Havia chegado a hora. Estávamos todos posicionados à beira da piscina por conta da iluminação, e Júlia segurava o celular para a selfie. Eu olhei para Kaique e Milena e eles estavam com os olhinhos esticados de tanto sorrirem. Apertei a outra mão da minha esposa rapidamente e logo a abracei forte por trás. Ela deu play no vídeo e anunciou de uma vez:
— Estou grávida!
Todos estavam de dentes abertos para a foto, e foi muito engraçado perceber algumas reações mudando. Eu foquei principalmente nos meus irmãos, porque Lorenzo é lerdo e eu tinha certeza de que a minha risada seria garantida. Enquanto alguns levavam a mão à boca, surpreendidos, se entreolhavam e festejavam, ele seguiu pleno, paradinho na posição para o registro.
— Caralho! — ele gritou quando entendeu.
E eu gargalhei, olhando diretamente para ele. Meus irmãos correram até nós. Eles não estavam na frente, estavam no fundo, mas deram um jeito de chegar e nos agarraram.
Loren e Lorenzo acompanharam a nossa dor e nos ajudaram de diversas formas, tanto a nos distrair quanto oferecendo um ombro amigo quando precisávamos. Eles sabiam do nosso sonho e de como havíamos colocado um ponto final nele, então compreendiam mais do que a maioria o quão significativa era aquela nova gravidez.
— Eu estou tão feliz que nem sei o que dizer — Loren falou.
— Eu também. Que venha com saúde! — Lorenzo complementou.
— Ou que venham, vai que são gêmeos — Loren brincou.
— Já vimos que é um só — respondi, rindo.
Logo depois, meus pais e meus sogros vieram até nós, e era visível o quanto ficaram felizes. Foi lindo dar a notícia para a minha sogra. Da última vez não havia sido dessa maneira. Teve simbolismo e, de certa forma, foi belo, mas agora ela e Juh estavam bem. O nosso casamento era motivo de felicidade para dona Jacira, então observar a alegria genuína dela, nos olhinhos brilhando e nas mãos trêmulas, dizia mais do que qualquer palavra que pudesse sair da boca dela.
— Vem, menina, eu estou sentindo — minha mãe disse.
— Eu também acho, hein, mãe… Se for menina, já tem nome — anunciei.
— Qual? — todos perguntaram, quase em conjunto.
— Maju — respondi, sorrindo.
— Ahhh, que escolha linda! — minha sogra falou, batendo uma palma.
— Seus vovôs já estão prontos para mimar você, viu, Maju? — meu pai disse, acariciando a barriguinha de Juh.
— Gente, calma… A gente ainda não sabe. É só uma leve torcida porque uma miniatura da minha muié vai ser a coisa mais lindinha desse mundo. Se vier um garoto, será muito bem-vindo… Mas que venha com esses olhinhos, por favor, Deus — esclareci, brincando.
— Nós amaremos da mesma forma — seu José complementou.
Aos poucos, todos nos cumprimentaram, e é extremamente satisfatório saber que as pessoas ao seu redor realmente se animam com a sua felicidade, da mesma maneira que você se alegra com as conquistas e progressões delas. Isso só nos dá a certeza de que estamos cultivando um círculo saudável, onde podemos realmente contar uns com os outros, nos momentos difíceis e também nas jubilações.
Acabamos todos na piscina. Foi espetacular. Em certo momento, carreguei Tiago e Alice e fiquei incentivando os gêmeos a fazerem bagunça, atiçando água em quem estivesse por perto. Depois foi engraçado vê-los saindo molinhos de cansaço. Eu só troquei a roupinha e os dois já dormiam.
E assim a festinha foi chegando ao fim. Os aniversariantes também pegaram no sono. Sabrine, a filha, Rafael, Léo, o padre, Jamile e Bruna foram embora porque tinham compromissos cedo, e o restante permaneceu.
Meus pais, sogros e cunhados eu já sabia que ficariam, mas Juh pediu que nossos vizinhos — vulgo meus irmãos e seus parceiros — também ficassem, porque fazia tempo que a gente não se reunia. E assim foi feito.
Começamos a beber o pouco de cerveja que eu tinha em casa, depois passamos para os vinhos e os destilados. No entanto, o que a gente queria mesmo era cerveja, e Lorenzo saiu atrás de um depósito aberto e, para nossa felicidade, conseguiu encontrar.
Eu bebi muito. Muito mesmo. Aos poucos, as pessoas foram saindo da piscina, e ficamos somente Júlia e eu.
— Estava aqui pensando… Ainda bem que você escolheu pijamas fofinhos — falei, começando a levá-la para a parte mais funda.
— Babydoll não dá, né, amor — Juh respondeu, irônica.
As pernas dela cruzaram na minha cintura, e eu a encostei na borda.
— Aqui não dá pé — ela disse, rindo.
— Estou te segurando — garanti, dando alguns beijinhos no pescoço da minha gatinha.
— Amor, você precisa parar de beber — Juh falou, rindo e segurando meu rosto para me encarar.
— Por quê? Porque eu estou feliz pelo nosso bebê, pelo aniversário dos nossos filhos e por ter uma esposa gostosa? — perguntei e imediatamente a beijei, interceptando a resposta.
— Eu estava brincando, mas é sério. Para por hoje — Juh pediu, afastando minha latinha.
— Por quê? — perguntei, trazendo-a de volta e dando um gole.
— Ansiedade, medicação — ela falou, como se fosse óbvio.
— Estou sem medicação há um bom tempo. Não sou maluca de misturar — respondi, tentando dar um beijinho, mas Júlia se esquivou.
— E se, Deus livre e guarde, você tiver uma crise amanhã, ou pior, essa madrugada? Não tem como saber — Juh aconselhou.
Pensei um pouco, e a preocupação dela era válida.
— Mas, amor, eu não posso viver pensando na minha próxima possível crise. Assim eu não vou viver — expliquei.
Juh não ficou satisfeita com a resposta, mas também não contestou. Apenas me abraçou e, em meio segundo, tive uma ideia.
— Me dá um beijão que eu paro agora — sugeri.
Ela me olhou rindo e me deu um selinho.
— Você não tem jeito — Juh comentou, olhando para os lados para verificar se ninguém nos via.
Eu fiz o mesmo. Os que ainda estavam acordados permaneciam por dentro da varanda, entretidos em conversas e jogos. Deu para ver bem Lana, viciada em Ludo, e Iury sentado na mureta, de costas para nós, biscoitando com uma garrafa de cerveja que com certeza não era dele.
Por baixo da blusa, apertei o seio da minha mulher e ouvi seu suspiro de susto, porque ela ainda verificava se não estávamos sendo vistas.
— Sinal verde. É só um beijo, amor… — murmurei, aproximando-me de seus lábios.
Foi um beijo faminto, quente como fogo. Minha língua invadiu a boca dela com urgência, dançando e se enroscando na dela num ritmo possessivo que a fez gemer baixinho contra mim. Uma das minhas mãos subiu pela nuca dela, enfiando os dedos nos cabelos molhados para puxá-la mais fundo no beijo, enquanto a outra apertava firme a bunda da minha muié por baixo d’água. Meus dedos cravaram na carne macia, subindo depois para apertar o seio, roçando o polegar no mamilo endurecido até senti-lo pulsar.
— Limites — foi a única coisa que Juh disse antes de me puxar de volta para o beijo.
Ela se derreteu nos meus braços, o corpo todo molinho e entregue, as pernas apertando mais forte na minha cintura, a respiração ofegante se misturando à minha enquanto se rendia completamente.
— A gente precisa sair daqui — afirmei, dando os últimos selinhos.
— Ninguém viu nada — Júlia falou, rindo, olhando ao redor.
Também reparei que tudo estava normal, da mesma maneira de quando eu havia verificado antes.
Virei o restante do líquido da latinha de cerveja na minha cabeça e mergulhei.
— Promessa é dívida — brinquei ao emergir.
— Você precisava mesmo parar de beber — Juh observou, rindo de mim.
Saímos da piscina, tomamos uma ducha rápida, trocamos de roupa e nos juntamos ao pessoal. Minha gatinha estava toda dengosa no meu colo, quietinha, fazendo um leve carinho na minha nuca, e toda hora eu dava um beijinho nela.
Antes disso, Iury foi retirar as malas do carro do senhor José, a pedido dele, e, quando sentamos, o celular dele ficou no sofazinho ao lado, entre mim e Lana. O fato curioso é que não parava de chegar notificação, e aquilo chamou a minha atenção.
— Que diabo de tanta mensagem é essa? — perguntei.
Lana deu uma olhada na tela.
— Não dá para ver de quem é, mas a maioria é do Instagram. Tem umas no WhatsApp também — respondeu, voltando a jogar.
— Deve ser as negas. Ele estava todo, todo aí… fazendo várias mídias — Lorenzo zoou.
— Isso é bem provável mesmo — Lana respondeu, no automático, rindo.
— Ele está fazendo sucesso por lá, é? — Juh quis saber.
— Iury está fazendo a festa — ela falou, rindo e deixando o celular de lado.
— E você? — Loren questionou, curiosa.
— Eu nada, ué — Lana respondeu em um tom suspeito, rindo de canto.
— Aaaaaah, agora conta — Juh pediu, rindo e a balançando pelo braço.
— Já falei, não tenho ninguém — Lana disse, claramente mentindo.
— Lana arranjou um boyzinho e não quer contar — Loren brincou.
— Pera, Iury sabe? Porque ele é todo tirado a ciumento — eu quis saber, curiosa.
— Ele é ciumento? Nossa, eu vou acabar com a vida dele — Lorenzo comemorou, rindo.
— Não vai, não — Juh pediu, mas também ria.
— Deixa ele, amor — Sarah tentou.
E nisso Júlia pegou o celular e abriu o Instagram, tudo isso na minha frente, mas eu não estava prestando atenção. Do nada, a mão dela me puxou pela camisa para me alertar. Juh não emitia som algum, mas estava abismada, com a boca aberta, me olhando à procura de uma resposta.
Eu só vi, de outro ângulo, o que já havia visto antes: Iury bancando o gostoso com uma garrafa de cerveja na mão.
— Deixa o menino, é a fase — respondi, sem captar o abalo.
Ela quase enfiou o celular na minha cara, apontando para o fundo. Tooooodo aquele beijo gostoso tinha sido capturado pela câmera do meu cunhado e postado para os seguidores dele.
Não éramos o foco, os detalhes não eram nítidos nem perceptíveis, mas dava para ver que duas pessoas estavam se pegando. Podia-se perceber que era Juh e deduzir que a outra pessoa, obviamente, era eu.
E aí eu fui entendendo o porquê de Juh ter reagido daquela maneira. Tudo bem que Lorenzo e Loren iam tirar o nosso coro, e se alguém mostrasse aquilo aos meus sogros, zoando, ela morreria de vergonha. Contudo, o pior de tudo era que os seguidores de Iury, a essa altura, não se restringiam apenas ao ciclo familiar, mas também a alguns colegas do colégio. Não era só Júlia Oliver beijando a esposa, era a coordenadora Júlia Oliver sendo devorada pela esposa à beira da piscina.
Juh odeia exposição, e eu sabia que o coraçãozinho dela estava apertado com aquilo. Resolvi tentar tomar as rédeas da situação.
— Não tem muito tempo, dá tempo de reverter — sussurrei.
— O que rolou? — Lorenzo perguntou.
Eu não consegui conter o riso, não sei se pela situação ou pelo nervoso.
— Nada — menti.
E, como vocês já sabem, eu minto muito mal.
O som do story estourando com a belíssima letra: “Deu meia-noite e eu sumi, o coro tá comentando, geral soltando fogos e eu fudendo”.
— O story de Iuuuuuury — Lana gritou, mostrando para o pessoal.
— Ai… — Júlia lamentou, enfiando o rosto em mim.
— Tenho certeza de que ele não viu — falei e já me levantei para levar o aparelho até ele.
Eu o encontrei no meio do caminho.
— Veeeei, você postou um vídeo que, de fundo, tem você chupando sua irmã toda. Apaga aí — disse, já zoando a situação.
— Mentira — meu cunhado falou, achando que fosse mais uma zoeira minha.
— É sério, apaga logo para não complicar com o povo do colégio — disse, enfiando o celular nas mãos dele.
Eu li dois comentários dos amigos dele: “ela vai torar sua irmã no meio, kkkkkk” e outro: “carai, olha pra tia”. Se Juh lesse isso, ela teria um infarto.
Esse segundo era de um amigo de Kaká, com carinha de anjo. Nunca mais olhei para o guri com os mesmos olhos.
— Porra, mas vocês também ficam se pegando em todo canto — Iury falou exaltado, apagando imediatamente o story.
— A gente está em casa, feliz, e ela é minha muié… Não estávamos fazendo nada ilegal ou imoral — respondi.
Imoral até poderia ser, mas não dava para perceber, e o que os olhos não veem, o coração não sente.
Quando voltamos, ele anunciou que já havia apagado, e Lorenzo simplesmente virou o celular para ele, porque tinha gravado a tela.
Sarah tentava contornar a situação, mandando o marido parar e acalmando Juh em um abraço. Mas eu entendo meu irmão: é muito bom zoar Iury, ele cai fácil na pilha.
— Hoje tem, hoje Lore trabalha deitada — Lorenzo brincou.
— Alguém do colégio viu? — Juh quis saber, voltando para o meu colo.
— Alguns, amor, mas não esquenta… Não vai passar disso — tentei amenizar.
— Rapaz, negócio de cinema, viu? Beijam bonito demais — Lorenzo comentou.
— É que essa mulher é uma delícia — respondi, rindo e roubando um selinho.
— A bichinha ficou toda apreensiva e vocês nessa — Sarah observou.
— Prepara o psicológico, Iury, porque você sabe o que vai rolar hoje no quarto dessas duas — Loren entrou na brincadeira.
— E Lore não brinca em serviço — Victor complementou.
Iury estava vermelho de raiva, e todo mundo ao redor ria das zoações. Para ele não surtar, mesmo me divertindo com o ciuminho, resolvi intervir e encerrar. Até porque continuar não seria positivo para mim; minha gatinha iria querer me matar.
— Vamos parar… Mas se acostume com o fato de que eu sou casada com sua irmã e a gente transa, ué — falei, rindo.
— Amor! — Júlia me chamou, indignada.
Lana gargalhou novamente, e o pessoal ao redor também.
Iury olhou para os lados e soltou, com a voz trêmula de ódio:
— Espero que Victor faça a mesma coisa com a sua irmã!
— Eu também!!! — Loren concordou, com uma feição safada.
— Você acabou de me dar uma ótima ideia, priminho… — Victor respondeu, apertando a cintura da minha irmã.
— Iury, como você acha que seu primo conheceu a minha irmã? Chuta aí quem incentivou e quem foi a primeira pessoa a apostar que eles ficariam só de vê-los juntos — falei, rindo.
Meu cunhado ia sair irritado, mas eu não deixei.
— Parou, parou… — garanti, e ele retornou.
— Acho bom parar mesmo — Juh falou, puxando-o e fazendo carinho no rosto dele.
— Você tem que se preocupar é com Lana, que está cheia de risadinha e não quer contar pra gente — brinquei.
— Ah, não… Voltou pro meu lado. Estava tão divertido… — Lana lamentou, rindo.
— Ela está conversando com um idiota aí e fica toda abestalhada — Iury dedurou.
(Nessa época, era muito engraçado perceber eles pegando nosso sotaque, nosso jeito de falar.)
— Sabia que tinha alguém — Loren festejou, batendo na própria perna.
— Aqui a foto dele — Iury mostrou, se vingando, já que ela ria dele minutos antes.
— Eu conheço!!! — Juh exclamou.
— Já pegou? — perguntei, rindo.
— Não sei do que vocês estão falando — ela debochou, rindo.
A madrugada passou nessa resenha. Depois, a zoação virou para mim, porque parei de beber a pedido de Juh.
— Lore é pau-mandada assim desde sempre. Ela tem esse jeito meio marrento, mas Juh sempre mandou nela — Victor brincou.
Todo mundo embarcou na ideia, rindo de mim.
— Gente… Não entendo como vocês querem me ofender assim. Eu nunca escondi isso e não compreendo onde está o erro. Minha muié manda em mim e eu faço tudo que ela me pede — falei, encarando Iury, o mais empolgado em tentar me perturbar. — T-U-D-O! — ressaltei, rindo sarcasticamente.
Todo mundo entendeu a conotação, o duplo sentido, e dessa vez caiu por terra a tentativa de me zoar.
Fomos dormir e, antes de entrar no quarto, dei uma última zoada em Iury: — Agora eu vou pegar sua irmã de jeeeeeito!
Ele revirou os olhos e passou direto, indo para o quarto ao som do meu riso.
Assim que passei pela porta, Juh me abraçou forte. Senti algo diferente, como se ela estivesse sedenta por mais contato, mais carinho.
— Você quer um denguinho, é? — perguntei para confirmar, e Júlia acenou positivamente com a cabeça. — Então eu te dou denguinho, amor — confirmei, carregando-a para a cama.
— Eu te amo, sabia? — ela perguntou, quando me deitei e a trouxe para cima de mim.
— Eu também te amo, gatinha — respondi, dando uma sequência de beijos no rosto dela.
No início, dormimos assim, em toques de carinho incessantes. Porém, logo Juh acordou enjoada e levantou para vomitar. Eu a acompanhei e, pouco depois, ouvi um chorinho de neném. Era Tiago, e Victor o acalmava com uma mamadeira.
Bom… Minha mulher à mercê dos sintomas da gravidez, meu sobrinho com fome. Juntei uma situação à outra e tive uma ideia.
— Quer um vale-night? Deixa os dois comigo. Vou ficar acordada com Juh mesmo — propus ao meu cunhado.
— Não atrapalha? — ele se preocupou.
— Não! — minha irmã respondeu, apressadamente.
Colocamos os dois no centro da cama.
— Tiago chora duas vezes por noite para mamar. É só dar a mamadeira que ele volta a dormir. Uma já foi. Alice acorda próximo ao raiar do dia, mas não chora, ela se faz ser notada — Loren nos explicou.
— Amei que vamos ficar com eles — Juh disse, quando o casal saiu.
— Eles estão com uma carinha de quem precisam dormir — falei sobre Victor e Loren, e Júlia concordou.
Foi exatamente como Loren explicou. Tiago chorou mais uma vez, Juh deu o mamá, e pela manhã eu levei uma mãozada na cara, porque minha sobrinha é poucas ideias quando está com fome.
Quando despertei mais tarde, eles já não estavam mais no quarto, e minha gatinha me mostrou uma foto no grupo da família, tirada por minha irmã.
As crianças acordadas, sentadas entre mim e Juh, que olhava para elas rindo enquanto eu dormia. A legenda dizia: “Tá tranquilo, gente, colocamos a titia pra mimir”.
Foi zoeira, mas rendeu uma foto fofa.
— Você está bem? Enjoou mais? — questionei.
— Não. Já levantei, tomei banho, café e não senti nada… Graças a Deus! — Juh respondeu.
— Ainda bem, amor — falei, dando um beijinho nela e na barriguinha.
— Eu estava com saudade — Juh disse, abraçando minha cabeça apoiada em seu abdômen.
— Tá ouvindo, Maju ou menininho? A mamãe de vocês me ama, eu amo muito a mamãe e a gente ama muito vocês — falei, depositando mais beijinhos.
Júlia riu, fazendo carinho no meu cabelo.
— Estou com saudade de vossa senhoria também… — comentei, voltando para ela, passando o nariz pelo corpo dela. — Que gatinha cheirosa — murmurei em seu ouvido, e ela riu.
Tomei seus lábios em um beijo e abri um dos botões da camiseta que ela vestia, aproveitando para apertar seu seio. Senti um lento suspiro contra a minha boca, e logo as duas mãos dela se juntaram à minha, ensaiando retirá-la dali.
— Você não está merecendo — Júlia disse, sorrindo, e eu voltei a beijá-la, apertando ainda mais seu peito.
— Não? Eu acho que estou… — respondi, abrindo mais um botão.
— Depois fica s gabando, se achando a fodona para os outros — ela disse, convencida, mas me deixando prosseguir.
— Eu vou ficar bem quietinha, não direi mais nada a respeito — garanti, dando um chupão em seu peito.
Eu garanti, mas Juh ainda sorria com aquela cara de quem manda no pedaço, de quem podia me controlar com um simples empurrão. Os olhos brilhavam em provocação enquanto eu desabotoava o resto da camiseta dela, revelando sua pele quente. Desci devagar, beijando o caminho pelo abdômen, sentindo o cheiro dela me enlouquecer. Cheguei à virilha e parei por um segundo, olhando para cima, vendo aquela carinha corada, os lábios entreabertos já pedindo mais.
— Amor… — ela murmurou, mas eu não dei tempo para protestos.
Abri as pernas dela com as mãos firmes nas coxas, apertando seu corpo macio, cravando os dedos o suficiente para deixar marcas leves, sentindo-a tremer de leve em meus braços. Minha boca encontrou a pepeca dela, quente e meladinha, e eu a devorei com fome pura, como se fosse a primeira vez. Comecei com a língua plana, lambendo devagar de baixo para cima, circundando o clitóris com a ponta, chupando com uma sucção ritmada que fazia o corpo dela arquear na cama. Juh gemia baixinho, um som rouco que ecoava pelo quarto. As mãos dela voaram para o meu cabelo, puxando meu rosto mais fundo contra ela, os dedos se enroscando com força, como se quisesse me fundir ali. Eu intensifiquei, a fome me consumindo inteira. A verdade é que havia um tempo que não rolava um oral de respeito, e eu estava morrendo de saudade disso. Enfiava a língua mais fundo, fodendo-a com movimentos rápidos e possessivos, alternando com chupadas famintas no clitóris, sugando como se minha vida dependesse daquilo, enquanto minhas mãos seguravam as coxas dela abertas, empurrando-as para os lados para ter mais acesso.
— Ai, amor... — ela sussurrou, gemendo mais alto agora, mas ainda contida.
O quadril de Júlia se mexia contra minha boca, se esfregando com desespero. Ela estava entregue totalmente, do jeito que eu amo vê-la. Com o corpo molinho e arqueado, as unhas cravando no meu couro cabeludo enquanto eu a lambia sem piedade. Mantive minha língua dançando em círculos apertados, depois mergulhando de novo, provando cada gota dela que me deixava tonta de tesão. Apertei mais as coxas, sentindo os músculos dela contraírem sob meus dedos, e chupei com tudo, com a fome animalesca que estava presa dentro de mim, com uma intensidade que a fazia tremer inteira.
Os gemidos dela viraram um ritmo ofegante, baixinho e mais urgente.
— Assim... por favor... — Juh pediu, puxando meu rosto com mais força, me guiando para o ritmo perfeito.
Eu não parava. Sentia que minha língua havia ganhado um superpoder naquele dia. Incansável!
Prossegui com as mãos firmes, mantendo Júlia no lugar enquanto ela se desfazia. O corpo da minha muié convulsionava durante o orgasmo, ondas quentes inundaram a minha boca e eu só a soltei quando ela afrouxou os dedos no meu cabelo, ofegante. Subi para beijá-la, deixando-a provar o próprio gosto nos meus lábios.
— Minha gatinha... Você é uma delícia! — sussurrei, abraçando-a forte, enquanto recuperávamos o fôlego.
Após algum tempo, Juh me olhou com aquele olhar safadinho. O corpo dela ainda estava todo corado e brilhando de suor e, sem dizer nada, ela me empurrou de leve para os travesseiros, invertendo as posições num movimento dominante. Subiu em cima de mim devagar, deixando as coxas quentes se abrirem sobre as minhas, me prendendo na cama como se eu fosse um brinquedinho dela — e era bem isso que eu queria ser.
Ela sorriu maliciosa, traçando os dedos pelo meu peito, descendo pela barriga, roçando de leve na borda da calcinha, só para me provocar. Me ver arquear e morder o lábio para ela.
— Agora é a minha vez de te fazer implorar, amor — murmurou, com a voz rouca e lenta.
Os lábios de Júlia roçavam na minha pele enquanto ela descia, beijando cada centímetro de mim. Parava de propósito em pontos sensíveis, lambendo devagar, soprando ar quente para me arrepiar inteira, curtindo o jeito que meu corpo reagia sob ela, com meus gemidos escapando sem controle. Chegou na minha pepeca já molhada e provocou mais: passou a ponta da língua de raspão, só uma vez, leve como pluma, depois soprou de novo, me olhando de baixo para cima com um sorrisinho de quem sabe o poder que tem.
— Juh... Por favor, não brinca assim... Vai logo... — pedi baixinho, apertando as mãos nos lençóis, mas ela riu suave, negando com a cabeça.
— Calma, amor... Vou te devorar bem devagar — ela disse.
E começou sensualmente, de uma maneira torturante, a passar a língua espalmada, lambendo a entrada devagarinho, circundando o clitóris sem tocar direto, chupando minhas coxas internas para me enlouquecer.
Eu me contorcia toda, procurando contato. Meu quadril subia sozinho, pedindo mais, e ela segurava firme minhas coxas abertas, controlando tudo. Os olhos fixos nos meus, vendo cada expressão, cada suspiro rouco que eu soltava. Então deu a cartada final: enfiou dois dedos devagar, curvando-os para acertar o ponto certo, fodendo lento enquanto a língua finalmente atacava o clitóris em movimento circular, sugando de leve, parando para lamber ao redor antes de voltar.
— Ai, amor... Mais rápido... — eu tentava falar, buscando fôlego.
Mas ela acelerava aos pouquinhos, mergulhou os dedos mais fundo, com rotação possessiva, e a língua agora se movia de maneira mais faminta, chupando num ritmo perfeito que me fez ver estrelas.
Ela provocava sem piedade, tirando os dedos para lamber tudo, depois enfiando de novo mais forte, me fodendo com intensidade, enquanto sugava tudo o que eu tinha. Meu corpo tentava se erguer o máximo possível, puxei-a pelo cabelo e ela gemia dentro de mim, curtindo o efeito que causava, me levando ao limite devagar, depois me empurrando para o abismo com dedos rápidos e a língua imparável.
Gozei de maneira farta, com o corpo tremendo sob ela. Gritinhos abafados escapavam pelas minhas próprias mãos, porque ela não parava, lambendo cada gota, os dedos prolongando o prazer até eu desabar, mole e fraca.
Ela veio me beijar, suada e satisfeita, e eu a agarrei para que permanecesse ali.
— Um dia você me mata, muié... Eu te amo tanto — sussurrei, ainda recuperando o ar.
— Eu te amo, te amo, TE AMOOOOOOOO — Juh repetiu e, nesse último, gritou, o que nos fez sorrir ainda mais.
No banho, estávamos cheias de carinho. Ela toda encaixadinha nos meus braços, e eu sentia uma certa urgência dela comigo. Até cheguei a brincar entre alguns beijos, dizendo para ela ficar tranquila, que eu não iria fugir. Em resposta, Juh ria meio sem jeito e eu a abraçava, aproveitando ao máximo aquele grudinho todo.
Meu banho foi mais rápido porque ela quis lavar o cabelo e eu não. Quando eu já me dirigia para o quarto, Júlia pediu que eu ficasse.
— Amor, fica aqui até eu terminar — ela disse.
— Vou vestir algo e volto — respondi.
Nós gostamos de ficar juntas, então acreditei que fosse apenas o desejo um pouco mais aflorado, ainda mais depois de termos acabado de transar. Está dentro da nossa normalidade ficar mais juntinhas, prolongando os momentos de carinho. Mas, no momento em que parei de frente ao closet, Júlia ficou parada na porta, me aguardando.
— Tá acontecendo alguma coisa? — perguntei, sem entender a atitude dela.
— Nada, só quero ficar com você — ela disse, manhosa.
Continuei achando estranho, então me vesti rápido e retornei, dando um selinho nela. Juh fez menção de me abraçar, mas recuou.
— Vou te molhar toda — falou.
~ E, a essa altura, vocês já estão cansados de saber que eu morro de agonia com tecido molhado no meu corpo 🤣
— Vem cá, vem, não tem problema — respondi, erguendo os braços, e ela veio com força.
Parecia que a gente não se via havia semanas.
— Amor? — perguntei.
Eu já nem sabia como formular, mas estava estranho.
— Eu estou com medo de você sair de perto de mim e algo de ruim acontecer, de eu fazer alguma coisa errada e o nosso bebê... — Juh não completou. Começou a chorar.
Eu a deixei chorar por um tempo e apertei ainda mais o nosso abraço, enchendo-a de beijinhos.
— Você é a mulher mais cuidadosa que eu conheço. Sem você, nós somos um completo caos e tudo parece fora do lugar. Basta a sua presença para nos acalmar e sabermos o que fazer. Eu sei que a nossa primeira experiência com a gravidez terminou de forma dolorida, mas isso não vai resumir as nossas tentativas. Seremos as primeiras a acreditar que vai dar certo e, eu estando ou não fisicamente ao seu lado, o nosso bebê está seguro. Ele estará sempre com você, e não há companhia melhor do que a da mulher mais cuidadosa do mundo.
— Gatinha, quando o meu mundo entra em colapso, é você quem me regula. Quando o caos toma conta da minha cabeça, é você quem me acalma. E quando tudo parece fora do lugar, é você quem faz tudo voltar a fazer sentido — comecei a dizer, conduzindo-nos para a cama, onde ela se sentou no meu colo.
— Tenho medo de tudo — Juh desabafou, soltando as palavras rapidamente.
— A nossa primeira experiência com a gestação foi dolorosa, e é legítimo que essa memória exista dentro de nós. Ainda assim, o que ocorreu não define quem somos nem limita as nossas possibilidades. O luto por Maya não pode invalidar a nossa esperança — coloquei a mão sobre sua barriga — a nossa esperança está viva, e o coração dela pulsa dentro de você.
— Eu vejo a gente tentando escolher um nome e me animo de verdade, mas às vezes me dá vontade de procrastinar tudo. Nome, roupas, móveis, projetos... deixar tudo rolar até onde der, porque, na minha cabeça... a gente pode criar expectativas e... — novamente Júlia não conseguiu terminar, tomada pelo choro.
— Vamos respeitar o tempo de cada processo, amor. Nem apressar, nem postergar. Nós vamos viver, porque, quando ela ou ele for maiorzinho, faremos questão de contar como foi bom nos organizarmos para a tão sonhada chegada. Só nós duas sabemos o quanto desejamos esse bebê, e agora o temos. Vamos viver tudo o que tivermos para viver até que ele esteja em nossos braços — falei, sustentando o rostinho dela para que olhasse para mim.
— Tá bom, amor — Juh respondeu, com o tom mais firme que conseguiu, e fechou os olhos ao me abraçar mais forte.
— Eu confio plenamente na sua capacidade de cuidar, de perceber sinais, de proteger. Estando eu fisicamente ao seu lado ou não, o nosso bebê estará seguro porque estará com você. E, para mim, não há ambiente mais seguro do que estar com você. Você é a pessoa mais cuidadosa que eu conheço, e isso faz toda a diferença. Você não teve culpa por Maya não ter vindo ao mundo. Pelo contrário, eu te vi fazendo coisas que você odeia somente pelo bem-estar dela, e sei que fará os reajustes necessários e muito mais por esse nenenzinho que está a caminho — disse, quando ela já estava mais calma.
— Eu te prometo que vou dar o melhor de mim. Vou seguir cada recomendação dos médicos certinho e vou me dedicar inteiramente à nossa família. Eu não vou falhar! — Júlia disse, decidida.
— Com a gente você nunca falhou, meu amor — garanti e a beijei.
Existiam muitas nuances que eu gostaria de comentar sobre a saúde física, mental e a rotina de Juh, além dos cuidados com a nossa casa. Porém, todos esses assuntos eram delicados demais para aquele momento, então resolvi me calar e deixar para outro dia. Eu sabia que existia uma insegurança em relação à gestação, até porque ela também habitava dentro de mim, mas a potencialização que a minha gatinha estava sentindo… foi pesado de ouvir…
— Nem preciso mais de banho de tanto que chorei — Juh brincou, quando retornávamos.
— Se você quiser, eu te deixo mais molhada ainda — brinquei de volta, abraçando-a por trás e a enchendo de beijos.
Ela virou de frente para mim e beijou minha boca, bem de leve, com um sorrisinho lindo.
— Você me deixa segura, é e sempre será meu porto seguro, meu ponto de conforto e paz — Júlia falou.
Eu me preparava para dizer mais uma vez que a amava quando senti a água morna bater bem no centro da minha cabeça.
— Opa, acho que agora você precisa lavar o cabelo também — ela disse, rindo de mim.
— Que muiezinha você é, viu?! — falei, fingindo indignação.
Mas logo retirei a roupa e, juntas, lavamos o cabelo, do jeito que a minha gatinha queria.
O pessoal já estava todo em volta ou dentro da piscina. Mih e Kaká, claramente, se aproveitavam dos chamegos dos avós, fazendo deles gato e sapato. Eu nunca imaginei, por exemplo, ouvir meu pai dizendo que precisava tirar FÉRIAS com os netos ou ver meu sogro vestido de Goku. São coisas que só esses guris têm a capacidade de tornar possíveis.
Deitei em uma espreguiçadeira, junto da galerinha animada que já estava resenhando, e Juh se juntou a mim. Todo aquele chamego continuou: um carinho aqui, um beijinho ali, um cheirinho acolá… Porém era diferente, ou melhor, havia voltado ao normal. Eu a sentia mais leve e, para mim, isso é o que importa.
— Rapaz, eu fiquei sabendo que minha irmã deu um fora tão forte em Lore ontem que ela precisou se refugiar nos braços de Alice e Tiago — Iury zoou.
Eu não respondi à altura porque não podia, mas olhei para ele com um sorrisinho sacana.
— Porra, gastou… — Lorenzo comentou e gargalhou.
— Nossa, foi muito bom passar a noite com eles — Juh falou, ignorando o irmão e se voltando para Loren.
— Eu dormi como não dormia há… sei lá quanto tempo! — exclamou minha irmã, e nós rimos.
— Agora que eles não ficam tão no peito, podemos pegar de vez em quando, se vocês quiserem — falei, e Juh acenou que sim com a cabeça.
— Podem pegar SEMPRE. Amo meus filhos, mas uma noite bem dormida tem seu valor — Victor disse, relaxando totalmente o corpo na cadeira, e continuamos rindo.
— De quem foi a ideia? Eu também quero — Lorenzo perguntou.
— De Lore. Juh estava um pouco enjoada… por falar nisso, passou? — Loren perguntou, e Juh confirmou.
— Aaaaah, então foi por isso que elas não tocaram fogo na casa, Iury. Enjoo — Lorenzo zoou.
— Ainda acho que Lore levou um fora bem dado — Iury comentou.
— Você não aguenta brincadeira e Lore está quietinha, é melhor parar — Juh aconselhou Iury.
— Lá onde ele mora parece que o povo só transa de noite — ironizei.
— Para também — Júlia falou, olhando para mim, e imediatamente me calei, mas todos ao redor riram, com exceção do meu cunhadinho.
— Nossa, eu pensei que você não ia revidar! — Lana vibrou para mim, e eu pisquei para ela.
— Aí eu conheço, rolou, mas Lore se vendeu — Loren falou, rindo.
Eu tinha certeza de que meu semblante não dizia o contrário.
— Vou retirar todos os vale nights — brinquei.
— Amor, vamos dar uma segurada — Victor pediu para minha irmã, rindo.
Ficamos nessa resenha, um contra o outro, conversando sobre outros assuntos por horas, até que, em determinado momento, permaneceram comigo apenas Loren e Lorenzo.
— Para a gente não tem problema, só assume que rolou — Loren pediu.
— Essa muié me deu um chá… — respondi em baixo tom, deixando minhas expressões entregues às minhas memórias.
— Eu sabia! — Loren exclamou, rindo.
— E você está se matando por não poder responder o pestinha… Estou achando que ele precisa de um mentor, porque está com uma chance de ouro nas mãos para atazanar o seu juízo e não está sabendo usar — meu irmão comentou, pensativo.
— Nem brinca com isso, sério, ele já me causou dores de cabeça demais — falei, de um jeito firme.
Levei a zoeira de Lorenzo tão a sério que ele riu do meu desespero, dizendo que achou que eu fosse mais forte e que ele e Loren não tinham feito um bom trabalho, porque meu cunhado estava me traumatizando.
Dois bestas. Contudo, até disso eu estava com saudade!
Ao fim do dia, todos se organizavam para voltarmos à nossa rotina. Eu já estava pronta para ir ao hospital e me despedi de Juh com um beijo demorado. Milena e Kaique estavam na cama com ela, e eu deixei uma missão.
— Cuidem direitinho delas duas — brinquei com meus dois filhos.
— É menino, mas eu vou cuidar direitinho, tá, mãe?! — Mih falou, convencida, abraçando Júlia.
— Vai ser menina e eu vou cuidar das três — se garantiu Kaká, juntando-se ao abraço.
Não resisti: dei um último beijinho em cada um e desci as escadas, encontrando minha sogra.
— Lore, você acha bom eu passar uns dias aqui? Estou achando Juh fraquinha, sem comer direito, e esses mal-estares que fazem ela vomitar… Estava indo perguntar a vocês… — falou dona Jacira.
— Sogrinha, seria ótimo ter a senhora aqui com a gente nesse período. Ela ainda vai fazer alguns exames, mas já sabemos que a alimentação vai mudar bastante. Juh está no quarto com os meninos, tenho certeza de que eles vão adorar a ideia — disse-lhe, e nos despedimos. Eu já estava atrasada.
Anteriormente, Júlia odiaria a ideia, mas as circunstâncias haviam mudado bastante. Ela ia amar o colinho da mãe por mais tempo e, de certa maneira, teria uma companhia a mais.
Quanto à parte nutritiva… bom, deixa para contar isso depois!
Dei um longo abraço nos meus pais, que me disseram, na maior cara de pau, que iam aproveitar para passar uns dias na pousada antes de retornarem para casa. Assim que ia entrar no carro, ouvi Juh me chamar da porta.
— Esqueci algo? — perguntei, tocando nos bolsos, e ela veio até mim.
— Quero te dar outro beijo — ela disse, com um rostinho doce.
— É? — perguntei, com toda a malícia que existia em mim, sentando no banco do carro.
— É! Para você ficar lembrando e querer voltar logo para casa — Juh respondeu, com um riso sapeca.
— Eu já quero voltar para casa — respondi, entre selinhos.
Ela se inclinou para dentro do carro, com as mãos envolvendo meu rosto, enquanto seus lábios macios colaram nos meus em um beijo lento que me derreteu inteira. Começou com um roçar suave, nossas línguas se tocando de leve como provocação. Depois, ela aprofundou com urgência possessiva, sugando meu lábio inferior e puxando-o com os dentes de leve. A língua dela invadiu minha boca de um jeito quente e sem vergonha; a muié veio com uma fome que fez meu corpo arrepiar todo. Deixei um gemido baixinho escapar enquanto minhas mãos subiam para as coxas dela por baixo da saia, apertando sua bunda e puxando-a para mais perto.
O gosto dela, o cheiro… tudo me fazia querer não sair dali. Tudo já enchia meu peito de saudade.
Prolonguei o beijo até ficarmos ofegantes e finalizamos a pegação com inúmeros selinhos molhados.
Meu corpo ainda formigava daquele beijo que já me fazia contar os minutos para voltar para casa. Saí do carro só para dar um último abraço nela.
— Estou mega atrasada — sussurrei.
— Então vai, para voltar logo — Júlia disse, mas não me soltou.
Nesse momento, minha mãe saía com uma mochila para colocar no porta-malas e se aproximou de nós.
— Não negue nada à minha norinha, faça todas as vontades dela para o bebê ficar feliz, ela também precisa estar — ela disse.
— É, amor, não vai trabalhar — Juh brincou, e nós três rimos.
— Não nego naaaada, mãe, ela me pediu agora uma chupada no peito e eu dei, acredita? — zoei e me joguei para dentro do carro.
— Minha sogra, isso é mentira dela!!!! — Júlia se apressou em me desmentir, enquanto minha mãe ria.
— É brincadeira — falei, rindo, e me estiquei pela janela para um último selinho.
Inacreditavelmente, recebi.
(ainda consegui ouvir minha mãe a incentivando a pedir mesmo quando quisesse, e Juh com certeza estava mais vermelha do que um tomate)
Enquanto acelerava pela rua, o gosto de Juh ainda estava nos meus lábios e, embora o dia tivesse sido uma montanha-russa de emoções, eu me sentia leve. Meu coração pulava de animação com nossa família crescendo e por ter passado aquele “dia” com todos: os guris bagunceiros, a barriguinha dela com nossa Maju ou nosso menininho, toda gestação, zoeira, implicância e, principalmente, todo aquele amor que nos rodeava. Eu estava doida para voltar logo e mergulhar no nosso mundo, que precisava de tantas atenções em todos os lados, mas isso não me preocupava; me dava ânimo para seguirmos em frente. Peguei o celular no sinal e abri o bloco de notas rapidinho: “Encomendar buquê de girassóis para Juh”. Sorri sozinha, imaginando a carinha dela, e pisei no acelerador rumo à filial, sabendo que não importava o que aconteceria com o resto do meu dia, porque o melhor de tudo da minha vida estaria sempre me esperando em casa.
