Dois desejos, uma escolha. CAP 5

Um conto erótico de Vênus de Marte
Categoria: Homossexual
Contém 4798 palavras
Data: 15/01/2026 18:11:41
Última revisão: 15/01/2026 18:49:30

Cap 5 prontinho ;)

Ponto de vista Luan

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Depois que eu beijei o Rafa naquele fim de tarde, tudo mudou.

O sol estava descendo devagar, deixando o céu laranja demais para ser ignorado, e o beijo aconteceu sem pressa — simples, encaixado, como se tivesse sido ensaiado por dias. Não foi exagerado...Mas eu queria mais.

Depois disso, eu não consegui mais olhar para ninguém do mesmo jeito.

Durante a semana, amigos tentaram, claro. Sempre tentam.

— Cara, você precisa conhecer a Júlia — o Pedro insistiu, rindo. — Ela é linda, inteligente, faz seu tipo.

— Faz mesmo — completou a Marina. — Para de se fechar.

Eu sorria, desconversava, mudava de assunto. Não era má vontade. Era falta de interesse mesmo. Não havia espaço. Minha cabeça já estava ocupada demais por um nome só.

Rafael.

Eu pensava nele à noite, no jeito contido, na boca que parecia sempre medir o próximo movimento. E o corpo reagia antes de qualquer decisão racional. Houve noites naquela semana que me masturbei pensando nele, pode parecer nojento para alguns, eu sei mas foi sem culpa, sem pressa — só deixando a vontade seguir o caminho natural.

Não era só sexo.

Mas o desejo estava ali, claro e vivo.

Ainda assim, eu queria que, entre nós, acontecesse do jeito certo, queria ele só para mim, meu namorado. Que fosse natural. Que o beijo levasse ao toque, e o toque decidisse o resto. Eu não queria atravessar o tempo dele. Queria caminhar junto.

Se fosse para transar, que fosse porque o momento pediu.

Não porque eu empurrei.

Eu queria o Rafa inteiro.

E isso incluía saber esperar.

Pode parecer entranho, eu sei, gostar tanto de alguém assim em poucos dias, e realmente eu estou tentando compreender isso, mas eu gosto dele, eu gosto!

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Ponto de vista Diego

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Eu já pensei em cada detalhe da noite.

O horário em que o vinho vai ser servido. O tipo certo — nada forte demais de início, nada leve a ponto de não fazer efeito. A música baixa, suficiente para preencher os silêncios. A iluminação que deixa tudo mais confortável, menos real.

Rafa vai chegar atento. Eu sei disso. Ele sempre chega assim. Observando, medindo, tentando entender onde está pisando. Não é medo — é controle.

E controle cansa.

Minha mãe vai gostar dele. Não tenho dúvida. Rafa tem esse jeito cuidadoso que agrada, que passa confiança. Eu quero que ela veja isso. Quero que ele se sinta aceito, incluído. Pessoas relaxam quando se sentem escolhidas.

Clara não vai desconfiar. Ela nunca desconfia. Confiança é confortável demais para questionar. Se o Rafa disser que está cansado, ela vai entender. Se eu sugerir que Rafa já bebeu um pouco demais, ela vai concordar.

Tudo vai parecer lógico.

Eu não penso nisso como um plano ruim. Penso como um empurrão. Rafa sente — eu vejo no jeito como o corpo dele reage antes da cabeça permitir. No silêncio que vem depois de certas conversas. Na dificuldade que ele tem de dizer não quando é tratado com cuidado.

Álcool ajuda a calar a parte que resiste.

Ajuda a confundir desejo com permissão.

Levá-lo para casa não vai parecer errado. Vai parecer necessário. Um gesto de responsabilidade. Um favor.

E se algo acontecer… bem, não vai ser porque eu forcei. Vai ser porque ele quis — ou porque acreditou que quis.

Eu sei esperar. Sei conduzir. Sei fazer tudo parecer escolha.

Algumas pessoas precisam de tempo para baixar a guarda.

Outras, só de um pouco menos de lucidez.

E o sábado está chegando.

E não vou mentir, cada vez que eu o observava, estudando seu jeito e ia me surgindo um desejo, aquela bunda!

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Ponto de Vista Rafael

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A sexta-feira demorou como se soubesse que eu estava esperando por ela.

Cada hora no relógio parecia andar em círculos. Eu cumpria tarefas no automático, respondia perguntas, sorria quando precisava, mas a cabeça estava em outro lugar. No fim do dia. No depois. No convite que ainda ecoava em mim desde o começo da semana.

Desde o pôr do sol, algo tinha se ajustado dentro de mim. As conversas continuaram, mais frequentes, mais próximas. Não havia pressa, mas havia intenção. E isso, de algum jeito, me deixava mais nervoso do que qualquer urgência explícita.

Senti o celular vibrar, soube que era ele antes mesmo de olhar.

Luan:

Sobreviveu à semana?

Sorri sozinho.

Rafa:

Por pouco. Sexta chegou com má vontade.

Luan:

Acho justo compensar então hahaha.

Pensei numa coisa tranquila. Nada de bar cheio.

Meu coração acelerou num ritmo contido, quase discreto.

Rafa:

O que você tá pensando?

Demorou alguns segundos até a resposta aparecer. Tempo suficiente para eu imaginar possibilidades demais.

Luan:

“Eu pensei em algo tranquilo. Uns petiscos, umas bebidas leves lá em casa. Prometo não te embebedar ”

Sorri sozinho ao ler.

Bebidas leves. Ele tinha lembrado pois eu realmente era fraco para bebida, tinha dito isso a ele. Isso já dizia muito.

Mas foi o “lá em casa” que ficou ecoando.

Fiquei alguns segundos encarando a tela, sentindo aquele aperto conhecido no peito. O convite não era para um lugar neutro, onde eu pudesse me diluir entre estranhos. Era o apartamento dele. O espaço dele. Íntimo demais para alguém que ainda media os próprios passos, me lembrou um pouco o ocorrido com Diego, ai....

Ele não era assumido.

Aceitar ir ao apartamento de um homem sempre carregava um peso silencioso — não exatamente medo, mas consciência. Do que aquilo significava. Do quanto eu estava disposto a permitir que fosse real, mesmo que só entre quatro paredes.

Ainda assim, não senti vontade de recuar.

Talvez porque, com Luan, nada parecia um empurrão.

Talvez porque, pela primeira vez, a ideia de estar escondido não viesse acompanhada de culpa — só de cuidado.

Respirei fundo antes de responder.

Rafa:

“Petiscos e bebidas leves parecem perfeitos. E pode ficar tranquilo… eu realmente sou fraco pra bebida.”

Luan:

“Então vou cuidar de você haha.

Li a mensagem duas vezes.

E vou deixar acontecer devagar, do jeito que prometia ser.

Luan:

“Então fechamos assim. A noite, petiscos e bebidas leves ;)”

Encostei a cabeça no sofá e, em vez de responder com palavras, mandei apenas uma figurinha boba, dessas que dizem “ok” sem dizer nada demais.

Ele respondeu quase em seguida.

Luan:

“Vou passar o dia visitando uma fazenda por causa do trabalho, então devo ficar meio sumido. Mas à noite a gente se vê e se quiser que eu te busco, só me avisar que eu vou.”

Aquilo me deixou estranhamente calmo.

Saber onde ele estaria, saber que existia um plano simples para mais tarde, ajudava a conter a ansiedade que sempre me acompanhava quando algo bom se aproximava demais.

Guardei o celular.

A sexta seguia, lenta, como se soubesse que eu estava contando os minutos.

Beatriz chegaria em Uberlândia naquela mesma sexta, mas eu só conseguiria vê-la no sábado.

Mesmo assim, só de saber que ela estaria na cidade, algo dentro de mim se acomodou.

Bea — era assim que eu chamava Beatriz desde sempre.

Ela era evangélica, mas não do tipo que falava baixo e apontava o dedo. Era daquelas que riam alto, faziam piada com o próprio pecado imaginário e não engoliam discurso pronto só porque vinha do púlpito.

Nunca concordou com tudo que os pastores diziam. Questionava. Retrucava. Pensava.

E, talvez por isso mesmo, foi a pessoa que mais soube acolher quando eu precisei.

Na adolescência, enquanto eu tentava entender quem eu era, foi Bea quem me ensinou que fé não precisava vir acompanhada de culpa. Que Deus não se ofendia com perguntas honestas. Que amor — qualquer amor — não podia nascer do medo.

Ela falava de Deus com humor, com humanidade, com uma ironia carinhosa que desmontava qualquer rigidez. E, nos momentos em que eu achava que me assumir significaria perder tudo, foi ela quem ficou.

Não tentou me “consertar”.

Não tentou me mudar.

Só me lembrou que eu já era suficiente.

Por isso Bea não era só uma amiga.

Era quase irmã. Daquelas que a gente escolhe na vida.

Ela chegaria naquela sexta, mas eu só a veria no sábado. Ainda assim, saber que ela estava por perto me dava chão. Porque, quando eu finalmente contasse tudo — Luan, Diego, meus medos e vontades — eu sabia que ouviria a verdade. Com amor, mas sem passar pano.

E, naquele momento, era exatamente disso que eu precisava.

Eu passei o dia com aquela sensação de espera no corpo, como se cada hora se arrastasse só para me testar. Quando finalmente me dei conta, já estava escolhendo roupa mais do que o necessário, andando pelo apartamento sem saber exatamente o que fazia.

O celular vibrou.

Luan:

“Posso passar aí pra te buscar?”

Sorri ao ler.

A ideia era tentadora, mas algo em mim ainda precisava desse pequeno controle.

Rafa:

“ Não precisa lindo,vou de Uber.”

“Você me passa o endereço?”

A resposta veio rápida.

Luan:

“Claro. Mas já aviso que vou ficar com ciúmes do motorista.”

Ri baixo, imaginando a cena.

Rafa:

“Ciúmes de um desconhecido que só vai me levar até aí?”

Luan:

“Sim. Vai que ele conversa demais.”

Balancei a cabeça, sorrindo sozinho.

Rafa:

“Prometo não me apaixonar no trajeto.”

Luan:

“Menos mal. Te espero.”

Enviei a última mensagem sentindo o coração acelerar.

Mudei o contato, e fui ligar para minha mãe para conversar um pouco, sendo sincero eu estava sentindo um pouco de medo.

Por volta das 20:00 respirei fundo e chamei o Uber. Enquanto esperava, tive aquela certeza silenciosa de que a noite que começava ali não seria só mais uma.

O Uber parou em frente ao prédio pouco depois das oito.

Paguei a corrida, desci e fiquei alguns segundos parado na calçada, respirando fundo.

O prédio era bem iluminado, com aquele ar de lugar vivido, não exibido. Subi os poucos degraus da entrada sentindo o coração bater um pouco mais rápido do que deveria.

Usei o interfone.

— Oi… sou o Rafa. — Já tô descendo. — a voz do Luan veio baixa, sorrindo.

Enquanto esperava, ajeitei a camisa sem perceber. Era algo simples, uma regata clara, caindo bem no corpo. Shorts escuro, tênis vans limpo. Nada pensado demais — mas tudo escolhido com cuidado. Eu queria estar confortável. E estava. Por dentro… quase.

A porta do prédio se abriu.

Luan apareceu usando uma camiseta básica e shorts, cabelo levemente bagunçado, como se tivesse passado a mão por ele várias vezes enquanto esperava. Ele parou por um segundo ao me ver.

Não foi um olhar rápido.

Foi aquele tipo de pausa involuntária que entrega mais do que palavras.

— Oi. — ele disse, finalmente. — Oi. — respondi, sentindo o sorriso escapar.

Ele se aproximou e me deu um abraço, demorado o suficiente para que eu sentisse o cheiro leve do sabonete dele. Nada exagerado. Só íntimo

— Entra. — falou, abrindo espaço. — Fica à vontade.

Subimos pelo elevador em silêncio confortável. Eu percebia o reflexo da gente no espelho: ele relaxado, eu um pouco mais tenso — mas bonito. Eu sabia. Não por vaidade, mas porque o olhar dele insistia em voltar.

O apartamento era aconchegante. Luz quente, poucas coisas fora do lugar, uma playlist baixa tocando ao fundo. A sala tinha cara de casa, não de cenário. Havia petiscos organizados na mesa de centro, duas taças já separadas.

— Fica confortável — ele disse. — Quer beber alguma coisa? — O que você separou? — Coisas leves. — sorriu. — Promessa.

Tirei o tênis, sentei no sofá e soltei o ar dos pulmões, como se só ali tivesse permissão para relaxar de verdade.

Luan me observava com atenção silenciosa.

— Você tá… muito bonito. — ele disse, sem rodeios. Senti o rosto esquentar. — Exagero. — Não. — respondeu, simples. — É só verdade.

Sorri, desviando o olhar por um instante, mas sentindo aquele calor bom se espalhar pelo peito.

A noite estava só começando.

E eu já sabia: tinha feito bem em vir.

A conversa começou leve, quase distraída.

Falamos do dia, do trabalho, de coisas bobas que não exigiam atenção total.

Luan puxou a cadeira pra mim antes de se sentar, um gesto discreto, mas atento.

— Fica à vontade — disse. — Come o que quiser.

Sentamos à mesa pequena da sala, onde os petiscos já estavam organizados: uma tábua simples, coisas que davam pra beliscar sem pensar muito.

Peguei algo da tábua, mais para ocupar as mãos do que por fome. Ele fez o mesmo. Nossos joelhos ficaram próximos debaixo da mesa, quase se encostando.

Quase.

— Tá bom? — ele perguntou, apontando para a taça. — Tá. — sorri. — Bem leve. — Falei que ia cuidar de você.

A música seguia baixa, preenchendo os espaços entre uma frase e outra. Conversávamos sobre coisas simples, mas, aos poucos, as palavras começaram a perder importância.

As horas passaram sem que a gente percebesse.

A mesa já não estava tão organizada quanto no começo. Algumas taças vazias, petiscos espalhados, risadas que surgiam com mais facilidade. A conversa fluía solta, indo de assuntos bobos a confidências ditas num tom mais baixo, mais próximo.

A bebida fazia efeito de um jeito bom.

Nada de tontura, nada de excesso — só aquele calor leve no corpo, aquela sensação de estar mais à vontade dentro da própria pele.

Eu me recostei um pouco na cadeira, observando o jeito relaxado do Luan, o sorriso fácil, o olhar que demorava mais do que deveria em mim.

— Acho que passou do horário — comentei, olhando o relógio sem real intenção de ir embora. — Acho também — ele respondeu. — Mas não me incomoda.

Sorri.

Nossos joelhos agora se encostavam debaixo da mesa. Não foi acidente. Não dessa vez. O toque ficou ali, constante, confortável.

A música mudou para algo mais lento sem que nenhum dos dois comentasse. A conversa diminuiu o ritmo, não por falta de assunto, mas porque o silêncio começou a fazer sentido.

Luan se inclinou um pouco mais sobre a mesa.

— Você fica diferente assim — ele disse. — Assim como? — Mais solto. — sorriu. — Mais você.

Senti o rosto esquentar. A bebida ajudava, mas era o jeito dele que fazia o ar parecer mais denso.

Minha mão repousou na mesa, perto da dele. Não toquei ainda. Esperei.

Ele percebeu.

Aos poucos, os dedos dele se aproximaram, encostando de leve nos meus. Um contato simples, quase distraído, mas carregado de intenção. Ninguém puxou a mão.

A conversa virou sussurro.

— Tá tudo bem? — ele perguntou baixo. — Tá. — respondi. — Muito.

As cadeiras estavam próximas demais agora. O espaço entre nossos rostos diminuía a cada palavra não dita. Eu sentia a respiração dele, sentia o cheiro leve da pele, sentia meu próprio corpo reagindo sem pressa.

O clima tinha esquentado não por um gesto específico, mas pela soma de tudo: o tempo, a bebida, o riso fácil, o silêncio confortável.

A conversa morreu ali.

Não porque faltavam palavras — mas porque elas tinham perdido a prioridade.

Luan se levantou primeiro, puxando a própria cadeira para trás devagar. Ainda segurava minha mão.

— Vem cá — disse, sem pressão, como um convite que já tinha sido aceito.

Levantei junto. A proximidade ficou diferente em pé, mais intensa. Ele passou a mão de leve pela minha cintura ao caminhar, só o suficiente para me guiar. Só o suficiente para eu sentir.

O apartamento parecia mais silencioso agora. A música distante, abafada pelas paredes. Cada passo soava mais consciente.

No meio do caminho, ele parou.

— Se quiser parar… — começou. — Não quero. — respondi, antes mesmo que ele terminasse.

O sorriso que ele deu foi lento, bonito, cheio de intenção.

Ele se aproximou mais. Não me beijou ainda. Encostou a testa na minha por um segundo, respirando junto comigo, como se quisesse que aquele instante ficasse gravado.

— Eu gosto do seu jeito — murmurou. — De como você sente as coisas.

Minha mão subiu sozinha, tocando o braço dele, depois o ombro. O contato fez meu corpo inteiro responder, um arrepio lento, consciente.

Sem dizer mais nada, ele me conduziu pelo corredor.

O quarto estava com a luz baixa. Não era cenário — era continuação. A porta se fechou atrás de nós com um som suave, definitivo o suficiente para fazer meu coração acelerar.

Ali, de pé, frente a frente, eu soube:

o resto da noite não precisava ser descrito para ser entendido.

Havia desejo.

Havia cuidado.

Havia vontade de ficar.

E tudo o que vinha depois…

era nosso.

A porta se fechou atrás de nós com um som baixo, quase respeitoso, como se o próprio apartamento entendesse que aquele momento pedia cuidado.

O ar ali dentro parecia mais quente, mais próximo.

Luan não me puxou de imediato. Ficamos parados por um instante, frente a frente, como se ainda estivéssemos assimilando que tínhamos atravessado um limite importante.

Ele levou a mão até minha cintura, devagar. Não era urgência — era presença.

— Você tá tremendo — disse baixo, com um meio sorriso. — Um pouco. — admiti. — Mas não é medo

.

Ele se aproximou mais uma vez e me beijou de novo, diferente do primeiro. Mais profundo, mais certo. Um beijo que não perguntava mais se podia, só confirmava que queria continuar.

Minhas mãos subiram pelas costas dele, sentindo o corpo quente sob o tecido da camisa. O toque arrancou um suspiro contido dos dois lados. Tudo era novo, mas nada parecia estranho.

A cama estava logo atrás de mim quando senti minhas pernas encostarem nela. Luan percebeu e parou o beijo por um segundo, só para me olhar.

— Se quiser ir devagar… — começou. — Eu quero você. — interrompi, a voz mais baixa do que eu pretendia.

O jeito que ele me olhou depois disso ficou guardado em mim. Não era só desejo. Era cuidado misturado com vontade.

Ele me beijou outra vez, me guiando até sentarmos na beira da cama. O quarto parecia pequeno demais agora para conter tudo o que eu sentia. Cada toque era consciente, respeitoso, mas carregado de intenção.

Quando ele me puxou para deitar, não foi pressa. Foi escolha.

Ali, entre respirações descompassadas, risos baixos e silêncios cheios de significado, eu entendi que aquela noite não era só sobre corpos se encontrando.

Era sobre me permitir ficar.

Era sobre ser visto.

Era sobre sentir sem precisar fugir depois.

Estava me sentindo nas nuvens, completamente perdido naquele beijo. A boca dele era quente, macia, com um gosto leve de vinho que se misturava ao calor da nossa respiração. Ele passava as mãos pelo meu corpo devagar, sem pressa faminta, mas com um desejo tão palpável que cada toque parecia acender faíscas na minha pele — dedos deslizando pelas costelas, pela curva da cintura, como se estivesse memorizando cada centímetro meu.

Estávamos deitados de frente um para o outro, corpos colados, quando decidi ser mais ousado. Subi em cima dele, sentei bem no meio das suas coxas, e imediatamente senti o volume rígido do pau dele pressionando contra mim através do tecido fino do short. Continuamos nos beijando, agora mais fundo, línguas se entrelaçando num ritmo preguiçoso e delicioso. As mãos dele foram direto para minha bunda, apertando com firmeza, massageando as nádegas em círculos lentos que me faziam rebolar instintivamente. Eu sentia ele ficando cada vez mais louco de tesão — a respiração acelerada contra minha boca, o pau latejando contra mim —, e eu estava no mesmo estado, o corpo inteiro formigando de vontade.

Tirei minha regata num gesto rápido, depois ajudei a tirar a camisa dele. Quando vi aquele peitoral definido, com os pelos leves e a pele quente, fiquei ainda mais louco de desejo. Decidi descer. Ele não resistiu, só me deixou conduzir, olhos semicerrados me observando com um sorriso safado. Puxei o short e a cueca dele para baixo de uma vez, e o pau saltou livre, rígido, apontando para cima como se tivesse vida própria. “Nossa…”, escapou da minha boca. Era perfeito: uns 19 cm, grosso na medida exata, veias marcadas, a cabeça rosada e brilhante de pré-gozada. Eu não consegui esperar — mergulhei, comecei a chupar com vontade, como se aquilo fosse a coisa mais gostosa do mundo.

Envolvi a cabeça com os lábios, sentindo o calor pulsante, o gosto salgado e suave na língua. Fiz um vai e vem lento no começo, descendo até a base, engolindo o máximo que conseguia, depois subindo com sucção firme. Ele soltava gemidos baixos, roucos, o ar escapando entre os dentes. Em certo momento, ele segurou minha cabeça com as duas mãos e começou a socar na minha boca, com uma brutalidade controlada que me deixou ainda mais excitado. A cabeça bateu no fundo da garganta; eu engasguei por um segundo, lágrimas nos olhos, mas o tesão era maior que tudo. Ele parou imediatamente, preocupado: “Tá tudo bem? Quer parar um pouco?” Eu só o encarei, olhos marejados de desejo, e voltei a chupar com mais vontade ainda. Passei a língua na glande sensível, rodei em volta, desci para lamber as bolas pesadas, sugando uma de cada vez. Num impulso, desci mais e lambi devagar a região perianal; ele deu um pulinho surpreso, riu baixo e disse “aí não, safado”, mas o corpo dele tremeu de prazer.

De repente, ele me virou de costas com uma força gentil, tirou meus shorts e me deixou completamente nu. Ficou ali me admirando por segundos que pareceram eternos, os olhos percorrendo meu corpo inteiro. “Você é lindo demais com roupa… mas sem roupa, você é insuperável”, sussurrou, voz grave de tesão. Aproximou-se, passou a língua nos meus mamilos, chupando um de cada vez até ficarem duros e sensíveis, depois subiu para o pescoço, roçando a barba áspera na pele — aquilo me deixou todo arrepiado, o pau babando sem nem ser tocado.

Me puxou para a beirada da cama, abriu minhas pernas e me colocou de frango assado. Ajoelhou-se no chão e começou a devorar meu cuzinho com a língua. Meu Deus, como ele sabia fazer isso. A língua quente e úmida rodando em círculos, entrando devagar, lambendo de baixo para cima, chupando como se quisesse me sugar inteiro. Eu delirava, gemendo baixo, as mãos agarrando os lençóis. Ele dava mordidinhas leves nas nádegas, dentes marcando a carne com tesão, sem machucar, só para me fazer sentir ainda mais. Naquele momento, o mundo desapareceu — só existíamos nós dois, o som molhado da língua dele, meus gemidos ecoando no quarto.

Ele se levantou, veio me beijar com selinhos rápidos e perguntou, ofegante: “Tá preparado? Podemos continuar?” Eu assenti, sem palavras. Ele foi até a mesa de cabeceira, pegou uma camisinha e o lubrificante. Sorri safado e disse: “Quer ajuda pra colocar?” Ele riu: “Pode fazer as honras.” Enrolei o preservativo com calma, sentindo o pau latejar nas minhas mãos, espalhando um pouco de lubrificante na cabeça.

Me colocou de quatro, começou massageando meu cuzinho com os dedos, circulando, pressionando. Enfiou um dedo devagar, depois dois, abrindo com cuidado. Doía um pouco, eu gemi baixo, mas ele abaixou novamente e lambeu em volta dos dedos, aliviando tudo com aquela língua mágica. Logo em seguida, passou mais lubrificante em mim e no pau dele. A primeira tentativa foi lenta, a cabeça grossa abrindo caminho, me rasgando devagar. A dor inicial foi forte, instintivamente tentei ir para frente, mas ele segurou minha cintura com firmeza e carinho, sussurrando no meu ouvido: “Calma, não vou te machucar. Vou devagar.” Virei o rosto, expressão de dor, mas ele já estava todo dentro, preenchendo completamente. Beijou minhas costas, ombros, esperando eu me acostumar.

Segundos depois, a dor virou prazer puro. Ele começou um vai e vem lento, profundo, cada estocada roçando meu ponto certo. Aumentou o ritmo gradualmente, o som dos corpos se chocando enchendo o quarto, meus gemidos ficando mais altos. Ele veio para o meu pescoço, mordiscando, e eu virei o rosto; nos beijamos intensamente no meio das bombadas, línguas brigando enquanto ele me fodia com força controlada.

Parou só para me virar de novo, me colocando de frango assado. “Quero te comer olhando esse rostinho lindo”, disse, olhos brilhando de tesão. Antes de entrar, abaixou mais uma vez e lambeu meu cuzinho já sensível e aberto, me fazendo arquear as costas de prazer. Depois me penetrou fundo, segurando minhas pernas abertas, bombando com vontade, o rosto dele puro desejo — sobrancelhas franzidas, boca entreaberta, gemendo meu nome. Fizemos várias posições: eu de lado, ele me abraçando por trás; eu cavalgando devagar, sentindo cada centímetro; de novo de quatro, com ele batendo mais forte. O tempo sumiu; era só tesão, suor, cheiro de sexo no ar.

Por fim, me deitou de ladinho, colou o corpo no meu por trás e entrou novamente, abraçando forte. “Quero gozar te beijando”, sussurrou. O ritmo era perfeito, profundo, constante. Nos beijávamos sem parar, línguas se enroscando, enquanto eu sentia o pau dele deslizando dentro de mim. O prazer acumulou tanto que gozei sem tocar no meu pau — jatos quentes e fartos molhando a barriga e os lençóis. “Vou gozar!”, gemi alto. Ele acelerou, me beijou com ferocidade, e logo gritou: “Vou gozar, vou encher esse cuzinho de leite!” — acho que esqueceu completamente da camisinha na hora do tesão.

Gozamos juntos, ofegantes, corpos tremendo. Ele me puxou para o peito suado, envolveu os braços em volta de mim e começou a fazer cafuné nos meus cabelos. Eu fechei os olhos, coração disparado, e pensei que poderia ficar ali para sempre.

O silêncio que veio depois foi tranquilo, quase acolhedor. Eu ainda estava deitado em seu peito, sentindo o corpo pesado e relaxado, quando ouvi a voz de Luan, baixa, sem pressa.

— Ei… — ele chamou baixinho. — Você tá bem mesmo?

Sorri sem abrir os olhos.

— Tô. Muito.

Ele riu de leve, aquele riso quase tímido que eu já começava a reconhecer.

— Fico feliz. Eu tava com medo de ter ido rápido demais.

Virei o rosto pra ele.

— Não foi. Foi… do jeito certo.

Luan passou o polegar de leve pela minha mão, desenhando nada.

— Você tem ideia do quanto é gostoso te ver tranquilo assim?

— Não — respondi. — Mas tô gostando de ser.

Ele aproximou a testa da minha.

— Dorme aqui comigo?

A pergunta saiu baixa, cuidadosa.

— Eu quero — falei sem pensar. — Quero muito.

Luan sorriu, daquele jeito aberto que desmonta qualquer defesa.

— Então fica. Eu vou acordar bem melhor ao seu lado.

Apenas sorrir e fechei meus olhos.

O quarto escureceu de vez, tomámos um banho e o sono veio fácil. E mesmo quando a madrugada nos despertou outras vezes, não foi pra conversa — foi pra esse mesmo silêncio compartilhado, interrompido apenas pelo reencontro dos nossos corpos, transamos três vezes naquela madrugada.

Acordei com a claridade entrando pelas frestas da cortina e o silêncio do apartamento. Fiquei alguns segundos parado, sentindo o peso bom do corpo, até lembrar onde estava.

Quando virei o rosto, Luan ainda dormia ao meu lado, respiração calma, expressão tranquila demais pra quem tinha atravessado a noite acordando comigo.

Levantei devagar, vesti a regata jogada no chão e fui até a cozinha. Preparei um café em silêncio.

Quando voltei, Luan já estava acordado, sentado na cama, cabelo bagunçado, olhos ainda inchados de sono.

— Bom dia — disse, a voz rouca.

— Bom dia.

Sentamos à mesa da cozinha, só nós dois, xícaras simples, sem pressa. O apartamento parecia menor naquela hora, mais íntimo.

— E hoje? — ele perguntou, depois de um gole. — Seu sábado vai ser como, quer ficar aqui comigo?

Pensei um instante antes de responder.

— A Bea vai passar lá em casa à tarde. Faz tempo que a gente não se vê direito.

Luan assentiu, neutro.

— Amiga sua?

— É.

Dei outro gole no café antes de continuar.

— À noite eu tenho um jantar. Aniversário da mãe de um colega do hospital.

Ele levantou o olhar, interessado, mas contido.

— Colega?

— Sim. O nome dele é Diego.

O nome ficou no ar por um segundo a mais do que eu esperava. Luan mexeu a xícara devagar antes de responder.

— Entendi.

Nada na voz denunciava incômodo. Nenhuma pergunta atravessada. Mesmo assim, eu percebi. No cuidado excessivo em parecer tranquilo. No jeito de não perguntar mais.

— O presente já tá resolvido — acrescentei, sem saber exatamente por quê. — É só o jantar mesmo.

Luan sorriu de leve.

— Que bom.

Terminamos o café quase em silêncio, mas não era desconfortável.

Voltamos para quarto e nos deitamos mais um pouco, conversando sem assunto importante, rindo baixo, como se nenhum dos dois tivesse pressa de encarar o sábado.

O relógio marcou perto das nove quando, finalmente, levantamos de vez.

Luan me levou até em casa. O trajeto foi curto, silencioso, confortável. Não houve promessa, nem despedida dramática — só um beijo rápido antes de eu descer do carro, simples, mas cheio de coisa não dita.

— A gente se fala — ele disse.

— Se fala — respondi.

Ele esperou eu entrar antes de ir embora. Depois seguiu direto pra casa dos pais, como já tinha comentado durante o café.

Fiquei ali, parado por um instante, com a sensação estranha de que aquela noite não tinha terminado exatamente, tinha sido incrível.

Mas logo me vem a cabeça e ao mesmo tempo um arrepio, Diego.

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Pessoal mais um cap entregue, agradeço quem estiver acompanhando, até a próximo cap S2 S2

Pessoal, por algum erro do site, os espaços entre os diálogos estão ficando pequenos e até mesmo juntos, peço desculpas por isso, tentei editar mas não funcionou:(

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