Meus olhos se arregalam de espanto enquanto o Comandante Yai sorri e lança seu olhar para frente, com descaramento.
— Comandante Yai... o que foi aquilo?
— Não precisa fazer alarde — ele repreende com uma voz gentil.
— O senhor beijou minha bochecha.
— Quem mandou você colocar sua bochecha perto da minha boca?
A desculpa dele me deixa boquiaberto. Sério...? De jeito nenhum! O amor te deixa cego, mas não danifica o seu cérebro. Cubro minha bochecha com a palma da mão, o sangue bombeando para o meu rosto, fazendo minha pele arder.
— Comandante Yai... aquilo foi... não foi...
Gaguejo, sem palavras. Não consigo encontrar uma única palavra para descrever essas coisas girando na minha cabeça. Perguntas e sentimentos colidem uns com os outros como se estivessem tentando se destacar e me forçar a priorizá-los primeiro.
Estou em choque. No entanto, dentro do choque, há felicidade. Junto com essa felicidade, há a dúvida do porquê o Comandante Yai fez aquilo. A resposta, que eu não me atrevo a assumir, me obriga a suprimir essa felicidade que tenta florescer em meu coração. Tenho um medo terrível de me decepcionar, mas, no fundo do meu coração, eu quero ter esperança. É difícil organizar os sentimentos que me impelem a ser esperançoso e, ao mesmo tempo, a saber o meu lugar.
Notando meu constrangimento, o Comandante Yai fala suavemente:
— Eu estava te provocando, Jom. O que eu deveria ter feito se não te beijasse? Você estava agarrado às minhas costas, chorando, algumas noites atrás. Agora, está me ignorando.
Uma nova pergunta surge e atropela as antigas, mandando-as para longe. O que o Comandante Yai quis dizer? O beijo na bochecha foi apenas uma provocação? As palavras dele foram uma provocação enquanto o beijo foi real? E quando foi que eu o ignorei?
Quando abro a boca para perguntar, chegamos ao acampamento.
O Comandante In está rondando perto do fogo. Avistando-nos, ele marcha até aqui imediatamente. Ele olha por um segundo para a mão do Comandante Yai na minha cintura e desvia os olhos como se não suspeitasse de nada.
— Yai, preciso discutir nossa rota de viagem com você — diz ele com o rosto sério, parecendo perturbado.
O Comandante Yai concorda. Ele me ajuda a desmontar do cavalo e me diz:
— Não durma ainda. Vou pedir para alguém trazer a pomada para você.
Eu confirmo, sentindo-me distraído.
Um tempo depois, alguém me entrega um pequeno frasco de pomada, como o Comandante Yai havia dito. Sento-me em uma carroça, toco com os dedos o unguento que parece cera de abelha macia e aplico nos arranhões nos meus membros, pensando em tudo o que aconteceu. A ação do Comandante Yai esta noite é um enigma, fazendo-me ponderar sobre muitas coisas. Algumas colocam um sorriso no meu rosto, mas outras me perturbam.
Nesta noite, adormeço com essas perguntas sem resposta até o amanhecer.
No dia seguinte, a comitiva avança tarde da manhã. Alguns de nós ainda estão exaustos pela fuga do incêndio florestal ontem à noite, mas temos que seguir em frente. Caminhamos por várias horas em uma área mais sombreada e úmida. As plantas aqui parecem diferentes, com aglomerados espessos de arbustos e plantas parasitas crescendo em outras árvores. As grandes árvores estendem seus troncos ao alto, espalhando seus galhos e folhas sobrepostos. O ar é distintamente mais fresco.
O Capitão Mun me diz que a rota é mais longa que a anterior, mas o lado bom é que podemos evitar o incêndio florestal, e há uma pequena aldeia à frente para nos abrigarmos. O Comandante In não está feliz em seguir por este caminho, mas tem que aceitar por falta de escolha.
Enquanto viajamos, minha mente continua vagando para o Comandante Yai. Sei que estou obcecado. Mas como posso evitar, se o que ele fez não foi normal? Como ele pôde segurar minha cintura e beijar minha bochecha daquele jeito? Eu não sou uma criança de cinco anos que ele possa colocar no colo e beijar e dar bicos como desejar. Ele fez isso por afeto ou adoração? Beijar minha bochecha porque me adora não tem graça. Sou um homem feito. É impossível não sentir nada. E o modo como ele falou, como se estivesse amuado... Meus membros perdem a força só de pensar, e começo a me sentir irritado comigo mesmo.
À tarde, o Comandante Yai interrompe a procissão para montar acampamento. Nos estabelecemos mais cedo que nos outros dias porque a Princesa Amphan está cansada demais para continuar a jornada.
— Você está com febre? — Capitão Mun coloca a mão na minha testa. — Seu rosto está todo vermelho.
— Não, não estou. Sinto-me exausto pela fuga do incêndio ontem à noite — invento uma desculpa. Não posso dizer a ele o motivo do meu rosto estar vermelho.
Pouco depois, descubro por que esta área é excepcionalmente vívida — é perto de uma cascata. Sigo o Capitão Mun até a cachoeira. A água despenca sobre as rochas e espirra em minúsculas bolhas que se prendem às folhas em gotas claras. Capitão Mun e seu bando entram na água energicamente e tentam pegar peixes com as mãos nuas. Pouco depois, todos voltamos ao acampamento para realizar nossas tarefas.
Aproveito uma chance enquanto todos estão ocupados trabalhando para retornar à cachoeira. Os servos estão montando as tendas e preparando os ingredientes para o jantar. É uma boa oportunidade para eu me banhar enquanto todos fazem seus trabalhos. Geralmente eu os ajudo com coisas triviais, mas hoje quero um tempo sozinho.
A água desce em cascata pelas fendas. Mais adiante, avisto uma lagoa que se curva na margem como uma grande banheira. Ela se esconde atrás de arbustos espessos, imperceptível. Eu me aproximo, deixo todas as minhas roupas na margem e entro na água, na área rasa onde os seixos são visíveis. Nado até a lagoa que escolhi e testo a profundidade da água.
A lagoa é clara e flui lentamente, fresca e revigorante. A água não é tão rápida quanto na parte que se conecta diretamente à cascata. Caminho até o outro lado, onde galhos pendem baixos das árvores na margem. A água aqui está na altura dos ombros, não tão profunda quanto no centro da lagoa, que fica a um braço de distância acima da minha cabeça.
Flutuo com a cabeça fora da água em relaxamento. Pétalas e folhas são sopradas e caem na superfície da água. Elas derivam lentamente em círculos, não fluindo para longe tão facilmente. Sinto como se estivesse me banhando em um spa luxuoso repleto do perfume da floresta.
Flutuo de costas, fecho os olhos e absorvo a natureza que me rodeia. A brisa, as árvores frondosas, o som acalentador da água fluindo. No entanto, minha mente divaga para o que aconteceu ontem à noite, quando o Comandante Yai beijou minha bochecha. A cena na minha cabeça faz minha bochecha formigar, e fecho meus olhos com mais força. Que perverso o Comandante Yai. Ele fez aquilo descaradamente sem pedir meu consentimento. Ainda assim, se tivesse pedido, não tenho certeza de qual teria sido minha resposta.
Ouço um ruído de folhas se aproximando, como se alguém estivesse caminhando pelos arbustos. Abro os olhos, firmo os pés na água e me viro para olhar.
...Comandante Yai.
Ele está na margem, a uma curta distância da lagoa, e lança os olhos para mim. Ele diz: — Deixe-me tomar banho também.
Assustado, eu me viro rapidamente quando ele começa a tirar a roupa. Nado para o outro lado da lagoa e espero até ouvi-lo pular antes de me virar.
O Comandante Yai nada para a parte mais profunda que se conecta à cascata. Sacudo da minha mente a imaginação do corpo dele sob a água. Minha profissão exige imaginação e criatividade, mas espero que elas não corram tão soltas neste momento. Estou nervoso e emocionado ao mesmo tempo, mas o Comandante Yai parece não ter problema nenhum. Ele submerge na água, ressurge, esfrega o corpo e lava o cabelo confortavelmente como se estivesse sozinho... Ele está tentando me seduzir? Se sim, nem precisa dizer, ele é super cruel.
Se fosse antes, eu apenas observaria sem piscar e aproveitaria a boa chance de admirar o corpo dele com meus olhos. Mas agora, percebi que fazer isso é mais perigoso para mim. Forço minha mente a pensar em outra coisa que não seja a beleza sensual de um corpo humano.
Logo, o Comandante Yai faz o que eu temia ao deslizar para dentro da lagoa onde estou me banhando. Hesito entre sair ou ficar.
Um pensamento ridículo. O Comandante Yai não é um bandido. Por que eu deveria fugir? Há outra razão que me impede de sair da água: poderia não parecer que estou fugindo, mas sim que estou seduzindo-o desesperadamente ao exibir meu corpo nu.
O Comandante Yai encosta as costas no lado oposto, repousando os braços na margem. Estamos em lados contrários da lagoa. No entanto, isso não ajuda muito. A água do lado dele está na altura do peito, expondo seus ombros firmes e largos. O Comandante Yai joga o cabelo negro e úmido para trás com as duas mãos, colando-o na nuca. Gotas de água brilham em seu rosto e escorrem pelo seu peito.
Estou terrivelmente nervoso. Meus membros se movem de forma desajeitada, como se não fizessem parte do meu corpo. Afundo até que a água atinja meu queixo e sopro a superfície suavemente, sem olhar na direção dele. É uma ação sem sentido executada pelo meu cérebro apenas para parecer natural, para não ficar rígido e encarando-o como um louco.
Após fingir sanidade por um tempo, olho de relance para ele. O Comandante Yai está me observando. Apesar do seu olhar afiado, um sorriso gentil brinca em seus lábios. Desvio os olhos, meu coração tremendo incontrolavelmente.
— Você ainda está zangado comigo? — ele pergunta em um tom suave.
Mordo o lábio, lutando para encontrar uma resposta. Por fim, respondo com outra pergunta: — Sobre o quê?
— Sobre eu ter te beijado.
...Ugh, ele não poderia ser mais direto. Coço meus braços secretamente debaixo da água para suprimir minhas emoções. Ele não precisava ser tão franco. Murmuro:
— Eu não sei por que o senhor fez aquilo.
— Você estava me ignorando.
— Quando foi que eu o ignorei? —
Estou confuso de verdade agora. Nos últimos dias, tive o cuidado de não expressar meu afeto por ele, fosse com o olhar ou com ações. Não fazia ideia se estava me saindo bem; talvez eu tenha encarado as costas dele com desejo às vezes.
— Eu olhava para você todos os dias. Você não percebeu?
— Eu... percebi.
E daí? Eu também olhava para ele todos os dias e até tinha que me lembrar de não encarar por muito tempo.
— Hmm... — O Comandante Yai solta um suspiro. — E você ainda diz que não me ignorou.
Isso é loucura... Ele chama aquilo de ignorar? Eu estava apenas evitando contato visual. Não fiz isso por medo de que ele ficasse irritado? Eu tenho sido loucamente cuidadoso com ele, e ainda assim ele coloca as coisas dessa forma.
Aperto os lábios e franzo a testa, sem saber se me sinto tímido ou chateado com sua acusação absurda. Não recebendo resposta, o Comandante fala:
— Você acha que eu fiz aquilo para te provocar?
— Não sei. Como eu deveria saber o que o senhor está pensando?
O Comandante Yai faz uma pausa antes de deslizar em minha direção pela água. Eu me viro para o lado, alarmado. As pétalas na superfície estão mais ralas do que antes e tudo sob a água está mais visível. Talvez as pétalas sejam as mesmas e seja apenas coisa da minha cabeça.
Meu coração martela... Ele está nu. E eu também.
O Comandante Yai para diante de mim, ao alcance de um braço.
— Você quer descobrir? Chegue mais perto, e eu te contarei.
A voz dele é tão carregada de doçura que meu corpo quase derrete. Tento suprimir meus sentimentos. Embora queira saber o motivo loucamente, mal ouso respirar devido à proximidade. O Comandante Yai precisaria se afastar um pouco mais se quiséssemos ter uma conversa sensata.
Ele fixa os olhos em mim, com um pequeno sorriso persistindo nos lábios. Ele desce o olhar para o meu pescoço e para os meus ombros, não de um jeito vulgar, mas de uma forma que transmite uma intenção que queima minha pele.
— Sua pele é tão clara, Jom — ele sussurra, erguendo os olhos novamente para o meu rosto. — Desde ontem, o perfume da sua bochecha não sai do meu nariz.
Meu coração, que já corria, agora está disparado. O Comandante Yai é mais perverso do que eu esperava. Ele me ataca com seu olhar e palavras doces, sutilmente sedutoras, do tipo que me derrota. Não aguento mais isso. Vou morrer se ficar. Começo a me mover em direção à queda d'água.
— Eu vou para lá.
— Espere. — O Comandante Yai agarra meus braços antes que eu possa sair.
Sou forçado a encará-lo. Nossos olhos se encontram e eu sei instantaneamente que algo está prestes a acontecer. Aperto os punhos debaixo da água, ansioso e em expectativa. Mas então, ouço pessoas conversando do outro lado. Nós dois nos viramos para o som. Mesmo que ainda não possamos vê-los, pelo tom e sotaque, sabemos que são soldados ou servos da nossa comitiva.
O Comandante Yai muda o aperto nos meus braços e, abruptamente, me envolve em um abraço. Solto um som de choque, mas ele sela minha boca com seus lábios, abafando minha voz a tempo, e então me puxa para baixo da água com ele.
Em meio à desordem da minha mente e aos nossos corpos se roçando, tento me perguntar o que está acontecendo. Ele está me beijando ou apenas me impedindo de fazer barulho? Eu teria encontrado a resposta mais facilmente se nossos corpos não estivessem tão próximos. O Comandante Yai me segura firme, peito contra peito, abdômen contra abdômen. Fico paralisado ao sentir cada curva e a firmeza do corpo dele contra o meu.
Antes que minha alma escape do corpo por causa desse beijo subaquático, o Comandante Yai me ergue acima da superfície alguns segundos depois. Ele remove os braços tão lentamente quanto retira seus lábios, de forma persistente. Ele desliza as mãos para os meus braços e aproxima o rosto para sussurrar:
— Jom, minha tenda é espaçosa, e seu tabuleiro e peças de xadrez ainda estão lá.
Antes que eu processe o significado, o Comandante Yai inclina a cabeça junto ao meu ouvido e fala. Não dou resposta, mesmo quando ele se afasta e nada em direção à margem por onde entrou.
Os outros começam a chegar para o banho. Ouço suas conversas ocasionais e o barulho da água. O Comandante Yai já se afastou bastante, mas eu permaneço aqui, olhando para o topo das árvores balançando ao vento, que corta as flores e as faz cair sobre mim. As últimas palavras dele estão claras na minha mente, como se ele ainda estivesse sussurrando ao meu lado. O calor sobe das minhas orelhas até o peito.
"Jom-Jao, venha até mim esta noite... Eu esperarei."
Você acredita que eu não irei? Depois que o Comandante Yai disse aquilo e partiu, fiquei ali parado por vários minutos processando meus sentimentos — chocado, feliz, surpreso, pego totalmente de guarda baixa. Uma pequena centelha de alegria se formou no meu peito, como um lótus minúsculo florescendo em um lago seco e abandonado.
O Comandante Yai não me despreza mais como quando nos conhecemos. Pelo contrário, ele parece ter passado a gostar de mim, e não apenas um pouco. Alguém que te despreza não beijaria sua bochecha, certo? Meu coração vibra só de pensar.
Ele deixou claro, com gestos e palavras, que deseja uma intimidade maior, que quer desvendar meu corpo e minha alma. O que ele fez derreteu minhas defesas, e minha vontade era simplesmente segui-lo cegamente. Eu poderia encontrar o prazer atravessando a cortina da tenda dele agora mesmo, entregando-me a qualquer desejo que surgisse ali, mas uma pequena parte do meu coração me detém.
Eu realmente o amo. No entanto, um amor unilateral é diferente de andar de mãos dadas e enfrentar tudo juntos. É verdade que antes tentei de tudo para roubar o coração dele, mas eu estava perdido e desesperado naquela época. Agora, estou mais centrado e olho para o futuro com a mente mais calma. Cada dia tento me sustentar para dar passos lentos, porém firmes, esperando não tropeçar como antes. Contudo, agora que o Comandante Yai abre os braços e me convida para seu abraço, a decisão parece muito maior do que eu esperava. Isso não é apenas sobre prazer carnal e atividade física. Há sentimentos profundos envolvidos.
Trata-se de decidir se continuarei caminhando sozinho ou se apoiarei meu rosto em seu ombro para seguirmos juntos. A confusão e o medo me fazem parar e recuar. Já fui miserável e me senti perdido o suficiente; não tenho forças para lutar contra o que quer que venha para me esmagar. Duvido que eu suporte sequer uma pequena decepção. E quando pergunto a mim mesmo do que tenho tanto medo, não consigo definir.
Nesta noite, não divido a carroça com o Capitão Mun e, em vez disso, pergunto aos cozinheiros se posso dormir na tenda com eles. Todos me recebem de braços abertos e com um respeito renovado. Chegam a estender outro colchão e me dão travesseiro e cobertor. Antes, eles me viam como um ser de outro mundo por causa da minha origem misteriosa, mas depois que ajudei a todos a escaparem do incêndio a tempo, agora me tratam com aceitação e reverência.
Durmo cedo, sorrindo sozinho na escuridão, e não saio da tenda até o amanhecer. No fim das contas, o fato de eu tê-los alertado sobre o fogo trouxe consequências mais positivas do que eu imaginava. Quando abro os olhos na tenda dos cozinheiros, acordando com o aroma inebriante da comida, sento-me e encaro o conjunto de refeição colocado no chão por Lom, o cozinheiro com quem falei uma vez.
— Hum...? De quem é essa comida, Lom?
Lom abre um sorriso divertido. — De quem mais seria? Por favor, coma tudo, depois volto para buscar os pratos.
— Hum...? — Continuo confuso. — Você não precisa trazer minha comida aqui. Não estou doente. Posso ir lá fora comer com o Capitão Mun.
— Eu sei que você não está doente, Poh-Jom, mas o Comandante Yai, o Comandante In e o médico real, todos têm alguém para lhes servir a comida.
As palavras e a expressão de Lom sugerem algo que consigo presumir vagamente. Há uma disposição servil e um respeito em seu modo de agir. Esboço um sorriso tímido. Será que me "promoveram" a um status quase tão alto quanto o do médico real? Antes tinham medo de mim, achando que eu era um feiticeiro; acho que agora me veem como seu espírito guardião.
— A refeição é diferente da que eu comia com o Capitão Mun e os homens. — Jom ri.
— Como poderiam ser iguais? Esses pratos não seriam suficientes para encher os estômagos dos soldados e servos. Eles preferem carne cozida ou porco grelhado. Nang*- Inn, a cozinheira real, preparou esta refeição caso ela agrade ao seu paladar.
Ah... entendo. Os cozinheiros são divididos em dois grupos: um cuida das refeições típicas e pratos delicados, e o outro prepara a comida pesada para quem precisa de força e viaja a pé.
Observo meu banquete com animação: arroz com cúrcuma, frango e especiarias, curry de peixe e uma sopa clara servida em uma casca de coco — um prato saboroso que provo pela primeira vez. A sobremesa são bolas redondas cobertas com sementes de gergelim branco, recheadas com feijão verde moído levemente adocicado e o perfume fragrante do açúcar de palma. São servidos em folhas de bananeira presas com pequenos espetos de bambu, com uma aparência deliciosa. Lembro-me de quando tentei conquistar o Comandante Yai preparando o café da manhã dele e quase me humilhei; minha comida nunca seria metade tão soberba quanto esta.
Após terminar minha rotina matinal, reúno-me com o Capitão Mun e os rapazes que se preparam para continuar a jornada. Eles discutem o plano de viagem: o Comandante Yai decidiu acelerar o passo para chegarmos à pequena aldeia à frente antes do anoitecer.
Estico o pescoço procurando pelo Comandante Yai e o vejo em seu cavalo. Ele supervisiona tudo antes de sinalizar o avanço da comitiva. Meu coração martela quando ele trota em minha direção. Eu o deixei esperando ontem à noite, plantado por nada. Não sei o quão furioso ele está. Ergo o olhar conforme ele se aproxima, temendo o tratamento que receberei. Nossos olhos se encontram, nenhum de nós diz nada, e então ele desvia o rosto friamente.
Uau... ele está mesmo chateado.
Fico boquiaberto enquanto ele afasta o cavalo sem dizer uma única palavra. Será que eu estou errado aqui? Ele não esperou que eu concordasse ou recusasse o convite, mas quando eu me acovardei e não apareci, ele ficou possesso. No fim, após refletir por metade do dia, decido falar com ele. Quero fazer as pazes. Eu já me importo profundamente com ele; desde que ele sussurrou aquelas palavras doces ontem, meu coração pende totalmente para o seu lado.
Durante uma pausa, aproveito a chance quando todos se dispersam para descansar e sigo o Comandante Yai, que leva seu cavalo a um riacho para hidratá-lo. Ele parece amar esse corcel em particular; sempre o traz para beber água pessoalmente em vez de deixar a tarefa para os servos.
— Comandante Yai — cumprimento, colocando o rosto para fora de trás de uma árvore. Devo parecer ridículo, mas ele não diz nada.
Ele vira a cabeça em minha direção e fala de forma seca e direta:
— Diga o que deseja.
Nossa... que brusco. Ele não lembra em nada o homem doce e sedutor de ontem na cachoeira.
— Eu não apareci ontem à noite — digo timidamente, sabendo que metade da culpa é minha.
O Comandante Yai se vira para me encarar. Ele fixa os olhos no meu rosto, esperando que eu explique o motivo de ter desobedecido sua "ordem".
— É que... eu estava com medo — confesso.
— Medo de quê? Suas habilidades no xadrez são superiores. Eu é que deveria estar intimidado.
...Xadrez não é o ponto aqui, e ele sabe disso.
— Eu estava com medo de que o senhor fizesse o que fez comigo na cachoeira — disparo sem pensar. — Para ser honesto, tive medo de que fizesse muito mais do que aquilo.
Assim que as palavras saem, percebo que falei demais... Maldição! Ele me induziu a expor meus pensamentos ou eu fui apenas um idiota?
O Comandante Yai cruza os braços sobre o peito, os olhos brilhando com uma intensidade predatória.
— Você disse que me amava.
— Isso é outro assunto, Comandante Yai. Se eu permitir que o senhor se aproveite de mim, não serei diferente de uma flor de beira de estrada para o senhor colher e depois jogar fora.
O Comandante Yai parece lutar para conter o riso, as sobrancelhas franzidas relaxando.
— Que tipo de homem compararia a si mesmo a uma flor?
— Muitos, Comandante Yai. O senhor apenas nunca conheceu um.
— E como você sabia que eu iria me aproveitar de você?
Hum? Que audácia. Ele me abraçou e me beijou em plena luz do dia. Quem sabe o que ele faria dentro de uma tenda fechada? Rebato na hora:
— E não iria?
O Comandante Yai fica um pouco surpreso. Ele solta um suspiro suave e fala em um tom ainda mais macio:
— Jom, que tipo de pessoa você acha que eu sou? Acha que vou me forçar contra a sua vontade?
— O senhor vai apenas jogar xadrez comigo, certo?
Vendo que não caio na armadilha dele tão facilmente, ele dispara:
— Qual é o problema se eu quiser te beijar!?
— O quê?! — Estou ao mesmo tempo divertido e furioso. Por que ele é tão injusto?! — O senhor não pode fazer isso, Comandante Yai. Eu sou filho de alguém, sabia? Não pode simplesmente me beijar quando bem entender.
— Onde estão seus pais? Eu pedirei a permissão deles.
— Comandante...
Estou sem palavras. Não adianta conversar com uma pessoa desavergonhada. Ele não tem pudor, mas eu tenho, e muito. Só espero que tenhamos uma conversa adequada que me ajude a entendê-lo, daquela forma que ele disse que explicaria seus sentimentos na lagoa.
— Bem, se o senhor não prometer que não vai... hum, se aproveitar de mim, eu não vou.
Ele encara meus olhos, parecendo querer insistir. Mas como eu sustento o olhar de forma implacável, ele finalmente murmura:
— Se você não permitir, eu não farei.
Escondo meu sorriso.
— Muito bem, então. Jogarei xadrez na sua tenda esta noite.
O Comandante Yai assente.
— Como desejar, Jom.
Recuo para me juntar ao Capitão Mun e seu bando onde estão descansando. Antes que eu me afaste, o Comandante Yai agarra meu braço e se inclina para sussurrar no meu ouvido, tão perto que meus pelos se arrepiam. Ele aperta meu braço com tanta firmeza que não ouso me mexer.
— Se você não aparecer esta noite, eu te procurarei em cada tenda e cada carroça. Tente fugir se quiser me testar.
Engulo em seco e prometo a ele imediatamente:
— Eu estarei lá. Por favor, não se preocupe.
A jornada segue mais lenta do que o planejado porque a Princesa Amphan vomita e sente-se fatigada. Consequentemente, a comitiva para muitas vezes e cada pausa demora mais que o habitual. No fim, precisamos acampar na floresta novamente e só avançaremos para a aldeia amanhã.
— Como está a condição de Sua Alteza Real, Capitão Mun? — pergunto após os servos terminarem de montar as tendas.
O fogo é aceso no centro do espaço. O céu esta noite está turvo devido às nuvens espessas. O ar está agradavelmente fresco.
— O médico real disse que não há com que se preocupar. O cansaço da fuga do incêndio na outra noite fez com que Sua Alteza Real tivesse dificuldade para dormir. O médico deu a ela um remédio — responde o Capitão Mun.
Assinto e observo os servos alimentarem o fogo. Esta noite, as sentinelas jogam xadrez como sempre, embora tentem não fazer muito barulho. Observo o jogo por um tempo antes de tocar no braço do Capitão Mun.
— Capitão Mun, vou para a tenda do Comandante Yai. Ele me pediu ao meio-dia para termos uma revanche.
Capitão Mun murmura uma resposta distraída, com os olhos colados no tabuleiro. Limpo a garganta e continuo:
— Tenho um favor a pedir.
— O que é?
— Antes da próxima troca de turno, você pode me buscar na tenda do Comandante Yai?
Desta vez, o Capitão Mun vira o rosto para mim, obviamente imaginando se perdi o juízo. Explico rapidamente:
— À tarde, vi o Comandante Yai levando bebida para a tenda. Temo que ele ache divertido fazer apostas com álcool de novo. Você lembra como eu fiquei quando bêbado, certo?
Capitão Mun reflete por um momento antes de concordar. Caminho pelas carroças e tendas dos servos até as tendas dos soldados. De repente, sinto-me excitado e ansioso, mesmo já tendo estado ali várias vezes. A tenda do Comandante Yai está iluminada por dentro. Paro na frente e anuncio minha presença.
— Comandante Yai, é o Jom.
— Entre — responde a voz baixa e rouca.
Abro a cortina da porta e entro. O Comandante Yai está sentado de pernas cruzadas no tapete, com o tabuleiro e as peças ao lado. A luz da vela no suporte de latão brilha em um amarelo pálido. Mais atrás dele, está o seu colchão. Sinto-me mais como uma concubina oferecendo serviços do que um parceiro de xadrez. Sento-me à frente dele.
O Comandante Yai está apenas com seu pano enrolado na cintura, com o tronco nu, seu traje habitual de dormir. O que não é habitual é o meu batimento cardíaco. Ele se acelera, especialmente quando me lembro que aqueles braços musculosos já me puxaram contra o peito dele.
Volto-me para o xadrez. É feito de uma peça quadrada de madeira bem polida. Cada peça está em sua posição. Pego um cavalo de pedra pintada. Minha peça. O Comandante Yai abre um sorriso brilhante.
— Pedi para fazerem este tabuleiro para substituir o de pano, mas as peças são as suas.
Retribuo o sorriso. Deslizo o tabuleiro para o centro.
— Da última vez, o senhor jogou com as pretas. Vai usá-las ou quer as brancas desta vez?
— Escolha para mim.
Assinto, sentindo-me estranhamente tímido. Ele apenas me pediu para escolher as peças, mas isso me faz formigar por inteiro. Será que teremos uma conversa de verdade hoje? Começo o jogo movendo meu peão. O Comandante Yai não demora a decidir seus movimentos, ao contrário de mim. Fico cada vez mais lento. Minha mão move as peças enquanto minha mente se distrai. Além disso, o modo como os olhos dele saltam para o meu rosto e descem para os meus braços e mãos enquanto me movo me deixa inquieto.
Eventualmente, eu pontuo:
— Comandante Yai, por favor, olhe para o tabuleiro.
Em vez de atender meu pedido, ele fixa os olhos em mim por ainda mais tempo.
— Jom-Jao, você veio aqui apenas para jogar xadrez comigo?
A pergunta vai direto ao ponto. Baixo o olhar, lembrando da lagoa na cachoeira. Parecia que ele estava prestes a dar voz aos seus sentimentos por mim.
— Na verdade, eu quero falar com o senhor.
— O que quer saber?
— Por que está sendo legal comigo de repente?
— Você fala como se eu o tivesse tratado muito mal.
— E não tratou? Quando nos conhecemos, apontou a espada para o meu pescoço, depois ordenou que me acorrentassem. Além disso, me atacava em todas as chances. "Não confio em você", "Há pessoas com rostos bonitos e mentes malignas". Esqueceu, Comandante Yai?
— Eu não amava você naquela época.
— Hum?
Meus olhos se arregalam. As palavras que eu nunca pensei ouvir me deixam sem fala. Minha boca se abre, mas nenhum som sai.
O Comandante Yai solta um suspiro profundo.
— Jom, você acha que eu não tenho coração como os outros? Na segunda noite que você passou na minha tenda, você chamava meu nome enquanto dormia, em prantos. Aquilo me pegou de surpresa. Parte de mim sentiu pena e desejou limpar aquelas lágrimas e te confortar, mas tive que me conter. Eu não sabia de onde você vinha ou qual era a sua intenção.
Foi a noite em que recebi ordens para dormir na tenda dele sem correntes. Sonhei que procurava por Khun-Yai até encontrá-lo esperando por mim na pequena casa. Abracei Khun-Yai com lágrimas escorrendo pelo rosto e deixei que ele as enxugasse. Mas, na verdade, era o Comandante Yai quem acariciava meu rosto antes de eu acordar. O calor preenche meu peito. Baixo a cabeça e murmuro:
— E, mesmo assim, o senhor continuou sendo malvado comigo.
— Você fala como se eu fosse o único sendo malvado.
— Oh. E quando foi que eu fui malvado com o senhor? — Ergo a cabeça num solavanco. — O senhor não parava de gritar comigo.
Esqueceu de quando me expulsou? Eu ensinei todo mundo a jogar xadrez só para ficar perto do senhor, mas o senhor me chutou da tenda como se eu fosse um cachorro!
— Hã?! Mas o que você fez naquela época? Como eu deveria entender o seu carinho? Você de repente confessou seus sentimentos embriagado e tentou ficar por cima de mim como se eu fosse uma mulher — ele rosna, fervendo. — Fiquei pensando no que você tinha dito até que, antes que eu percebesse, o sol nasceu. A única coisa com que fiz as pazes foi que, céus... eu estava perdido por este homem lindo. Meu coração foi jogado como um brinquedo.
Pisco estupidamente enquanto escuto. Eu não sabia que ele também tinha ficado pensando em mim até o amanhecer... Ugh, ele é adorável demais.
— E, no dia seguinte, você me disse que foi a bebida que te fez dizer tudo aquilo. Eu tive você na minha mente a noite toda como um louco, e você disse que aquelas palavras não significavam nada. Como eu não estaria com raiva?
Mordo o lábio. Como eu poderia adivinhar o que se passava na cabeça dele?
— Eu não tive a intenção de ferir seus sentimentos. Eu também fiquei triste quando o senhor ficou bravo comigo.
— Eu sabia que você estava triste quando sentava quietinho debaixo daquela árvore. — A voz dele suaviza. — Se minhas ações te machucaram, sinto muito.
Sustento o olhar dele. Quando o Comandante Yai me dá uma bronca, ele me mata de medo. Mas quando é gentil, ele é surpreendentemente encantador.
— Desde que você chorou nas minhas costas, não consegui tirar aquele momento da cabeça. Quando eu abria os olhos, seu rosto chorando invadia minha mente. Meu coração ficou preocupado. Eu te procurava pela manhã, mas você agia com indiferença. Sabe há quantos dias tem sido assim? Como eu não ficaria chateado?
Fixo meus olhos no tabuleiro de xadrez porque não sei para onde olhar para não sorrir como um louco. O Comandante Yai é enorme e forte como o comandante de um exército, mas agora está resmungando sobre o quão chateado eu o fiz sentir. Além disso, ele é um manteiga derretida com quem chora.
— Durante o incêndio, testemunhei que seu coração é tão belo quanto sua aparência. No perigo, você se preocupou com os outros mais do que consigo mesmo. Você ama seus amigos como eu amo os meus. Jom... eu perdi para você em todos os sentidos. Quando tive a chance de cavalgar com você, beijei sua bochecha para que soubesse que eu te amava.
Meu coração dispara. Não consigo mais encará-lo. Tudo o que consigo fazer é murmurar uma resposta na garganta em sinal de reconhecimento.
— Você perguntou sobre meus sentimentos, e eu te contei tudo. Você não vai me mostrar sua gentileza?
— Como eu mostro minha gentileza? — pergunto em um sussurro.
— Permita-me beijar sua bochecha e seu labios. Quando você disse que ensinou os homens a jogar xadrez para se aproximar de mim, eu fiquei feliz.
Ugh... meus membros perderam toda a força. Como ele é tão bom em flertar? Agora que ele está pedindo para beijar minha bochecha e meus labios de forma tão direta, não sei o que fazer.
O Comandante Yai desliza o tabuleiro de xadrez para o lado. Ele se aproxima e pressiona os lábios contra a minha bochecha, depois desliza para os lábios, beijando com força. Meu rosto arde enquanto o sangue pulsa. Ele demora ali, sem se afastar, as mãos tocando minha cintura e meu braço. O rosto dele ainda está colado ao meu, e sou obrigado a protestar.
— O senhor já conseguiu o que queria. Por favor, afaste-se.
— Hmm... — Ele suspira, a mão segurando meu braço. — Foi maravilhoso, Jom, mas nem de longe o suficiente.
— Oh... — Viro meu rosto para ele e ele beija meus lábios novamente.
— Ei! — exclamo entre os labios em choque quando ele envolve os braços em volta do meu corpo e me puxa para o seu colo. — Comandante... Espere! O senhor disse que não se aproveitaria de mim!
— Só um pouquinho.
Um pouquinho? Não sei em que momento você me colocou no colo desse jeito! Alguns beijos podem levar a algo mais. Eu não me preparei para isso de forma alguma.
— Comandante... Isso não é "só um pouquinho". Por favor, pare — clamo, tentando empurrar os ombros dele, mas o Comandante Yai é forte demais.
Eu luto e empurro até que ambos caímos no tapete. Golpeio o ombro dele com meus cotovelos, ao que ele responde com um sorriso malicioso.
— Pode continuar me batendo. Eu não sinto nada. Tenho mais medo de que seus braços fiquem roxos.
Que irritante. Estou prestes a desferir outro golpe quando a voz do lado de fora da tenda interrompe a mim e ao Comandante Yai.
— Comandante Yai, aqui é o Capitão Mun. O Jom está aí dentro? Ele pegou no sono?
Nós fixamos os olhos um no outro. O Comandante Yai pragueja:
— Ai-Mun, aquele bastardo. Ele não tem mais nada para fazer? Eu vou açoitá-lo no chão amanhã.
Os palavrões dele quase me fazem rir. A punição do Capitão Mun é tão severa assim?
— Vou dizer para ele ir embora.
— Não, Comandante Yai — eu o impeço. — Eu pedi para ele vir.
O Comandante Yai olha para mim, seus olhos visivelmente resolutos. Digo em voz firme:
— Se o senhor insistir em ir até o fim contra a minha vontade, eu não posso te impedir, mas ficarei muito magoado.
Minhas palavras o paralisam. Sustentamos o olhar um do outro, com o corpo dele sobre o meu. O Comandante Yai aperta meus braços, seus olhos afiados e brilhantes saltando dos meus lábios para o meu pescoço. Eu sei como ele se sente, sem que ele precise dizer.
Ele aperta os lábios com força, tentando manter suas emoções sob controle, e então se afasta rapidamente. Sua voz está rouca:
— Vá embora logo, ou eu vou retirar minhas palavras, me forçar sobre você e acabar partindo seu coração. Meu desejo por você é avassalador. Tenho medo de não ser capaz de me conter.
Sento-me e olho para o Comandante Yai, que está a poucos centímetros de mim. Relutantemente, falo:
— Eu vou por hoje. Espero que possamos terminar nossa partida na próxima vez.
O Comandante não oferece resposta. Saio da tenda e vejo o Capitão Mun esperando por mim com o queixo apoiado na palma da mão. Ele lança um olhar para mim, mas não pergunta nada. Ele deve, no mínimo, se perguntar por que não houve som de peças batendo no tabuleiro durante uma "partida de xadrez". Eu me explico desajeitadamente, agindo de forma totalmente suspeita.
— Acabamos de terminar. Obrigado por vir me buscar, Capitão Mun.
Caminho com o Capitão Mun com o coração balançando como o topo de uma árvore soprada pelo vento, quase tombando. O Comandante Yai não é o único se contendo. Eu não sou diferente. O toque na minha bochecha, nos lábios e em cada parte de nossos corpos que se tocou deixa esse sentimento excitante no meu peito. É doce, mas também eletrizante.
Nesta noite, deito-me de lado, de costas para o Capitão Mun na carroça, e olho através das copas das árvores para a lua brilhando fracamente atrás das nuvens finas. Sorrio para a lua como uma pessoa louca. O sorriso pode permanecer em meus lábios mesmo depois de eu ter adormecido.
No dia seguinte, chegamos a uma pequena aldeia em uma rota alternativa para Seehasingkorn. É um vilarejo no meio da mata com algumas dezenas de famílias. Cada casa é construída ao longo da encosta da montanha, cercada por campos de arroz e milharais. Noto rastros de fumaça flutuando dos telhados de algumas cabanas, o que significa que cozinham lá dentro.
A atmosfera da comitiva torna-se instantaneamente mais viva. Desde que fugimos do incêndio até agora, muitos de nós estávamos exaustos em vários níveis. Descansar nesta aldeia parece como encontrar um oásis no deserto. Os servos e soldados começam a se dividir entre um grupo que vigiará as carroças e um grupo que seguirá para a aldeia primeiro, antes mesmo de chegarmos ao destino final. Acampamos um pouco longe das plantações dos aldeões.
Observo as casas abaixo. Campos de arroz colhidos ocupam um lado da aldeia, enquanto o oposto está repleto de fazendas. A época de plantio de arroz deve ter terminado, então estão plantando culturas que crescem bem na seca, como milho, feijão e sementes de gergelim, enquanto esperam pela próxima estação chuvosa.
— Jom, você vai cavalgar comigo ou se juntar ao grupo de soldados e ao Capitão Mun? — pergunta o Comandante Yai.
Os servos estão montando as tendas e transferindo os suprimentos das carroças. Decidiram passar duas noites aqui para aliviar o cansaço antes de retomar a jornada.
— Com o senhor, é claro — respondo prontamente, sem pensar duas vezes.
O Comandante Yai me ajuda a montar no cavalo e galopamos pelas pastagens que descem em declive para a aldeia abaixo. Flores pontilham todo o prado, seus caules minúsculos balançando ao vento como se estivessem dançando. Olho para a vasta terra abaixo, onde os milharais se estendem por quilômetros de um lado, parecendo que o chão está coberto por um tapete verde gigante.
Que vista impressionante, que só posso capturar em minha mente em vez de fotografar. O Comandante Yai beija minha bochecha enquanto fico maravilhado com o cenário esplêndido, e me beija novamente alguns momentos depois. Deixo que ele faça isso sem protestar. Na verdade, eu também quero beijar a bochecha dele, mas, julgando pelo quão facilmente ele fica excitado, tenho que me conter por medo de não chegarmos à aldeia.
O cavalo nos leva além das terras agrícolas até a área residencial. O Comandante Yai reduz a marcha do cavalo para um trote enquanto olho ao redor com entusiasmo. As casas são elevadas e feitas de madeira, com telhados de folhas de lalang ou Phluang. Os exclusivos Galaes, dois pedaços de madeira esculpidos, cruzam-se nos frontões. Os aldeões vestem tecidos de algodão fiados à mão. Os homens usam camisas Mauhom. As mulheres vestem sinhs e camisas pretas de manga comprida.
O Comandante Yai pede para encontrar a pessoa que vende arroz no atacado para repor nosso suprimento de comida. Olho para ele surpreso. Ele não precisava fazer isso, já que há servos cujo trabalho é armazenar suprimentos suficientes para a viagem. Assim que chegamos ao local, o dono da casa nos recebe com amizade após saber do pedido do Comandante Yai. Ele nos convida para descansar no banco de bambu no pátio frontal. Tigelas de prata com água da chuva refrescante são servidas com nozes de bétele e tabaco.
O cavalo do Comandante Yai está amarrado a um tamarineiro, pastando a grama com prazer. Espero até que o dono da casa se afaste para ordenar que seus servos preparem o arroz, então pergunto ao Comandante Yai em um sussurro:
— Os servos e cozinheiros não costumam cuidar de conseguir suprimentos? Por que o senhor está fazendo isso desta vez?
O Comandante Yai abre um pequeno sorriso e lança seus olhos para mim com adoração.
— O suprimento de comida não é o ponto aqui. Você não percebeu que esta casa é maior que as outras e o dono tem mercadorias para vender em grandes quantidades? Isso significa que ele é influente nesta área. Precisamos formar uma aliança com ele para que possamos contar com ele em dificuldades futuras. Se ele ouvir notícias que possam beneficiar nossa cidade, ele poderá nos enviar a palavra.
Assinto em compreensão. O pensamento dele é astuto, como o líder que ele é. Logo, o dono da casa retorna para falar com o Comandante Yai. Ele oferece equipamentos de metal, como machados, enxadas, pás e facões, que estão guardados perto do celeiro, para venda. Eles decidem ir até lá juntos, deixando-me esperando sozinho no banco de bambu. Balanço minhas pernas e bebo a água fresca da chuva enquanto espero. A brisa relaxante me dá vontade de deitar e dormir. Passo meus olhos pelo canteiro de plantas ao lado da casa. As videiras da planta rastejam pelo chão. Meus olhos se arregalam quando vejo o fruto saindo entre as folhas e videiras emaranhadas. É uma melancia.
Levanto-me e marcho até o canteiro de melancias. Nunca vi uma melancia presa ao seu caule antes. Encaro o grande fruto e engulo seco. Será que posso pedir para o Comandante Yai comprar uma para mim? Esta melancia orgânica deve ser super doce e suculenta. O vento sopra da parte de trás da casa, espalhando a fragrância de flores no ar. Eu paraliso. O cheiro é tão familiar que sinto calafrios. Não é o perfume das flores silvestres que encontrei durante a viagem. Caminho até o quintal e encontro a fonte do odor agradável. Em meio a uma variedade de plantas — árvores frutíferas e sombreadas — por todo o quintal, uma árvore de Lantom (Plumeria) se ergue no centro do terreno de terra.
O tronco marrom-acinzentado claro espalha seus galhos e folhas verdes brilhantes. Cachos de flores brancas pontilham os galhos, emitindo seu aroma doce ao vento. Fico ali parado e contemplo a árvore, encantado, meu peito cheio de felicidade e saudade.
— O que você está olhando? — a voz do Comandante Yai soa, trazendo-me de volta à realidade.
— Lantoms. — Aponto para a árvore. — Acabei de descobrir que há Lantoms nesta área... Oh, as pessoas do norte as chamam de Champa Laos, não é?
Entro no quintal, onde está a árvore de Lantom. O Comandante Yai me segue.
— Você conhece esta planta? Ela não crescia nesta região no passado. Quando a princesa Khmer se casou com Sua Alteza Real, o Príncipe Num de Lan Xang, a princesa trouxe esta planta para cultivar no palácio. Mais tarde, ela se espalhou pelas casas das pessoas devido às suas belas flores e perfume agradável.
Sorrio. Pelo que aprendi, as Lantoms foram trazidas para a Tailândia no Quinto Reinado, quando o Rei Rama V visitou a Indonésia. Agora, de acordo com as palavras do Comandante Yai, descobri duas versões de sua origem. Eu me abaixo para pegar uma Lantom caída.
— Você gosta das flores? — ele pergunta.
Assinto.
— Sim. Eu costumava colocá-las ao lado do meu travesseiro. A fragrância me ajudava a dormir profundamente.
"Lan" significa "jogar fora". "Lantom" significa "jogar fora a tristeza". Um significado adorável.
Eu nunca tinha interpretado o significado dessa maneira. Apenas achava que o nome soava triste, como o sentimento de miséria e luto.
— Se você gosta desta planta, eu as cultivarei ao redor da minha casa para você colher suas flores — diz o Comandante Yai.
Olho para ele e não consigo evitar o sorriso.
— O senhor vai me levar para morar na sua casa?
— Você viria? — A voz dele é suave e profunda.
Suas palavras me fazem desviar o rosto, com o sorriso ainda estampado na face.
— Não sei. Posso pedir ao Capitão Mun para me acolher.
— A casa do Ai-Mun? — A voz do Comandante Yai fica azeda. — Ele cria patos e galinhas debaixo de casa. A irmã dele vai se casar e deixar o lugar em alguns dias. A casa dele vai virar um chiqueiro depois disso, porque um homem como ele é tudo, menos organizado. Ele provavelmente nunca lava os lençóis e travesseiros. Se ele pegar micose, duvido que vá se importar.
Ele precisava "detonar" o Capitão Mun desse jeito? Mordo a parte interna da bochecha para conter o riso.
— Tem que ser na sua casa, certo?
— Certo — ele confirma com naturalidade.
Que grande galanteador e mestre da persuasão. Se eu não controlar bem meus sentimentos, posso acabar me perdendo e sendo levado por suas palavras. Sinto o cheiro da Lantom para esconder minha timidez enquanto o Comandante Yai repousa seus olhos afetuosos sobre mim. Uma voz chama do pátio da frente, tirando-nos deste momento excessivamente doce. Caminhamos de volta para o dono da casa, que já preparou tudo.
O Comandante Yai paga pelas mercadorias e diz ao dono da casa que enviará alguém para buscá-las mais tarde. Depois disso, ele me leva em seu cavalo e trotamos pela aldeia. Ao passarmos por uma casa, ouço algo que soa como um cântico, como se a família estivesse realizando uma cerimônia. Escuto com atenção. Conheço algumas palavras do norte que estão recitando. Mesmo que as palavras sejam antigas e difíceis de captar, não são totalmente incompreensíveis.
— Comandante Yai, o que esta família está fazendo? — Estico o pescoço e vejo pessoas reunidas lá dentro, com as filas se estendendo até a cerca.
— A cerimônia de bênção — responde o Comandante Yai.
— Hum... entendo. — Escuto novamente. — Espere. Por que parece que eles estão dizendo: "Os espíritos perdidos, voltem. Todos os trinta e dois espíritos, não se espalhem para outro lugar". Por que existem tantos espíritos, Comandante Yai?
— As pessoas nesta área acreditam que temos trinta e dois espíritos (Kwan) em nossos corpos. Se perdermos qualquer um deles, temos que chamá-lo de volta para que o hospedeiro possa ter saúde e não adoecer.
— Então é assim. Esta é a primeira vez que ouço sobre isso — murmuro maravilhado.
O Comandante Yai guia o cavalo para fora da aldeia. Trotamos um longo caminho até um reservatório do outro lado. É a fonte de água essencial que os aldeões usam para cultivar as plantações, larga o suficiente para ser um lago. Minha mente está mais clara agora. Sinto que posso continuar vivendo aqui com pouca dificuldade, ao contrário dos primeiros dias após ser lançado nesta era. O Comandante Yai me traz muitos sentimentos: o calor, o conforto e a sensação de não estar sozinho.
Assim que voltamos ao acampamento, as tendas já estão montadas. Esta noite, acenderam uma grande fogueira no terreno onde a grama foi cortada. Depois que a refeição fica pronta e todos cuidamos de nossos afazeres, nos reunimos ao redor do fogo, como fazíamos em Baan Thung Hin. O ar da noite é muito mais gelado que o do dia, mas o calor das chamas nos protege do frio. Esta noite, não jogam xadrez como de costume. Apenas bebem, comem e conversam, cuidando para não fazer barulho. É uma atmosfera acolhedora e agradável.
Sento-me em frente ao Comandante Yai, do outro lado do fogo. Ele conversa com os soldados ao seu lado, mas seus olhos continuam encontrando os meus. Ele sorri para mim e eu sorrio para ele. Nada mais pode se interpor entre nossos sentimentos. A música vinda das tendas da Princesa Amphan e das damas de companhia flutua no ar. Apesar de doente, a princesa adora ouvir as melodias tocadas pelas acompanhantes. A música é suave e onírica. O Comandante Yai não se importa mais com os homens conversando ao seu redor. Ele fixa os olhos em mim diretamente. Sustentamos o olhar um do outro através das labaredas. Meu peito arde com essa sensação eletrizante.
Então, o Comandante Yai se levanta e diz algo aos soldados. Presumo que esteja avisando que voltará para sua tenda. Um dos soldados resmunga de brincadeira e tenta impedi-lo. O Comandante Yai ri e se afasta, não esquecendo de lançar um rápido olhar para mim. Você já recebeu "aquele" olhar? É indescritivelmente excitante. Fecho os olhos, mantendo minhas emoções sob controle, e inclino a cabeça para sussurrar ao Capitão Mun.
— Capitão Mun, vou jogar xadrez na tenda do Comandante Yai. E... — Limpo a garganta. — Você não precisa me buscar esta noite. Voltarei por conta própria quando sentir sono.
Caminho em direção à tenda dele com um sentimento estranho. Parece que estou entrando escondido no quarto de uma garota. No entanto, a pessoa na tenda não é uma garota. É um homem robusto que parece bastante perverso. Paro em frente à tenda, coloco a mão sobre o peito para me acalmar e digo:
— Comandante Yai, é o Jom. — Minha voz sai um pouco rouca de nervosismo. Quando ele permite, entro. O Comandante Yai está sentado de pernas cruzadas no tapete. Perto do seu colchão, a luz de uma pequena vela brilha no suporte de latão. A chama oscila sobre o sorriso satisfeito em seu rosto, mostrando que ele está contente e estava à minha espera.
— O senhor já vai dormir? Estou incomodando? — pergunto por cortesia.
— Espero que você me incomode a noite inteira.
Eu não deveria ter perguntado isso apenas para cavar minha própria cova. Sento-me à frente dele no tapete. O Comandante Yai me olha com um sorriso antes de se virar para o colchão perfeitamente arrumado atrás dele.
— Tenho algo para você — diz ele.
Ele retira uma bolsa de algodão do tamanho de duas palmas e a coloca na minha frente. Olho com curiosidade.
— O que é isso, Comandante Yai?
— Abra.
Aproximo-me e abro a bolsa como pedido. Dentro, há um galho com um cacho de flores. Lantoms.
— Trouxe para você colocar ao lado do seu travesseiro esta noite — diz ele.
Fico imóvel, atordoado, com o olhar fixo nas flores cor de marfim e perfumadas diante de mim. Lágrimas brotam em meus olhos e não consigo contê-las. Sem esperar essa reação, o Comandante hesita, incerto sobre como agir.
— Eu fiz algo para te chatear e te fazer chorar assim?
— Não estou chateado. — Fungo, forçando as lágrimas a pararem. — Comandante Yai, veja bem, o senhor costumava fazer isso por mim em outra vida. O senhor me trazia Lantoms em um lenço.
— Está tudo bem. Não chore. — O Comandante Yai se inclina para frente e me abraça. Ele acaricia minhas costas e ombros para me confortar. — Quando você está triste, meu coração também fica. Jom-Jao, não se entregue à tristeza ansiando pelo passado. Se fomos amantes em outra vida, estamos destinados a ficar juntos nesta. Devemos ter feito boas ações juntos, já que me apaixonei por você nesta vida também.
O calor se espalha pelo meu peito, doce e consolador como suas palavras. Apoio minha cabeça em seu ombro firme e envolvo meus braços ao redor dele voluntariamente.
— Pode dizer de novo? Quero ouvir.
Ele coloca as mãos nos meus ombros e me afasta gentilmente para me olhar. Ele repete:
— Jom, eu te amo.
Eu sorrio. Aquelas gotas em meus olhos tornam-se lágrimas de alegria. Olho profundamente em seus olhos e digo:
— Eu também te amo, Comandante Yai.
Ele segura meu rosto entre as palmas das mãos e beija ambas as minhas bochechas.
— Estou aliviado agora que você está sorrindo.
— Onde o senhor conseguiu as Lantoms?
— Na árvore que você encontrou. Quando você não percebeu, voltei a cavalo até a aldeia.
Levo o galho de flores ao nariz e murmuro:
— Que empenho.
— Você sabia que o povo Khmer chama esta flor de Sarantom?
Ergo os olhos.
— Que nome lindo. E soa como Lantom. O senhor sabe o que significa?
— Sarantom significa "grande amor".
Seus lábios se curvam em um sorriso atraente, tão claro quanto seus olhos. Eu sorrio de volta. Parece que nossos corações estão tão próximos. Ele roça minha bochecha com os nós dos dedos e diz suavemente:
— Solte as flores para que as pétalas não fiquem machucadas.
Ele pega o galho da minha mão e o coloca ao lado do seu travesseiro.
— Vou deixá-las aqui como você gosta.
Olho para a mão dele e protesto:
— Se o senhor colocar no seu travesseiro, como eu vou sentir o perfume?
Os olhos dele brilham com uma malícia que me irrita de um jeito bom.
— Você vai dormir na carroça? O ar está congelante esta noite. Fique aqui comigo.
Uau... além de galanteador, ele é estratégico. Neste frio, o Capitão Mun e os homens estarão espremidos nas tendas também. Há mantas de sobra; eu não sofreria com o frio como ele sugere. Sem receber resposta, o Comandante se aproxima e desliza o braço pelas minhas costas, enquanto a outra mão acaricia meu braço. Eu o encaro.
— O que o senhor está fazendo?
— Te aconchegando.
Ele vai me aconchegar assim, do nada? Estou ao mesmo tempo divertido e tímido. Eu poderia impedi-lo, mas sei que não quero. Ainda assim, estou irritado demais com sua astúcia para deixá-lo vencer tão fácil.
— Eu não disse que passaria a noite aqui.
Olho para o rosto dele. Meu coração bate forte ao ver seu sorriso gentil e olhos brincalhões.
— Jom-Jao, não hesite. É normal que amantes queiram estar perto um do outro. Você não quer que eu te dê o meu amor?
Minhas bochechas queimam com suas palavras diretas. Ele segura minhas mãos e acaricia o dorso delas suavemente.
— Jom, se você me der seu corpo e seu coração, eu colocarei meu coração no seu colo e de mais ninguém.
Ele beija minhas mãos, doce e amorosamente, derretendo meu interior. Quando ele ergue os olhos, beijo seu nariz afilado e digo:
— Eu deixarei que o senhor guarde meu coração também.
Trocamos um sorriso. Meu coração está tão cheio de sentimentos que não precisam de descrição. Ele aproxima seu rosto charmoso do meu e fecho os olhos enquanto ele pressiona os lábios na minha bochecha. Ele move os lábios para o canto da minha boca, seu hálito quente fazendo meu coração palpitar. Quando seus lábios tocam os meus, inclino a cabeça para que o beijo se complete. Meu peito formiga como se meu corpo estivesse prestes a despencar quando ele desliza a língua para dentro da minha boca entreaberta.
O beijo é fervoroso e avassalador, e desperta meu baixo ventre. Deslizo as palmas das mãos para cima e acaricio seu peito nu. É firme e robusto sob minhas mãos, exatamente como eu gosto. A respiração dele fica um pouco entrecortada. Sei que é por causa do toque das minhas mãos. O beijo se torna mais intenso, e eu simplesmente adoro isso.
O Comandante Yai começa a desabotoar minha camisa. Não protesto até que ele a puxa um pouco para baixo, ficando pelo meu ombro. Recobro os sentidos e seguro as mãos dele.
— Apague a luz primeiro, Comandante Yai.
— Não precisa apagar uma vela tão pequena. Quando o pavio queimar todo, a luz se apagará sozinha.
— Vai demorar um pouco até queimar tudo. Por favor, apague, Comandante. Alguém pode nos ver.
— Quem ousaria vir aqui sem minha ordem? Jom-Jao, não seja tímido. Tire a camisa.
Que teimoso. Desvio o rosto do beijo com que ele tenta me distrair.
— Não tem problema tirar a camisa no escuro. Eu não pretendo ir embora de qualquer jeito.
— Quero te ver claramente. Quando te vi tomando banho na cachoeira, sua pele era incrivelmente clara. Sonhei com isso por noites. Não pode me mimar um pouco?
Meu coração amolece com seu apelo. Minha camisa cai do meu corpo. O Comandante Yai cobre meus ombros com beijos e morde meu pescoço. Meu corpo é gentilmente empurrado para baixo, sobre o colchão.
Ele beija meu pescoço e desce até o meu peito, e eu o seguro em satisfação. Quando seus lábios tocam meu mamilo, arqueio as costas e solto um gemido. A língua dele é quente e úmida. Ele os suga com tanta força que eu estremeço. A sensação desce como um choque e endurece minha parte sensível. Abro os olhos trêmulos quando ele se afasta. O Comandante me observa, percorrendo com o olhar cada centímetro da minha pele nua. Meu pescoço, meu peito, meu abdômen. Seus olhos escurecem à medida que o desejo se intensifica. O calor sobe ao meu rosto quando olho para o meu próprio corpo; minha pele clara está agora rosada pelo sangue que pulsa.
Meus mamilos estão úmidos e eretos, revelando o quanto eu estava gostando do que ele fazia. Prendo a respiração automaticamente quando ele desata meu pano da cintura. Seguro seus pulsos, mas o Comandante sabe exatamente o que fazer. Ele me beija de novo. Sua língua habilidosa suga e engole a minha até que eu me perca e o deixe levar o tecido embora, sem forças para lutar.
Completamente nu, tremo um pouco sob a luz da vela e sob seus olhos afiados e brilhantes. Ele acaricia meu peito descendo até o estômago. Suas palmas são ásperas, pois sempre empunham armas, e isso me faz estremecer ainda mais. A luz da vela ilumina seu rosto. O Comandante Yai inclina a cabeça e roça o nariz nos meus pelos pubianos e na minha parte sensível.
Um gemido escapa dos meus lábios. Minha mão voa para a boca na tentativa de abafar o som. O hálito dele é quente e seus lábios são terrivelmente atrevidos envolvendo o meu pau. Alcanço o topo da cabeça dele com uma das mãos e passo os dedos por seu cabelo espesso. Meu corpo se contorce de prazer, enquanto ele me chupa por alguns minutos, me fazendo ter tontura de prazer. Eu estou sentindo o fluido claro e pegajoso escapar da ponta do meu membro, inundando sua boca. Ele desliza as mãos pelas minhas pernas.
Suas palmas ásperas acariciam a parte interna das minhas coxas, enviando um contentamento insuportável por todo o meu corpo. Fico tenso ao sentir que ele está afastando minhas pernas. Ele sussurra com uma voz grave e baixa:
— Jom-Jao, abra as pernas. Quero ver cada centímetro do seu corpo.
Sua voz me coloca sob um feitiço, fazendo-me obedecer. Apesar do embaraço, deixo que ele faça o que quiser. Minhas coxas se abrem, expondo cada recanto do meu corpo. O Comandante solta um rosnado baixo, o que me faz arder de calor.
Ele coloca a mão na minha virilha e toca minha parte rígida descendo até meus testículos. Ele os acaricia daquela maneira que só os homens sabem que é bom. Seus dedos descem e pressionam a pele sobre o esfíncter, e eu solto um grito com a voz trêmula.
— Comandante Yai... espere, o senhor sabe como fazer isso? Eu sou... um homem. Quero dizer... ah, o senhor sabe onde colocar?
— Só vejo um lugar para colocar.
Sabe-tudo. Mordo o lábio quando ele pressiona o dedo perto do esfíncter novamente, mas em vezde se contentar apenas com o dedo, ele desliza a língua em meu cu, babando e roçando sua barba. Estou louco de prazer e eu estou fora de mim quando sinto uma sensação incrível ao sentir sua lingua molhar a minha entrada. O prazer drena toda a minha paciência, então digo a ele:
— Comandante Yai... o senhor tem algo para lubrificar mais?
— Hum?
— Algo que... reduza a dor quando o senhor entrar em mim. Por favor, coloque seu pau dentro de mim.
Ele faz um som de entendimento e se move em direção ao colchão. Observo-o tirar algo de um baú de couro no pé da cama. É um frasco de vidro com um líquido transparente. Enquanto isso eu me viro de bruço.
— Óleo de coco. Bem perfumado e lubrificante.
Assinto levemente, e o Comandante Yai se inclina para perto. Ele me envolve em seus braços, cobrindo meu pescoço e peito com beijos ávidos. Nossos corpos se roçam, pele contra pele. Consigo sentir a rigidez dele cutucando minha virilha; ele está excitado, muito, a julgar pelo quanto seu membro cresceu e endureceu. Perco o fôlego, dominado pela sensação, imaginando o momento em que ele me possuirá. Posso parecer um pervertido, mas o Comandante Yai é pior. Ele sussurra no meu ouvido:
— Deixe-me lubrificar você. Você está tão úmido, Jom-Jao.
Como eu não saberia? Meu próprio desejo está inundando o abdômen dele, mas não posso deixá-lo entrar agora.
— Espere, hummm... o senhor precisa me ajudar primeiro. Passe o óleo nos dedos e... me prepare. — Digo abrindo as bandas da minha bunda e expondo o meu cuzinho que pisca, desejando seu pau.
Odeio que ele aprenda tão rápido — ou talvez odeie tanto quanto amo. O Comandante Yai abre o frasco, despeja o óleo de coco na palma da mão, espalha por todos os dedos e se aproxima. Como já estou de bruços, ajudo ele expondo a minha entrada. Ele se posiciona sobre o meu corpo.
Sua mão pousa em minhas nádegas, acariciando-as com uma urgência contida. O carinho logo se transforma em um aperto possessivo. Mordo o lábio quando ele desce a mão para a minha entrada. Ele circula o esfíncter, pressionando-o com seus dedos fortes e lubrificados. A mistura de prazer e tormento está me deixando louco.
Com a outra mão, ele aperta meu quadril. Arfo quando ele força o primeiro dedo para dentro da passagem apertada e, apesar de mim mesmo, solto um gemido. De um dedo para dois. Meus quadris são erguidos. Ele desliza mais um dedo e começa a movê-los, girando-os lentamente como se quisesse me levar à insanidade. Ele descobriu o ponto exato que faz meu corpo inteiro estremecer.
— Comandante... ah, coloque logo. Eu não aguento mais — imploro, sentindo minha entrada latejar de expectativa.
Eu rebolo a minha bunda com seus dedos dentro do meu cuzinho. Eu preciso dele agora.
Ele retira os dedos. Ao ouvi-lo se mexer atrás de mim, viro o rosto e o vejo aplicando o óleo de coco em sua masculinidade totalmente ereta. Ele desliza a palma para cima e para baixo; o óleo o deixa brilhante e imponente. Seu pau é firme e enorme, com veias pulsantes, condizente com o tamanho do seu corpo de guerreiro. Viro o rosto de volta, alarmado, imaginando o momento em que aquela ponta assustadoramente grande forçará passagem por mim.
Meus quadris são erguidos ainda mais, deixando-me de joelhos. Mantenho o rosto enterrado no travesseiro. O Comandante Yai pressiona sua firmeza contra mim e empurra. Minha voz é abafada pelas penas do travesseiro que aperto com força. Sinto-me tão cheio que parece que vou rasgar. Ele se move lentamente, empurrando com paciência a parte mais grossa para dentro. Quando ele finalmente se acomoda por inteiro, solto um suspiro de alívio e prazer.
Antes que eu pudesse me preparar para o que viria, ele retrai os quadris e investe com força. Um choque de puro êxtase sobe pela minha espinha e quase me faz chegar ao ápice ali mesmo. Meu interior já está flexível o suficiente para recebê-lo com voracidade. O Comandante segura meus quadris e dita um ritmo constante. Ele estoca cada vez mais fundo, massageando minha próstata com precisão. O impacto das coxas dele contra as minhas produz estalos rítmicos, pele com pele. Minha mente flutua como se eu estivesse em um sonho erótico. Arfo quando ele puxa o pau quase para fora, apenas para me preencher totalmente de novo.
Alcancei o estado de êxtase absoluto. O Comandante beija a minha nuca e me aperta contra si enquanto eu derramo meu sêmen no colchão. Minhas pernas tremem tanto que ele precisa me deixar desabar na cama, pois não consigo mais me equilibrar de joelhos. Ele apoia o corpo sobre o meu, sem se retirar de dentro de mim e continua estocando seu pau com toda voracidade.
Ele beija minha bochecha e ombro repetidamente, com uma ternura que contrasta com a força de antes. Eu gozei, mas ele ainda não. Logo, ele começa a se mover novamente. Eu ganido, pois o orgasmo ainda não passou totalmente, mas sinto que preciso retribuir o prazer dele. O Comandante desliza os braços sob os meus joelhos, erguendo minhas pernas para poder estocar com mais liberdade sem que eu precise me ajoelhar, me colocando em seu colo. Ele entra e sai de mim com vigor. Cada movimento desperta meu prazer e sinto meu membro endurecer novamente. Meus gemidos baixos confirmam para ele que estou aceso outra vez.
O Comandante Yai solta um rosnado baixo. Sua gentileza anterior se transforma em algo selvagem. Ele puxa meus quadris para cima, deitando-se no colchão comigo em cima dele, e me atacando com violência. Preciso firmar as mãos no colchão para aguentar suas estocadas agressivas, embora mal ajude. Meu corpo quica com o impacto.
— Comandante... ah, mais devagar... ummm… - mesmo dizendo isso, seguro meus joelhos em cima das mãos dele e me abro mais, para recebe as estocadas.
Ele não diminui a velocidade, pelo contrário, ele martela seus quadris com mais força e rapidez. O prazer profundo no meu estômago aumenta. O suor dele molha as minhas costas. De repente, ele muda nossas posições, deixando-me deitado sobre a cama de frango assado e voltando a estocar. Suas mãos agarram minhas nádegas, abrindo-as para que ele possa ver cada penetração profunda em meu corpo, fazendo o barulho de som molhado. Mordo o lábio, quase perdendo a consciência. Meu gemido abafado começa a soar como um soluço conforme sinto outro orgasmo chegando.
O Comandante Yai estoca mais algumas vezes e se enterra o mais fundo que pode na última investida, como se quisesse se fundir a mim para sempre. Ele libera sua carga continuamente, gozando fartamente dentro de mim, enquanto urra como “animal selvagem”. Meu corpo estremece e se contrai, absorvendo cada gota do seu semem quente, inundando a cavidade do meu reto molhado.
Deitamo-nos de lado, com ele me abraçando por trás, ainda conectados.
Momentos depois, ele se move, beijando o meu ombro e retirando lentamente o seu pau dentro mim. Sinto o líquido quente escorrendo pelas minhas coxas. O Comandante despeja água limpa de um jarro em uma toalha e limpa meu corpo com cuidado. Respiro com dificuldade após essa batalha intensa com o verdadeiro comandante, que prova não ser formidável apenas no campo de guerra, como na cama também.
Não faço ideia de quando a música das damas de companhia parou. Tudo o que consigo ouvir agora é a brisa dançando entre as folhas. O Comandante Yai me puxa para o seu peito e eu me aconchego nele em busca de calor. Ele beija minha testa e me mantém em seus braços até o amanhecer.
