Foi em um verão há muitos anos, onde a família viajara para o litoral. Depois de um dia exaustivo na praia, Evandro, de cabelos desgrenhados e secos e a tez queimada, correu para os fundos da casa, ansioso para se livrar do sal que coçava a pele. O chuveiro externo, improvisado atrás de uma parede de tijolos desgastados, era o local ideal.
Porém, ao virar a esquina, deu de cara com Yasmim, namorada de seu irmão. Era uma mulata de pele reluzente e um corpo escultural. Seu cabelo cacheado, longo e negro, caía molhado sobre as costas nuas, gotejando sobre o corpo água que percorria caminhos sinuosos pela espinha. O biquíni dourado era minúsculo, se apertava contra os seios volumosos, os mamilos endurecidos pelo frescor marcavam o tecido fino. Tinha os quadris largos e convidativos, pernas longas e tonificadas, e uma bunda redonda e firme.
Debaixo do chuveiro, ela puxava para o lado a calcinha, exibindo sem pudor a virilha marcada por uma linha de bronzeado, contrastante com o tom dourado do resto do corpo. Com movimentos precisos e deliberados, ela raspava os pelos na testa. A lâmina deslizava pela pele molhada, capturando bolhas de espuma que se formavam com o sabão. Batia sutilmente o instrumento contra os azulejos para limpá-lo, e então retornava a se raspar.
A cena o deixou estático, hipnotizado. Seus olhos se fixaram na mulher, que exibia o sexo sem pudor, com os lábios abertos e escuros, agora livres de qualquer penugem. Um calor subiu pelo corpo, concentrando-se no baixo-ventre, onde uma ereção involuntária se formava, pressionando contra o short úmido. O ar estava carregado com o cheiro de maresia misturado ao perfume adocicado de protetor solar.
Ele observou por tanto tempo que nem se deu conta de que não estava escondido. Quando ela o notou, virou o rosto com um sorriso que irradiava seus olhos profundos. Evandro sentiu um rubor subir pelo pescoço, queimando suas bochechas como insolação.
— Desculpa, achei que estava vazio. — murmurou ele, com a voz trêmula e o olhar desviado ao chão.
Yasmim riu baixinho, um som rouco e sedutor que ecoou pelo espaço confinado. Acenou com a cabeça:
— Pode ficar. — Disse a mulata, com uma malícia evidente no tom e os lábios formando um sorriso provocante. — Chega mais.
Ele hesitou por um instante, com o corpo tenso como uma corda esticada, mas algo primal o impulsionou. Deu dois passos à frente, com o coração acelerado. Agora, bem perto, podia sentir o calor emanando do corpo de Yasmim, e o cheiro de sabão misturado ao suor salgado. Diferentemente dele, ela estava à vontade. Segurou sua mão e a guiou até a virilha recém-raspada. Os dedos tocaram a pele tenra, lisa como seda, sem um único pêlo para interromper a suavidade. Era macia, quente, e ligeiramente úmida pela água e pela excitação dela própria.
— Olha como tá lisinha — provocou, com os olhos fixos nos dele e um brilho de diversão e desejo. — Pronta pra dar pro seu irmão, ou, quem sabe, pra outra pessoa.
Ela tentou enfiar a mão mais fundo, seus dedos chegaram a tocar os lábios, mas o pânico o dominou.
— Desculpa, eu tenho que ir. — Recuou bruscamente, como se tivesse levado um choque, e virou-se, correndo para longe.
O incidente jamais foi comentado. Yasmim não insistiu. Mas para Evandro, aquela tarde marcou o desabrochar de uma tara, um fetishe que moldaria sua sexualidade.
Desde então, só queria saber de bocetas raspadas. Ele amava a sensação da pele nua deslizando pelos dedos, macia e delicada. Quando chupava, se esbaldava, roçava o rosto pela testa e coxas, lambia em cada dobra. Quando depilada, era um amante incorrigível. Lambia até os músculos do maxilar protestarem com câimbras.
Por outro lado, se houvesse pelos, mesmo que sutis cerdas crescendo, ou uma penugem fina, ele se incomodava profundamente. Sentia um formigamento irritante, a pele pinicando, que quebravam o encanto e o tiravam do momento. Já até mesmo broxara vendo uma boceta com pentelhos cobrindo toda a região.
Sua obsessão obviamente afetara os relacionamentos. A maioria das namoradas não entendiam seu incômodo. Aceitavam de início, por desejo, mas achavam machista e controlador, se incomodavam com a insistência. Ele era prestativo, se oferecia para ele mesmo depilar, comprava hidratante caro e óleo para evitar irritações, até mesmo perfume íntimo. Mas se recusava a transar com elas quando os pelos cresciam. Isso o levou a uma série de discussões e incontáveis términos.
Certa noite, aos trinta anos, sentou-se em um bar, como de costume. Ele bebia devagar, solitário em uma mesa, quando avistou Yasmim. Ela havia envelhecido com graça, provavelmente com trinta e cinco agora, calculou ele rapidamente. Não a via desde que terminaram, apenas seis meses depois do ocorrido. Estava mais madura, com linhas sutis de expressão em seu rosto que realçavam sua beleza, ainda exibia a silhueta esbelta de outrora em um vestido justo que acentuava suas curvas. Seus olhos se cruzaram, e ela o reconheceu de imediato. Sozinha, ela acenou com um sorriso convidativo, chamando-o para se juntar.
Conversaram por horas, relembrando os velhos tempos, enquanto os copos se esvaziavam um atrás do outro. Quando o bar já quase fechava, Evandro reuniu coragem para tocar no assunto que lhe atormentava há anos:
— Posso te perguntar uma coisa? Você se lembra daquele dia no chuveiro?
— Claro que me lembro. — respondeu ela, com um tom casual, mas os olhos brilhando de curiosidade.
— Por que você fez aquilo? Por que se insinuou daquele jeito tão… intenso?
Ela sorriu de canto, traçando o dedo ao redor do copo vazio.
— Eu era jovem, impulsiva, e bem tarada. Eu te achava fofo, só isso. Achei que ia gostar, mas você fugiu todo abobalhado.
— Eu era virgem naquela época, então acabei ficando sem jeito. Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, faria diferente.
— Bom, você ainda tem chance de mudar isso. — murmurou Yasmim, deslizando a mão pelo ombro dele, apertando levemente e lançando um sorriso provocante.
Desta vez, Evandro não vacilou. Levou a mulata para seu apartamento. Mal fecharam a porta e se agarraram em um beijo voraz. Suas mãos exploravam com urgência, revivendo o desejo acumulado de quinze anos. Arrancou o vestido com avidez, os seios generosos e macios, que ele massageou, sentindo a firmeza sobre os dedos, com os mamilos se endurecendo ao toque.
Mas o que ele ansiava de fato estava mais abaixo, escondido debaixo de uma calcinha preta rendada. Hesitou, de nervosismo e expectativa, sentindo o ar carregado de eletricidade. Finalmente, puxou o tecido para baixo, e então congelou, como naquele chuveiro.
— O que houve? — perguntou Yasmim, notando a pausa.
Evandro fixou o olhar no sexo, tão belo quanto há quinze anos atrás, mas agora adornado por uma densa camada de fios negros, formando um triângulo amplo e natural sobre a púbis. Seu sorriso ávido se transformou gradualmente em uma careta de decepção, o estômago revirava com a surpresa indesejada.
— Você não está raspada.
— Raspada? Isso é coisa de garota. Eu sou uma mulher adulta, e mulheres têm pelos. Vai ficar de frescura?
— Não… — gaguejou Evandro, envergonhado, sem esperar um revés tão frustrante em um reencontro que sonhara por tanto tempo. Ele procurava palavras para se explicar, seu desejo conflitava com o hábito arraigado. — É que eu…
— Então me chupa logo.
Antes que ele pudesse protestar, Yasmim agarrou seus cabelos com firmeza, guiando o rosto dele para baixo. Evandro mergulhou no matagal denso, o cheiro intenso de suor e feminilidade o envolvia como uma névoa densa. Os pelos se enredavam em sua pele, roçando o nariz e as bochechas com uma textura áspera e viva, pinicando e provocando uma sensação de repulsa que o fez engolir em seco, contendo uma náusea passageira. Ele não acreditava no embaraço em que se metera, mas ela era dominante, diferente das parceiras anteriores que cediam às suas exigências. Com as pernas, ela o prendeu contra o sexo, forçando-o a confrontar seu maior desgosto como uma terapia de choque.
Respirando fundo, mesmo sufocado pela mata espessa, Evandro reuniu forças. Beijou os lábios, sentindo os fios se infiltrando em sua boca. A sensação, ele imaginava, era a mesma de beijar um homem de barba, mas havia o néctar ali, um fluido viscoso e excitante que começava a atenuar a sensação. O momento ganhou vida quando Yasmim começou a gemer, um som grave e sedutor que ecoava pela sala, vibrando em seu peito. Aquilo o surpreendeu: seu membro enrijeceu na calça, pulsando apesar da situação inusitada.
Com o passar dos minutos, a rigidez da mulata amoleceu, liberando-o ligeiramente, mas Evandro não recuou. Agora, estava imerso. Os fios, que antes irritavam, agora provocavam cócegas prazerosas em seu rosto, com um roçar estimulante que adicionava uma nova camada de sensação. O aroma era penetrante, animalesco, despertando uma lascívia primitiva que ele nunca sentira em peles lisas. E o sabor era intenso, saciava uma fome que ia além do físico.
Ele se perdeu no tempo, lambendo e sugando o clitóris com crescente entusiasmo, a língua navegava pela floresta de pelos que se emaranhavam em seus movimentos. Yasmim se entretia afagando os cabelos dele enquanto seu corpo se contorcia de deleite, a vulva se contraia sob os dedos que a penetravam, incentivando-o a ir mais fundo. Permaneceu ali, dedicado como nunca, até que os espasmos se intensificaram. Os gemidos cresceram em volume, a respiração era pesada, até que todos os músculos se tensionaram em um orgasmo explosivo, e ela se dissolveu no sofá, tremendo de êxtase.
Aquilo bastou para deixá-lo completamente ereto. Com urgência, Evandro desabotoou a calça e liberou seu membro, longo e vigoroso, com a glande inchada e latejante, ansiosa por aquela boceta. Enquanto Yasmim ainda se recuperava, ofegante e com os olhos semicerrados, ele a penetrou fundo. Sentiu a umidade acolhedora o envolver e fodeu com intensidade, em estocadas rápidas e potentes. Cada movimento fazia os fios roçarem contra sua pele, produzindo um som úmido e lascivo, como um chapinhar de prazer. Os pelos adicionavam uma fricção extra, estimulante, que o levava ao limite, misturando-se ao escorrer do néctar.
Yasmim se agarrou ao pescoço, as unhas cravavam na pele enquanto o beijava apaixonadamente, suas línguas se entrelaçavam em uma dança urgente e molhada. Seus quadris se balançavam em sincronia aos dele, fazendo os corpos colidirem em um ritmo frenético que ecoava pela sala, sons de pele contra a pele, misturado aos gemidos abafados e o ranger do sofá.
Ele acelerou o ritmo, com as mãos firmes sob os quadris dela, guiando os movimentos com uma urgência crescente. A penetração era profunda e deliberada. Yasmim arqueava as costas, seus seios se pressionavam contra o corpo dele. Gemia rouca em seu ouvido, sussurando:
— Vai, mais forte… Fode minha boceta peludinha.
O corpo da mulata se contraía, os músculos internos pulsavam em resposta, ele sentia o clímax se aproximar em uma pressão avassaladora que o fazia ofegar. Sentiu o controle escapar e, instintivamente, retirou-se no último segundo. O membro latejava, e com um gemido gutural ele ejaculou. O semem espesso espirrou sobre a mulata, lambuzando a selva negra e sedosa. O gozo se espalhava, grudava os fio, tornando-os reluzentes sob a luz fraca do apartamento. Evandro observou hipnotizado enquanto escorria lentamente pelas coxas, misturando-se ao néctar, pintava uma visão erótica e primal que selava sua transformação.
A partir daquele dia, jamais voltou a exigir das namoradas que se depilassem. Pelo contrário, pedia para deixar crescer, que jogassem fora as lâminas, para que pudesse desfrutar da relva com tesão.
