A adrenalina do episódio com Cassiano ainda não havia baixado totalmente. O perigo de ser descoberta por Matias funcionara como um óleo sobre as chamas do meu ventre. Naquela quarta-feira, a Casa Grande parecia envolta em um bafo de tempestade iminente. O Coronel saíra para as terras vizinhas, e eu, alegando ainda o cansaço da "queda" no rio, recolhi-me aos meus aposentos sob a justificativa de me preparar para a visita do vigário.
— Maria — Traga o espartilho de seda crua. Aquele com as barbatanas de baleia mais firmes. Preciso me sentir... segura.
Maria entrou no quarto como uma sombra. Ela era o meu silêncio, a minha cúmplice de todas as horas. Mas naquela tarde, havia algo diferente nela. Seus movimentos não eram submissos; eram deliberados, quase predatórios.
Fiquei de pé diante do espelho, apenas com minhas anáguas de renda fina e a camisa de seda aberta, expondo a brancura farta e os seios que ainda guardavam as marcas arroxeadas das mãos brutas de Cassiano e Samuel. Maria posicionou-se atrás de mim. Senti o calor do corpo dela contra o meu enquanto ela ajustava o espartilho nas minhas costas.
— A Sinhá está cada dia mais radiante — ela sussurrou, enquanto começava a puxar os cordões. — A pele da senhora... parece que está pegando fogo.
Ela deu o primeiro puxão, apertando minha cintura generosa, fazendo meus seios saltarem ainda mais para cima. Mas, em vez de continuar o laço, Maria inclinou a cabeça. Senti o hálito quente dela na curva do meu pescoço, cheirando a cravo e canela.
— Maria... o que você está fazendo? — murmurei, mas meu corpo não protestou. Pelo contrário, minhas pálpebras pesaram.
— O que os negros fazem com a senhora é bruto, Sinhá — ela disse, e sua voz não era mais a da mucama, era a de uma mulher que observara tudo das sombras. — Eles a usam como se a senhora fosse terra. Mas eles não sabem onde o mel da senhora se esconde.
Antes que eu pudesse responder, ela mordeu o lóbulo da minha orelha. Foi uma mordida firme, seguida de uma lambida lenta, circular, que me fez soltar um suspiro longo. Maria soltou os cordões do espartilho e, com uma agilidade que eu não conhecia, deslizou as mãos para a frente, segurando meus seios com uma delicadeza que os homens da fazenda desconheciam.
— A senhora quer sair? — ela sussurrou no meu ouvido, sua língua agora traçando o contorno da minha orelha. — Quer ir atrás de outro touro? Ou quer que a Maria mostre à Sinhá como uma mulher deve ser servida?
Eu estava paralisada pelo choque e pelo desejo novo. Maria me virou de frente para o espelho. Ela ajoelhou-se diante de mim, enquanto eu permanecia ali, trêmula, com o espartilho aberto e a respiração curta.
— Os homens arrombam a senhora, Sinhá. Eles a preenchem com aquela força de animal. Mas eles não têm... isso — ela deslizou as mãos por baixo das minhas anáguas, subindo pelas minhas coxas brancas e fartas, até encontrar a umidade que já me denunciava.
Ela me conduziu até a cama de dossel e me deitou com uma reverência que nenhum negro — nem mesmo o educado Zacarias — tivera. Ela afastou as camadas de tecido do meu vestido e minhas pernas foram abertas diante dela.
— Olhe para mim, Sinhá — ela ordenou suavemente.
O que se seguiu foi uma revelação. Maria não tinha a pressa da carne ou o ódio da servidão. Ela mergulhou o rosto entre minhas pernas com uma fome sagrada. O primeiro toque da língua dela não foi uma estocada; foi um beijo. Um beijo profundo, macio, na minha vulva que ainda latejava de Cassiano.
— Meu Deus, Maria... — eu clamei, enterrando as mãos nos lençóis de linho.
A língua de Maria era como seda líquida. Ela desenhava círculos em torno do meu botãozinho de prazer, vibrando com uma precisão que me fazia arquear as costas e soltar gritos que eu tentava abafar nos travesseiros. Ela chupava com uma sucção constante, rítmica, como se estivesse tentando extrair toda a minha alma por ali.
Diferente dos homens, que me usavam para o prazer deles, Maria estava ali apenas para o meu. Ela usava os dedos dentro de mim ao mesmo tempo em que sua boca fazia um trabalho de bruxaria no meu clitóris. O som daquela umidade, o nhoc-nhoc dos seus dedos misturado ao som dos seus beijos na minha carne, era a música mais pecaminosa que já ouvira.
Eu fui levada à loucura. Não era o prazer de ser "possuída" ou "usada" que os negros me davam; era o prazer de ser desvendada. Maria conhecia cada atalho daquela carne branca. Ela subiu o ritmo, a língua ficando firme, pontuda, martelando no meu ponto mais sensível até que eu sentisse o primeiro espasmo.
— Isso, Sinhá... Me dê o seu mel pra sua Maria... — ela murmurava contra a minha pele, bebendo o meu mel como se fosse o vinho mais caro da adega do Coronel.
Eu explodi. Foi um orgasmo diferente de todos os outros. Não foi uma batida surda no ventre, foi uma descarga elétrica que percorreu meus nervos, me fazendo tremer por minutos inteiros. Eu chorei, não de tristeza, mas de uma plenitude que me deixou desarmada.
Maria levantou-se lentamente, limpando o canto da boca com o polegar negro, olhando-me com um sorriso de triunfo.
— Os negros são o seu vício, Sinhá — disse ela, voltando a pegar o espartilho para terminar de me vestir. — Mas eu sou a sua cura. Eles lhe dão a força, mas eu lhe dou o céu.
Fiquei ali, enquanto ela terminava de amarrar meus cordões com a mesma eficiência de sempre. Eu olhava para Maria e não via mais apenas a mucama. Eu via a minha sacerdotisa.
O mundo lá fora continuava o mesmo: Matias, os negros, a senzala e o chicote. Mas dentro daquele quarto, eu descobrira que a minha dominação não tinha limites. Eu era a Sinhá de todos eles: dos homens que me rasgavam e da mulher que me lia.
— E agora, Sinhá? — Maria perguntou, terminando o laço do meu vestido e colocando a sombrinha em minha mão. — Para onde a senhora quer que o Zacarias a leve hoje?
Eu olhei para o meu próprio reflexo. Meus olhos brilhavam com uma malícia renovada.
— Para a plantação de cana, Maria. Ouvi dizer que o feitor trouxe dois novos ajudantes de Angola. E depois que você me abriu as portas do céu... eu sinto que aguento o inferno inteiro.