Algumas semanas depois de eu ter contado que tinha perdido a virgindade com ele, nossas conversas começaram a mudar.
Não de repente. Devagar, quase imperceptível. Mas cada palavra que trocávamos carregava uma tensão diferente, uma promessa silenciosa de algo mais.
Numa noite comum, daquelas em que a saudade aperta no peito e o corpo parece pedir algo que nem eu sabia nomear, o celular vibrou.
— Posso te perguntar uma coisa mais… diferente?
Meu coração disparou.
— Pode, respondi, sem pensar muito.
— Você já pensou em fantasias?
Um calor subiu pelo meu corpo só de ler a palavra. Nunca tinha falado sobre isso com ninguém.
— Acho que não… não sei bem como funciona, confessei.
Ele não riu. Não forçou nada.
— Fantasia é só imaginação.
— Não é compromisso, não é obrigação.
— É só o que passa pela cabeça quando existe confiança.
Aquelas palavras me deixaram mais à vontade.
— E… que tipo de fantasia? — perguntei, sentindo minhas mãos suarem.
Ele demorou a responder, como se escolhesse cada palavra.
— Imaginar você comigo… e mais alguém.
— Um ménage.
Meu estômago revirou. Um frio delicioso percorreu minha barriga.
— Eu nunca pensei nisso…
— Mas você pensa?
— Às vezes, respondeu ele.
— Não porque falta algo entre nós. É curiosidade. Imaginar você se sentindo desejada.
Meu corpo reagiu só de ler aquilo. Meu coração acelerou.
— Tem gente que vai mais longe, continuou ele.
— Fantasia com grupo.
— Ou até imaginar a pessoa que ama fazendo algo escondido, só na imaginação.
Eu deveria ter achado estranho. Mas em vez disso, perguntei:
— E como você se sente pensando nisso?
— Excitado, ele respondeu, direto.
— Mas também conectado. Só dá pra falar disso quando existe verdade.
Engoli seco.
— Eu nunca pensei em fazer nada escondido…
— Mas imaginar… é diferente.
— É só pensamento.
— E você só vai até onde se sentir confortável.
Aos poucos fui entendendo. Não era sobre querer outra pessoa.
Era sobre confiança suficiente para falar de qualquer desejo, até os que a gente não sabia que tinha.
Naquela noite percebi que não estava aprendendo apenas sobre fantasias.
Estava aprendendo sobre intimidade.
Sobre ter alguém com quem eu podia falar tudo — mesmo à distância.
Depois de um tempo, ele escreveu:
— Quero te contar a primeira fantasia que pensei com você… mas só se você se sentir bem.
Olhei para a tela, nervosa, mas curiosa.
— Pode contar.
— Imagina que estamos juntos. Eu e você.
— Nada muda entre nós. O olhar, o toque, a proximidade.
Meu corpo relaxou, mas uma excitação diferente começou a subir.
— Agora imagina que tem mais alguém.
— Um homem. Não importa quem.
Meu coração disparou.
— E o que eu faço? — perguntei, com o corpo já reagindo.
— Você fica perto de mim.
— Eu te seguro pela cintura.
— Sinto você. Orgulho de ver você desejada.
— Vergonha… mas não é ruim, escrevi.
— Na fantasia, eu te deixo segura.
— Nada acontece sem você querer.
— E eu sempre participo, ele continuou.
— Não é sobre te dividir. É sobre compartilhar.
Quando larguei o celular naquela noite, meu corpo estava quente, pulsando.
A mente cheia de imagens e o coração tranquilo.
Não havia culpa, só tesão e descoberta.
Algum tempo depois, ele foi direto:
— Posso ser mais específico hoje?
— Com nomes e ações.
Meu corpo respondeu antes de eu digitar:
— Pode.
— Imagina aquele jantar de sempre.
— A mesa cheia, risadas altas.
— Jefferson, Tiago, Camilo, Daniel.
O coração disparou. Eu sabia que cada nome era uma promessa de tesão.
— Ninguém sabe de nada.
— Só eu e você.
— Você começa comigo, escreveu ele.
— Beijo lento, mãos pelo meu corpo.
— Sensações que só nós dois compartilhamos.
Senti meu corpo reagir, já quente, pulsando.
— Depois Jefferson, continuou ele.
— Você se afasta comigo um pouco, depois ele se aproxima.
— Um beijo rápido. Sua mão pelo corpo dele, os corpos próximos.
— Você sente prazer. Goza.
— Tiago, escreveu ele, depois.
— Outro beijo. Outra mão explorando.
— Você toca, sente, deixa-se levar.
— Gema baixinho, respiração pesada.
— Orgasmo.
Meu corpo tremia só de imaginar. Ele continuou:
— Camilo chega, você entrega cada toque, cada beijo, cada movimento.
— Goza de novo.
— Sente prazer, mesmo sabendo que estou observando, controlando.
— Daniel por último, ele escreveu.
— Você entrega tudo. Beijos, carícias, prazer intenso.
— Seu corpo responde, seus gemidos me chamam.
— E depois volta para mim.
Meu coração batia descompassado.
A mente e o corpo em fogo.
Cada ato era fantasia, mas tão real que meu corpo explodia de prazer. Cada orgasmo, cada toque, cada beijo… tudo dentro da confiança que tínhamos.
— E você? Perguntei, quase sem ar.
— Eu espero, escreveu ele.
— Porque no fim, é comigo que você termina.
— É comigo que você goza de novo.
Larguei o celular, corpo quente, tremendo.
Não havia culpa. Não havia medo.
Só tesão, confiança e a sensação de ter explorado os limites do desejo com quem eu realmente confiava.
