Semana no Monte — Dia I
O sol do Alentejo caía pesado sobre a estrada quando o carro do Engenheiro se aproximou da herdade.
Uma casa senhorial, imponente, erguia-se no cimo do monte. O rés-do-chão brilhava com janelas envidraçadas, linhas modernas, piscina azul a cintilar; mas a cave, escondida, guardava o segredo: uma masmorra preparada para a escrava.
Quando chegámos, fui logo puxada pela trela até à entrada lateral, longe da porta principal.
A Dra. Zita explicou com frieza:
— Esta será a nossa semana de férias. Acima da terra, conforto, vinho fresco, marisco à mesa e descanso. Abaixo da terra, silêncio, dor e obediência. Não estás cá para mais.
### 12h00 – Instalação na masmorra
Descemos pela escada de pedra até à cave. O ar era frio e húmido, o espaço iluminado por candeeiros de ferro nas paredes.
Correntes pendiam do teto. Uma jaula estreita encostada ao canto. Um banco de madeira gasto, manchado.
— Este é o teu quarto de férias — ironizou o Engenheiro.
Prendeu-me pelos pulsos às argolas na parede.
— Aqui só vens dormir quando te permitirmos. De resto, vais estar a trabalhar o corpo.
Deixaram-me nua, apenas com o cinto e o plug. À minha frente, uma tigela com água turva.
### 14h00 – Primeira prova
Chamaram-me à superfície. O contraste entre a escuridão da cave e o brilho da piscina foi esmagador.
Eles estavam deitados em espreguiçadeiras, óculos de sol, taças de vinho branco fresco na mão.
— Traz as toalhas — disse a Dra. Zita.
Ajoelhada, com a trela curta, carreguei toalhas e coloquei-as aos pés dos dois.
— Agora, lambes-nos os pés. É o ritual de inauguração desta semana. —
De joelhos sobre o soalho quente, bebi o sal e o pó dos pés deles, enquanto riam e brindavam.
### 16h00 – Exposição
O Engenheiro decidiu que eu deveria ficar junto à piscina, em quatro, como cadela de guarda.
— Assim, quando mergulharmos, olhas para nós como se estivesses diante de deuses. —
Toda a tarde fiquei imóvel, rabo empinado, cabeça baixa, servindo apenas de espetáculo enquanto eles nadavam, riam, beijavam-se e bebiam.
### 19h00 – Jantar
No terraço, a mesa estava posta com requinte: pratos de porcelana, vinho alentejano, peixe fresco.
Para mim, uma tigela no chão com restos e vinho derramado.
— Come rápido, cadela. —
Enquanto eles conversavam sobre a praia do Malhão, onde talvez fossem no dia seguinte, eu lambia ossos e gordura, tentando engolir sem vomitar.
### 21h00 – Primeira sessão na sala
Terminada a refeição, levaram-me para a sala. As janelas abertas deixavam entrar o cheiro do campo.
O Eng sentou-se numa poltrona e chamou-me:
— Deita-te de costas. Quero a tua boca. —
Sem demora, enchi-me dele, sugando, engolindo, limpando cada vez que o líquido me enchia a garganta.
A Dra. Zita, de pé, apenas observava, de taça na mão.
— Faz-lhe um boquete digno de perdão. Quero ver-te engasgar. —
### 23h30 – Regresso à masmorra
Depois de usado, fui arrastada de novo à cave.
O Eng prendeu-me na jaula, a porta fechada com cadeado.
— Boa noite, cadela. Dorme apertada, que amanhã começa o verdadeiro julgamento desta semana. —
A luz apagou-se.
Fiquei em silêncio, ouvindo apenas o vento do monte e o ranger das correntes, consciente de que o Dia I tinha sido apenas uma introdução.