A manteiga derreteu no pão quente, escorrendo pelos dedos do Matheus.
Eu fiquei olhando aquela gota amarela oleosa deslizar pela pele dele, hipnotizado pela banalidade da cena. Estávamos sentados na mesa de café da manhã de uma casa que, menos de vinte e quatro horas antes, tinha sido palco de uma carnificina moral, e ele estava preocupado em não sujar o guardanapo de linho.
A raiva que eu sentia não era quente. Não era aquele fogo que me consumiu ontem, quando a ketamina transformou meu cérebro em uma arena romana e me fez ver gladiadores onde só existiam estupradores. Não. A raiva de hoje era fria. Era nitrogênio líquido. Queimava por congelamento.
— Passa a geleia também? — ele pediu, sem me olhar nos olhos.
Eu peguei o pote de vidro. Geleia de morango. Vermelha. Espessa. Parecia sangue coagulado.
Estendi o braço. Nossos dedos se roçaram quando ele pegou o pote. A pele dele estava fria. A minha devia estar fervendo, mas por dentro eu me sentia um cadáver reanimado apenas pelo ódio.
— Obrigado, primo — ele disse, com aquele sorriso de canto de boca. O sorriso de quem sabe que eu sei. O sorriso de quem sabe que eu não posso fazer nada agora, na frente de todos, sem parecer o louco drogado que ele construiu na narrativa oficial.
Olhei para o outro lado da mesa.
Ricardo.
Meu pai. O imperador. O homem que passou vinte e cinco anos me ensinando que o mundo se divide em predadores e presas, que território se marca com urina e sêmen, que moralidade é uma invenção dos fracos para controlar os fortes.
Ele estava terminando seu café. A mão dele não tremia mais. A palidez de cadáver da manhã tinha dado lugar a uma cor mais saudável, embora os olhos ainda estivessem fundos, cercados por olheiras escuras como hematomas de uma briga de bar. Ele limpou a boca com o guardanapo, dobrou-o meticulosamente em quatro partes iguais e colocou ao lado do prato.
Então, ele levantou os olhos.
E, pela primeira vez desde que a loucura começou ontem, ele olhou diretamente para o Matheus.
Não foi um olhar de raiva. Não foi um olhar de medo. Foi um olhar de reconhecimento. Como um cientista que observa uma bactéria nova no microscópio e pensa: "Interessante. Letal, mas manipulável."
— Estava bom o café, Matheus? — Ricardo perguntou. A voz dele era grave, estável, sem nenhum traço da sedação que o derrubou ontem.
Matheus parou com a torrada a meio caminho da boca.
— Ótimo, tio. Como sempre.
— Que bom — Ricardo sorriu. Um sorriso que não chegou aos olhos. — Porque a conta chegou.
O ar na cozinha congelou. Ana, que estava encolhida na cadeira como um animal ferido, levantou a cabeça, os olhos vidrados de quem já não habita o mesmo plano de realidade que nós. Cláudio, que tinha acabado de entrar vindo da churrasqueira, parou na porta, segurando um espeto vazio como se fosse um cetro inútil.
Matheus colocou a torrada no prato. Devagar.
— Do que você está falando?
Ricardo se recostou na cadeira, cruzando as mãos sobre o estômago. A postura de quem está no trono, mesmo que o castelo esteja pegando fogo.
— Você acha que derrubou o Rei ontem. Acha que porque me drogou com um diazepam barato e usou meu filho como aríete para destruir minha esposa, você venceu o jogo. Você confundiu caos com controle. Você criou o caos. Parabéns. Foi um belo espetáculo. Sujo, visceral, primitivo. Gostei da ousadia. Mas agora o show acabou. A droga saiu do sangue. E as dívidas... ah, as dívidas sempre são cobradas.
Ricardo se levantou. Ele não parecia menor hoje. Parecia gigante. Uma força da natureza que tinha decidido parar de brincar.
— Fernando — ele chamou, sem olhar para mim.
— Sim, pai.
— Leve sua mãe para o quarto. Dê um banho nela. Tire o cheiro desse bastardo da pele dela. E depois... depois desça para o porão. Temos um assunto de família para resolver.
— E eu? — Matheus perguntou, a voz desafiadora, mas com uma leve trinca de incerteza que ele não conseguiu esconder.
Ricardo parou atrás da cadeira do Matheus. Colocou as mãos nos ombros dele. Apertou. Eu vi as pontas dos dedos do meu pai ficarem brancas contra a camisa do sobrinho.
— Você? — Ricardo sussurrou, perto do ouvido dele, com uma intimidade aterrorizante. — Você vai com a sua mãe. Ela está te esperando lá embaixo. Parece que ela tem saudades do... papai.
O rosto do Matheus perdeu a cor. Pela primeira vez, a máscara de sociopata perfeito rachou.
Ricardo saiu da cozinha, arrastando o Matheus pelo colarinho como se fosse um cachorro desobediente. E o mais assustador foi que o Matheus não resistiu. O corpo dele ficou mole, submisso, como se o toque do Ricardo tivesse ativado algum comando profundo e antigo no cérebro dele.
O comando do filho que quer obedecer ao pai, não importa o quão monstruoso ele seja.
Eu fiquei sozinho com a Ana e o Cláudio.
— Vai — o Cláudio disse, a voz monótona, voltando a olhar para o espeto. — Limpa a sujeira. É o que a gente faz.
Levei a Ana para o banheiro. Ela se movia como uma boneca de pano, sem vontade própria. O cheiro nela era de suor azedo e sêmen seco. O cheiro da humilhação.
Enchi a banheira. A água caindo era o único som no mundo.
— Ele me odeia, Nando — ela sussurrou, despindo o roupão cinza. — Ele me odeia agora.
— Quem? O Ricardo?
— Não — ela soluçou, entrando na água. — O Matheus. Ele... ele olhava pra mim enquanto fazia. Ele queria que eu soubesse. Que não era desejo. Era ódio. Puro ódio.
Eu me ajoelhei na beira da banheira. Peguei a esponja. Comecei a lavá-la.
— Ele não odeia você, mãe. Ele odeia o fato de que você é a rainha e a mãe dele é a serva. Ele queria trocar os lugares.
Lavei os seios dela. Lavei a barriga. Lavei entre as pernas, onde a pele estava vermelha e irritada. Ela estremeceu, mas não se afastou. Havia uma aceitação muda, uma rendição total. Ontem, eu era o filho incestuoso que o Ricardo tinha treinado. Hoje? Hoje eu era o único porto seguro. O único homem que a tocava para limpar, não para sujar.
— Nando... — ela gemeu, segurando meu pulso. — Faz eu esquecer. Por favor. Tira a marca dele de dentro de mim.
Olhei para ela. Nua, vulnerável, destruída. E senti aquela onda escura subir. A mesma onda que o Matheus tinha surfado ontem, mas agora era minha. Sem drogas. Apenas poder.
Entrei na banheira com roupa e tudo. A água morna encharcou minha calça, pesou no tecido. Puxei-a para o meu colo. Ela se aninhou contra meu peito, desesperada, buscando calor, buscando proteção, buscando qualquer coisa que não fosse a memória do dia anterior.
Beijei-a. Foi um beijo de posse. Um selo. "Você é minha. O Matheus alugou, mas eu sou o dono."
Fizemos amor ali, na água que ficava turva com a sujeira do dia anterior. Foi rápido, brutal em sua necessidade, mas focado nela. Eu queria apagar cada traço do outro. Queria que, quando ela fechasse os olhos, só visse meu rosto. Só sentisse meu peso.
Quando terminamos, ela estava mole nos meus braços, respirando devagar, limpa.
— Fica aqui — eu disse, saindo da banheira, a roupa pingando no chão. — Não sai até eu voltar.
— Onde você vai? — ela perguntou, os olhos sonolentos.
— Vou descer. O Ricardo me chamou.
— Cuidado, Nando — ela sussurrou. — O porão... o porão tem ecos.
A escada para o porão da chácara era de madeira velha, rangendo a cada passo, como se a casa estivesse reclamando da descida ao inferno. O cheiro mudou conforme eu descia. Saiu o cheiro de lavanda e limpeza do andar de cima, entrou o cheiro de mofo, terra úmida e algo mais... algo metálico e doce.
Feromônios. Medo. E excitação.
A porta do porão estava entreaberta. Uma luz amarelada, fraca, vazava pela fresta.
Empurrei a porta.
A cena que se desenrolou diante dos meus olhos fez meu estômago dar um nó e meu pau endurecer instantaneamente, uma reação fisiológica contraditória que só aquela família poderia provocar.
O porão era amplo, usado para guardar vinhos e ferramentas velhas. No centro, sob a única lâmpada pendurada por um fio, estava o Matheus.
Ele estava de joelhos. As mãos estavam presas para trás, algemadas em um pilar de sustentação de concreto. Ele estava nu. A pele pálida brilhava de suor sob a luz amarela. A cabeça estava baixa, o queixo no peito, o cabelo caindo sobre os olhos.
Mas o que prendia minha atenção não era ele.
Era a Marina, minha tia.
Ela estava de quatro na frente do Matheus, de costas para ele, mas perto o suficiente para que ele sentisse o cheiro dela. O vestido dela estava levantado até a cintura, revelando as coxas brancas, cheias, marcadas por celulites que, naquele momento, pareciam o mapa do pecado. Ela não usava calcinha.
E atrás dela estava o Ricardo.
Meu pai estava vestido. Impecável. Calça social, camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo. A única coisa fora do lugar era a braguilha aberta, de onde seu pau, grosso e veoso, desaparecia dentro da Marina.
Ele a estava sodomizando.
Não havia amor ali. Não havia carinho. Havia punição. Havia conquista. Ricardo segurava os quadris largos da Marina com força, os dedos afundando na carne macia, deixando marcas brancas que logo ficariam roxas. Ele batia contra ela com um ritmo mecânico, brutal, o som de carne contra carne ecoando nas paredes de pedra do porão. Plaft. Plaft. Plaft.
Mas o som mais perturbador não era esse.
Eram os gemidos da Marina.
Ela não estava chorando de dor. Ela não estava pedindo para parar. Ela estava... ganindo. Um som gutural, animal, que saía do fundo da garganta. A cabeça dela estava jogada para trás, os olhos revirados, a boca aberta, salivando.
Ela estava adorando.
Vinte e cinco anos de repressão. Vinte e cinco anos sendo a "outra", a escondida, a rejeitada. E agora, finalmente, ela estava sendo possuída pelo homem que amava, na frente do fruto desse amor proibido. A humilhação não era um efeito colateral; era o afrodisíaco.
— Olha, Matheus — Ricardo rosnou, a voz rouca pelo esforço, sem parar o movimento dos quadris. — Olha para a sua mãe. Olha o que ela gosta. Olha o que ela é.
Matheus levantou a cabeça devagar. Os olhos dele estavam vermelhos, injetados. Havia lágrimas escorrendo pelo rosto dele. Mas quando ele olhou para a mãe sendo enrabada pelo pai, eu vi.
Eu vi o pau dele, duro como pedra, pulsando contra a coxa.
Ele estava excitado.
A cena monstruosa, o incesto duplo, a degradação total da mulher que ele tentou "salvar" ontem... aquilo estava alimentando a loucura dele. Ele estava vendo a mãe não como a santa que ele imaginava, mas como a puta que o Ricardo estava fazendo ela ser. E isso... isso o libertava de uma forma doentia.
— Isso... — Matheus sussurrou, a voz quebrada. — Isso é... perfeito.
Ricardo riu. Uma risada curta, seca. Ele puxou o cabelo da Marina, forçando a cabeça dela para trás até ela arquear as costas, expondo mais o traseiro para a estocada.
— Você acha que conhece ela, garoto? Você acha que sabe de onde você veio? — Ricardo deu uma estocada funda, fazendo a Marina gritar, um grito agudo de prazer e dor misturados. — Você veio disso. Desse buraco sujo. Dessa vontade de ser usada. Você não é filho do amor. Você é filho da submissão dela e do meu tédio.
— Ah, Ricardo... sim... sim... me quebra... me quebra toda... — Marina balbuciava, as palavras desconexas, perdida na dopamina da dor. — Mostra pra ele... mostra quem manda...
Eu entrei no círculo de luz. Meus passos foram pesados no chão de cimento.
Ricardo olhou para mim por cima do ombro da Marina. Ele não parou. Nem diminuiu o ritmo. O suor brilhava na testa dele.
— Chegou na hora, filho — ele disse, a respiração ofegante. — A festa está só começando.
O ódio que eu sentia pelo Matheus, a humilhação de ter sido manipulado, a vergonha de ter sido uma marionete na mão dele... tudo isso se canalizou para o centro do meu corpo. Eu estava duro. Duro de ódio. Duro de violência.
Caminhei até o Matheus. Ele olhou para mim. O sorriso de cordeiro tinha sumido. O que restava era um rosto distorcido pelo prazer masoquista e pela ruína psicológica.
— Primo... — ele sussurrou.
Não deixei ele terminar.
Tirei meu pau para fora. Ele já estava pulsando, inchado, exigindo sangue. Segurei-o como uma arma, como um porrete de carne.
E bati com ele na cara do Matheus.
Plaft.
A cabeça dele virou com o impacto. Foi um golpe seco, humilhante. O cheiro do meu próprio sêmen e do suor da Ana ainda estava em mim, e agora eu estava esfregando isso na cara dele.
— Ontem você roubou minha voz — eu rosnei, segurando o queixo dele e forçando-o a olhar para mim. — Ontem você entrou na minha cabeça. Hoje? Hoje eu entro na sua alma e cago dentro dela.
Bati de novo. Esquerda. Direita. Usando meu pau como um chicote de vergonha. O rosto dele ficou vermelho. Ele fechou os olhos, tremendo, recebendo cada golpe como se fosse uma benção profana.
— Abre a boca — ordenei.
Ele hesitou.
Segurei o cabelo dele, puxando com força, expondo a garganta.
— ABRE A PORRA DA BOCA!
Ele abriu.
Não enfiei na boca dele. Isso seria dar a ele o que ele queria: submissão passiva. Não. Eu queria mais. Eu queria que ele visse.
Virei-me para a Marina.
Ricardo estava no clímax da brutalidade, grunhindo como um animal selvagem. A Marina estava desfeita, baba escorrendo pelo queixo, os olhos revirados, balbuciando o nome dele como uma oração.
— Sai daí, pai — eu disse, a voz fria.
Ricardo parou. Ele me olhou, surpreso, mas então viu o fogo nos meus olhos. Ele viu que eu não estava pedindo. Eu estava reivindicando minha parte no espólio de guerra.
Ele sorriu. Um sorriso de orgulho terrível.
— O palco é todo seu, meu filho.
Ele saiu de dentro dela com um som úmido, o "pop" obsceno de vácuo sendo quebrado. A Marina gemeu com a perda, o ânus dela pulsando, aberto, vermelho, convidativo e destruído.
Ricardo se afastou, ajeitando a calça, e foi para o lado do Matheus. Ele segurou o rosto do filho, forçando-o a assistir.
— Olha, Matheus — Ricardo sussurrou no ouvido dele. — Olha o seu primo. Olha o predador que você tentou criar. Você fez um trabalho bom demais. Agora ele vai comer a sua mãe. E você vai assistir e agradecer.
Eu me posicionei atrás da Marina. Ela nem percebeu a troca. Ela estava em transe.
Segurei os quadris dela. Eram largos, macios, quentes. O cheiro de sexo, de merda, de suor, de Ricardo... era inebriante.
Não tive piedade. Não tive preliminares.
Entrei nela com força total. Sem cuspe. Sem aviso.
Ela gritou. Um grito diferente dessa vez. Um grito de choque. Porque eu era maior que o Ricardo. Mais jovem. Mais furioso. Eu estava rasgando-a, abrindo caminho onde não havia espaço, forçando minha existência para dentro da história dela.
— Fernando! — ela gritou, reconhecendo meu peso, meu cheiro.
— Cala a boca, tia — eu rosnei, batendo fundo. — Você não é tia agora. Você é buraco. O buraco de onde saiu aquele verme ali.
Comecei a foder a Marina com um ritmo de britadeira. Cada estocada era uma declaração de guerra. Isso é pelo que você fez ontem. Isso é por ter me usado. Isso é por ter vendido seu filho.
— Olha pra ela! — gritei para o Matheus, enquanto segurava o cabelo da Marina e puxava, expondo o rosto dela distorcido de prazer e dor para ele. — Olha a sua mãe! Olha como ela gosta do pau do sobrinho! Olha como ela geme meu nome!
Matheus estava chorando abertamente agora, o corpo tremendo nas algemas. Mas ele não desviava o olhar. Ele não conseguia. Ele estava preso na visão da mãe sendo duplamente violada, duplamente possuída pelos homens da família que a destruíram.
E o pior? O pau dele continuava duro. Vazando pré-gozo.
— Gostoso... — Marina gemia, a mente quebrada, aceitando qualquer coisa que a preenchesse. — Tão grande... Nando... me parte... me parte no meio...
Ricardo ria. Ele estava encostado na coluna, acariciando o cabelo do Matheus como se fosse um bicho de estimação querido, enquanto assistia ao filho foder a cunhada.
— Isso é família, Matheus — Ricardo dizia, a voz suave. — Isso é sangue. Não tem moral. Não tem certo ou errado. Só tem quem fode e quem é fodido. Ontem você fodeu a gente. Hoje a gente fode a sua origem. É o ciclo da vida.
Eu aumentei o ritmo. O suor pingava do meu rosto nas costas da Marina. O som das palmas da minha mão batendo nas nádegas dela ecoava como tiros no porão. Eu estava perdido na sensação de poder absoluto. Eu estava destruindo a imagem de mãe santa na cabeça do Matheus, pixel por pixel, estocada por estocada.
— Você gosta disso, tia? — perguntei, mordendo o ombro dela até sentir gosto de sangue. — Você gosta de servir a família?
— Sim! Sim! — ela gritava, histérica. — Eu sirvo! Eu sou de vocês! Eu sou puta de vocês!
Olhei para o Matheus. Nossos olhos se encontraram.
— Ouviu isso, primo? — eu disse, ofegante. — A mamãe é nossa puta. Ela sempre foi. Você que foi burro demais pra ver.
Atingi o ponto sem retorno. O gozo subiu pela minha espinha como lava.
— Segura ela, pai! — gritei.
Ricardo obedeceu imediatamente. Ele foi para a frente da Marina, segurou os braços dela, imobilizando-a, e enfiou a mão na boca dela, calando os gritos, transformando-os em gemidos abafados.
Eu gozei dentro dela. Um jato quente, violento, interminável. Despejei toda a minha raiva, toda a minha frustração, toda a minha semente maldita dentro do ventre que gerou meu inimigo. Eu estava poluindo a fonte. Estava marcando o território de forma tão profunda que nada nunca mais limparia.
Quando terminei, saí dela tremendo. As pernas da Marina cederam e ela desabou no chão de cimento, uma massa de carne trêmula, chorando e rindo ao mesmo tempo, completamente insana.
Ricardo soltou a boca dela e limpou a mão na camisa do Matheus.
— Bom trabalho, filho — ele disse para mim, ajeitando o cabelo. — Tivemos uma manhã produtiva.
Eu fiquei de pé, ofegante, olhando para a cena. Meu pau murchava devagar, sujo de fluidos e sangue.
Caminhei até o Matheus. Ele estava destruído. A alma dele tinha sido arrancada, mastigada e cuspida na frente dele. Ele olhava para a mãe no chão, coberta de esperma do pai e do primo, e algo nos olhos dele tinha morrido para sempre.
Aproximei meu rosto do dele.
— O jogo acabou, Matheus — sussurrei. — Xeque-mate.
Mas então, ele levantou os olhos.
Eles estavam vazios. Mortos. Mas lá no fundo... lá no fundo daquele abismo negro... havia uma faísca. Não de raiva. Não de tristeza.
De gratidão.
— Obrigado — ele sussurrou, a voz quase inaudível.
Eu congelei.
— O quê?
— Obrigado... — ele repetiu, e um sorriso grotesco, quebrado, começou a se formar nos lábios dele. — Agora eu não preciso mais amar ela. Agora eu estou livre.
Um arrepio frio subiu pela minha espinha, dissipando todo o calor da vitória.
Ricardo não ouviu. Ele estava ocupado chutando levemente a Marina para ver se ela estava viva.
Mas eu ouvi.
Eu tinha destruído a mãe dele para quebrá-lo. Mas ao fazer isso... eu tinha cortado a única amarra que ainda segurava o monstro na coleira. Eu tinha tirado a única fraqueza humana que ele tinha.
Ele não estava derrotado.
Ele estava purificado.
E um monstro purificado, sem nada a perder, sem ninguém para amar, é a coisa mais perigosa do mundo.
Vesti minha calça, sentindo o peso do erro fatal que tínhamos acabado de cometer.
Ricardo ria. Marina chorava. Matheus sorria para o vazio.
E eu percebi, com um terror absoluto, que o verdadeiro jogo não tinha acabado.
Ele tinha acabado de começar o Segundo Ato. E dessa vez, não haveria vencedores. Apenas sobreviventes.