Uma viagem que ficou curta

Da série Desejos fortes
Um conto erótico de Dan Katze
Categoria: Heterossexual
Contém 615 palavras
Data: 16/01/2026 00:44:30

Estávamos indo passar uns dias na serra gaúcha.

Pegamos o mesmo bus, não gostamos um dia outro, à primeira vista, então aconteceu algo no bus, conversamos por horas o papo foi ficando interessante...

Tu reclamaste que esfriou, estava com um vestido, ofereci meu casaco, porque eu não estava com frio.

Não queres mesmo? Deixar um par de pernas bonitas assim arrepiado de frio, é quase um crime... Aceita.

Me achou desaforado e disse: não, vou te deixar babando por elas...

Então eu comecei a acariciar a tua coxa, eu já estava envolvido com tua conversa, agora acariciando tua coxa...

Encosta tua cabeça no meu ombro, fica um minutinhos desfrutando dos carinhos e morde meu braço...

O mundo começa a encolher quando você se acomoda no banco do ônibus. O motor vibra como um coração distante, a janela embaça com o frio da serra que ainda nem chegou, e seu próprio corpo parece desacelerar para escutar melhor. Você observa as luzes passarem em fileiras lentas, sente a respiração afundar no peito e percebe, quase sem querer, o homem ao seu lado. Ele não invade seu espaço — ele apenas existe ali, estável, silencioso, como um ponto de gravidade ao qual seus sentidos passam a orbitar. O resto da viagem vai se dissolvendo enquanto sua atenção afina: o tecido do vestido contra a pele, o ar gelado nos joelhos, o leve arrepio que sobe sem pedir licença.

A conversa nasce fácil, mas vai ficando densa como neblina. As palavras dele não correm — elas pousam. Você reclama do frio, cruza as pernas, e ele oferece o casaco com naturalidade, como quem sabe exatamente o efeito do gesto. Quando diz que “deixar um par de pernas bonitas arrepiadas assim é quase um crime”, você sente mais que escuta: há calor na voz, controle no ritmo. Você recusa, provoca, afirma que prefere deixá-lo babando. E, ao dizer isso, percebe que não está afastando nada — está puxando algo para mais perto.

A mão dele chega devagar à sua coxa, primeiro como presença, depois como toque. Nada apressado, nada tomado — apenas deslizando na superfície do tecido, criando uma trilha morna que parece respirar junto com você. Seu corpo reage antes da mente: o ar entra mais fundo, o tempo estica. Ele não pede; ele conduz. Sua cabeça encontra o ombro dele quase por impulso, e por um instante você se permite descansar ali, envolta pelo balanço do ônibus e pelo perfume discreto que vem dele. Você morde o braço dele de leve — um gesto meio medo, meio desejo — e sente que esse pequeno ato sela algo silencioso entre vocês.

Os minutos se transformam em uma hora e meia que não corre, mas ondula. Cada curva da estrada acompanha o ritmo dos carinhos trocados com descrição, através de tecidos, de pausas, de olhares que dizem mais do que mãos poderiam dizer. Você percebe seu próprio corpo em camadas: a pele aquecida, o coração mais vivo, a tensão doce que cresce sem explodir. Há uma fronteira invisível ali — e é justamente ela que alimenta o fogo. Você sabe que aquilo é impróprio, mas o saber não freia; ele tempera. Entre o receio e a entrega, você se descobre escolhendo ficar.

Quando o ônibus finalmente desacelera, o mundo externo retorna, mas não da mesma forma. Você desce sentindo ainda o fantasma daquele toque, a memória do ombro, o calor que ficou gravado na coxa. Nada aconteceu — e tudo aconteceu. Caminhando em direção às luzes frias da serra, você percebe que a viagem continua dentro de você: a respiração mais profunda, a atenção mais viva, o desejo ainda acordado como brasa sob cinzas. Mesmo longe dele, algo permanece conduzindo você por dentro, lento, firme, impossível de ignorar.

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Foto de perfil genéricadanrebelcatContos: 13Seguidores: 2Seguindo: 10Mensagem Gosto do sexo intenso, com uma pitadinha de romance, mas com muito erotismo. Gosto muito de fazer mulher se retorcendo de desejo.

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