O Retorno ao Ninho e o Chalé do Fim do Mundo
O fim do semestre letivo não terminou com um ponto final, mas com uma reticência de exaustão. Quando entreguei meu último relatório de Patologia e o Lucas fez sua última prova oral de Civil, a gente parecia dois sobreviventes de guerra. Estávamos pálidos, com olheiras fundas, vivendo à base de cafeína e miojo.
Mas então, a mágica aconteceu: Férias.
Arrumar as malas para voltar para a nossa cidadezinha foi um ritual de purificação. A cada peça de roupa dobrada, eu sentia um peso saindo das costas. O Lucas veio me buscar com o carro do pai dele, que tinha ido visitar a gente e deixado o veículo para a volta.
A estrada foi a transição. Conforme os prédios da cidade grande ficavam para trás e o verde das matas e pastos começava a dominar a paisagem, a nossa cor voltava. O Lucas dirigia com uma mão no volante e a outra na minha coxa, apertando de vez em quando, sorrindo aquele sorriso leve que eu não via há meses.
— A gente sobreviveu, Clara — ele disse, o vento entrando pela janela aberta bagunçando o cabelo dele.
— A gente venceu — corrigi, deitando o banco e colocando os pés no painel (coisa que ele odiava, mas hoje deixou passar).
Chegar na nossa cidade foi um abraço quentinho. A comida da minha mãe, o cheiro de bolo de fubá, o silêncio da rua que não tinha buzinas de madrugada. Mas tinha um problema: voltamos a morar com os pais.
A liberdade da kitnet e da privacidade total tinha ficado para trás. Agora, para transar, precisávamos de estratégia militar.
A primeira semana foi de "reconexão contida". A gente jantava na casa dos meus pais, comportados. Lucas elogiava a comida, falava de política com meu pai. Depois, íamos para a varanda "namorar".
A tensão de ter meus pais na sala assistindo novela, a poucos metros de distância, transformava cada beijo num risco delicioso.
— Se meu pai aparecer aqui, eu morro — eu sussurrava, prensada contra a parede escura da varanda, enquanto a mão do Lucas entrava por baixo da minha blusa e apertava meu peito com vontade.
— Ele não vem. O Jornal Nacional tá começando — Lucas respondia, beijando meu pescoço, a respiração quente e pesada.
Ele esfregava o corpo duro contra o meu, sem penetração, apenas aquele "amasso" de adolescente que a gente tinha pulado um pouco. A gente ficava ali, se esfregando, se tocando por cima da roupa, até ficarmos quase insanos de tesão, para depois ele ir embora com as bolas doendo e eu ir dormir molhada, sonhando com ele.
Mas nós tínhamos um plano.
Juntamos cada centavo dos estágios e das mesadas durante o semestre. O objetivo? Uma semana. Só nós dois. Longe da família, longe dos livros, longe de tudo.
Alugamos um chalé numa cidade turística nas montanhas, a umas duas horas dali. Era um lugar isolado, cercado de pinheiros, com uma lareira e, o mais importante, uma banheira de hidromassagem com vista para a mata.
O dia da viagem chegou.
O chalé era perfeito. Era rústico, todo de madeira, com janelas enormes de vidro. Não tinha vizinhos visíveis. A única testemunha ali eram os pássaros.
— Bem-vinda ao paraíso, Doutora Clara — Lucas disse, abrindo a porta e jogando as malas no chão.
A primeira regra que estabelecemos foi: roupas são opcionais.
Passamos os primeiros dois dias vivendo como Adão e Eva. Era libertador cozinhar o café da manhã nua, sentindo o ar frio da montanha arrepiar minha pele, enquanto Lucas aparecia na cozinha, também nu, me abraçava por trás e apoiava o queixo no meu ombro enquanto eu passava o café.
— Você tem a bunda mais linda desse hemisfério — ele dizia, dando um tapa estalado na minha nádega esquerda antes de roubar um pedaço de queijo.
A intimidade doméstica nua trouxe uma naturalidade nova para o nosso sexo. Não era só sobre o ato de foder. Era sobre estar presente.
A gente transava no tapete da sala, com a lareira acesa estalando ao lado. Transava na mesa da cozinha, derrubando o saleiro. Transava no chuveiro. Mas as verdadeiras loucuras começaram no terceiro dia.
Decidimos fazer uma trilha que levava a uma cachoeira privada dentro da propriedade do chalé.
Caminhamos pela mata fechada, o cheiro de terra úmida e eucalipto enchendo os pulmões. Quando chegamos na queda d'água, era um cenário de filme. Uma piscina natural de água cristalina, pedras lisas e sol filtrado pelas árvores.
— Ninguém vem aqui — Lucas observou, olhando em volta.
Não precisou dizer duas vezes.
Entramos na água gelada. O choque térmico fez a gente gritar e rir. A água batia na cintura. O frio fazia meus mamilos ficarem duros como pedra. Lucas me puxou para ele, usando o calor do corpo dele para me aquecer.
— Me esquenta, Lucas... — pedi, tremendo, abraçando o pescoço dele.
Ele me levantou na água. Enlacei as pernas na cintura dele. O contraste da água gelada nas minhas costas e do pau dele fervendo, roçando na minha entrada, era alucinante.
Ele entrou devagar. A lubrificação natural da água ajudou, mas a sensação térmica era o que dominava.
— Ahhh... — gemi, o som ecoando nas pedras.
Fizemos amor ali, dentro da cachoeira, com a força da água batendo perto da gente. Foi primal. Eu me sentia uma bicha do mato, uma fêmea no seu habitat, acasalando com seu macho. Lucas me segurava com força para não escorregarmos nas pedras do fundo. O perigo de cair, o frio, o isolamento... tudo potencializava o prazer.
Quando gozamos, foi misturado com o barulho da água caindo. Foi uma limpeza de alma.
Mas a noite final... a noite final foi a cereja do bolo.
Estava chovendo lá fora. Uma tempestade de verão que batia forte no telhado do chalé. Nós preparamos a banheira de hidromassagem. Água fervendo, muita espuma. Levamos uma garrafa de vinho.
Entramos na banheira. O calor relaxou cada músculo que a trilha tinha tensionado. Ficamos ali conversando sobre o futuro, sobre onde iríamos morar, sobre cachorros e processos judiciais.
Lucas então me virou de costas para ele, me encaixando entre as pernas dele.
— Relaxa... — ele sussurrou.
Ele começou a massagear meus ombros, descendo para os seios, brincando com os mamilos debaixo da espuma. A água quente pulsava nas minhas costas.
— Clara... eu quero tentar uma coisa. Uma coisa que a gente nunca fez desse jeito.
— O quê? — perguntei, mole de vinho e calor.
Ele saiu da banheira, pingando água, e voltou com um vidro de óleo corporal que eu tinha levado.
— Sai da água.
Eu saí. Ele me levou para a cama king size, que tinha um espelho enorme na parede lateral.
— Fica de quatro. De frente pro espelho.
Eu obedeci. A visão no espelho era erótica. Eu, com a pele avermelhada do banho quente, o cabelo molhado grudado nas costas, empinando para ele.
Lucas derramou o óleo nas mãos e começou a passar na minha bunda.
Ele não teve pressa. Ele untou minhas nádegas, minhas coxas, minha entrada, tudo. O óleo deixava tudo escorregadio, brilhante. Ele massageava com força, amassando minha carne, dando tapas que estalavam alto e ardiam de um jeito bom.
— Olha pro espelho, Clara. Olha o que eu vou fazer com você.
Ele se ajoelhou atrás de mim. Ele também estava brilhando de óleo.
Ele entrou.
O óleo mudou tudo. A penetração foi lisa, incrivelmente profunda e sem atrito ruim. Ele deslizou para dentro de mim como se fosse feito para morar ali.
— Olha... — ele ordenou, segurando meu queixo e virando meu rosto para o espelho.
Eu vi. Vi o corpo dele colado no meu. Vi o rosto dele, concentrado, com aquela expressão de posse absoluta. Vi onde os nossos corpos se uniam. Era a imagem mais pornográfica e linda que eu já tinha visto.
Ele começou a foder num ritmo lento e circular, aproveitando o óleo. Ele girava o quadril, roçando em todas as paredes internas.
— Você é minha mulher, Clara. Minha veterinária. Minha vida.
Ele alternava entre penetrar na frente e brincar atrás com o dedo besuntado de óleo. A sensação dupla, vendo tudo pelo espelho, me levou a um estado de transe.
— Lucas... eu não vou aguentar... é muito estímulo...
— Aguenta. Eu quero ver você gozar olhando pro espelho. Eu quero que você veja o quão gostosa você fica quando desmancha pra mim.
Ele acelerou. O som da pele com óleo batendo era tudo. Slap-slap-slap.
A pressão aumentou. Eu fixei o olhar no meu próprio reflexo, nos meus olhos vidrados, na boca entreaberta, no Lucas atrás de mim me possuindo com tanta propriedade.
O orgasmo veio como um raio. Eu vi meu rosto se contorcer no espelho. Eu vi meu corpo tremer. Eu gritei, e o grito se misturou com o trovão lá fora.
Lucas gozou logo em seguida, segurando meus quadris com as mãos oleosas, escorregando um pouco, mas me mantendo firme até a última gota.
Caímos na cama, sujos de óleo, suor e fluidos. O lençol estava arruinado (teríamos que pagar uma taxa extra, com certeza), mas ninguém ligava.
Ele me puxou para deitar no peito dele, me abraçando forte apesar de estarmos escorregadios.
— Essa foi a melhor semana da minha vida — ele disse, beijando minha testa.
— A melhor semana... até as próximas férias — respondi, sorrindo, fechando os olhos e ouvindo o coração dele bater calmo, forte e meu.
Ali, naquele chalé isolado, a gente selou algo. Não éramos mais apenas namoradinhos de escola ou universitários estressados. Éramos um casal de verdade, cúmplices em cada fantasia, em cada toque, prontos para voltar para a realidade sabendo que tínhamos aquele refúgio secreto um no outro.