Uma Chance na carreira II

Um conto erótico de Subrcrys
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 844 palavras
Data: 08/01/2026 22:15:46

Uma Chance de Carreira

Episódio II – Continuidade

Fui contratada na semana seguinte.

Nada de cerimónias. Um contrato simples, horário definido, funções claras no papel. O SPA para pés seria a minha área principal, embora, como em qualquer centro grande, todos tivessem de ajudar onde fosse preciso. A gerente falou de padrões, de postura, de confidencialidade. Eu ouvi tudo com atenção. Assinei.

Mas nada do que foi dito em voz alta era o que realmente importava.

No primeiro dia oficial, cheguei ainda mais cedo do que antes. O centro acordava devagar. Luzes a acender-se por setores, o som distante de carrinhos, portas internas a abrir e fechar. Vesti a bata com cuidado, ajustei o cabelo, lavei as mãos mais vezes do que o necessário.

Queria estar irrepreensível.

Não por medo.

Por preparação.

Dra Julia, chamou-me pelo sistema de som, já que ainda não havia quase ninguém a circular.

Cheguei a sua sala, bati, mandou que entrasse.

Fui entrando, era a primeira vez que ali entrava. Dra Julia, continuou sentada na sua secretária, impecavelmente vestida, muito elegante, um fato, saia curta e casaco, blusa com os botões despertador ate apareces a renda do soutien. Scarpins de salto bem alto. Ela começou logo a avisar, estás aqui por teres sido aceite por D.Bianca, mas estás em período experimental, quero que te aproximes e faças exatamente tudo, como se estivesses a servi-la.

Então, completamente surpreendida mas a sentir o que tanto gosto, a humilhação de estar abaixo dos pés de alguem, e agora era mesmo a Dra Júlia. Lambi os seus sapatos, retirei um por um, lambendo cada detalhe de seus lindos pés. Ela estava entusiasmada com meu serviço, não resistiu, não me deixou sair dali, sem que lhe fizesse um belo minete. Só depois de um estrondoso orgasmo, disse, vai agora que as clientes esperam.

As primeiras clientes foram normais. Mulheres apressadas, algumas educadas, outras distraídas. Serviços corretos, técnicos, previsíveis. O corpo entrava no modo profissional quase automático. Ainda assim, algo em mim permanecia em alerta, como se estivesse à espera de uma presença específica.

Não perguntei por ela.

Não precisava.

Perto do meio-dia, Clara passou por mim e deixou escapar, quase num sussurro:

— Hoje ela vem.

Não perguntou se eu sabia de quem se tratava. Sabia.

O ritmo do centro mudou sem que ninguém anunciasse nada. Pequenos sinais. A receção mais atenta. A gerente a circular com mais frequência. Uma bandeja preparada com mais cuidado do que o habitual.

Dona Bianca chegou como da primeira vez. Sem pressa. Sem pedir licença ao espaço. Vestida de forma diferente, mas com a mesma precisão. Não me procurou com o olhar. Dirigiu-se diretamente à receção.

— Sala três.

Não foi pedido. Foi confirmação.

A gerente olhou em volta. Os olhos passaram por mim apenas um segundo.

— Flávia — disse. — Podes atender.

Senti o peso dessa frase instalar-se no corpo. Não disse nada. Apenas acenei e dirigi-me à sala.

Cheguei antes dela. Ajustei tudo. A luz. A cadeira. Os materiais. O recipiente ficou no lugar, mas vazio. Aprendera.

Quando ela entrou, a porta voltou a fechar-se com aquele som definitivo.

— Vejo que aprendeste — disse, ao notar o espaço preparado sem água.

— Sim, Dona Bianca.

Ela sentou-se. Cruzou as pernas. Observou-me por alguns segundos longos demais para serem confortáveis.

— Diz-me — perguntou. — Sabes porque te escolhi?

Não respondi de imediato. Não era uma pergunta que pedisse resposta rápida.

— Porque sirvo bem — arrisquei.

Ela sorriu de forma quase impercetível.

— Não. Porque não tentaste explicar-te.

Indicou-me o chão à sua frente com um gesto mínimo.

Ajoelhei-me.

O serviço começou sem palavras. Os gestos eram já mais seguros, mas não relaxados. Cada toque era consciente. Eu sentia quando ela testava limites, não com ordens diretas, mas com pequenas variações. Um movimento inesperado do pé. Uma pausa prolongada. Um silêncio que pedia leitura.

— Aqui — disse uma vez.

— Não assim — noutra.

Nunca levantou a voz.

Quando terminei a primeira parte, não me afastei. Fiquei onde estava. Esperar começava a tornar-se natural.

Ela descruzou as pernas. Desta vez não houve acaso. O pé veio até mim com intenção clara e parou onde queria.

Não pensei. Executei.

O tempo alongou-se. Não saberia dizer quanto. A sala parecia isolada do resto do centro. Quando finalmente se afastou, senti o corpo reagir como se tivesse passado por algo maior do que um simples serviço.

— Levanta-te — disse.

Fiz-lo com cuidado.

— Vais passar a atender-me duas vezes por semana. Sempre que eu vier. Ajustas o teu horário.

Não perguntou se era possível.

— Sim, Dona Bianca.

Ela pegou na mala. Antes de sair, voltou-se.

— Ah… — disse, como se se lembrasse de algo menor. — Não fales de mim a ninguém. Nem do que faço aqui.

Olhou-me diretamente pela primeira vez.

— Nem do que fazes por mim.

Saiu.

Fiquei sozinha na sala durante alguns segundos. Depois endireitei tudo. Limpei. Arrumei. Quando voltei ao corredor, Clara olhou-me com curiosidade silenciosa.

— Tudo bem? — perguntou.

— Sim — respondi. — Tudo bem.

Mas sabia que não estava.

Porque algo se tinha instalado.

Uma continuidade.

Uma expectativa.

E eu percebi, com uma clareza tranquila, que aquela relação não seria episódica.

Estava apenas a começar.

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