Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer Capítulo 2 — Onde o Silêncio Começou a Falar Mais Alto

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 3800 palavras
Data: 07/01/2026 17:28:12
Última revisão: 07/01/2026 18:25:44

Saímos do shopping quase no mesmo ritmo, mas não no mesmo estado. Eu sabia disso desde o primeiro passo fora das portas de vidro. O ar da rua pareceu mais frio do que deveria, ou talvez fosse apenas o contraste depois daquele espaço fechado, apertado demais para duas pessoas fingirem normalidade.

— Então… — Arthuro quebrou o silêncio, passando a mão pelos cabelos. — Você vai pra onde agora?

— Vou pegar o metrô ali na esquina — respondi rápido demais, como se já tivesse ensaiado. — É tranquilo.

Ele parou de andar.

— Não.

Virei o rosto, confuso.

— Como assim, não?

— Não vai pegar metrô hoje — disse, com um meio sorriso que eu conhecia bem. — Eu te levo.

— Arthuro, não precisa… — comecei, sentindo o rosto esquentar. — Sério, é perto.

— Eu sei que é. — Ele deu um passo mais próximo. — Mas eu quero.

A palavra ficou suspensa entre nós. Quero. Simples demais para carregar tanto peso.

— A gente quase não se vê — continuou. — E quando se vê… — fez um gesto vago com a mão — sempre acaba rápido demais.

Engoli em seco. Havia algo diferente na forma como ele falava agora. Menos brincadeira. Mais intenção.

— Não vai ser incômodo — completou. — Prometo.

Suspirei, derrotado antes mesmo de tentar resistir.

— Tá bom — disse, finalmente. — Mas só até minha casa.

— Fechado.

O carro de Arthuro era limpo demais para alguém que dizia não ligar para detalhes. O cheiro era familiar: uma mistura de perfume masculino e algo que lembrava sabonete caro. Entrei no banco do passageiro com cuidado excessivo, como se qualquer movimento em falso pudesse denunciar tudo o que eu ainda estava tentando organizar dentro de mim.

Ele ligou o carro e saiu com calma, a mão firme no volante.

— E aí, professor — provocou, sem me olhar. — Sobreviveu à tarde comigo?

— Sobrevivi — respondi, sorrindo de canto. — Mas confesso que foi… intensa.

— Sempre é com você.

O silêncio voltou, mas agora era diferente. Mais cheio. Mais atento. Eu sentia o olhar dele em mim nos sinais, nos reflexos do vidro.

— E a sua vida amorosa, hein? — ele perguntou, do nada. — Continua tranquila demais?

Revirei os olhos, rindo baixo.

— Você nunca cansa disso?

— Nunca. — Ele sorriu. — Sempre fico curioso.

— Curioso ou provocador?

— Um pouco dos dois.

Balancei a cabeça.

— Tá tudo bem. Calmo. Sem grandes histórias.

— Difícil acreditar — comentou. — Você sempre teve esse… — fez um gesto com a mão, me analisando rápido — jeito de quem atrai confusão.

— Olha quem fala — rebati. — O eterno pegador.

Ele riu.

— Isso ficou no passado.

— Desde quando?

— Desde a Minna.

O nome veio sem peso, quase neutro.

— Depois que a gente terminou… — ele continuou — eu fiquei um tempo sem vontade de sair com ninguém. Meio cansado.

Olhei para ele, surpreso.

— Não esperava ouvir isso de você.

— Pois é. — Deu de ombros. — A vida muda.

Nesse momento, senti a mão dele tocar minha perna. Foi casual demais para parecer acidente. Um toque leve, quase distraído, como se estivesse apenas apoiando a mão ali.

Meu corpo reagiu antes da cabeça.

— Arthuro… — murmurei.

— Calma — disse ele, tranquilo. — Tô só dirigindo.

Mas a mão permaneceu.

— Você sempre fica tímido assim? — provocou.

— Só quando você passa do limite.

— E qual é o limite?

Não respondi. Apenas respirei fundo.

O carro parou em frente à minha casa minutos depois. O silêncio voltou a se instalar, pesado.

— Chegamos — ele disse, desligando o motor.

Abri a porta, mas antes de sair, ouvi:

— Ei.

Olhei para ele.

— Essa calça fica… perigosa em você.

— Arthuro! — exclamei, rindo, completamente sem jeito.

— Tô falando sério. — Ele me analisou sem pudor. — Essa bunda devia vir com aviso.

Balancei a cabeça, sorrindo.

— Você é impossível.

— Eu sei.

Saí do carro, ainda sentindo o calor do olhar dele em mim.

— A gente se fala — eu disse, já com a mão na maçaneta.

— Se fala — Arthuro respondeu, inclinando-se levemente no banco. — E se vê.

Fechei a porta com cuidado, como se qualquer gesto brusco pudesse denunciar o que ainda vibrava no ar entre nós. Dei alguns passos em direção ao portão de casa, sentindo o coração mais acelerado do que deveria.

— B-E-R!

O chamado veio alto, quase divertido.

Virei-me.

Arthuro estava fora do carro agora, segurando algo na mão.

— Você esqueceu isso aqui.

Reconheci a bolsa antes mesmo de ele se aproximar. Ri de mim mesmo, voltando alguns passos.

— Nossa… — balancei a cabeça. — Obrigado. Eu realmente ia esquecer.

— Dia cheio demais pra sua cabeça — ele provocou, estendendo a bolsa.

Peguei, nossos dedos se tocando por um segundo a mais do que o necessário.

— Obrigado por hoje — falei. — Foi… bom. Como sempre.

— Foi — ele concordou. — Bom se reencontrar. Todo ano parece igual… mas nunca é.

Deu meia-volta, como se fosse encerrar ali. Mas então parou, respirou fundo e virou de novo.

— B-E-R.

— Oi?

— O que você acha de ir comigo na festa hoje à noite?

Franzi o cenho.

— Festa?

— Pool party. — Ele abriu um sorriso enviesado. — O Arthur iria comigo, mas com essa perna… acabou sobrando um convite.

— Ah, Arthuro, eu não sei… — comecei, já procurando uma saída. — Acho que hoje não…

— Nada de desculpa — ele interrompeu, firme, mas sorrindo. — Você vai comigo. Vai ser minha companhia.

Cruzei os braços, fingindo pensar.

— E se eu disser não?

— Eu passo aqui às oito — respondeu, simples. — Você já sabe o traje.

Suspirei, derrotado.

— Tá bom… — cedi. — Mas não me responsabilizo.

— Responsabilidade é minha — disse ele, piscando.

— Até mais tarde.

Entrei em casa ainda sorrindo, fechando a porta atrás de mim como se estivesse fugindo de algo. Subi para o quarto com a cabeça cheia demais para o silêncio.

Mal tive tempo de sentar na cama quando o celular vibrou.

Arthuro: Não pense em fugir.

Ri baixo.

Segundos depois, outra notificação. Uma mensagem de visualização única.

Abri.

Arthuro estava apenas de sunga — vermelha com detalhes brancos —, o corpo inteiro exposto à luz quente de algum quarto. O abdômen marcado, as coxas firmes, o sorriso confiante.

E aí, tá aprovado? 😏

Engoli em seco antes de responder.

Bernardo: Tá aprovado. 🫣

Joguei o celular na cama como se ele queimasse e comecei a me arrumar. Escolhi uma bermuda clara, curta o suficiente para deixar as pernas à mostra. Por baixo, a sunga branca com detalhes pretos. Tirei a camisa, passei hidratante no corpo com calma, sentindo a pele reagir ao toque.

Às 19h45, a campainha tocou.

— Eu atendo! — gritou minha mãe, Madalena.

Ouvi vozes, risadas.

— Oi, tia Madalena! — Arthuro falou alto. — Boa noite.

— Entra, meu filho — ela respondeu. — Você já conhece o caminho.

— Boa noite, tio Danilo! — ele completou.

— Boa noite, Arthuro — meu pai respondeu. — O Bernardo tá lá em cima.

Segundos depois, a porta do meu quarto se abriu sem cerimônia.

— Tá demorando, professor.

Virei-me.

Arthuro me percorreu com o olhar de cima a baixo. Eu estava só de bermuda e sunga, a pele ainda brilhando levemente do hidratante.

— Você tá… — ele parou, escolhendo a palavra — perigoso.

Sorri.

— Olha quem fala.

— Essa noite você vai chamar atenção — ele disse. — E não vai ser pouco.

— Lá vai ter muita gente — provoquei. — Cuidado.

— Eu dou conta — respondeu, aproximando-se. — Posso usar um pouco do seu hidratante?

— A gente vai ficar com a mesma fragrância.

— Eu já tô com perfume — disse, inclinando o pescoço para mim.

Aproximei o rosto, sentindo o cheiro quente, masculino.

— Combina com você — murmurei.

Ele sorriu.

Passei o hidratante na mão dele. Arthuro esfregou devagar, depois virou de costas.

— Passa aqui também.

Minhas mãos tocaram suas costas largas, firmes, deslizando lentamente.

— O Arthur mandou um abraço — ele comentou. — E o meu pai também… o Sr. Juan.

Assenti, ainda sentindo o calor da pele dele sob meus dedos.

— Vamos? — ele perguntou.

Pegamos as coisas e seguimos para fora.

A noite prometia mais do que qualquer um de nós estava disposto a admitir.

Entramos no carro quase ao mesmo tempo. Arthuro jogou a chave no console, ligou o motor e, antes mesmo de engatar a marcha, puxou o celular.

— Fica aí — disse, aproximando o aparelho. — Isso aqui é tradição.

— Tradição? — perguntei, já sabendo a resposta.

Ele sorriu e levantou o celular, enquadrando nós dois.

— O Arthur precisa saber que eu tô me comportando.

A foto saiu rápida. Eu ainda ajeitava o sorriso quando ouvi o som familiar de chamada de vídeo.

— Não falei? — ele riu. — Nem deu tempo.

Atendeu no viva-voz.

— Olha vocês dois… — a voz do Arthur surgiu animada na tela. — Que injustiça.

A imagem mostrou o rosto dele deitado, a perna imobilizada apoiada em almofadas.

— Vocês estão lindos demais — completou. — Principalmente você, Bernardo.

— Olha o elogio — provoquei. — Vai acostumar mal.

— E você, Arthuro… — ele continuou — camisa aberta de botão, sério? Vai com calma.

Arthuro estava exatamente assim: camisa leve, clara, aberta até quase o meio do peito, revelando o abdômen definido; bermuda escura, baixa o suficiente para deixar as linhas do corpo evidentes. Eu, por minha vez, vestia uma camisa de tecido fino, aberta no colo, bermuda clara e curta, deixando as pernas à mostra.

— É festa na piscina, irmão — Arthuro respondeu. — Precisa entrar no clima.

— Sei… — Arthur fez cara de quem conhecia bem aquele “clima”. — Só cuidado com o caminho que você costuma pegar nessas noites.

Lancei um olhar rápido para Arthuro.

Ele sorriu, fingindo inocência.

— Que caminho, Arthur? — respondeu. — Você anda vendo coisa onde não tem.

— Sei — Arthur riu. — Aproveitem por mim.

— Aproveita a recuperação — disse Arthuro. — Depois a gente compensa.

A chamada se encerrou, e o carro voltou a se mover.

— Faz quanto tempo que você não vai a uma festa assim? — Arthuro perguntou, mudando de assunto.

— Um tempo… — admiti. — Vida de professor não combina muito com noites longas.

— Hoje combina — ele disse. — Você vai se divertir.

Ligou o som. Despacito começou a tocar, preenchendo o carro com um ritmo preguiçoso, sugestivo.

— Além de mulheres lindas… — ele continuou, com naturalidade — vai ter muito cara bonito também.

Olhou para mim de lado.

— Gente interessante. Você vai gostar.

— Você não perde uma oportunidade — comentei.

— Eu gosto de apresentar pessoas — respondeu. — Ainda mais quando sei que a pessoa vai se sentir à vontade.

Chegamos à festa minutos depois. Luzes quentes, música alta, gente rindo, corpos à mostra.

Descemos do carro.

— Pronto? — ele perguntou.

— Acho que sim.

Fomos recebidos quase imediatamente.

— Arthuro! — Camille apareceu sorrindo.

Ela era linda: pele negra reluzente, black power volumoso, corpo atlético moldado por um vestido curto que deixava pouco à imaginação.

— E esse é o famoso Bernardo? — disse, me analisando com um sorriso curioso.

— O próprio — respondi.

Ao lado dela, Yan se aproximou. Loiro, olhos claros, corpo definido sob uma camiseta colada.

— Prazer — ele disse, me puxando para um abraço rápido.

Camille abraçou Arthuro.

Antes de entrarmos, Arthuro se inclinou e falou baixo no meu ouvido:

— Ele gosta da mesma coisa que você. Vai fundo.

Olhei para Yan, que me devolveu o olhar com um sorriso confiante.

— Sejam bem-vindos — Camille disse. — A noite só tá começando.

E eu soube, naquele instante, que nada ali seria simples.

Os quatro entraram juntos, mas a festa imediatamente os separou.

A música alta fazia o chão vibrar. Luzes coloridas recortavam corpos molhados, risadas soltas, gente dançando dentro e fora da piscina. O cheiro de bebida doce misturava-se ao de protetor solar e cloro.

Arturo e Camille não demoraram nem um minuto.

Riram, correram e se jogaram na piscina quase ao mesmo tempo, respingos altos, braços erguidos, corpos que sabiam exatamente como chamar atenção. Já estavam em trajes de banho — Arturo apenas de sunga vermelha, bem recheada e marcada, a água desenhando cada linha do corpo; Camille com um biquíni que parecia feito sob medida para provocar.

Eu fiquei para trás.

Yan também.

— Festa intensa, né? — ele comentou, encostando ao meu lado enquanto observávamos a piscina.

— Bastante — respondi.

Ele sorriu, fácil.

— Você parece meio deslocado… ou só observador demais?

— Um pouco dos dois — admiti.

— Então vamos conversar — disse. — Sempre ajuda.

Sentamos na beirada da piscina, os pés na água.

— O que você faz? — ele perguntou.

— Sou professor — respondi. — Tenho vinte e dois. Dou aula há pouco tempo, mas já é intenso.

— Professor com cara de universitário — ele brincou.— Eu jamais diria.

— E você?

— Personal trainer — respondeu. — Já faz uns três anos.

Olhei melhor para ele. Ian aparentava ser mais novo do que eu e Arturo, talvez pela pele clara, o cabelo loiro sempre meio bagunçado, o sorriso quase juvenil. Mas havia algo no jeito — na postura, na segurança — que denunciava os vinte e seis anos que ele carregava.

— A rotina é puxada — continuou. — Academia cedo, cliente tarde, gente se projetando em cima do meu corpo o tempo todo.

Riu, meio sem graça.

— Alguns alunos confundem motivação com… interesse demais.

Fez um gesto amplo com as mãos.

— Mas faz parte, né?

Enquanto falava, Yan puxou a camiseta pela barra e a retirou com naturalidade. Ficou apenas de sunga azul. O corpo era bonito, bem cuidado, definido — mas diferente do de Arturo. Menos volume, menos imponência. Ainda assim, atraente.

Meus olhos, quase por reflexo, desviaram.

Arthuro e Camille agora dançavam dentro da piscina. Muito próximos. Rindo. Em algum momento, os rostos se encontraram. O beijo foi natural, fluido, como se já estivesse combinado.

Senti algo apertar no peito.

Não raiva. Não ciúme declarado. Algo mais silencioso. Uma sensação de estar fora de lugar.

Ian percebeu.

— Vem — disse, puxando meu braço. — Jacuzzi. Lá é mais tranquilo.

Fui.

A jacuzzi estava ocupada por mais um rapaz, que apenas acenou quando entramos. Conversamos superficialmente — nomes, comentários soltos sobre a festa. Nada profundo.

A água quente relaxava, mas também deixava tudo mais lento… mais intenso.

Em algum momento, senti as mãos de Yan sobre minhas pernas, firmes, mas cuidadosas. Olhei para ele. O olhar veio direto, sem rodeios.

Ele se aproximou e me beijou.

Virei o rosto no reflexo.

— Ei… — ele murmurou. — Fiz algo errado?

— Não — respondi rápido demais. — Não é isso.

Era cansaço. Confusão. Pensamento demais.

Ele tentou de novo, com mais calma.

Dessa vez, não desviei.

O beijo foi quente, lento, exploratório. Ian beijava com segurança, como quem sabia conduzir. Minhas mãos ficaram paradas por um instante, depois tocaram seus ombros, ainda indecisas.

Mas algo em mim se fechou.

Me afastei.

— Vou sair um pouco — disse. — Preciso respirar.

Saí da jacuzzi e procurei Arturo com os olhos.

Nada.

Nem ele. Nem Camille.

Ian veio atrás de mim.

— Quer ir lá dentro? — sugeriu. — Pegar toalhas, bebidas…

— Hoje não vou beber — respondi. — Quero ficar bem.

Ele assentiu.

Entramos na parte interna da casa.

Foi então que vi.

Arthuro estava jogando ping-pong, rindo alto, camisa jogada em algum canto, agora com um copo na mão. Camille jogava contra ele, provocando, aproximando-se demais a cada ponto perdido.

Arturo bebendo.

Isso não era comum.

Aproximei-me.

— O que você tá bebendo? — perguntei.

— Relaxa — ele respondeu, sorrindo. — Hoje é dia de se divertir.

— Quem vai dirigir depois? — questionei.

Ele me olhou por um segundo a mais.

— Achei que você soubesse — disse. — Você dirige.

— Você disse que não ia beber — retruquei, baixo.

— Só hoje — respondeu, simples.

Camille se aproximou e deu um selinho nele, demorado demais para ser casual.

Afastei-me.

Sentei num sofá próximo, observando.

Ian sentou ao meu lado, encostando de leve no meu braço.

Na minha frente, Camille se aproximava de Arthuro com intimidade total. Ria, provocava, passava a mão pela cintura dele, descendo lentamente, segurando-o por cima do tecido da sunga de forma sugestiva, possessiva.

Arturo não afastou.

Riu.

Eu respirei fundo.

Naquele instante, a festa parecia acontecer longe demais de mim.

E, pela primeira vez, pensei se eu estava ali apenas para facilitar a noite dos outros.

Yan percebeu o silêncio antes mesmo de eu me dar conta dele.

— Ei… — disse, tocando de leve meu braço. — Você viajou legal agora.

Piscar foi como voltar de um lugar distante demais.

— Tava pensando — respondi, sem entrar em detalhes.

— Então para — ele sorriu. — Vem aproveitar a festa.

Não deu tempo de eu responder.

Yan se inclinou e me beijou.

Dessa vez, eu não hesitei.

O beijo veio quente, decidido, sem a delicadeza do primeiro. Minha mão subiu quase sozinha para a nuca dele, os dedos se enroscando no cabelo loiro ainda úmido. Ian reagiu na mesma intensidade, aproximando o corpo, me puxando para mais perto.

O mundo ao redor perdeu definição.

O barulho da festa virou fundo distante.

Senti a boca dele descer pelo meu maxilar, pelo pescoço. Um arrepio percorreu minhas costas quando ele mordeu de leve minha orelha, sussurrando algo que eu mal consegui registrar. Logo depois, sua boca marcou minha pele — um chupão lento, proposital, como se quisesse deixar ali um aviso.

Eu fechei os olhos.

Arthuro saiu do meu campo de visão.

Ou talvez eu tenha desligado dele.

Minhas mãos exploraram as costas de Yan, sentindo o calor do corpo, o desenho dos músculos. Ele reagia a cada toque, a cada aproximação, como se estivesse esperando por aquilo há horas.

— Vamos sair daqui — ele murmurou, com a boca ainda próxima demais da minha.

Assenti.

Subimos as escadas sem trocar mais palavras. O segundo andar estava mais silencioso, a música abafada pelas paredes. Yan abriu a porta do banheiro e entramos, trancando logo em seguida.

O espaço era pequeno, íntimo.

Ele me encostou na pia, os corpos colados, respiração quente contra quente.

O beijo voltou, mais urgente.

Mãos explorando, puxando, apertando.

Assim que a porta do banheiro se fechou e a tranca fez aquele estalo seco, o mundo pareceu encolher.

Ficamos só nós dois.

Recuei até sentir o mármore gelado da pia contra a minha lombar. O contraste me arrancou um arrepio involuntário: minhas costas esfriavam, enquanto todo o resto do corpo ardia sob o olhar atento de Yan. Ele não se apressou. Pelo contrário — avançou devagar, ocupando o espaço entre nós com uma calma quase cruel, até que eu pudesse sentir o calor que vinha do corpo dele.

— Você tá tremendo, Bernardo — murmurou.

A voz grave soou perto demais. O hálito quente roçou meu rosto, e eu engoli em seco.

Yan apoiou as mãos na pia, uma de cada lado do meu quadril, me cercando. Preso entre o mármore frio e o corpo dele, percebi que não havia desconforto ali — só entrega. Tentei dizer algo sobre alguém poder entrar, mas qualquer tentativa virou apenas um suspiro quando ele afundou o rosto no meu pescoço.

O toque do nariz, o cheiro da pele dele misturado ao perfume e ao suor leve da festa… fechei os olhos sem perceber.

— Deixa ouvirem — sussurrou contra minha pele. — Que morram de inveja.

Os beijos vieram lentos, úmidos, marcando o caminho da minha mandíbula até o pescoço. Quando ele sugou de leve a pele ali, um arrepio violento percorreu minha espinha, terminando exatamente onde o desejo já pulsava. Minhas mãos subiram quase sem permissão, agarrando os ombros dele.

Yan se afastou apenas o suficiente para me encarar. Havia diversão no olhar, mas também algo mais intenso, concentrado. Suas mãos desceram até a minha cintura. Prendi a respiração e senti Yan encostar no meu pau...

desceu minha sunga até meu joelho.

O ar fresco tocou minha pele por um segundo antes de ser substituído pelo calor firme das mãos dele.

— Yan… — meu nome saiu rouco, quase um pedido.

Ele respondeu apenas com um sorriso de canto, daqueles que prometem bagunça. Então começou a descer, lentamente, até ficar de joelhos sobre o azulejo. A imagem se gravou em mim com uma força difícil de explicar: todo aquele porte, toda aquela segurança, ali — conduzindo, no controle absoluto.

As mãos dele se firmaram nas minhas coxas, os dedos pressionando com intenção. Ele olhou para cima.

A conexão daquele olhar me desarmou por completo.

— Gosta de me ver assim? — provocou.

— Só… continua — murmurei, os dedos se perdendo no cabelo dele, puxando-o para mais perto.

O primeiro contato fez minhas pernas fraquejarem.

Apoiei o peso do corpo na pia, a cabeça tombando para trás enquanto encarava o teto branco, tentando não perder o controle. O calor, a precisão, o ritmo que ele impunha… tudo me atravessava de uma vez.

Yan alternava cadência e intensidade com uma naturalidade perigosa, como se soubesse exatamente até onde podia me levar — e um pouco além.

Minha respiração saiu descompassada. O som da entrega preenchia o banheiro, misturado aos meus próprios gemidos contidos. Eu sentia tudo: o cuidado, a pressão, o tempo certo. Era demais e, ao mesmo tempo, exatamente o que eu precisava.

— Assim… — murmurei entre os dentes. — Não para…

Ele ergueu o olhar outra vez, sem quebrar o ritmo. Aqueles olhos presos aos meus tornaram tudo mais cru, mais exposto. Eu via ali o reflexo da minha própria rendição. A tensão no meu corpo se acumulava, apertando, anunciando o limite.

— Yan… — avisei, a voz falhando. — Eu…

Ele não recuou.

A intensidade aumentou só um pouco — o suficiente para quebrar qualquer resistência que ainda restasse. Meu corpo inteiro se retesou, a respiração presa no peito, o mundo reduzido a uma única sensação prestes a transbordar.

TOC TOC TOC....

O som na porta foi violento.

— EI! TEM GENTE NA FILA! ANDA LOGO! — uma voz grossa gritou do lado de fora, seguida de risadas.

O choque foi imediato.

O prazer congelou, substituído por um susto que fez meu coração disparar. Yan parou, respirando pesado, mas permaneceu ali por um segundo a mais, me encarando com uma expressão que misturava diversão e excitação.

Então se levantou devagar, passando o polegar pelo canto da boca se limpando, sem desviar o olhar.

Minhas mãos tremiam enquanto eu me recompunha, subindo a sunga e ajeitando o cabelo. Do lado de fora, alguém bateu na porta de novo, impaciente.

Yan se aproximou do meu ouvido e sussurrou, baixo, firme:

— Isso não acabou, Bernardo. Só mudou de lugar. E me deu um beijo rapido e breve, com um gostinho diferente.

Arrumamos o mínimo possível. Pele ainda quente. Olhares que evitavam se cruzar por um instante longo demais.

Ficamos ali por alguns segundos, tentando recuperar o fôlego — e o juízo — sabendo que, dali em diante, nada naquela noite seria simples outra vez.

Ele destrancou a porta e saímos do banheiro como se nada tivesse acontecido.

Foi aí que vi.

No final do corredor, parcialmente iluminados por uma luz amarelada, Arthur e Camille estavam colados um ao outro. Camille tinha parte do biquíni desajustada, o corpo arqueado contra a parede. Arthur estava próximo demais, os dedos desaparecendo sob a buceta dela, o rosto concentrado, a respiração pesada.

Ela revirou os olhos.

— Arthuro… — murmurou, em um tom que não deixava dúvidas.

Ele sorriu daquele jeito que eu conhecia bem.

Meus olhos ficaram presos ali por segundos que pareceram minutos.

Yan percebeu meu corpo enrijecer ao lado dele.

— Ei… — sussurrou. — Tá tudo bem?

Eu não respondi.

Porque, naquele momento, eu não sabia se estava mais perdido por ter ido longe demais…

Ou por perceber que Arthuro já tinha ido antes.

-

Bom peço desculpas caso encontrem erros de digitação, apesar de ser professor e conhecer muito bem a língua portuguesa, contar sobre fragmentos da minha vida mexe bastante comigo, principalmente porquê essa história é especial, e podem acreditar ACONTECEU MUITA COISA.

Espero que gostem desse capítulo, comentários e críticas me ajudam bastante então fiquem a vontade.

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Comentários

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Que atmosfera é essa? Sinto que esse contos trará grandes emoções. Esse Arthuro não sei não emh. Estou empolgado esperando a próxima parte.

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Obrigado. Estou tentando recriar o cenário próximo de exatamente como aconteceu. As coisas não foram tão rapido assim, escrevendo o conto preciao acelerar o processo para não se tornar monótono.

Porém adianto que o Capítulo 4 e o 5 aconteceu muita coisa...

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Ainda não sei ao certo... Está interessante. Vejo decepção com Arthuro ,vejo joguinho de um bi curioso que não vai se expor próximo a conhecidos, vejo um chove e não molha com Yan que pode gerar um arrependimento de algo que não aconteça. Mas possivelmente Bernardo envolvido com 3 pessoas da mesma família, claro que com nuances diferentes.

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Obrigado pelo feedback,posso dizer para você que cada pessoa descrita nesse conto tem ou teve um espaço especial na minha vida. São pessoas reais, e por ser tão real é difícil eu conseguir julgar o momento de cada um... 😓

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