Mamãe teve que ir sentada no meu colo - Pt. 17 (O Despertar Da Rainha)

Um conto erótico de Gil
Categoria: Heterossexual
Contém 2125 palavras
Data: 08/01/2026 21:04:53

**(Narrativa: Ana)**

Três dias.

Havia exatamente setenta e duas horas que tínhamos voltado daquele inferno na chácara, e o sangramento ainda não tinha parado completamente.

Acordei com a luz cinzenta de São Paulo filtrando pelas cortinas pesadas do quarto de casal. O lado da cama de Ricardo estava vazio, frio, perfeitamente arrumado. Ele já tinha saído para o escritório, para o mundo real, onde ele era apenas um advogado respeitável e não o arquiteto de pesadelos familiares.

Tentei me sentar e o mundo girou. Uma pontada aguda, elétrica, subiu da base da minha coluna até a nuca. O meu corpo gritava. Não era aquela dor muscular de academia, nem o cansaço de um dia de faxina. Era a dor da violação física extrema. Minhas entranhas pareciam estar em carne viva, uma ferida pulsante que me lembrava, a cada movimento, o que eu tinha me tornado nas últimas três semanas.

— Puta — sussurrei para o teto de gesso rebaixado. — A propriedade da família.

Arrastei-me para fora da cama. Meus pés tocaram o carpete felpudo e minhas pernas tremeram. Caminhei até o banheiro da suíte, apoiando a mão na parede, sentindo-me como uma idosa num corpo de quarenta. No espelho, a mulher que me encarava era uma estranha. Havia olheiras profundas, arroxeadas, como se alguém tivesse me dado um soco em cada órbita. Meus cabelos, sempre impecáveis, estavam opacos. Mas eram os olhos... os olhos estavam mortos. Vidrados.

Abri a gaveta de remédios com mãos trêmulas. Busquei o analgésico forte, engoli dois a seco. Foi quando vi a cartela de anticoncepcionais no fundo da gaveta, parcialmente coberta por uma caixa de curativos.

Meu estômago despencou.

Eu não tomava há quatro dias. Desde que chegamos na chácara. Desde que a substância que o Matheus trouxe transformou o tempo numa gelatina viscosa e sem sentido. Desde que Ricardo decidiu que preservativos eram "barreiras para a intimidade do clã".

Levei a mão ao ventre plano. Havia algo crescendo ali? Uma consequência daquele horror? O fruto do meu próprio marido que agora parecia mais meu dono? Ou talvez... Deus me perdoe... do Matheus? A náusea subiu violenta. Corri para o vaso sanitário e vomitei apenas bile ácida.

O interfone tocou.

O som agudo reverberou pela casa silenciosa como um disparo. Limpei a boca com as costas da mão, lavei o rosto com água gelada e desci. Cada degrau da escada era uma negociação com a dor entre as minhas pernas.

Olhei pelo monitor da cozinha.

Marina.

Minha irmã estava parada no portão. Mas não era a Marina provocadora, a mulher fatal que competia comigo pela atenção de Fernando no banco de trás daquele carro maldito. Ela usava um moletom cinza largo, óculos escuros enormes e cabelo preso num coque desleixado. Ela parecia pequena. Quebrada.

Apertei o botão de abertura.

Quando abri a porta principal, ela não entrou imediatamente. Ficou parada na soleira, abraçando o próprio corpo, como se estivesse com frio, apesar dos vinte e oito graus.

— O Cláudio pediu o divórcio — ela disse. A voz rouca, falhada. — Ele apresentou uma espécie de… colapso nervoso e simplesmente sumiu, gritando que não aguentava mais e que queria a separação.

Eu não disse nada. Apenas dei um passo para o lado.

Marina entrou e desabou no sofá da sala de estar — não sentada, mas encolhida no canto, evitando apoiar o peso nos quadris. Eu conhecia aquela postura. Era a mesma que eu usava há dias.

— Ele destruiu a gente, Ana — ela soluçou, tirando os óculos. Os olhos dela estavam inchados de tanto chorar. — O Ricardo... e aquele monstro do seu sobrinho...

— O Ricardo orquestrou — corrigi, minha voz saindo estranhamente metálica, fria. Fui até o bar da sala e servi dois copos de uísque, puro. Eram dez da manhã. — O Matheus foi só o executor. Mas o roteiro... o roteiro sempre foi do Ricardo.

Entreguei o copo a ela. Marina segurou com as duas mãos, tremendo.

— Eu achei que era uma brincadeira — ela confessou, bebendo um gole longo. — Na viagem de ida... quando eu provoquei o Fernando... o Ricardo tinha me mandado mensagem antes. Disse: "Vamos ver se a Ana ainda tem fogo. Provoca o rapaz. Quero ver ela com ciúmes." Eu achei que era um jogo de adultos, Ana. Eu juro por Deus. Eu não sabia que ele queria... isso.

Olhei para minha irmã. Lembrei-me da raiva que senti dela no carro. Do ciúme possessivo quando ela tocou na coxa do meu filho universitário. Como aquilo parecia ridículo agora. Ricardo nos colocou numa rinha, duas fêmeas brigando, enquanto ele assistia e se satisfazia com o nosso conflito.

— Ele nos quebrou para nos reconstruir à imagem dele — falei, sentindo uma clareza gelada tomar conta da minha mente. A névoa química finalmente tinha se dissipado completamente, deixando apenas a realidade cortante. — Ele fez eu acreditar que eu gostava. Que eu precisava. Que ser tocada pelo meu filho adulto na frente do espelho era "libertação".

Marina levantou o rosto, lágrimas escorrendo silenciosas.

— O que a gente faz, Ana? Eu não consigo dormir. Fecho os olhos e vejo o porão. Vejo o Matheus rindo enquanto... — ela engasgou.

— A gente para de sangrar — eu disse, pousando meu copo na mesa de centro com um baque surdo. — E a gente começa a caçar.

***

**(Narrativa: Fernando)**

A voz do professor de Teoria Literária soava como um zumbido distante. Ele falava sobre a tragédia grega, sobre a inevitabilidade do destino em Sófocles.

— *O homem cria sua própria ruína ao tentar fugir dela* — ele dizia, gesticulando.

Eu encarei minhas mãos sobre a carteira universitária. Elas pareciam as mãos de outra pessoa. Mãos que tinham tocado a pele da minha mãe, que tinham segurado os quadris da minha tia, que tinham segurado o cinto enquanto meu pai...

Fechei os olhos com força, tentando bloquear o flash de memória. O cheiro metálico e humano. O som gutural que Matheus fazia. A risada dele. *Aquela* risada.

Será que aconteceu mesmo?

A revelação dos entorpecentes. Às vezes eu achava que ainda estava na viagem. Que a sala de aula da faculdade, os alunos com seus notebooks, o sol lá fora... tudo era uma alucinação construída para me dar uma falsa sensação de segurança antes de puxar o tapete de novo.

Meu celular vibrou no bolso, me fazendo pular na cadeira. O coração disparou.

Tirei o aparelho devagar.

**Mãe:** *Venha para casa depois da aula. Sozinho. Não avise seu pai.*

Li a mensagem três vezes. "Mãe". Não "Ana". Não a mulher submissa que gemia baixo. A sintaxe era seca. Imperativa. Havia uma autoridade ali que eu não via desde que eu era criança.

Guardei o celular, sentindo um suor frio na nuca.

Ele vibrou de novo.

Pensei que fosse ela insistindo. Mas quando olhei a tela, o número era desconhecido.

**Desconhecido:** *Oi, primo. A aula de literatura tá chata? O Édipo pelo menos furou os olhos no final. Você ainda tá vendo tudo, né? Eu tenho arquivos que mostram exatamente o que você viu. E o que você fez. - M*

O ar sumiu dos meus pulmões.

Matheus.

Ele não tinha fugido. Ele não tinha desaparecido no éter depois de se "libertar" no porão. Ele estava aqui. Observando.

Levantei abruptamente, derrubando minha caneta. O professor parou de falar. Vinte cabeças de adultos se viraram para mim.

— Fernando? Tudo bem? — perguntou o professor.

— Banheiro — murmurei, saindo da sala quase correndo.

No corredor vazio, apoiei as costas nos armários de metal, respirando fundo. Ele tinha vídeos. Claro que tinha. O sociopata do Matheus documentou tudo. Se aquilo vazasse... Meu pai seria preso. Eu seria preso. Minha mãe... a vida dela acabaria.

Eu precisava ir para casa.

***

A casa estava imersa num silêncio sepulcral quando entrei.

— Mãe? — chamei, a voz falhando.

— Na sala, Fernando.

Caminhei até a sala de estar. Ana estava sentada numa poltrona individual, com as pernas cruzadas elegantemente. Ela vestia uma calça de linho branca e uma camisa de seda azul marinho, abotoada até o pescoço. Cabelo solto, limpo. Batom discreto.

Ela parecia... intocável.

Ao lado dela, no sofá maior, estava a Tia Marina.

Parei estático. A presença das duas juntas parecia uma violação das leis da física que meu pai tinha estabelecido. Elas deveriam ser inimigas. Rivais.

— Senta — ordenou minha mãe. Não foi um pedido.

Sentei na ponta do sofá, o mais longe possível de Marina.

— O que está acontecendo? O pai sabe que a tia tá aqui?

— Seu pai acha que sabe tudo, Fernando. Esse é o erro dele. E foi o nosso, até hoje.

Ela se inclinou para frente. Pela primeira vez em semanas, ela me olhou nos olhos. Não com aquele olhar estranho da chácara, nem com vergonha, mas com uma intensidade materna aterrorizante.

— Eu recebi uma mensagem do Matheus — soltei, incapaz de segurar. — Ele tem vídeos. Ele disse que gravou tudo.

Marina soltou um gemido baixo, levando as mãos ao rosto. Ana nem piscou.

— Nós sabemos — disse minha mãe, calmamente. — Ele mandou para a Marina também. Ele quer dinheiro. Muito dinheiro. E quer que a gente "continue o show".

— O que vamos fazer? — perguntei, sentindo o pânico subir. — Se o pai souber... ele vai matar o Matheus.

— Não — Ana cortou. — Se seu pai souber, ele vai tentar *controlar* o Matheus. Vai achar que pode negociar, manipular, usar isso a favor dele. Ricardo vai ver as gravações e ficar excitado, Fernando. Ele vai ver isso como um trunfo, não como uma ameaça.

Ela tinha razão. Meu Deus, ela tinha razão. O velho veria aquilo como um legado distorcido.

— Então o que a gente faz? — perguntei.

Ana levantou-se. Apesar da dor visível que cruzou seu rosto ao se mover, ela se manteve ereta. Caminhou até mim e parou. O perfume dela — lavanda e algo mais forte — invadiu minhas narinas. O cheiro que me enlouqueceu no carro. Mas agora, ele servia como uma barreira.

— Você vai me escutar, Fernando. E você vai escolher agora. — A voz dela era aço. — Você gostou. Eu sei que gostou. Eu vi nos seus olhos quando tudo aconteceu. Você gostou de ter poder. De ser o macho alfa substituto.

Baixei a cabeça, a vergonha queimando meu rosto.

— Mas isso acaba hoje — ela continuou, segurando meu queixo e forçando-me a olhar para ela. — Ou eu sou sua mãe, a mulher que te criou por dezenove anos, ou eu sou a propriedade do seu pai. Não existe meio termo. Não existe "só um pouquinho".

— Mãe... eu...

— Se você escolher o lado do seu pai, Fernando, saiba que o Matheus vai divulgar esses vídeos de qualquer jeito. Porque psicopatas não seguem acordos. E quando isso acontecer, eu vou depor. E eu vou dizer que fui coagida. Por todos vocês.

— Você me prenderia? — sussurrei.

— Eu salvaria a sua alma, mesmo que tivesse que prender o seu corpo — ela respondeu, e havia lágrimas nos olhos dela agora, mas elas não caíam. — Mas temos outra opção.

— Qual?

— Marina é técnica em informática, Fernando. Você esqueceu? — Ana apontou para a irmã. — Enquanto Matheus estava drogado no próprio ego, ele usou a rede da chácara para subir os arquivos. O rastro digital dele está lá. Nós não vamos pagar o silêncio dele. Nós vamos destruir a credibilidade dele.

Marina levantou a cabeça, um sorriso triste e vingativo nos lábios.

— Ele comprou as substâncias online, Fernando. Usou o cartão de crédito do Cláudio, mas entregou num locker em nome dele. Temos o rastreio. Temos a prova de que ele drogou a família inteira. Se os vídeos vazarem, a narrativa não será "família consensualmente envolvida". Será "família dopada e abusada por parente perigoso".

Olhei de uma para a outra. Era um plano arriscado. Era um plano desesperado. Mas era um plano.

— E o pai? — perguntei.

Ana caminhou até a janela. O som de um motor potente se aproximou na rua. O carro de Ricardo.

— Seu pai... — ela disse, vendo o sedã preto entrar na garagem. — Seu pai vai descobrir que a boneca dele aprendeu a segurar a tesoura.

A porta da frente se abriu. Passos pesados, confiantes, ecoaram no hall.

— Família? — A voz de Ricardo encheu a casa, aquele tom grave que sempre fazia minhas pernas tremerem. — Cheguei mais cedo. Tive uma ideia para o fim de semana...

Ele entrou na sala. O sorriso dele vacilou por uma fração de segundo ao ver Marina ali, sóbria e vestida, ao lado de Ana.

Meu celular vibrou novamente no bolso. Uma única notificação.

**Matheus:** *A festa vai começar. Sorriam para a câmera escondida na estante. :)*

Olhei para a estante de livros atrás do meu pai. Uma pequena luz vermelha, minúscula como a cabeça de um alfinete, piscou entre os livros de Direito.

O jogo tinha mudado. Mas ninguém sabia quem estava realmente segurando o controle.

— Olá, querido — disse Ana, e o sorriso dela era a coisa mais perigosa que eu já tinha visto na vida. — Sente-se. Precisamos conversar sobre a educação do nosso filho.

***

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Comentários

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Gente, obrigado por deixarem o essa série (as três primeiras partes) no top 3 em sequência! Obrigado meus amigos! Continuem comentando, criticando, opinando! Isso ajuda demais! Abraço!

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Essa série ela é absurdamente imprevisível! E eu acho de uma coragem narrativa absurda contradio! Parabéns pela coragem de nos fornecer algo diferente! ❤️❤️

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