceu para a minha bunda, dando uma pegada forte. A outra mão me segurou pelas costas como se me segurasse para não fugir, mantendo nossos corpos colados um no outro. O beijo salgado tirou meu fôlego. Passei as mãos naquele abdômen definido sentindo os gomos duros do abdômen e sentindo o cheiro do suor dele subir. Minha mão subiu e passou pelo peitos musculosos e cravei os dedos nos pelos. A outra mão desceu direto para a calça dele, passando por dentro da cueca e fechando no pau grosso e grande dele. Aquela rola grossa pulsou na minha mão e eu imaginei ela entrando no meu rabo.
Ele abriu minha camisa arrancando alguns botoes dela, chupou meu peito deixando um chupão nele e me jogou de bruços na cama. Logo ele arrancou minha calça social, colocou o pau na entrada do meu cu. Olhando por cima do ombro vi aquele pau imenso com a virilha pentelhuda, com aquela cabeça grande para fora pronto para invadir meu cu. Vi ele cuspindo na direção da minha bunda e senti o cuspe caindo na entrada do meu cu. Sem demora ele iniciou a penetração. A rola não entrou de uma vez, mas entrou com ele penetrando de vagar sem parar. Senti dor na hora, meu cu ardeu por conta da pouca lubrificação, mas ele me prensou na cama e não parou.
- Aguenta, calado! - disse autoritário, aos pés do meu ouvido. - Quero frescura não.
Fiquei calado até ele terminar a enfiar a rola, logo ele iniciou com estocadas fortes. Era aquilo que ele gostava, sexo forçado, sem dó. Não tinha carinho, iria doer. Era assim que as coisas eram. Em cima de mim ele começou a meter cada vez mais rápido, me segurando na cama e não deixando eu sair, o peito peludo dele se espremendo contra as minhas costas, a boca dele na minha orelha, a rola entrando com força.
Me segurando pela cintura ele me fez ficar de quatro na cama e me puxou pelos cabelos com um das mãos enquanto metia com forca, cada vez mais fundo. Com as mãos livres deu uns tapas na minha bunda.
- Vai aguentar assim a partir de agora! - disse ele metendo. - Sem direito de reclamar – disse enquanto puxava o cabelo estocava mais forte.
De quatro, o corpo envergado na direção que ele puxava o cabelo enquanto socava no meu rabo. Bruto, doía pra caralho, mas meu pau estava duro e babando entre as pernas. Fiz menção em pegar no meu pau ele um tapa no meu braço.
- De quatro, as duas mão na cama – disse puxando o cabelo mais forte. - Pode esquecer de gozar hoje.
Ele meteu com estocadas fortes comigo de quatro, me fazendo levantar a bunda quando saia da posição. Depois me puxou por completo, me levou até a parede de modo que meu peito e barriga ficaram prensadas na parede fria. Ele voltou a meter com força, de pé, enquanto mordia e chupava minhas costas, meu pescoço. Estava totalmente ao dispor dele, qualquer menção de tentar sair da rola dele era falha. Ele me pegava com força e voltava a estocar, ainda mais forte por ter tentado sair.
Ele era bruto e comandava o sexo, eu apenas levava rola calado, sentindo aquele pau grosso e grande entrar cada vez mais. A parede fria na minha frente estava molhada de suor enquanto o corpo dele quente atrás me segurava com força, a rola entrando e saindo do meu cu ardendo. Meu pau querendo gozar, estava todo babado.
Ele me jogou na cama, depois me virou e meteu de frango. Vi aquele homem maravilhoso em cima de mim. Ele era todo definido, desde o abdômen que contraia enquanto ele metia quanto o peito musculoso peludo dele, os músculos do trapézio, as mãos fortes e calejadas me segurando com força e os bíceps enormes em evidência. Agora podia ver aquele pau maravilhoso entrando e saindo. Meu pau duro no meio das pernas pedia uma punheta a cada estocada dele.
Agora, metendo mais fundo gemi mais alto, o gemido saiu no ponto que a rola dele entrou mais fundo. Na mesma hora o tapão veio.
- Calado! - disse parando de meter. Ele me olhou sério, o semblante fechado e deu outro tapão sonoro na minha cara. - Não quero parar de novo. Sem um pio. Você vai dar calado, tá difícil de entender?
Logo ele socou fundo mais uma vez, segurei o gemido.
- Isso ai – disse dando outra estocada forte. - Calado, sem um pio. Me olhando nos olhos.
Ele deu mais uma estocada, ainda me olhando os olhos. Aqueles olhos azuis penetrantes e aquele semblante rígido, autoritário. Ele era lindo. Enquanto olhava para ele a rola estava latejando dentro de mim.
- E essa rola babada aqui? – perguntou ele metendo mais uma vez fundo, olhos no meu pau duro entre as pernas. - Eu te pego forte desse jeito, te arregaço todo e essa rolinha tá dura? Nasceu pra ser puta mesmo – ele meteu mais uma vez fundo.
Tava um tesão aquilo, estava quase levando a mão no pau pra poder bater uma. Ele me puxou pelas coxas ficando em pé e me deixando na ponta da cama. Ele cuspiu no pau novamente e começou a meter forte e rápido. Segurei com força no lençol da cama enquanto a rola ia cada vez mais fundo, meu cu ardendo. Os gemidos másculos dele aumentaram e ele soltou um ultimo gemido na hora que o gozo veio. Com força ele apertou minhas coxas e deu um urro forçando as golfadas de porra para dentro de mim.
Ambos respirávamos fundo, o suor escorria. O gozo dele veio farto e grosso dentro de mim. Ele tirou o pau ainda duro e olhou no espelho, tinha um pouco de sangue nele. Pude ver os olhos dele me encontrando pelo espelho.
- É o que queria não é? Pois agora tem.
E ele estava certo, era exatamente o que queria.
Ele sentou na cama e olhou por cima do ombro.
- Pode esquecer a punheta hoje – disse ele. Meu pau ainda estava duro. Se batesse uma vez gozava - Vou confiar que não vai bater um quando estiver sozinho, mas logo vai estar com o pau trancado, ai não vai bater mesmo.
Pensei naquilo ainda ofegante.
- Não disse que aceitaria usar – disse para ele, todo suado.
- Ainda acha que não vai fazer o que eu mando? – perguntou ele. - Em dois tempos você tá quieto, vestindo o que eu mando e usando o que eu mando sem dar um pio.
Não respondi.
Ele deitou do meu lado, todo suado, estava com o cheiro de suor bem forte. Ele esticou o braço e eu deitei por cima.
- Sente ai meu cheiro, cheiro do seu homem – disse ele. - Esse cheiro vai ser um perfume para você. Meu cecê vai ser tão presente em você que vai sentir até falta.
O cheiro estava gostoso, cheiro de macho. Não estava com um de suor ardido, estava bem leve. Estava um cheiro de suor gostoso pós sexo. E também tinha ali um cheiro só dele. Um cheiro forte.
- Pegou forte hoje – disse para ele.
- Sempre vai ser assim com você – disse ele.
Eu olhei no nosso reflexo pelo espelho do teto. Percebi que ele me olhava também. Era nítida a diferença dos nossos corpos. O dele era todo definido, enquanto eu estava acima do peso, com uma ligeira barriguinha. Ali com ele fiquei um pouco inseguro. Não costumava ficar, mas ele acabava tendo esse efeito. Era bonito de mais.
- Você é lindo – disse ele me olhando, como se lesse minha mente e tivesse visto a minha insegurança. - Muito gostoso, vou usar e abusar muito desse corpo.
- Você também é gostoso – disse para ele.
- Eu sei que sou – disse ele. Apesar de parecer, não saiu com um tom de alguém convencido, saiu mais com certo amargor.
Ficamos um tempo curtindo o silêncio. Estava com tesão mas aos poucos meu pau foi abaixando. Com certeza em casa ia bater uma. Sei que ele tinha dito que não, mas, com certeza, iria.
- E como vai ser? - perguntei para ele.
- Por mim você já era meu – disse ele. - Sempre quis um submisso como você. Tinha receios de que não aguentaria o tranco, mas vou com calma.
- E que tipo de submisso você quer?
- Um que aguente tudo. Na relação eu mando, eu faço, eu decido – disse ele me olhando pelo espelho do teto, logo se virou, apoiando no antebraço, os olhos dele fixos no meu. - Quero um submisso pra vida. A ideia final é um escravo 24/7.
Fiquei calado por um tempo. Não disse nada e o silêncio foi prontamente respeitado por ele.
- E como vai ser isso? - perguntei. - Eu devo ficar somente com você, devo obedecer? Só sair de deixar?
- Claro, tá louco? – perguntou ele. - Vai ficar só comigo. E vai fazer o que eu mando. Sair só se eu deixar, me respeitar – continuou ele. - Vou te foder quando eu quiser, só te virar e socar rola. Tem essa de que não quer não, é quando eu quero e se quiser vou meter sem nem te perguntar. Vou castigar, bater, humilhar. Vai tomar meu mijão, seja em casa ou na rua. Cuspe na cara. Perto dos outros vou te tratar na rédea curta e se for necessário vou te corrigir, constranger, chamar atenção. E vai se vestir como eu quero também, tava zoando a minha sandália, se prepara porque vai ter uma. Não quero te ver usando camisa de super heróis, bandas ou esse estilo que é incompatível para alguém da sua idade. E vai me chamar de senhor em qualquer lugar que tivermos, em casa ou fora dela, salvo perto sua família ou amigos próximos. Essa vai ser sua vida comigo.
- Isso é muito intenso… - disse para ele respirando fundo. - Não sei se aguento. É bizarro, é estranho aos olhos dos outros. Não consigo achar que é certa uma relação assim. O que as pessoas diriam?
- E o que os outros sabem? - perguntou ele me olhando com intensidade. - Na hora que as coisas ficam difíceis para o nosso lado ninguém estende a mão. A gente tem que se virar sozinho o tempo todo. Não importa a noite terrível que tivemos, seis da manhã estamos de pé indo trabalhar carregando todos os problemas. Aí você acha que vou me importar com o que os outros pensam? Eu quero mais que fodam. Quero viver a minha vida do meu jeito.
As palavras dele retumbaram na minha mente. Era verdade. No final das contas a gente engole seco e segue a vida. Eu mesmo passava a noite em claro e sem sono por conta da ansiedade e da depressão. No dia seguinte o que eu fazia? Levantava cedo, tomava uma xícara de café bem forte, depois um banho e ia trabalhar. Sorria para todo mundo e tocava a vida como se nada tivesse acontecido. Assim era a vida. Das minhas dores só eu sei. A grande verdade é essa, as pessoas estão cagando para você enquanto você sofre pelo que você acha que elas pensam.
- E você acha que eu aguento? - questionei.
- Sim – disse ele. - Eu acho que aguenta sim. No fundo é o que você sempre quis, sabe disso. Conversamos muito quando nos conhecemos e havia me dito que sempre quis isso. Eu vou cuidar de você. Aos olhos de todos, estaremos juntos como um casal. Vou resolver tudo que precisar que resolva, estarei junto com você para o que der e vier, mas nessas condições que coloquei.
- Isso não é a definição de um namoro? - perguntei para ele.
- Se for não posso fazer nada – disse ele os ombros. - É o que eu quero. E se achar ruim ainda coloco uma aliança no seu dedo – disse cheio de si. - Mas entre a gente vai ser bem distinto o papel de cada um.
Não sei por qual motivo mas eu sorri. Um sorriso involuntário.
- Quantas pessoas vivem uma relação assim? Conhece alguma? - perguntei ele.
- Um casal somente – disse ele pensativo. - Depois de uns quinze anos juntos o fetiche foi sendo diluindo e eles passam muitos períodos sem fazer nada. São bem felizes juntos.
- E era tão intenso quanto você está propondo? - perguntei.
- Um pouco mais – disse ele. - Eles viveram intensamente.
- Depois quero mais detalhes – disse curioso. Conhecia um casal que vivia uma relação BDSM, mas eram héteros e depois de anos juntos o BDSM sumiu da equação, ficando somente na lembrança. Se ficássemos juntos seria assim também? Só o tempo poderia dizer.
Ele suspirou e me olhou, os olhos azuis dele ansiavam por uma resposta.
- Acho que eu estou disposto a tentar – disse para ele.
Ele me deu um sorriso raro em resposta. Meu coração palpitou e borboletas bateram asas no meu estomago. O que sei é que esse dia ficaria gravado para sempre na minha vida.