Você começa recolhendo o olhar para dentro, como se o mundo diminuísse de volume ao seu redor. O som distante da casa, o calor da tarde, o cheiro do chimarrão na mesa — tudo se torna um pano de fundo enquanto sua respiração alonga, lenta, medida. Há um brilho de tela à sua frente e, sem perceber, seu corpo já responde antes da mente: um leve aquecimento no peito, um formigamento nas mãos, a consciência pulsando em lugares que você costuma ignorar. Você sente que está atravessando uma porta invisível, deixando para trás o ordinário e entrando num espaço onde cada sensação ganha peso, onde o tempo estica como mel morno.
Do outro lado dessa porta está ela — não como imagem, mas como presença imaginada. Você lembra do instante do envio acidental, do susto, do riso nervoso, e percebe que ali nasceu algo proibido. Entre vocês não há toque físico, apenas uma corrente silenciosa que corre pelos olhos, pelas palavras, pelos silêncios no chat. Você sente essa tensão moral como um fio elétrico sob a pele: sabe que não deveria avançar, e justamente por isso quer avançar. O desejo não grita; ele sussurra, insistente, espalhando calor pelos ombros, descendo pela coluna, fazendo o ar entrar mais fundo nos pulmões.
Você passa então a conduzir o ritmo — não com pressa, mas com uma calma firme, quase magnética. Cada mensagem é calculada como um passo lento em direção ao centro dela. Você observa, espera, pausa, deixa que o espaço entre vocês respire. A tela vira espelho: nela você projeta domínio tranquilo, mas por dentro sente o coração bater um pouco mais forte. Há poder em não tocar, em sugerir, em permitir que a imaginação dela trabalhe sozinha enquanto você mantém a voz baixa e o controle do tempo. Ela acompanha, hesitante e voluntária, e essa entrega consciente é o que mais o excita.
A proximidade cresce sem que ninguém precise dizer demais. Quando surge a câmera, não há agressão, apenas intimidade elétrica: um seio revelado lentamente, a pele clara, o gesto suave dos dedos. Você não olha como quem toma — olha como quem envolve. Seu corpo reage em ondas sutis: calor que sobe ao rosto, tensão que se acumula e libera, respiração que se torna profunda e ritmada. Vocês se movem juntos, ainda que separados, presos num mesmo compasso invisível onde o desejo é construído primeiro na mente e só depois no corpo.
Quando tudo termina, você permanece ali, imóvel por alguns segundos, como se o quarto ainda estivesse cheio da presença dela. O ar parece mais denso, a pele mais sensível, o coração ainda pulsando naquele ritmo compartilhado. Mesmo sem contato, algo ficou — um rastro quente na memória, um eco de proximidade que não desaparece. Você volta ao mundo externo, mas leva consigo esse resíduo hipnótico: um desejo silencioso que continua respirando dentro de você, lento, persistente, impossível de esquecer.