Minha Irmã Viu Meu Nude e Agora Tudo Mudou - PARTE 2

Um conto erótico de contradio
Categoria: Heterossexual
Contém 3615 palavras
Data: 13/01/2026 23:32:05

E aí, galera, muito obrigado pelos comentários e DMs perguntando sobre a situação.

Não tenho muita certeza do que tá rolando, mas quero deixar claro que não vou compartilhar fotos de como minha irmã ou minha mãe são. A atualização de hoje é bem boa. Só posso dizer que não sei pra onde isso tudo vai, mas tô aqui curtindo o rolê.

O despertador gritou às 4:47 da manhã como se tivesse uma rixa pessoal com meu ciclo REM. A mãe precisava estar no aeroporto de Guarulhos às seis, o que significava que eu fui eleito motorista por ser o único sem turno cedo—ou turno nenhum, já que o escritório tá de recesso.

Encontrei ela na cozinha, já no segundo café, uma mala de rodinhas encostada no balcão feito um cachorro obediente. Ela trabalhava com tecnologia médica—o tipo de trampo que eu fingia entender durante as conversas no jantar. Algo sobre sistemas de gestão de pacientes e prontuários eletrônicos. A missão de hoje envolvia voar pro Nordeste pra segurar a mão de administradores hospitalares que não conseguiam descobrir por que o software novo deles não tava sincronizando direito.

"Dois dias," ela disse, mexendo na tela do celular. "Volto quinta de manhã. Tem sobra de lasanha, e deixei um dinheiro em cima da geladeira se vocês quiserem pedir alguma coisa."

"A gente se vira," respondi, embora meu cérebro ainda tivesse operando a uns doze por cento de capacidade.

A ida pro aeroporto passou num borrão de luzes de rodovia antes do amanhecer e a voz dela explicando algo sobre protocolos de implementação. Fiz sons apropriados em intervalos apropriados. Quando deixei ela no desembarque, o céu tinha começado sua lenta transição de preto pra cinza, e eu me senti acordado o suficiente pra tomar uma decisão.

A academia abria às cinco e meia. Eu tinha minha bolsa no porta-malas—um hábito nascido de meses me dizendo que eu iria "se a oportunidade aparecesse." Hoje, a oportunidade apareceu.

Duas horas de musculação e cardio depois, encontrei o Caio e o Matheus na trilha perto da represa Guarapiranga. A corrida foi exatamente o que eu precisava: ar frio nos pulmões, conversa que ficou seguramente no território de cartola do Brasileirão e qual streaming tinha o melhor conteúdo original, pés batendo na terra compacta num ritmo que não exigia pensar. Quando terminamos, minhas pernas pareciam ter sido substituídas por elásticos, mas minha cabeça tava clara.

Chequei o celular no estacionamento. Nada da Manda. Nada surpreendente—ela conseguia dormir até meio-dia quando tinha a oportunidade, e com a mãe fora, não tinha ninguém pra bater na porta dela sobre "desperdiçar o dia."

Mandei mensagem pra ela lá pela uma da tarde, ainda sentado no carro com o aquecedor ligado: *Smash burgers pro jantar hoje? Ou só pede iFood?*

Três pontinhos apareceram. Desapareceram. Apareceram de novo.

*Smash burgers. Não esquece a banha de porco pras batatas.*

Sorri com isso. Algumas coisas, pelo menos, permaneciam constantes. Nossa família e o amor por batatas caseiras.

A ida pro mercado foi eficiente: carne moída, pão brioche, queijo cheddar em fatias, um saco de batatas, e um pote da banha boa da seção refrigerada perto do açougue. Peguei um pack de seis da IPA que eu curtia e uma garrafa daquela água com gás que ela tava obcecada ultimamente.

Quando cheguei em casa, a porta da Manda tava fechada. Nenhum som vindo de dentro, o que significava que ela ainda tava dormindo ou scrollando em silêncio no celular. Não bati na porta. A gente tinha uma política não-dita sobre respeitar o espaço um do outro, especialmente quando a mãe não tava por perto pra dar privacidade pra cada um.

As compras foram pra geladeira, organizadas de um jeito que só fazia sentido pra mim. Fiz um café—finalmente, o primeiro do dia, mas quem tava contando—e levei pro meu quarto.

Valorant tava chamando.

Liguei o PC, coloquei o headset, e caí no ritmo confortável de gameplay competitivo. As horas escorregaram como água pelos dedos. Meu time tava fundo numa ranked quando tudo deu errado—inimigos aparecendo de três direções, conseguimos limpar os squads inimigos próximos e agora voltando pra lootar os corpos deles.

"LOOT LOOT LOOT!" gritei no mic, que era nosso código ridículo do time pra "MUITO LOOT, CARALHO!"

A ranked terminou com a gente passando pela extração, mal mal. Eu tava recostado na cadeira, ainda na adrenalina alta, quando a porta abriu sem aviso.

A Manda tava parada na porta, o cabelo um emaranhado de fios pretos do sono, a expressão aquela linha perpetuamente torta de desinteresse com a qual cresci. Ela usava seu moletom baggy de sempre—o cinza com os punhos desfiados que ela tinha há uns bons anos.

Mas sem calça.

Quer dizer, talvez tivesse shorts por baixo. O moletom pendurava além dos quadris dela, cobrindo o suficiente pra eu não conseguir ver nada de fato. Mas as pernas dela tavam nuas da metade da coxa pra baixo, e meu cérebro imediatamente começou a espiralar em território onde não tinha negócio explorando. Ela tava usando shorts? Shortinho? Calcinha normal? Nada?

Senti calor subir pelo meu pescoço.

"Cê pode jogar mais baixo?" ela disse, a voz grossa com o resíduo de cochilo. "Tem gente tentando dormir aqui."

"Eu—é, desculpa." As palavras saíram irregulares, como se minha língua tivesse esquecido como funcionar direito. "Não sabia que tava tão alto."

Ela acenou uma vez, já se virando. As panturrilhas dela eram definidas—provavelmente daqueles treinos de dança fitness que ela seguia. A curva das coxas dela pegou a luz da minha janela, e tive que fisicamente forçar meus olhos de volta pro monitor.

"Desculpa," disse de novo, pras costas dela.

A porta fechou.

Fiquei sentado ali por um longo momento, o headset torto na cabeça, meus companheiros de Valorant perguntando se eu tinha morrido no meio da comemoração. Disse pra eles que precisava dar um tempo, mutei o mic, e encarei a parede.

Isso não era algo sobre o qual eu ia pensar. Isso era absoluta, categoricamente não uma parada.

*Caralho caralho caralho. Aquelas pernas. Para de pensar nisso. Ela é sua IRMÃ. Mas tipo... merda.*

Joguei mais duas horas, embora minha performance tenha sido notavelmente pior. O sol se moveu pela minha janela, rastreando o progresso da tarde pelo meu chão. Em algum momento, ouvi o lado da Manda do banheiro abrir e fechar, água correndo.

Às seis horas, minha porta abriu de novo.

Dessa vez, ela tava usando o moletom baggy e uma calça de pijama xadrez de flanela que se acumulava nos tornozelos dela. Normal. Seguro. Completamente apropriado.

"Então," ela disse, encostada no batente da porta. "Quando você tava planejando fazer meu jantar?"

Tirei o headset. "Você é adulta. Podia começar você mesma."

"Smash burgers são trabalho de duas pessoas. Além disso, você precisa preparar a chapa. Da última vez que tirei a capa, tinha bicho embaixo. Bicho DE VERDADE. Com rabo."

"Beleza. Deixa eu terminar essa ranked e eu desço. Desço em dez minutos."

Ela levantou as duas mãos em rendição e desapareceu de volta pro quarto dela. Observei ela ir, tentando muito não notar o jeito que ela se movia, e fracassando completamente.

Terminei a ranked em oito minutos, o que significava que tecnicamente cheguei cedo. Pequenas vitórias.

A chapa ficava no nosso quintal, coberta por uma lona que tinha visto dias melhores. Me aproximei dela com a cautela de alguém que tinha ouvido as histórias de bicho da Manda e não queria verificá-las pessoalmente. Levantei um canto. Sem movimento. Outro canto. Nada. Puxei a cobertura toda de uma vez e encontrei só uma camada de poeira e uma folha seca.

"Tá limpo," gritei de volta pra casa, me sentindo orgulhoso sem razão.

A Manda já tava na cozinha quando voltei, pegando ingredientes da geladeira. Ela tinha amarrado o cabelo num rabo de cavalo bagunçado, e se movia com a energia eficiente de alguém que sabia o caminho numa preparação de refeição.

"Eu cuido dos hambúrgueres," ela disse. "Você faz as batatas."

"Fechou."

Caímos no ritmo facilmente. Esse era território familiar—a gente tinha feito esses burgers uma dúzia de vezes, seguindo uma receita que ela tinha achado na página de algum influencer de comida. A carne precisava ser dividida em bolinhas exatas de 60 gramas, não prensadas até baterem na chapa. As cebolas tinham que ser fatiadas finas o suficiente pra caramelizar direito. As batatas precisavam de um bom molho em água fria pra remover o amido antes de bater na banha.

Fiquei na tábua de cortar, passando a faca pelas batatas com o tipo de foco que geralmente reservava pros chefes de fase. Cortar, virar, cortar de novo. O movimento repetitivo deveria ser meditativo. Não era.

Porque eu continuava vendo as pernas dela.

Não ativamente—ela tava usando a calça de pijama agora, tudo coberto, tudo apropriado. Mas meu cérebro aparentemente tinha decidido dedicar poder de processamento significativo pra memória dela parada na minha porta, nua da metade da coxa pra baixo, o moletom baggy criando um ponto de interrogação onde a resposta deveria ser óbvia.

Ela tinha dito que tava cochilando. O que significava que ela tava na cama. O que significava—

Me forcei a focar na batata na minha frente.

"Você tá cortando grosso demais," a Manda disse, olhando.

"Vão diminuir no cozimento."

"Não vão diminuir. Vão ficar crocantes no meio."

Ajustei minha técnica, cortando mais fino. Ela voltou a formar esferas perfeitas de carne moída, as mãos trabalhando com eficiência praticada. Sem olhares estranhos. Sem tensão persistente nos ombros dela. Ela parecia completamente, absolutamente normal.

Talvez eu fosse o único sendo esquisito com isso.

O pensamento não foi reconfortante.

*Ele tá estranho. Será que ele percebeu que eu tava olhando pro pau dele mais cedo? Merda. Claro que percebeu. Ele sempre percebe tudo.*

Nos movemos pro quintal uma vez que a chapa tava quente. A banha de porco desceu primeiro, se espalhando pela chapa numa poça reluzente. Depois as fatias de batata, arrumadas em fileiras cuidadosas, chiando imediatamente ao contato. A Manda colocou as bolas de carne numa linha e me passou a espátula grande de metal.

"Prensa bem," ela disse.

Fiz isso. Cada uma achatou sob a pressão, as bordas se espalhando finas e crocantes quase imediatamente. O cheiro era intoxicante—gordura de carne e cebolas caramelizando, o tipo de aroma que te deixava com fome mesmo quando você não tava.

"Vira as batatas," ela instruiu. "Tão ficando escuras demais desse lado."

Virei as batatas. Ela adicionou queijo aos burgers, colocando fatias de cheddar sobre cada hambúrguer e cobrindo com uma cúpula de metal pra ajudar tudo a derreter. Trabalhamos em sincronia, passando ferramentas um pro outro sem precisar pedir, antecipando movimentos do jeito que só conseguia com alguém que você conhecia a vida inteira.

Isso era normal. Isso tava de boa.

Exceto pela parte do meu cérebro que ainda, persistentemente, tava pensando no que ela não tava vestindo.

Comemos no sofá, pratos balanceados nos colos, algum documentário de true crime tocando em volume baixo na TV. Os burgers tavam perfeitos—prensados finos com bordas crocantes, o queijo derretido na carne, tudo empilhado em pães brioche tostados com o "molho especial" da Manda que era só maionese e sriracha. As batatas tavam douradas e salgadas, cozidas em banha suficiente pra deixá-las nível restaurante.

"Boa escolha na banha de porco," disse com a boca cheia.

"Sempre é."

Comemos em silêncio confortável por alguns minutos. O apresentador do documentário tava explicando algo sobre análise de respingos de sangue. Não tava realmente ouvindo. Tava me preparando pra algo estúpido, do jeito que sempre me preparava pra algo estúpido—não pensando nisso até as palavras já estarem saindo.

"Então," disse, mantendo os olhos na TV. "Mais cedo. Quando você veio me mandar ficar quieto."

"Ficar mais baixo," ela corrigiu.

"Isso. Você tava..." Pausei, dei uma mordida no burger pra ganhar tempo, mastiguei mais que o necessário. "Você tava vestindo alguma coisa embaixo daquele moletom?"

A Manda engasgou com uma batata no momento precisamente errado. Ela tossiu violentamente, alcançando a água com gás, o rosto ficando vermelho de um jeito que não tinha nada a ver com a sriracha.

"Jesus, Bruno."

"Desculpa. Eu só tava—não tinha certeza se você tava usando shorts ou—"

"Isso foi há horas atrás." Ela colocou o prato de lado, ainda recuperando o fôlego. "Eu tava esperando que você não tivesse notado."

Mas eu tinha notado. Deus, eu tinha notado. A curva das coxas dela, o jeito que a luz tinha pegado o formato das panturrilhas, a pele nua desaparecendo na sombra daquele moletom oversized. Tinha notado mais do que deveria, catalogado detalhes que não tinha negócio lembrando.

"Então..." insisti.

Ela gemeu, afundando mais nas almofadas do sofá. "Só calcinha, tá bom? Eu tava só de calcinha por baixo."

"Ah."

"Eu gosto de dormir sem calça. Fica quente demais no meu quarto. Mas quando te ouvi gritando sobre sei lá que loot você tava gritando, não pensei em colocar calça primeiro." Ela pegou uma batata e apontou pra mim acusatoriamente. "Isso é sua culpa por ser barulhento."

"Justo."

"E o moletom é comprido. Não achei que você fosse—" Ela se interrompeu, rosto ainda corado. "Não achei que seria perceptível."

"Não foi," menti. "Não muito."

Ela me deu um olhar que sugeria que sabia exatamente quanto de merda aquilo era, mas não insistiu. Em vez disso, pegou o prato de novo e virou a atenção de volta pra TV, onde o apresentador do documentário agora tava discutindo entomologia forense.

Comi outra batata e tentei muito não pensar em todas as noites que ela tinha estado no quarto dela, logo no corredor do meu, vestindo nada além de um moletom e calcinha. Ou menos que isso. As paredes dessa casa não eram particularmente grossas.

O pensamento ficou no meu estômago, pesado e quente, misturando com a carne e banha de um jeito que parecia vagamente como culpa.

*Ele tá pensando nisso. Consigo ver na cara dele. Merda. Isso é tão esquisito. Por que isso é tão esquisito?*

Não conseguia parar de pensar nisso. Todas aquelas noites, logo do outro lado do banheiro do meu, e ela tinha estado dormindo só de calcinha. Talvez menos. A imagem mental continuava surgindo—ela embaixo das cobertas, pernas nuas emaranhadas nos lençóis, aquele mesmo moletom provavelmente puxado até as costelas porque ela ficava com calor—

Eu precisava parar.

Terminamos de comer e levamos os pratos pra cozinha. O documentário de true crime tinha degenerado em reconstituições dramáticas, nas quais nenhum de nós tava particularmente interessado.

"Devemos começar La Casa de Papel?" a Manda perguntou, se acomodando de volta no sofá. "Paramos num ponto bom."

Peguei o controle e naveguei pra Netflix. O episódio carregou, a abertura familiar de sintetizador preenchendo a sala. Mas mal três minutos dentro, a Manda se mexeu desconfortavelmente.

"Podemos assistir no seu quarto?"

Pausei o show. "Qual o problema daqui?"

"Não sei." Ela puxou as mangas do moletom, um gesto que reconheci como a versão dela de ficar inquieta. "Tá estranho. A gente assistiu todas as outras temporadas no seu quarto. A maratona toda e tudo. Essa sala não parece certa pra isso agora."

Era uma lógica estranha, mas de algum jeito entendi. Tínhamos desenvolvido hábitos durante nossas maratonas de La Casa de Papel—posições específicas na minha cama, padrões específicos de comentários, uma energia específica que não se traduzia pro sofá de couro da sala.

"Beleza," disse. "Vamos lá pra cima."

Meu quarto tava escuro, iluminado só pelo brilho ambiente dos monitores de jogos e da TV montada na parede oposta à minha cama. Acendi as luzes, adicionei um abajur pra dar calor, e carreguei a Netflix enquanto a Manda se acomodava na cama. Ela sentou perto da cabeceira, pernas esticadas, reivindicando seu território usual.

Sentei ao lado dela, mantendo uma distância razoável. Talvez uns 45 centímetros de colchão entre nós.

O episódio retomou. Madri, Espanha piscou na tela, todas as cores suaves e iluminação retrô. Tentei focar no plot—a história do Professor, a Casa da Moeda, a ameaça crescente—mas minha atenção continuava se fraturando.

"Tá frio hoje," a Manda disse, uns dez minutos dentro. Ela esfregou os braços através das mangas do moletom.

"Posso aumentar o aquecimento."

"Não, tá de boa. Só—" Ela se moveu de lado, fechando talvez metade da distância entre nós. "Você é tipo uma fornalha humana. Sempre foi. Só preciso de um pouco desse calor radiante."

O ombro dela tava talvez uns 15 centímetros do meu agora. Conseguia sentir o cheiro do shampoo dela—algo com coco e baunilha.

"Beleza," disse. "Tanto faz."

Voltamos a assistir. Ou eu fingi assistir. Porque a Manda continuava se mexendo, pequenos movimentos que pareciam inconscientes, o corpo dela gravitando lentamente pro meu como se eu tivesse meu próprio pull gravitacional. Primeiro o ombro dela tocou o meu. Depois o braço. Depois, gradualmente, a coxa dela pressionou contra a minha coxa, quente através da flanela da calça de pijama.

O contato parecia elétrico. Um choque estático que não descarregava mas continuava construindo, zumbindo ao longo de cada ponto onde nossos corpos se encontravam. Não sabia o que fazer com minhas mãos. O controle ficou no meu colo como uma desculpa pra manter os braços ocupados. Meu coração tava fazendo algo desconfortável no peito, rápido demais, alto demais.

Eu tava interpretando demais? Ela só tava com frio, como tinha dito, e eu era o único sendo esquisito? Ela sempre tinha sido fisicamente carinhosa de um jeito casual entre irmãos—socos no braço, pés no meu colo durante filmes, esse tipo de coisa. Isso parecia diferente, mas talvez só parecesse diferente porque eu tava fazendo ser diferente.

A cena na tela envolvia uma conversa tensa que não conseguia acompanhar. Meu cérebro tinha redirecionado todos os recursos disponíveis pra catalogar a pressão exata da perna dela contra a minha.

E então, porque sou incapaz de deixar coisas estranhas sem endereçar, falei.

"Você viu uma foto no meu celular?"

As palavras saíram sem permissão, cortando um momento quieto no show. A Manda ficou imóvel ao meu lado.

"O quê?"

"Ontem à noite. Quando você tava procurando a receita. Você viu..." Não consegui terminar a frase.

"Não," ela disse. Mas a voz dela tinha ficado monótona, não convincente, o tipo de negação que era realmente uma confirmação.

Esperei.

"Tá, sim," ela admitiu, depois de uma longa pausa. "Eu cliquei sem querer quando tava tentando chegar na receita. Eles fazem essas caixinhas tão pequenas na nova atualização do iOS. É ridículo."

Meu rosto ficou quente. "Manda—"

"Desculpa se eu tava agindo estranho ontem à noite. Não sabia como—quer dizer, foi inesperado." Ela ainda não tava me olhando, os olhos fixos firmemente na tela da TV onde personagens estavam tendo uma conversa que nenhum de nós tava ouvindo. "Posso te perguntar uma coisa?"

"Acho que sim."

"Aquilo era, tipo, uma imagem de IA ou algo assim? Uma daquelas coisas que dá pra gerar?"

Virei pra olhar pra ela. "Como assim?"

Ela finalmente encontrou meus olhos, e tinha algo na expressão dela que não conseguia ler direito—constrangimento, sim, mas algo mais embaixo. "Parecia grande demais pra ser real. As proporções pareciam erradas."

Quase ri. Quase. "Como você sabe o que parece real?"

"Já vi conteúdo adulto antes, Bruno. Não sou ingênua." Ela disse factualmente, como se estivéssemos discutindo algo normal. "Os dos vídeos não parecem assim. A... circunferência, ou seja lá o quê."

Essa era oficialmente a conversa mais estranha que já tinha tido com minha irmã. Tava discutindo as proporções do meu pau enquanto nossas pernas se tocavam sob o brilho vermelho de La Casa de Papel.

"Não é IA," disse. "É real."

"Real."

"É. Tenho uns 15 centímetros de comprimento mas—" Não podia acreditar que tava dizendo isso em voz alta, mas já tínhamos cruzado tantas linhas de discurso normal entre irmãos que mais uma não parecia importar. "Uns 13 centímetros de circunferência. De grossura."

"Ah."

"Tirei pra uma mina com quem tô conversando. No Tinder."

A Manda ficou quieta por um momento. Depois: "E ela consegue aguentar aquilo?"

Nós dois rimos—risada estranha, surpresa, o tipo que libera tensão sem resolvê-la. Ela cobriu o rosto com as mãos, ombros tremendo, e senti parte da pressão no meu peito aliviar.

"Podemos por favor voltar pro show?" disse. "Em vez de discutir a validade do tamanho do meu pau?"

"Sim. Deus, sim. Vamos nunca falar disso de novo."

Mas ela não se afastou. A perna dela ficou pressionada contra a minha enquanto virávamos nossa atenção de volta pra tela, e eu conseguia sentir o calor corporal dela através da flanela, quente e constante e impossível de ignorar.

*Treze centímetros de circunferência. Isso é tipo... a largura de uma lata de Red Bull. Jesus Cristo. Para de pensar nisso. PARA.*

Assistimos o resto do episódio. Retive aproximadamente nada. Os créditos rolaram, e a Manda se espreguiçou, bocejando, se desentrelaçando da posição contra mim.

"Deveria dormir," ela disse. "Longo dia de nada amanhã."

"Igual."

Ela deslizou pra fora da cama, encontrando o equilíbrio no chão. Me movi pra beira da cama, ainda processando tudo que tinha acontecido, ainda tentando entender o que qualquer coisa daquilo significava.

Ela caminhou em direção à porta.

E quando passou onde eu tava sentado na beira da cama, a mão dela desceu—casual, quase acidental—e roçou a frente da minha calça. Os dedos dela fizeram contato por talvez meio segundo, tempo suficiente pra sentir o formato de mim através do tecido, tempo suficiente pra ser inegavelmente deliberado.

Então ela tinha ido, a porta fechando suavemente atrás dela, me deixando sozinho com os créditos rolando e o fantasma do toque dela queimando através da minha roupa.

*Puta que pariu. Ela realmente fez isso. Ela realmente acabou de fazer isso.*

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