Bom, essa aqui é basicamente uma versão mais detalhada do meu primeiro conto que realmente aconteceu só que com mais detalhes.
Certo dia eu e a minha mãe saímos num caminhão que já levava a gente a um tempo para buscar mercadorias, já que ela trabalhava com loja de roupas e eu a ajudava nisso, porém nesse dia chegando lá foi muito mais difícil, já que tinha muito mais mercadoria do que o esperado, o que era bom para os negócios mas difícil para carregar.
O dia estava quente. O galpão abafado. Eu já tinha subido e descido aquelas escadas um monte de vezes, carregando sacos pesados, caixas de roupa, cabides. O suor escorria pelo rosto, a camisa grudada no corpo. Dobrei a manga até o meio do braço pra tentar aliviar o calor.
Foi aí que percebi. Ela tava me olhando.
Minha mãe, parada perto da porta, com os braços cruzados. Não tava falando nada. Só olhando. Mas não era um olhar qualquer. Não era o olhar de mãe preocupada, nem de quem tá vendo se o trabalho tá sendo bem feito.
Era diferente.
Ela me olhava como se eu fosse outra pessoa. Como se, por um momento, tivesse esquecido que era eu. O jeito que ela olhava… parecia que via um homem ali. Um homem que tava ali por ela. Que resolvia tudo. Que dava conta.
Eu senti um negócio estranho. Não era ruim, mas diferente e ao mesmo tempo bom. Era como se algo tivesse mudado no ar. Como se ela tivesse visto em mim algo que sempre quis mas nunca teve.
Nossos olhos se cruzaram. Ela não desviou. Só ficou ali, quieta. E eu entendi. Não tudo, mas o suficiente pra saber que aquele olhar não era só de mãe.
O caminhão enfim já estava cheio. Eu sentei no banco do carona, suado, com os braços pesados. O caminhão já em movimento, o sol batendo no para-brisa. Minha mãe entrou devagar, sentou no banco do meu lado e ficou ali, olhando pra frente, respirando fundo.
Depois virou pra mim.
— Se não fosse você hoje… eu não sei se eu teria conseguido — ela disse, com a voz baixa, mas firme. — Você carregou tudo quase sem parar. Eu tentei ajudar, mas… meu corpo não aguenta mais como antes.
Eu só balancei a cabeça, ainda ofegante. Mas ela continuou.
— Você é o único homem de verdade que eu conheci.
Aquilo me pegou. Fiquei quieto. Olhei pra ela.
— Seu pai… se fosse ele aqui, já teria reclamado de tudo. Teria sentado no meio da escada, dizendo que tava cansado. Você não. Você fez. Você resolve. Você é diferente.
Ela sorriu. Um sorriso cansado, mas cheio de coisa por trás. Um sorriso que não era só de mãe orgulhosa. Tinha algo a mais. Um brilho no olho. Um jeito de me olhar que me fez desviar o rosto por um segundo mas que olhava de novo, querendo mais.
Meu peito apertou. Não era vergonha. Era outra coisa. Um calor estranho, como se eu tivesse a visto de um jeito novo. Como se, por um momento, eu não fosse só o filho dela. Eu era… um homem. O homem que tava ali. O que ficou. O que segurou tudo.
Ela me olhava com carinho, mas também com uma admiração que eu nunca tinha sentido vindo dela. E eu, suado, cansado, com os braços doendo, me peguei querendo entender aquele olhar. Aquela fala. Aquela presença.
Era como se algo tivesse mudado. Como se, naquele caminhão parado, entre caixas e sacos de roupa, tivesse nascido um silêncio diferente. Um silêncio cheio de coisas que ela não dizia dizia, mas que os seus olhos entregavam.
Ela encostou a cabeça no banco, fechou os olhos por um instante. Ainda sorria.
E eu fiquei ali, olhando pra frente, tentando entender o que era aquilo que eu tava sentindo. Aquilo que ela tava dizendo. Aquilo que, talvez, nem ela soubesse que tava mostrando.
Mas eu vi.
E não era só coisa de mãe e filho.
Chegamos em casa exaustos. O sol já tava se pondo, e o silêncio entre a gente era só cansaço. Ela largou a bolsa no sofá e tirou os sapatos com um suspiro.
— Vai primeiro pro banho, mãe — eu disse, jogando as chaves na mesa.
— Tem certeza? Você tá todo suado.
— Vai lá. Eu espero.
Ela sorriu, meio sem jeito.
— Tá bom. Mas eu vou ser rápida.
Ela entrou no banheiro. Eu fiquei na cozinha, bebendo água direto da garrafa, tentando esfriar o corpo. Mas aí ouvi a voz dela lá de dentro:
— O chuveiro tá pelando! Não dá pra regular essa água, meu Deus…
Fui até o quintal. Tinha outro chuveiro lá fora, então eu liguei, deixei encher dois baldes. A água tava fria, boa. Peguei os dois e fui até o banheiro, mas sabendo que encontraria ela pelada, não resisti e usei um aplicativo no celular para filmar tudo.
A porta tava encostada. Bati com o pé.
— Mãe, trouxe água fria. Posso entrar?
— Pode, entra logo, tá muito quente aqui.
Empurrei a porta com o ombro. Entrei.
Ela tava debaixo do chuveiro que já tinha fechado, estava completamente pelada, aqueles peitões que ela tinha, aquela buceta, até mesmo a barriga grande mexeu comigo e quando ela me viu então, foi ali que aquela troca de olhares chegou novamente.
Eu, sem camisa, com os dois baldes na mão. Ela pelada, molhada, com o vapor subindo ao redor. A troca de olhares foi longa e diferente. Tinha alguma coisa ali. Um silêncio que dizia mais do que qualquer palavra.
— Mesmo cansado… — ela começou, com a voz baixa — você ainda se esforça pra cuidar de mim.
Eu não respondi. Só coloquei os baldes no chão, ao lado do boxe, tentando esconder meu pau duro, ao ver aquela buceta, tão perto quando eu agachei mas aquilo era impossível.
— Você não precisava fazer isso, sabe? Mas faz. E faz sem reclamar. Isso… isso é raro.
Ela me olhava como se estivesse vendo algo que só agora entendia. Como se eu fosse mais do que ela achava. Como se eu fosse tudo que ela não teve.
— Obrigada — ela disse, com um sorriso leve, quase triste.
Eu ia sair. Já tinha feito minha parte. Mas antes que eu virasse a maçaneta, ela puxou meu braço e chamou:
— Filho…
Virei o rosto.
— Fica. Vem aqui. Já é demais ter que esperar. Só… vem.
Fiquei parado por um segundo. O coração batendo mais rápido. Não era medo. Era outra coisa. Um calor estranho, de novo. Um nó na garganta e um tesão de a ver pelada daquele jeito e a forma que ela me olhava.
E eu fui.
Entrei. Devagar. Sem dizer nada.
A água caía gelada, escorrendo pelos nossos corpos cansados. O banheiro parecia pequeno, tendo só nós dois ali. A gente dividia o espaço e sabonete em silêncio, como se fosse normal. Como se sempre tivesse sido assim, de uma tal forma que ela disse que sentia os peitos inchados e disse para eu conferir e quando eu peguei e fiquei ali enrolando, só pensava em colocar a boca, mas aquilo ainda ia se intensificar.
Ela pegou o sabonete e passou nos braços, depois olhou de lado, rindo e disse que eu poderia esfregar as suas costas e eu fiz isso, claro que aproveitei para passar na sua bunda dizendo que foi sem querer e ela nem reclamava. Até que eu devolvi o sabonete e ela deixou e quando agachou eu não resisti e encostei o máximo que pude, dizendo que foi sem querer e ela ainda fazia uns comentários do tipo:
— Olha só… esses músculos aí tão ficando perigosos, hein. Vai acabar rasgando as camisetas da loja.
Eu sorri, meio sem graça. Mas por dentro, senti. Aquilo não era só uma piada, ela falava dos músculos mas olhava para baixo.
— Trabalhar com roupa feminina e ainda sair com o braço desse tamanho… — ela continuou, rindo de novo. — Vai acabar virando propaganda viva.
Fiquei quieto. Só deixei a água cair no rosto. Mas minha cabeça tava a mil e o tesão também.
Ela tava brincando. Mas tinha um jeito no tom dela… um brilho no olho. Como se estivesse testando alguma coisa. Como se dissesse mais do que as palavras.
— Se eu tivesse um funcionário assim na época da loja grande… nossa, ia vender o triplo. Só de aparecer sem roupa assim, já chamava cliente.
Ela riu de novo. Eu também. Mas meu riso foi curto. Seco.
Eu sabia que era brincadeira. Mas também sabia que não era só isso. Tinha algo no jeito como ela me olhava depois de cada frase. Um segundo a mais. Um sorriso que demorava pra sair. Um olhar que descia e voltava rápido.
E eu sentia. Sentia que ela tava me vendo de outro jeito. Não era só orgulho. Era outra coisa. Um tipo de admiração que atravessava a linha.
Mas ela não dizia. Só jogava no ar, como quem não quer nada.
E eu fingia que não percebia. Mas percebia tudo.