A ligação chegou numa tarde de terça-feira, enquanto Camila analisava planilhas maçantes. O nome na tela a fez sorrir instantaneamente: Fábio.
— Minha morena perigosa! — a voz dele era grave, carregada da intimidade descontraída de quem compartilhou festas, projetos de faculdade e alguns beijos bêbados em um passado distante.
— Fabão! Sumido. Tá rico demais pra lembrar dos pobres mortais? — ela brincou, recostando-se na cadeira.
— Rico em saudade de uma visão específica — ele riu. — Olha, vou ser direto. Vou fazer um encontro de fim de semana no sítio. Vai ter churrasco, piscina, uns amigos legais… e uma dose alta de libertinagem bem-humorada. Do jeito que a gente curtia antigamente, sabe?
Camila sentiu um frio na espinha que rapidamente se transformou em calor na barriga. Ela sabia exatamente o que "libertinagem bem-humorada" significava no vocabulário de Fábio.
— "Amigos legais" no plural masculino, presumo? — perguntou, a voz baixa e interessada.
— Exatamente. Um time seleto. Discretos, saudáveis, e com… um bom apetite — a pausa dele foi carregada. — Eu lembrei muito de você esses dias. Acho que você é a peça que falta pra virar uma festa épica. Topa ser minha convidada de honra?
Ela não hesitou. A fantaxia que confessara a Aline latejou dentro dela.
— Topo. Mas levo um "plus one". Uma amiga. Especial.
— Melhor ainda — a resposta foi imediata, ávida. — Duas rainhas para o baile. Sábado, 14h. Mando o pin pra você. E, Cami… vem preparada. Tipo… muito preparada.
A ligação terminou. Camila ficou com o coração acelerado, mas não de nervosismo. De antecipação pura. Era a oportunidade. A concretização do que ela só havia confessado em sussurros.
Ela não enviou uma mensagem. Ligou diretamente para Aline, que atendeu na salinha silenciosa do arquivo.
— Ruiva. Sábado. Você e eu. Vamos sumir do mapa — a voz de Camila era um fio de seda e aço.
— O que você arranjou? — Aline sussurrou, sentindo o arrepio familiar percorrer sua coluna.
— Um sítio. Um anfitrião que sabe receber. E um time completo de… hóspedes. — Camila fez uma pausa dramática. — É a festa que eu te falei. Onde a gente é o prêmio. Onde a gente é dada. Topa?
Do outro lado da linha, Aline fechou os olhos. Viu flashes do terreiro, da força bruta, da entrega total. A sensação a assustava e a chamava como um ímã.
— Não preciso nem perguntar se vai ser seguro — disse Aline, sua voz ficando firme.
— O mais seguro do mundo. São todos homens do mundo dele, discretos. E nós… nós estamos no controle mesmo quando perdemos ele. Entende?
Aline entendeu perfeitamente. Era sobre a escolha de se abandonar.
— Manda o endereço. Eu levo a lingerie preta. A que você gosta.
— Leva é coragem, gata — Camila sorriu ao telefone. — Porque sábado, nós vamos ser as putinhas mais desejadas, veneradas e usadas do estado de Minas. Até não aguentarmos mais.
A atmosfera no sítio de Fábio era de uma libertinagem disfarçada de descontração entre velhos amigos. A piscina iluminada, a churrasqueira, o som alto. Camila e Aline, já com um acordo tácito e um olhar cúmplice, foram as únicas mulheres que permaneceram depois da meia-noite.
Fábio, alto e com a confiança de quem herda terras, foi o anfitrião. Os outros cinco homens eram uma mistura de colegas de faculdade e amigos de negócio — Ricardo, o advogado sempre de terno mesmo no campo; Marcos e Paulo, irmãos que eram donos de uma concessionária; Bruno, o silencioso que observava tudo; e Rafael, o mais jovem, com energia de atleta.
A conversa, já carregada de álcool e insinuações, tomou um rumo explícito quando Fábio, passando atrás do sofá onde Aline e Camila estavam sentadas juntas, deixou a mão pousar no ombro nu de ambas.
— Sempre soube que você era a mais safada da turma, Cami — disse ele, os dedos brincando com a alça do vestido dela. — E trouxe uma amiga à altura.
Camila sorriu, olhando para Aline. O convite estava no ar. Ela se levantou.
— A gente não é só à altura, Fabão. A gente é o prêmio.
Foi ela quem tomou a iniciativa de se despir primeiro, lentamente, na varanda envidraçada com vista para o breu da mata. Aline a seguiu, os olhos dos seis homens queimando sua pele como holofotes.
O que se seguiu não teve a ritualística do terreiro baiano, nem a sofisticação controlada do apartamento de Camila. Foi algo mais cru, mais gregário, mais animal. Foi a realização da fantasia de serem "usadas".
Eles não as trataram com reverência, mas com a fome descomplicada de quem recebe um banquete.
1. No Grande Sofa: Aline foi puxada para o colo de Ricardo, que ainda vestia a camisa social aberta. Enquanto ele a beijava, Fábio pegou-a por trás, levantando seu vestido já arregaçado. A penetração foi direta, sem cerimônia, e Aline gemeu contra a boca do advogado, sentindo-se preenchida e pública.
2. Irmandade: Os irmãos Marcos e Paulo levaram Camila para o chão, num tapete persa. Um focou em sua boca, o outro em seus seios, em uma sincronia que falava de prática conjunta. Ela os guiava com gemidos altos, orgulhosa de ser o centro daquela atenção dupla.
3. Troca e Rotação: Os corpos se embaralharam. Bruno, o silencioso, mostrou ter uma força surpreendente, levantando Aline contra uma parede de pedra e possuindo-a com estocadas profundas e regulares, seu rosto uma máscara de concentração prazerosa. Rafael, o atleta, era ágil e incansável, revezando-se entre a boca de Camila e a buceta de Aline, seu suor jovem pingando sobre ambas.
4. O Clímax das Putas: O momento de maior intensidade veio quando Fábio, reafirmando seu papel de anfitrião, ordenou que as duas ficassem de quatro, lado a lado, na borda da piscina iluminada. Três homens atrás de cada uma. Não era penetração simultânea de todos, mas um rodízio contínuo — um tirava, outro entrava, um terceiro se ajoelhava na frente para ser chupado. Aline e Camila se agarravam às mãos uma da outra, seus gemidos se misturando, seus corpos sendo movidos como bonecas por forças externas. A sensação era de anulação completa do eu. Elas não eram mais Aline e Camila; eram dois corpos femininos, úmidos e receptivos, sendo celebrados por um ritual masculino primitivo.
Camila gozou gritando o nome de Fábio, um grito que ecoou na noite. Aline veio depois, em um orgasmo longo e choroso, sentindo-se esvaziada de tudo, até de pensamento.
Depois, deitadas nos espalhados sofás, cobertas apenas pelo suor e pelo cansaço, Fábio as observou, tomando uma cerveja.
— Vocês duas são de outro mundo — disse, com admiração genuína. — Isso aqui… não esquece.
Camila, com os olhos fechados, sorriu. Ela tinha sido dada (por si mesma) e usada. A fantasia era real, e era mais doce e mais brutal do que ela imaginara.
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Cena 2: A Confissão no Bar
Enquanto isso, em um bar discreto no centro da cidade, Henrique encontrava-se com João. João era seu amigo mais antigo, completamente alheio ao mundo de transgressões que Henrique habitava. Era um homem simples, casado há dez anos, com dois filhos.
Henrique bebia seu uísque com uma pressão incomum.
— João… você já sentiu atração por outro homem?
João quase engasgou na cerveja.
— Cara, que pergunta é essa? Não, nunca. Por quê? Tá com dúvidas?
— Não é… atração romântica — Henrique encarou o fundo do copo. — É… admiração. Uma admiração que… mexe com o corpo. Que dá um calor na barriga, um nó na garganta. É ver um homem tão… poderoso, tão seguro na sua força, que você pensa: ‘Porra, eu queria ser aceito por ele. Queria que ele me visse como um igual, ou…’ — ele travou.
— Ou o quê? — perguntou João, confuso e começando a ficar desconfortável.
— Ou que ele me dominasse também. — A palavra saiu como um segredo envenenado. Henrique sentiu um alívio agoniado ao dizê-la. — É ver um cara que tem tudo — força, presença, uma masculinidade que não precisa ser dita — e sentir uma vontade… de se entregar a essa força. De ser validado por ela. É isso que é?
João ficou em silêncio por um longo momento.
— Henrique, isso aí é coisa da sua cabeça. Tesão é tesão, e mulher é mulher. Tá viajando por causa do trabalho, cara. Ou pior… — ele baixou a voz — isso aí é coisa de viado. E você não é.
A frase caiu como uma martelada. Não era a resposta que Henrique, no fundo, esperava. Ele queria compreensão, ou pelo menos curiosidade. Recebeu julgamento e redução.
— Esquece — disse Henrique, terminando o drink de um gole. — Tô viajando mesmo. É o stress.
Mas no caminho de volta para casa, a solidão era mais profunda. Ele não podia falar com Aline sobre isso, não ainda. Luciano era a única pessoa no planeta que talvez entendesse. O homem que compartilhava sua mulher, que gostava de ver, que comandava cenas. Luciano, que era forte, controlador… e que talvez possuísse a chave para aquele desejo confuso.
Ao entrar em casa, vazio e silencioso, ele sentiu a ausência de Aline como um abismo. Ele ligou o computador e, quase sem pensar, pesquisou: “atração por homens fortes”, “admiração e desejo”, “submissão masculina”.