Quando o amor incomoda - 17

Um conto erótico de Mrpr2
Categoria: Gay
Contém 2187 palavras
Data: 30/01/2026 13:29:17

O relógio finalmente marcou a hora do almoço, e Luiz Felipe já deslizava em direção ao vestiário com aquele sorriso torto malicioso. Ele parou na frente do espelho, passou os dedos pelos cachos castanhos que caíam rebeldes na testa, borrifou o perfume bem no pescoço, nas axilas e uma borrifada geral em todo o corpo, aquele aroma amadeirado que grudava na pele e fazia as pessoas se aproximarem sem perceber. Estava pronto para encontrar Gustavo, para roubar um daqueles olhares tímidos que o deixavam com vontade de morder o lábio inferior do garoto bem devagar e sugar sua doçura.

Mas o destino gosta de brincar. Uma cliente entrou na Elegance bem na hora errada, ou certa, dependendo do ponto de vista. Luiz Felipe hesitou por um segundo, mas viu Roberto no canto da loja, braços cruzados, cara de quem estava analisando cada detalhe que acontecia em seu estabelecimento. Luiz Felipe também se lembrou da cara que o dono fez ao vê lo com o braço enfaixado e também da insistência do próprio irmão em tomar seu lugar na campanha da loja e pensou: Não posso pisar na bola. O moreno então respirou fundo, endireitou os ombros largos e deixou o charme fluir como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Boa tarde...

Disse com sua voz calma, serena, mas grave, firme, enquanto se aproximava da cliente esboçando um sorriso cativante nos lábios. Seus olhos brilhavam sob a luz suave da loja, e ele inclinou a cabeça levemente, deixando um cacho cair sobre a testa.

— Posso ajudar a encontrar algo que faça você se sentir confortável e ao mesmo tempo bela e irresistível?

A cliente sorriu, já desarmada. Luiz Felipe era mestre nisso: conversas que pareciam flertes inocentes, mas que faziam o coração acelerar, aumentando a auto estima de seus clientes e em consequência abrindo suas carteiras. Ele pegava uma blusa de seda azul-petróleo, roçava os dedos no tecido devagar, como se estivesse acariciando pele, e dizia:

— Olha como essa cor favorece o tom da sua pele. — Ele ergueu o olhar devagar, sustentando o dela por tempo demais. — Imagina seu marido te vendo assim, linda, poderosa e suas amigas?

Ela riu, corando, e ele continuou demonstrando mais uma peça de roupa, um elogio próximo ao ouvido enquanto ajustava o decote imaginário, um toque leve no braço que parecia acidental, mas que deixava um rastro de calor. Do outro lado da loja, seu irmão Felipe Luiz, o Gurizão que não aceitava ficar em segundo plano, já tinha transformado a compra de uma sandália do Homem-Aranha em um show particular.

Ele se abaixou na altura do pequeno Heitor, bagunçou o cabelo do menino com um sorriso largo que mostrava dentes perfeitos, e disse:

— Ei, campeão, quer ficar parecendo o super-herói mais estiloso da festa?

O garoto riu alto, olhos brilhando. Felipe se levantou devagar, o peitoral definido esticando a camisa justa, e virou-se para a mãe com um olhar que dizia “eu sei o efeito que causo”.

— Ele merece chegar arrasando, né? Da uma olhada nesse conjunto e não se preocupe, podemos dividir esse valor no cartão ou boleto — Disse com sua voz grave e divertida. E após convencer a mãe e o garoto a levar incluso um relogio do mesmo personagem, Gurizão volta sua atenção à mãe solteira do garoto — Mas você... você não pode ficar de fora. Que tal esse vestido aqui? — Ele pegou um modelo vermelho escuro, tecido que escorregava como água. — Vai abraçar suas curvas como se tivesse sido feito pra você. E quem sabe... um pai solteiro na festa não resista a uma mulher que sabe que ainda está no jogo. Que tal?

A mãe riu, jogando o cabelo para trás, e ele deu um passo mais perto, o cheiro de colônia masculina misturando-se ao perfume dela. Era um jogo leve, cheio de risadas e provocações, mas com aquela eletricidade no ar que fazia tudo parecer mais perigoso, mais gostoso e lucrativo.

Enquanto isso, Gustavo caminhava pela rua em direção ao self-service, o coração batendo um ritmo descompassado. Vestia uma camisa azul-claro que caía solta no corpo magro, as mangas dobradas revelando antebraços finos que ele mesmo achava que deviam malhar mais. O cabelo castanho claro bagunçado pelo vento, olhos castanhos nervosos varrendo cada canto procurando alguem bem específico.

A Manu podia vir comigo... dar aquela força, pensou, mordendo o canto do lábio inferior. Mas então viu Kenji de longe, terminando as compras com aquela calma japonesa que irritava. O cabelo preto liso caindo reto, pele clara contrastando com a camisa branca impecável. Gustavo sentiu o ciúme subir quente pelo peito, como uma onda lenta e ardente se lembrando de quando o nissei tinha chegado à cidade. “Ele falando com o Felipe daquele jeito... sorrindo daquele jeito…”

Kenji, alheio ao furacão de olhares que recebia, atendia a ligação da mãe com a paciência de sempre. Voz baixa, educada, mas firme:

— Mãe, eu adoraria ir... mas estou me ajeitando aqui ainda. Tem coisas pra resolver. — Um sorriso suave curvou seus lábios. — Prometo que logo eu apareço.

No estúdio, Manu esquentava a marmita no micro-ondas quando o celular vibrou. Eduardo. Ela atendeu já com a voz afiada, mas ele sabia como contornar.

— Calma, amor... — A voz dele saiu sedutora, como se estivesse roçando os lábios na orelha dela. — Eu sei que errei, mas deixa eu te compensar. Imagina eu chegando aí agora... te pegando no colo, te beijando devagar até você esquecer por que tava brava...

Manu bufou, mas o canto da boca subiu num sorriso traiçoeiro. Ele sempre sabia o que dizer.

De volta ao self-service, Gustavo parou na entrada, bandejas na mão, esperando. Não queria comer sozinho. Queria ver Luiz Felipe aparecer com aquele andar confiante, os cachos balançando, o sorriso que fazia o estômago dele dar cambalhotas. Queria sentir aquele perfume de novo, o calor do corpo dele roçando “sem querer” enquanto escolhiam a comida.

Gustavo, parado ali com o coração acelerado, só pensava em uma coisa: quando Luiz Felipe chegasse, ele não ia conseguir disfarçar o quanto queria se aproximar... bem devagar, bem perto, até sentir o gosto daquele sorriso.

Gustavo esperava no self-service, as mãos trêmulas, a ansiedade que tomava conta de seu corpo e os pensamentos porque o Luiz Felipe esta demorando tanto? Sera que ele não vem? Sera que aconteceu algo? Devo mandar mensagem? Enquanto isso ao redor o aroma de arroz fresco e frango grelhado misturando-se ao burburinho leve do restaurante lotado. Mesas de madeira clara espalhadas sob luzes quentes, risadas ecoando de grupos de amigos, e o tilintar distante de talheres. Seus olhos castanhos varriam o espaço ansiosamente, o coração batendo um ritmo tímido, como se cada segundo de espera fosse uma confissão não dita.

Então, Luiz Felipe apareceu na entrada, com aquele andar confiante que fazia Gustavo engolir em seco. O corpo atlético dele, ombros largos moldados pela academia, peitoral definido sob a camisa azul com o logo da loja no bolso, se movia com uma graça natural, os cachos castanhos encaracolados balançando levemente. Seus olhos mel encontraram os de Gustavo de imediato, e um sorriso lento, quase preguiçoso, curvou seus lábios cheios. Ele se aproximou devagar, como se soubesse o efeito que causava, borrifando no ar aquele perfume amadeirado que Gustavo já associava a noites de sonhos inquietos.

— Ei, Gusta... Desculpa o atraso — Disse ao seu ouvido, Luiz Felipe, voz baixa e suave, inclinando-se um pouco mais perto do que o necessário. Seus dedos roçaram de leve os de Gustavo, um toque "acidental" que enviou um arrepio quente pela espinha do garoto mais baixo. Gustavo corou, baixando o olhar para o chão, mas não conseguiu evitar o sorriso tímido que escapou.

— Tudo bem... Eu tava esperando.

Respondeu Gustavo, a voz saindo um tom mais baixa, quase um sussurro. Eles se serviram lado a lado, ombros se esbarrando de vez em quando, criando uma eletricidade sutil no ar. Luiz Felipe escolhia a comida com gestos deliberados, comentando casualmente sobre o molho que "escorregava como seda na boca", e Gustavo ria nervoso, sentindo o calor subir pelo pescoço.

Sentaram-se em uma mesa no canto, longe o suficiente da multidão para criar uma bolha de intimidade, mas ainda em público, o que só aumentava a tensão doce e proibida. Como em um daqueles doramas que Gustavo assistia escondido, onde olhares valiam mais que palavras, e cada gesto era uma promessa velada. Luiz Felipe se inclinou para frente, cotovelos na mesa, os olhos fixos nos de Gustavo com uma intensidade que fazia o ar parecer mais espesso.

— Sabe, Tavinho... — começou ele, usando o apelido com um tom carinhoso. — Eu te vejo diferente faz tempo. Aquele jeito seu de sorrir quando experimenta algo novo... Me deixa louco. — Ele esticou a mão devagar, dedos traçando um padrão invisível na borda do copo de Gustavo, sem tocar de verdade, mas perto o suficiente para que o calor se transferisse. — Eu gosto de você. Muito. E queria saber se…

Gustavo sentiu o coração disparar, as bochechas queimando. Ele baixou os olhos para o prato, mexendo o arroz distraidamente, o medo misturando-se ao desejo como uma dança lenta. O peito apertado de timidez. Mas o olhar de Luiz Felipe era tão gentil, tão convidativo, que ele reuniu coragem.

— Eu... Eu também gosto de você, Luiz. Faz tempo — confessou Gustavo, erguendo o olhar devagar, os olhos castanhos brilhando com uma vulnerabilidade doce. — Mas... e o Eduardo? Meu irmão. Se ele descobrir... Ele é.. você sabe. Ele pode surtar.

Luiz Felipe riu baixinho, um som grave e reconfortante, inclinando a cabeça para o lado enquanto seus cachos caíam sobre a testa. — Ah, o Eduardo... — Ele pausou, o sorriso esmorecendo um pouco, revelando uma preocupação genuína. — Eu entendo. Mas seu irmão eu posso encarar, eu me preocupo mais com a minha mãe. Dona Eulália é uma leoa. Enfermeira, sempre cuidando de tudo. Se ela souber... pode não aprovar. — Seus dedos se aproximaram mais, quase tocando os de Gustavo sobre a mesa, um gesto que dizia, estamos nisso juntos, sem palavras.

Eles continuaram comendo, trocando olhares longos e sorrisos tímidos, o desejo transpirando em cada pausa, em cada vez que Luiz Felipe limpava o canto da boca devagar, ou Gustavo mordia o lábio inferior nervoso. Era uma sedução inocente, pura química no ar, como se o mundo ao redor desbotasse, deixando só eles dois em um momento suspenso.

Enquanto isso, na Elegance, o ar estava carregado de um aroma caseiro: frango assado com ervas, arroz fresquinho e uma torta de limão ainda quente. Dona Eulália entrou na loja com uma bolsa térmica nas mãos, o uniforme de enfermeira amarrotado após um turno exaustivo no hospital. Seus olhos castanhos, varreram o espaço com uma mistura de carinho e suspeita. Ela era uma mulher forte, de cabelos curtos e práticos, sorriso que iluminava quartos inteiros, mas agora, franzindo a testa.

— Felipe, meu Gurizão! — chamou ela, aproximando-se do filho loiro, que organizava prateleiras com seus braços musculosos flexionados. Ele se virou, o rosto se iluminando com um sorriso largo, mas ela notou a ausência imediata. — Cadê o Luiz? Fiz almoço pros dois, fresquinho. Ele não tá aqui?

Felipe Luiz deu de ombros, o peitoral esticando a camisa enquanto cruzava os braços, uma pontada de ciúme familiar subindo pelo peito. Sempre o Luiz no centro das atenções, o filho preferido.

— Não sei, mãe. Saiu pro almoço faz um tempinho. Deve tá no self-service ou algo assim.

Ele tentou soar casual, mas o tom saiu um pouco azedo.

Dona Eulália ergueu uma sobrancelha, desconfiada.

— Sumido? Se fosse você, mas o Luiz Felipe não é disso. Esse menino... Tá escondendo algo, eu sinto.

Ela entregou a bolsa a Felipe, beijando sua bochecha com um suspiro.

— Come você, então. E diz pro seu irmão que a mãe tá de olho.

Enquanto a mãe saía, o ciúme de Felipe fervia baixinho, como sempre.

De volta ao self-service, Pamela, a jovem atendente de cabelos castanhos amarrados em um rabo de cavalo prático escondido sob uma touca, uniforme apertado destacando sua silhueta esguia, limpava uma mesa próxima. Seus olhos afiados captaram a cena: a mão de Luiz Felipe pairando sobre a de Gustavo, um toque que não chegava a acontecer, mas que gritava intimidade; os olhares trocados, cheios de segredos doces, mesmo com as tentativas desajeitadas de disfarce. O que tá rolando ali?, pensou ela, um sorriso malicioso curvando os lábios.

Sorrateiramente, ela pegou o celular do bolso, fingindo arrumar talheres, e tirou uma foto rápida, os dois inclinados um para o outro, sorrisos tímidos e olhares quentes. Mandou para Milena com uma mensagem: "Olha isso no self-service. Seu crush com o Gustavo?"

Milena, a morena de curvas generosas e olhos escuros flamejantes, viu a foto no celular enquanto tomava seu shake de almoço. O ciúme subiu como imediatamente, irritação misturada a determinação.

— Eu ja desconfiava aquela bicha encubada sempre rondando meu Luiz Felipe... Mas isso não vai ficar assim!

A morena apertou os lábios, jogando o cabelo para trás com um gesto decidido.

— Vou tirar isso a limpo é agora! Viado nenhum vai mexer no que é meu.

Com um suspiro profundo, ela se levantou, pronta para confrontar o que quer que estivesse acontecendo.

Continua…

Autor: Mrpr2

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