A ROLA QUE CAIU DO CÉU

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Grupal
Contém 891 palavras
Data: 15/01/2026 15:41:33

Gênero: Tragicomédia Erótica / Sátira Religiosa / Realismo Fálico-Mágico

Classificação: 18+, com direito a óleo ungido e gel comestível.

Era um domingo de sol em Virgínia do Sul, céu limpo, passarinhos cantando e o povo de Deus reunido na praça central para o culto “Clamor Pela Castidade Nacional”. A banda de louvor tocava uma versão remixada de “Conquistando o Impossível” com sanfona e pandeiro eletrônico. O prefeito e pastor Arlindo Batista, de terno branco colado no suvaco e suor pentecostal na testa, segurava o microfone como se fosse o cetro da moralidade divina.

— Irmãos e irmãs! Hoje expulsaremos o espírito da luxúria que ronda nossa cidade com seus peitinhos expostos na internet, seus jovens fornicando atrás do cemitério e essa praga moderna chamada pole dance! — bradou, cuspindo perdigotos abençoados na primeira fila.

Foi então que o céu estremeceu.

Um som grave, como um peido cósmico ecoando pelo firmamento, fez todos olharem para cima. E então ele caiu.

Um pênis gigantesco.

De silicone. Cor bege-pastel, com uma glande perfeitamente modelada e testículos do tamanho de tanques de guerra. Ele girava lentamente no ar como um foguete macabro até acertar em cheio a cabeça do prefeito, que tombou para trás com um gemido ambíguo entre dor e alívio.

Silêncio total.

— Gente... aquilo é... aquilo é... — murmurou a Irmã Telma, professora de catequese e ex-dançarina de axé.

— É a Rola do Apocalipse, sussurrou o jovem Quirino, que já tinha visto algo parecido em sites que preferia não revelar.

A CONFUSÃO COMEÇA

Enquanto Arlindo era socorrido — ainda desmaiado, mas com um leve sorriso nos lábios — a rola de silicone permaneceu ali, plantada no meio da praça como uma torre ereta da perdição. Logo a notícia se espalhou: “Objeto Celestial Penetrante Atinge Prefeito”, estampava o site local com entusiasmo jornalístico.

Cenas de pânico. Fiéis vomitando. Evangélicos correndo com a Bíblia em punho tentando exorcizar a rola com sal grosso e gritos de “Cai, Leviatã! Cai!”.

Mas havia outra reação. Uma mais... úmida.

A stripper aposentada e filósofa amadora Delicinha do Cerrado — nome de guerra e de batismo — aproximou-se da rola com um brilho nos olhos.

— Isso é um sinal, meus amores... e não é do Senhor. Isso aí é obra da Deusa. A vulva cósmica mandou sua mensagem.

Ela esfregou os dedos na glande artificial e levou à boca como se provasse um vinho raro.

— Tem gosto de liberdade. E um pouco de látex.

O SURTO COLETIVO

Nos dias seguintes, Virgínia do Sul enlouqueceu.

O pênis gigante virou altar, fetiche e objeto de protesto. Os sex shops da região viram suas vendas dispararem. A loja “Tentações da Tia Zuleide” lançou a linha “Rola Celestial” com vibradores em três tamanhos: “Arlindo”, “Apóstolo” e “Êxtase Final”.

Grupos religiosos se dividiram entre os que queriam destruir o objeto fálico e os que acreditavam que era uma prova do julgamento divino — mas que deviam guardá-lo em local sagrado para futuras interpretações.

O padre católico da cidade, Padre Tenório, tentou se manter neutro até que, numa missa tensa, soltou:

— Meus irmãos... essa rola caiu do céu. Quem somos nós para questionar a vontade de Deus? Talvez... talvez o Senhor esteja dizendo que precisamos... nos abrir mais.

Houve um silêncio desconfortável.

— Espiritualmente falando, claro.

Mas era tarde demais. O boato correu: Padre Tenório é o Novo Profeta do Orgasmo Místico.

A GUERRA

A cidade se dividiu em dois blocos:

O Exército da Decência, liderado por Arlindo (agora com uma faixa na cabeça e trauma de glande)

O Culto da Rola Sagrada, liderado por Delicinha, com suas seguidoras devotas do tantra selvagem e danças com cintas-liga litúrgicas

As batalhas aconteciam à noite, com guerra de jatos d’água benta, lubrificante de hortelã e chicotadas simbólicas. O pênis continuava lá, firme, iluminado por holofotes e protegido por cercas de arame farpado e velas aromáticas.

A NOITE DO ÊXTASE

Na noite do equinócio, algo aconteceu. Delicinha invadiu a praça com suas seguidoras nuas, dançando ao redor da rola com tambores e gemidos rítmicos. Cada uma se aproximava, beijava a base da estrutura e fazia um pedido — como se fosse a fonte dos desejos proibidos.

Enquanto isso, Arlindo, sozinho em seu gabinete, olhava no espelho, trêmulo.

— Por que... por que eu senti aquilo?

E então, num rompante de verdade, se despiu. Correu pelado pelas ruas, gritando:

— EU QUERO SENTIR TUDO DE NOVO! EU NÃO TENHO CULPA!

Chegou à praça. Viu Delicinha o esperando, nua como uma Vênus pilotando um rolo compressor.

— Aceite a rola, Arlindo. Ela te escolheu.

E então eles fizeram amor aos pés da rola. Um sexo ritualístico, suado, grotescamente poético, aplaudido por todos os presentes. Delicinha gemia versos de Bukowski enquanto Arlindo regurgitava palavras de Isaías.

Foi o ápice da cidade. Literalmente. Porque no exato momento em que ambos gozaram em uníssono, a rola emitiu um som agudo e... subiu de volta ao céu.

Simplesmente flutuou, como uma rola messiânica que se deu por satisfeita com o resultado do seu trabalho.

EPÍLOGO

A cidade nunca mais foi a mesma. O prefeito renunciou e foi morar num retiro de poliamor na Chapada dos Veadeiros. Delicinha virou deputada federal pela “Bancada da Buceta Celestial”. Padre Tenório escreveu um livro: Entre a Fé e o Falo.

E toda vez que alguém em Virgínia do Sul olha pro céu e vê uma nuvem com formato estranho... eles sorriem. Porque sabem.

A rola poderia voltar.

E quando voltasse... estariam prontos.

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