Carol e eu estamos casados há oito anos, e nossa relação sempre desperta curiosidade — ou pena — nas pessoas ao nosso redor. Eu sou baixo, com 1,66 m, careca desde os trinta anos, rosto comum e uma barriga que nenhuma dieta ou academia consegue eliminar. Minha esposa, por outro lado, é o tipo de mulher que faz o tempo parar: 1,74 m de altura, pele branquinha, corpo magro e esguio, cabelos lisos tingidos de ruivo que vão até a cintura. Bunda enorme e durinha, enquanto seus seios médios são tão firmes que todo mundo pergunta se são de silicone. Pelo visual, qualquer um juraria que ela é influencer ou modelo. Só que, na verdade, Carol é pesquisadora, cheia de bolsas, prêmios e publicações na universidade.
O contraste é tão absurdo que evito até andar de mãos dadas com ela em público. As pessoas olham torto, cochicham, e alguns caras chegam a dar risadas disfarçadas. E a Carol detesta isso mais do que eu. Ela fica pistola por ser confundida com uma acompanhante de luxo só porque resolveu casar com alguém que, no quesito beleza, está bem abaixo dela.
Parece loucura ela ter escolhido alguém como eu, mas aconteceu. Eu fui professor de sociologia dela na faculdade. Ela tinha só 22 anos, enquanto eu tinha 35. Ela era a aluna mais linda que já havia passado pela minha sala, e eu, apenas um cara com autoridade, experiência, estabilidade — tudo o que uma garota naquela fase deseja.
Naquela época, eu me sentia o cara mais sortudo do planeta. Carol nunca havia namorado ninguém antes — eu fui o primeiro em diversas coisas. Já eu, aos 35 anos, havia rodado bastante: namoros que não deram certo, algumas aventuras e a certeza absoluta de que uma mulher como ela estava completamente fora do meu alcance.
Por isso, pisei fundo no acelerador. Não queria dar tempo para ela pensar demais, comparar ou perceber que existiam opções muito melhores por aí. Em menos de um ano, estávamos noivos. Pouco depois, casados. Na minha cabeça, quanto mais rápido eu trancasse aquela porta, mais difícil seria para ela sair.
Mas o tempo passou, e as coisas mudaram. Carol deixou de ser aquela garotinha inocente e inexperiente para se tornar uma mulher completa — inteligente, segura e desejada por todos. Todas as vantagens que eu tinha no começo — idade, carreira, vivência — simplesmente evaporaram. Começamos a brigar por qualquer bobagem: um olhar mais demorado que algum cara lançava para ela na rua, um comentário idiota de um amigo, uma foto que ela postava. Certa noite, após mais uma discussão idiota, ela soltou: “Talvez a gente devesse fazer terapia de casal.”
Aquelas três últimas palavras me gelaram. Eu sabia que, se entrássemos num consultório, tudo viria à tona: minha baixa autoestima, o medo de não ser suficiente, a diferença física que todo mundo via. Nosso casamento não sobreviveria. Em vez disso, sugeri uma semana na praia: uma segunda lua de mel, um tempo só nosso, um cessar-fogo.
Mal sabia que aquela viagem me mostraria, da forma mais cruel possível, que talvez eu nunca tivesse sido suficiente para ela.
Chegamos ao hotel no fim da tarde, exaustos após horas de estrada. Enquanto eu só pensava em tomar um banho e esquecer o mundo, Carol já estava animada, falando em acordar cedo no dia seguinte para correr na orla e fazer uma trilha antes que o sol esquentasse. Eu disse que preferia dormir até mais tarde, sentar em um quiosque e passar o dia bebendo cerveja enquanto admirava o mar. E aquela simples conversa virou uma discussão rápido demais.
Ela me acusou de sempre escolher o caminho mais fácil e de transformar qualquer tentativa de reconexão em mero conforto e preguiça. Eu retruquei que reconectar não precisava virar um teste físico e que estávamos ali para descansar. No fim, bati o pé e ela acabou cedendo.
Enquanto eu ajustava o despertador para as dez da manhã, me senti vitorioso, não sei exatamente o por quê. Talvez achava que aquilo era uma prova. Se ela se submetia à minha vontade, só podia ser porque ainda se importava com a relação, e a gente iria sobreviver aos nossos problemas.
Fomos para a praia. Carol tirou a canga e se deitou de bruços sobre ela. Só naquele momento percebi o biquíni vermelho que ela usava: pequeno, apertado, com a parte de trás desaparecendo completamente na sua bunda durinha. Não sei se ela fez aquilo de propósito, mas, enquanto eu fingia olhar o mar, me perguntei se ela havia escolhido aquele biquíni como retaliação pela discussão da noite anterior — ou se era inocente a ponto de não perceber que, pelo resto da manhã, todos os homens na orla iriam virar a cabeça para nós.
Um grupo de moleques chegou, carregando engradados de cerveja e montando uma barraca gigante a poucos metros de nós, gritando o tempo todo, cada um tentando chamar mais atenção que o outro. Mal terminaram de armar a barraca, um deles ligou uma caixa de som no volume máximo, botando um funk alto pra caralho — explícito, basicamente um pornô para cegos.
Carol tentou manter a calma, mas batia o pé com tanta força que areia começou a voar na minha direção. Sabia exatamente o que aquele tique significava: ela estava puta da vida. Soltou um grunhido alto de irritação, levantou-se e anunciou que ia ao quiosque pegar o drink mais forte disponível para aguentar aquele inferno.
Fiquei ali, olhando-a se afastar, a bunda balançando para lá e para cá no biquíni vermelho que mal cobria nada, enquanto os caras da barraca viravam a cabeça para seguir o movimento. Um deles deu uma cotovelada no amigo e murmurou algo que fez os dois rirem baixinho. Fingi não notar, mas aquilo me revirou o estômago.
Um deles foi ainda mais ousado: esperou Carol chegar ao quiosque, fazer o pedido e foi direto na direção dela — como um daqueles personagens de desenho animado que flutuam no ar, atraídos pelo cheiro de uma torta recém-assada. Eu não conseguia acreditar na ousadia daquele filho da puta — era impossível que ele não tivesse notado que ela estava comigo, a poucos metros dali.
Meu sangue ferveu. Levantei-me da cadeira e fui em direção ao chuveirão ao lado do quiosque. Fingi lavar os pés na água fria, mas, na realidade, meu único objetivo era espiar aquela interação — uma espécie de teste a fidelidade da minha esposa.
Ele se aproximou com aquele sorrisão escancarado, os músculos do peito esticando a regata fina enquanto se inclinava no balcão. "Oi, me chamo Murilo. E você, gata?"
Carol murmurou, sem se virar para ele, os olhos fixos no atendente: "Carolina."
"Prazer, Carolzinha. O que eu preciso fazer pra conseguir o seu número?"
Ela revirou os olhos — como uma adolescente lidando com o pai chato —, mas manteve o tom cordial, sem dar muita corda. "Desculpa, eu tenho namorado."
Aquilo me pegou de surpresa: namorado? Por que não marido? A gente estava casada há anos. Meu cérebro deu um nó, não conseguia entender porque ela estava me rebaixando naquela conversa.
Murilo deu uma risada grave, daquelas que transbordam confiança. "Tá desculpada! Mas a gente pode ser amigo, né? Nada demais."
Carol finalmente se virou e o mediu de cima a baixo, franzindo a sobrancelha ao percorrer o peito largo e os braços veiosos de musculação. Confesso que nem senti muito ciúme naquela hora — claramente, ela o achava mais ridículo do que excitante. E antes que ela pudesse dizer algo, ele emendou, sem dar espaço: "Aluguei uma casa com uns amigos aqui perto; a gente sempre faz churrascos e festas. Seria legal se você e o seu namorado aparecessem por lá."
Ele deu um passo mais perto e estendeu o celular — como se fosse a coisa mais normal do mundo —, o corpo dele quase roçando no dela. Carol pegou o celular, hesitou por um segundo, mas digitou algo rápido.
"Ah, legal. Manda uma mensagem depois", disse ela, com um tom seco, virando-se bruscamente para voltar à canga. E o que aconteceu em seguida foi inacreditável, como uma cena de um dorama.
Murilo esticou a mão e segurou o braço dela. "Ei, você esqueceu o drink." Os olhos dos dois se chocaram por alguns segundos que, para mim, pareceram uma eternidade. Ela não puxou o braço imediatamente; ficou ali parada, e eu juro que vi um tremor sutil percorrer seus ombros. Ela só pegou o copo, depois de segundos imersa naquela tensão, quando ele a soltou devagar, deslizando os dedos pela pele branquinha dela — como se quisesse gravar a sensação antes de soltar minha mulher.
Voltei para minha cadeira, possuído pelo capeta. Cheguei um pouco depois da minha esposa, que ergueu o rosto da canga e perguntou onde eu estava.
"Assistindo ao showzinho", respondi seco, jogando-me na cadeira com o corpo inteiro tenso.
"Não começa, Lucas. Não aconteceu nada demais; o menino só perguntou as horas pra mim.", ela disse num tom preocupado.
E, enquanto engolia aquela explicação furada, vi Murilo checar o celular com um sorrisinho filho da puta no rosto — sentindo que aquilo era apenas o começo de algo que me devoraria.
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