Agora Corno: O Advogado

Um conto erótico de Corno
Categoria: Heterossexual
Contém 2258 palavras
Data: 14/01/2026 10:15:05

Para que se compreenda adequadamente tudo o que passo a relatar, é indispensável a leitura dos contos anteriores de minha autoria. Neles, expus de forma gradual o fetiche que fui admitindo para mim mesmo, bem como o processo pelo qual fui sendo subjugado à condição de corno. O que relato agora é o momento em que esse papel deixou de ser episódico e passou a constituir uma faceta dominante da minha existência — algo que não apenas aceitei, mas incorporei com naturalidade e resignação.

Minha esposa, à época com cerca de vinte e quatro ou vinte e cinco anos, sempre foi uma mulher de presença marcante: alta, muito branca, coxas grossas, bunda firme, seios pequenos. Durante muito tempo, essa beleza esteve dissimulada por roupas neutras, quase apagadas, que não realçavam seus atributos. Aos poucos, porém, isso mudou. Ela passou a vestir roupas mais curtas, mais justas, mais aderentes ao corpo, revelando qualidades que sempre estiveram ali, mas que eu apenas observava, silencioso, quase como alguém que assiste sem se permitir interferir. Eu não conduzia esse processo; apenas o acompanhava, com uma satisfação contida e uma aceitação passiva.

A mudança no guarda-roupa não ocorreu de maneira abrupta. Foi uma transição lenta, calculada, na qual ela, curiosamente, buscava minha validação. Eu opinava quando solicitado, sempre incentivando, sempre elogiando, nunca impondo limites. Os tecidos diminuíam, as formas se evidenciavam, e eu me colocava confortavelmente no papel de quem aprova, mas não dirige. As peças íntimas, por sua vez, passaram por uma transformação mais rápida. Recordo-me de um dia em que fomos ao shopping e ela adquiriu diversas calcinhas, sutiãs e pijamas. Em todas aquelas peças havia uma carga evidente de erotização, uma sexualidade latente que eu absorvia sem resistência, quase com reverência. Calcinhas mínimas, de todas as cores, tudo muito sexy.

Nossa vida sexual também se alterou profundamente. Houve um período de quase ausência de sexo, seguido por uma fase em que a penetração praticamente desapareceu. Ela tornou-se mais mandona, mais assertiva. Dava ordens, determinava o que eu deveria fazer, e eu obedecia sem questionar. Exigia que eu a chupasse, que usasse os dedos, que recorresse aos brinquedos que havíamos comprado. Meu prazer não estava mais na condução, mas na execução.

Eu me excitava de forma intensa quando ela narrava cenas de traição. Era nesse momento que minha submissão se consolidava por completo: meu corpo reagia, meu pau ficava duro, eu me masturbava sob seu olhar, enquanto ela me chamava de corno. E eu aceitava. Não como humilhação momentânea, mas como reconhecimento do lugar que eu já ocupava.

Todos esses fatos e situações, que antes permaneciam como uma característica íntima e silenciosa da nossa dinâmica, passaram, gradualmente, a extrapolar o âmbito interno e a ganhar contornos externos. O que antes se restringia ao espaço privado do casal começou a se insinuar no cotidiano, nos gestos, nas escolhas e até na maneira como ocupávamos os ambientes.

Não houve um marco inaugural claro, nem uma decisão consciente que pudesse ser apontada como origem. Tratou-se, antes, de um processo orgânico, quase administrativo em sua progressão: pequenas concessões acumuladas, ajustes sutis de comportamento, até que os papéis se cristalizaram com naturalidade desconcertante. Em retrospecto, a sensação era a de que tais papéis sempre estiveram ali, apenas aguardando a oportunidade de emergir.

Minha esposa sempre foi expansiva. Não apenas extrovertida no sentido superficial, mas genuinamente orientada para o outro. Comunicativa, de riso fácil, dotada de uma presença social marcante, ela sabia ocupar os espaços com desenvoltura, conduzir diálogos, estabelecer vínculos com rapidez. Havia nela uma segurança social quase instintiva, uma facilidade em se expor sem parecer invasiva, em chamar atenção sem esforço deliberado.

Eu sempre fui o oposto. Taciturno, reservado, introspectivo. Não se tratava de timidez patológica, mas de um recolhimento estrutural. Nunca fui rude ou antipático; apenas econômico nas palavras, cuidadoso nos gestos, mais confortável na observação do que na condução.

Com o tempo, essa diferença deixou de ser um traço de personalidade e passou a estruturar nossa convivência, funcionando quase como um eixo organizador da relação. Dentro dessa nova configuração, curiosamente, ambos parecíamos mais confortáveis. Havia uma sensação tácita de ajuste fino, como se cada um estivesse finalmente desempenhando uma função compatível com sua essência.

Quando saíamos, era ela quem caminhava à frente — literal e simbolicamente. Escolhia o local, iniciava as conversas, conduzia os encontros. Eu seguia. Concordava. Aceitava. Essa dinâmica não me era imposta; era acolhida por mim com uma passividade que já não causava estranhamento.

Nos encontros com meus próprios amigos, muitas vezes eu me percebia quase como um figurante da minha própria vida social. Minha esposa interagia com eles com uma desenvoltura que eu jamais tivera, transitando com facilidade entre brincadeiras, confidências e comentários mais ousados. Não houve ruptura, nem conflito. Apenas uma transição contínua, consolidada sem resistência efetiva da minha parte — talvez porque, no fundo, ela também atendesse a uma conveniência psíquica minha.

Minha esposa é funcionária pública municipal, atua diretamente no atendimento ao público. Está habituada ao contato diário com pessoas diversas, a resolver demandas imediatas, a lidar com conflitos de forma pragmática e cordial. Eu, por minha vez, sou servidor público federal, com um perfil mais técnico, mais recolhido, voltado à análise, à norma, à retaguarda decisória.

Foi nesse contexto que, certa vez, ela me enviou uma mensagem dizendo que havia repassado meu número a um advogado. Segundo ela, tratava-se de uma dúvida jurídica que não soubera responder no momento. Acrescentou que ele fora muito simpático, solícito e que, por empatia e senso prático, decidira intermediar o contato.

Confesso que não gostei. O incômodo foi imediato, embora difuso, difícil de formular em termos racionais. Não se tratava de ciúme explícito, mas de uma sensação de deslocamento, como se algo estivesse sendo decidido sem minha participação efetiva. Ainda assim, não identifiquei espaço para uma objeção concreta. Limitei-me a dizer que ouviria a dúvida e, se estivesse ao meu alcance, responderia. Ela, de forma quase automática, pediu que eu fosse prestativo — não como um pedido, mas como uma expectativa implícita. Aguardei.

À noite, durante o jantar, ela retomou o assunto com naturalidade. Disse que ele era muito gente boa, simpático, paciente, alguém que gostava de conversar. Comentou que haviam estabelecido uma espécie de amizade profissional. Acrescentou, com um sorriso leve, quase distraído, que ele já tinha feito alguns gracejos. Ela ria ao contar. Não bloqueava, tampouco incentivava de forma explícita. Dominava aquela ambiguidade com conforto.

Perguntei sobre as características físicas dele. Antes mesmo de eu concluir a pergunta, ela intuiu a conotação e, com ironia cúmplice, questionou se aquilo serviria de fantasia para minhas punhetas. Assenti. Rimos. Eu, constrangido; ela, completamente à vontade.

Ela o descreveu como um homem branco, bronzeado, frequentador de academia sem exageros. Corpo cuidado, funcional, vigor sem ostentação. Falou das mãos grossas e firmes, do olhar determinado, atento demais para ser casual. Disse que ele era casado, com uma esposa bastante ciumenta. Contou que já havia percebido ele olhando para seus decotes — não de forma furtiva, mas insistente. E que, ao perceber que ela notara, ele sustentara o olhar. Disse que isso lhe despertara um calor súbito, um tesão inesperado. Concluiu afirmando que nada havia ultrapassado os limites aceitáveis.

Eu ouvi. Não interrompi. Permaneci no lugar que já me era familiar.

No dia seguinte, recebi a ligação daquele advogado. Para preservar sua identidade, vou chamá-lo de Roberto. Desde os primeiros segundos, sua presença se impôs pelo tom. Voz grave, segura, quase professoral. Frases fechadas, assertivas. Interrompia-me com naturalidade. Instintivamente, calei. Passei a falar apenas quando me era concedido espaço, e apenas sobre o que ele queria saber.

A dúvida jurídica foi sanada. Ele agradeceu, disse que adicionaria meu número e que entraria em contato se necessário. Encerrou a conversa de forma objetiva.

Alguns dias depois, recebi uma mensagem: “bom dia, corninho!”. Fiquei perplexo. Aguardei que ele apagasse. Não apagou. Perguntei se era para mim. Disse que havia enviado à pessoa errada. Pediu desculpas. Aceitei a explicação. Rimos.

A partir disso, Roberto elevou o nível de intimidade. Disse que respeitava minha esposa, mas que ela era muito bonita. Disse que eu era um homem de sorte. Acrescentou que, se eu fosse corno, isso não seria ofensa, mas constatação da realidade: uma mulher como ela não ficaria presa a um só homem.

Fiquei desconfortável. Não sabia como responder. Optei pela omissão estratégica: um emoji de riso envergonhado.

Na semana seguinte, novamente: “bom dia, corninho!”. Outra desculpa. Outra explicação. Risos. Perguntas insinuantes. Sugestões travestidas de humor. “Será que você já não é corno ou gostaria de ser?”, escreveu.

Eu ri. Um riso de acomodação. Aos poucos, compreendi que aquelas brincadeiras eram testes. Tentativas deliberadas de me posicionar em um lugar específico.

O lugar que ele parecia querer que eu ocupasse.

Não relatei para minha esposa essas situações. Mas ela passou a mencionar que o Roberto havia ficado mais obsceno. Que presenciou ele a encarando, passando a mão levemente no seu pau, mordicando os lábios, num sinal de desejo, que estava lhe deixando desconcertada. Ele continuava repetindo tais situações, minha esposa dizia, afirmava que ele olhava ela de cima a baixo, pedia para ela dar uma voltinha e a elogiava — no começo elogios mais gerais, depois passou a dizer que ela era gostosa, tesuda, etc.

Tais interações ocorriam no trabalho da minha esposa, e ele sempre procurava um local para que os gracejos não fossem percebidos por outras pessoas. Aquilo parecia um segredo entre eles. E os elogios só faziam crescer. Agora insinuando que seus peitos eram uma delícia, que sua bunda era maravilhosa, que suas coxas eram muito bem torneadas. Num último avanço, disse para ela que ela seria muito fogosa na cama.

Minha esposa ria dos gracejos, se fazendo de inocente, não protestava, não se ofendia. Mas também não fazia grandes concessões. Foram esses os relatos que minha esposa me passou. Disse que um tesão estava se formando e se desenvolvendo, que mais cedo ou mais tarde teria que transar com aquele homem, para saber se era tudo aquilo que demonstrava. Eu a chamei de safada.

Ele mandou uma mensagem, perguntou uma dúvida técnica, respondi, ele agradeceu, conversávamos e ele disse que dessa vez tinha se esquecido de mandar a mensagem e riu. A mensagem seguinte veio: “obrigado corninho pelas informações”, e mandou emojis rindo.

Segui a conversa sem contestar ou protestar. Ele disse em seguida que havia passado no trabalho da minha esposa e que ela estava um tesão naquele dia. Que aquela saia mostrava lindas coxas, que aquele decote insinuava lindas tetas e que ficou com muita vontade de chupá-los. E mais emojis rindo.

Eu não protestava e somente concordava com aquilo tudo. Ele avançava. Disse que estava de pau duro só de pensar naquela situação, e mandou uma mensagem do seu pau. Era uma vara bem grande, grossa. Vi, admirei, e ele apagou. Pediu desculpa, disse que havia se empolgado.

Certo dia, ao buscar minha esposa, notei a presença dele no local de trabalho dela. Ao ver ela saindo, veio ao nosso encontro e nos cumprimentou, dizendo que era um prazer me conhecer pessoalmente, e continuou falando. Sua presença era forte, emanava superioridade. Eu, pelo contrário, me retraía diante de tamanha personalidade.

Ele pediu uma carona, disse que no caminho poderia tirar uma dúvida sobre algum processo. Ela disse que daria a carona, mas que não conseguia ficar olhando para trás e conversando no carro, que ficava enjoada. Ele propôs que ela se sentasse atrás, ao lado dele, e que assim ficaria mais cômodo para ela. Ela disse que não resolveria, que não conseguia ler no carro.

Ele insistiu dizendo que resolvia, pegou nos braços dela, puxou e abriu a porta traseira do carro, pedindo para eu ir dirigindo. Envolto naquela situação, aceitei, e partimos.

No trajeto, ele inicialmente ainda conversou sobre algum conteúdo profissional, mas, passados alguns minutos, começou a elogiar ela descaradamente. Eles riam. Ela dizia que o marido dela estava ali. Ele, por sua vez, dizia que eu tinha a mente aberta e que sabia reconhecer a verdade.

Ajustei o retrovisor, e foi possível ver suas mãos na coxa da minha esposa, pedindo passagem. Suas pernas estavam levemente abertas.

No banco traseiro, a proximidade física funcionava como um acordo tácito que ninguém verbaliza. A mão dele repousava sobre as coxas dela com uma naturalidade calculada, firme o suficiente para comunicar intenção, contida o bastante para respeitar o limite imposto pelo contexto. Os olhares se cruzavam de forma recorrente, carregados de um desejo evidente, mas ainda suspenso, como um projeto em fase de aprovação, travado por um fator externo incontornável.

Eu conduzia o veículo, fingia estar alheio à dinâmica silenciosa que se desenrolava atrás de mim. Eu era, naquele momento, apesar da passividade que me encontrara, o obstáculo concreto que transformava o desejo em expectativa. Ele, no banco traseiro, exalava autoridade e autocontrole; não havia hesitação em sua postura, apenas a contenção estratégica de quem sabia exatamente o que queria e aguardava o momento oportuno. Ela, por sua vez, encontrava-se entregue à antecipação, receptiva, quase imóvel, como quem compreendia o papel que lhe cabia e aceitava a hierarquia implícita.

O sinal de trânsito fechou. Parei o carro. Olhei fixamente pelo retrovisor. Vi a mão do Roberto segurando com firmeza a cabeça da minha esposa, puxando-a em sua direção. Eles ficaram a poucos centímetros de se beijarem, trocando olhares carregados de desejo, como se aguardassem apenas um último impulso para que aquilo se concretizasse.

Ele levantou a mão e deu um leve tapinha no rosto dela, balbuciando que ela era muito gostosa. Ela mordeu os lábios. O sinal abriu, e eu voltei a dirigir.

CONTINUA...

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