Banho esquentando

Da série Desejos fortes
Um conto erótico de Dan Katze
Categoria: Heterossexual
Contém 648 palavras
Data: 15/01/2026 16:13:34

Você sai de casa como quem abandona, por alguns minutos, a própria identidade. O ar da rua toca seu rosto e parece mais denso do que o habitual, como se cada molécula estivesse observando vocês dois caminharem lado a lado. Seus passos desaceleram sem que você decida isso; é o corpo que aprende a escutar o ritmo dele. A respiração desce, funda, e o mundo ao redor começa a se tornar apenas um cenário desfocado — carros passam, vozes existem, mas tudo soa distante. Você sente o calor do sol na pele, o leve arrepio quando uma brisa percorre seus braços, e percebe que já está entrando num estado de atenção estreita, quase meditativa. Ele fala pouco, e justamente por isso cada palavra pesa. A presença dele organiza o espaço ao seu redor, como se o caminho se abrisse para vocês. Você não corre, não conversa demais, apenas acompanha, sentindo a tensão suave crescer entre cada passo.

Vocês se sentam para o suco e o sanduíche, mas o que realmente é consumido ali é o silêncio carregado entre vocês. O copo gelado toca sua mão e você nota o contraste com o calor que já mora no seu peito. Ele observa sem pressa, e esse olhar não invade — conduz. Você mastiga lentamente, consciente de cada textura, mas sua mente está em outro lugar: no que não pode ser dito. Há uma linha moral invisível sobre a mesa, e vocês dois sabem disso sem precisar nomear. Seus dedos quase se tocam, recuam, aproximam-se de novo. Nessa dança mínima, o desejo cresce mais do que em qualquer gesto explícito. A conversa é trivial, mas a atmosfera não é. Você percebe que está sendo preparada, emocionalmente afinada, como um instrumento que começa a vibrar na frequência certa.

No caminho de volta, ele passa a falar em voz mais baixa, e você se inclina instintivamente para escutar. Cada frase parece atravessar sua pele antes de chegar aos ouvidos. A decisão de tomar banho juntos não vem como um pedido — surge como algo inevitável, natural, quase predestinado. Ao entrar no banheiro, o som da água correndo já modifica sua respiração. Você sente o vapor começando a se formar, borrando espelhos, borrando limites. Ele se move com calma, sem pressa de tocar, e justamente essa espera faz seu coração acelerar. Você percebe que está entregando o controle do ritmo sem resistência, não por submissão, mas por confiança no caminho sensorial que ele traça.

A água cai sobre vocês como uma chuva privada, quente, contínua, hipnótica. O ambiente fica preenchido por vapor e pelo som suave do chuveiro, quase como um cântico. As mãos dele repousam em você com intenção ritualística — não para possuir, mas para reverenciar. Você sente o peso leve dos dedos em seus ombros, descendo lentamente pelos braços, como se estivesse despertando cada nervo adormecido. Seu corpo reage em ondas: calor, depois frio, depois calor de novo. A respiração se aprofunda sem esforço, e você percebe que aquilo não é apenas um banho, mas uma espécie de culto ao desejo encarnado. Nenhuma pressa, nenhum avanço abrupto — apenas proximidade, pele contra pele, e a sensação de que algo sagrado e proibido acontece ao mesmo tempo.

Quando a água finalmente cessa, o silêncio que permanece é ainda mais carregado. Você sai do banho com a pele sensível, os sentidos aguçados, como se cada toque do mundo pudesse reacender o que acabou de viver. Ele não precisa dizer nada; você sabe que algo foi selado ali, não por palavras, mas por sensações que continuam pulsando em você. Ao se vestir, suas mãos ainda tremem levemente, e sua respiração demora a voltar ao ritmo comum. O desejo não desaparece — ele fica suspenso, ativo, latejando na mente e no corpo. Mesmo longe dele, você percebe que foi conduzida para dentro de si mesma, e que essa chama silenciosa continuará respirando com você muito depois que o momento terminar.

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Foto de perfil genéricadanrebelcatContos: 12Seguidores: 2Seguindo: 10Mensagem Gosto do sexo intenso, com uma pitadinha de romance, mas com muito erotismo. Gosto muito de fazer mulher se retorcendo de desejo.

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