Jonas não disse nada de imediato. O silêncio entre nós era preenchido apenas pelo ritmo hipnótico das ondas quebrando e pelo som distante de vozes que pareciam não fazer parte do nosso universo particular. Eu estava de costas para ele, mas conseguia ouvir a respiração dele mudando, ficando mais curta, mais pesada.
De repente, ouvi o farfalhar do tecido. Com um movimento rápido, Jonas deslizou a mão por baixo da canga. Eu virei o rosto levemente, olhando-o por cima do ombro, e vi quando ele ergueu apenas um pouco do pano, criando um esconderijo para o seu desejo.
— Eu vou me aliviar — ele disse, e a voz dele saiu num tom que me fez estremecer. Era grave, rouca, carregada de uma urgência que me excitou instantaneamente. — Vai ser rápido.
Eu senti um frio na barriga, aquela mistura deliciosa de medo e luxúria por estarmos em um lugar público. Soltei uma risadinha baixa, provocando-o.
— Jonas, tá perigoso aqui...
— Tá, mas a canga vai tampar — ele rebateu, já movimentando a mão sob o tecido. O olhar dele estava fixo em mim, devorando cada curva do meu corpo. — Eu só preciso que você continue deitado assim.
Eu sorri, sentindo-me o dono da situação. Ajeitei meus braços sob a cabeça, mas mantive o contato visual.
— Você quer se aliviar me admirando? — perguntei, deixando um tom de malícia escorrer pela voz.
Ele soltou um riso anasalado, quase um desabafo de quem estava perdendo o controle.
— É o jeito. Olhar para você assim... não tem como ser diferente.
— Tá... se não tem outra opção — eu disse, cedendo ao jogo. — Vou olhar para o outro lado e você fica de olho, tá?
Para garantir que ele ficasse exatamente como eu queria, eu fiz um movimento sutil, empinando um pouco mais a bunda, sentindo o ar fresco na pele e imaginando o quanto aquilo devia estar torturando a mente dele. Voltei meu rosto para o lado oposto, mas toda a minha atenção estava nos sons que vinham da cadeira dele.
Eu conseguia perceber o movimento rítmico do braço dele por baixo da canga. De cima para baixo, firme. Jonas soltava uns suspiros pesados que me deixavam com o corpo vibrando. Eu via pelo canto do olho a expressão dele: as sobrancelhas franzidas, a testa suada, o puro prazer estampado no rosto.
— Vai ser rápido, né? — provoquei de novo, só para ouvir a reação dele.
— Se você continuar falando desse jeito, não vai ser — ele rosnou, a voz falhando.
Aquilo foi o limite para mim. Eu não conseguia ficar apenas assistindo ou ouvindo. Eu precisava participar, sentir o calor dele também. Me mexi um pouco, esticando um dos meus braços por cima do espaço entre nossas cadeiras.
— Tá bom... vou te ajudar — sussurrei.
— Como? — ele perguntou, a respiração travando.
Sem dizer mais nada, ainda deitado naquela posição que o deixava louco, deslizei minha mão por baixo da canga dele. Meus dedos encontraram sua pele quente, pulsante de sangue e desejo. No momento em que fechei minha mão em volta dele, Jonas deu um solavanco na cadeira, soltando um som abafado que foi música para os meus ouvidos.
Comecei a tocar para ele, um movimento rítmico e firme. Senti a textura, o calor subindo, a rigidez impressionante.
— Caralho, que mão macia... que mão gostosa — ele murmurou, fechando os olhos por um segundo.
Jonas cobriu minha mão com a dele, guiando o ritmo, nos unindo naquele movimento de sobe e desce sob o tecido. Eu sentia o coração dele batendo forte através da conexão das nossas mãos.
— Caralho, você tá muito duro — comentei, sentindo minha própria excitação aumentar.
— Estou — ele respondeu, respirando de forma errática. — Mas se a gente continuar assim... eu vou me aliviar rápido, rápido.
— Tudo bem — eu disse, sentindo a adrenalina de estarmos fazendo aquilo ali, sob o céu aberto. — Mas eu acho uma loucura tudo isso.
Jonas inclinou-se um pouco, aproximando o rosto do meu, e me deu um beijo rápido e molhado na testa.
— Deixa só eu te admirar... e continua fazendo o que tu tá fazendo.
— Tá ok, mas... você molhou minha canga toda com esse seu mel — reclamei, embora, no fundo, eu não me importasse nem um pouco.
— Isso é um problema? — ele riu, uma risada carregada de luxúria. — Depois eu te dou outra. Eu só preciso de você agora, Bernardo.
Eu precisava de mais. A curiosidade e a vontade de vê-lo por inteiro falaram mais alto. Retirei minha mão por um segundo, e ele imediatamente protestou:
— Que que você tá fazendo?
— Calma aí, deixa eu ver aqui... — me levantei um pouco, fingindo que estava apenas observando o movimento da praia. Olhei para os lados, para trás, e vi que as pessoas estavam longe o suficiente, distraídas com o mar e suas próprias vidas.
Virei minha cadeira ligeiramente, colando-a na dele, criando um casulo entre nós. Me aproximei mais, ficando quase cara a cara com o seu pau. Olhei bem no fundo dos olhos dele, sentindo a eletricidade entre nós.
— Deixa que eu cuido disso — falei baixinho, entrando com as duas mãos por baixo da canga agora. — Mas quando você estiver perto, você me avisa, tá?
— Tá bom... — ele mal conseguia falar.
A respiração dele ficou cada vez mais forte. Eu percebia que ele fechava os olhos, entregando-se ao que eu fazia. Eu continuava vigilante, mas a visão dele ali, vulnerável ao meu toque, era viciante. De repente, ele tirou a canga levemente, deixando tudo visível para mim sob a luz do sol.
— Caralho, olha como é que eu tô... vou explodir daqui a pouco.
Eu olhei para baixo, admirando o brilho da lubrificação natural dele sob o sol.
— Tá perto? — perguntei.
— Ainda não, mas... caralho, eu não tenho nem controle disso.
— Continuei apertando sem aviso — comandei, intensificando o movimento. Minhas mãos trabalhavam rápido agora, de cima para baixo, sentindo o calor aumentar a cada segundo.
— Caralho, tá chegando perto! — ele avisou, os dedos cravando-se nos braços da cadeira.
Eu não pensei duas vezes. O perigo parecia apenas um tempero a mais. Tirei a canga de cima dele por completo e, movendo meu corpo com agilidade, eu o abocanhei. Senti o gosto dele, o calor intenso, a textura. Dei uma chupada firme, profunda, sentindo-o pulsar dentro da minha boca.
Afastei-me por um segundo apenas para dizer:
— Só agiliza, por favor.
— Tá bom... — ele respondeu, a voz saindo como um rosnado.
Jonas segurou minha cabeça, os dedos se enroscando no meu cabelo com uma força que demonstrava que ele tinha chegado ao limite. Ele soltou um urro forte, um som de puro alívio que parecia vir do fundo da alma.
E então eu senti. Um, dois, três... contei cerca de nove jatos quentes atingindo o fundo da minha garganta. Era muito leite, um calor que parecia queimar de um jeito bom. Eu engoli tudo, sentindo a euforia e o medo do ambiente se misturarem em um coquetel explosivo.
Quando ele finalmente relaxou, eu tirei a boca. Ele ainda estava duro, a pele brilhando sob o sol. Jonas olhava para os lados, ainda segurando minha cabeça, com um sorriso de descrença no rosto.
— Porra, foi muito leite — ele riu, parecendo surpreso consigo mesmo. — Desculpa... tinha um tempo que eu não sentia isso, e eu não sabia que tu ia fazer isso, Bernardo.
Eu apenas sorri, sentindo-me satisfeito.
— Tudo bem, Jonas.
A gente começou a rir, uma risada cúmplice e leve. Eu o abocanhei de novo rapidamente, apenas para passar a língua e deixá-lo limpo antes de cobri-lo novamente com a canga.
— Agora você se aquieta aí — eu disse, recuperando o fôlego.
Ele me puxou para a cadeira dele, e eu me encaixei ali, deitando a cabeça no seu peito enquanto ele passava o braço pela minha cintura. Começamos a nos beijar, um beijo profundo, lento, que carregava o sabor do sal, da pele quente e de tudo o que tínhamos acabado de compartilhar.
— Gosto de praia esse beijo — ele sussurrou contra meus lábios, e eu soube que aquele momento da nossa história estava apenas começando...
Jonas me abraçou com força, um gesto de posse e de satisfação. E então, senti a mão dele descer pela minha cintura até a minha bunda, apertando com uma ternura e uma firmeza que me arrepiaram por completo.
Ele retirou a canga que o cobria, deixando-se expor totalmente à minha visão e ao sol. Estávamos frente a frente, a poucos centímetros um do outro, e o desejo faiscava em nossos olhares.
O abraço foi mais profundo que o beijo. Jonas começou a me cobrir de carícias, explorando minhas costas, minha nuca, descendo até a base da coluna. Sua mão continuava na minha bunda, apertando e modelando com uma sensualidade inebriante. Eu me sentia exposto e desejado, uma mistura de prazer e de perigo.
O beijo ficou mais intenso, nossas línguas se procurando e se deliciando. As mãos de Jonas percorriam meu corpo com uma destreza que me fazia querer cada vez mais. Ele apertou novamente a minha bunda, puxando-me para um contato ainda mais colado.
Eu estava prestes a me entregar completamente àquela pegação intensa, ali, na areia, sob o sol, quando um lampejo de razão me atingiu. A praia estava perigosamente movimentada, e, embora tivéssemos criado uma pequena bolha de privacidade, o risco era grande e iminente.
Empurrei levemente Jonas, interrompendo o beijo com um suspiro.
— Jonas, a gente não pode... É muito perigoso.
Ele me olhou com uma expressão de desapontamento, mas compreendeu. Seu corpo, que antes estava tão tenso e excitado, relaxou contra o meu. Afinal, ele já tinha se aliviado, enquanto eu, agora, estava completamente aceso.
— Você tem razão — ele disse, com a voz rouca. — Mas o que fazemos agora?
Senti meu corpo vibrar com o desejo reprimido. Precisava de algo para esfriar os ânimos, para respirar. Olhei para o mar, as ondas convidativas.
— Já sei — eu disse, com um sorriso travesso. — Que tal um último mergulho antes de irmos?
Jonas entendeu o que eu queria. Era uma forma de adiar o inevitável, de prolongar aquela intimidade e excitação em um cenário paradisíaco, antes de retornarmos à realidade. Levantamo-nos com um misto de frustração e expectativa, prontos para o próximo capítulo do nosso dia.
— Vamos? — eu disse, já dando os primeiros passos em direção ao mar.
Eu sentia a presença do Jonas como uma sombra quente às minhas costas. Começamos a andar mais rápido, quase correndo. Eu fui na frente, sentindo a água se aproximar, o cheiro do sal ficando mais forte.
Quando meus pés tocaram o mar, não pensei duas vezes. Mergulhei.
A água me envolveu inteiro, fria o suficiente para arrepiar, quente o bastante para acolher. Afundei por um segundo, deixei o corpo flutuar, senti a pressão nos ouvidos. Quando voltei à superfície, passei a mão pelo rosto, respirando fundo.
Jonas veio logo atrás.
Entrou rindo, jogando água para os lados, até chegar perto o suficiente para que nossos corpos se tocassem sob a superfície. O mar escondia o que a praia denunciava. Ali, tudo parecia permitido de novo.
Ficamos próximos, ombro com ombro, o balanço das ondas empurrando nossos corpos um contra o outro de forma quase preguiçosa. Às vezes a água subia até o peito, às vezes descia, revelando pele, marcas de sol, pequenas reações involuntárias ao frio e à proximidade.
Jonas se inclinou levemente, o rosto chegando perto do meu ouvido.
— Obrigado pelo dia de hoje — ele disse baixo, a voz quase se perdendo no som das ondas.
Senti um arrepio que não tinha nada a ver com a água.
— Fazia tempo que eu não… — ele parou, como se escolhesse melhor as palavras.
Virei o rosto para ele, encarando aquele sorriso meio torto, meio contido.
— Se aliviava? — provoquei, com um canto de boca levantado.
Ele riu, aquele riso solto, verdadeiro.
— Me divertia — corrigiu. — Desse jeito.
— Que nada — respondi. — Eu também estou me divertindo bastante.
Ele me olhou com mais atenção agora, os olhos percorrendo meu rosto, descendo um pouco, voltando.
— Viver o hoje, né?
— É — concordei. — Viver o hoje como se não existisse amanhã.
Jonas inclinou a cabeça, aproximou ainda mais o corpo do meu. As ondas nos empurraram, e por um instante ficamos colados, peito com peito.
— Mas existe o amanhã — ele disse, baixo. — O depois… e o depois do depois.
Segurei os ombros dele com as duas mãos, firme, sentindo a força, a solidez daquele corpo molhado.
— Existe — respondi. — Mas o depois fica pra depois.
Devolvi o beijo.
Foi um beijo calmo, salgado, demorado. Nada apressado. A boca dele tinha gosto de mar e sol, e o movimento das ondas fazia nossos corpos se encaixarem e se afastarem num ritmo quase coreografado.
Sem pensar muito, deixei minha mão escorrer pelas costas dele.
Deslizei devagar, sentindo cada músculo reagir ao toque, até chegar mais abaixo. Exatamente na sua bunda. Minha palma encontrou firmeza, calor.
Apertei de leve, sem pudor, só o suficiente para deixar claro.
— Gostoso — murmurei, mais para ele do que para mim.
Jonas riu, um riso curto, meio sem graça.
— Obrigado… assim você me deixa sem jeito.
Minha outra mão acompanhou a primeira. As duas agora, seguras, explorando sem pressa, como se o mar fosse cúmplice.
Ele fez o movimento inverso.
Uma mão na minha cintura, puxando-me mais para perto. A outra subiu, firme, até o meu pescoço. Os dedos se espalharam ali, sensíveis.
— Eu sou sensível ao toque — ele disse, com a boca perto da minha. — Você já viu, né?
— Acho que isso não é um problema — respondi, sentindo meu corpo reagir de novo. — A gente se ajuda.
— É… — ele sorriu. — Você me deu uma boa ajuda. Ainda falta eu te ajudar.
Inclinei a cabeça, encostando a testa na dele.
— Fica tranquilo — falei. — Vai dar certo. Você vai saber o que fazer no momento certo.
Ficamos ali mais um tempo, deixando o mar nos embalar. Os corpos já não estavam em ebulição como antes, mas ainda carregavam calor suficiente para manter aquela tensão gostosa, controlada.
Quando percebemos que os ânimos tinham baixado de vez, trocamos um olhar silencioso e começamos a sair da água.
A areia estava quente agora. Caminhamos até onde estavam nossas coisas. Pegamos as cadeiras, o guarda-sol fechado, juntamos tudo com calma. Antes de voltar para a parte comum da praia, vestimos as cuecas, o gesto simples trazendo de volta uma camada de realidade.
Voltamos para o ponto onde tínhamos alugado tudo e devolvemos as cadeiras e o guarda-sol.
— Que dia perfeito — eu disse, sincero.
— Realmente — Jonas concordou.
Ele olhou o relógio.
— Ainda tá cedo, né?
— É… vai dar meio-dia.
— Que você acha de estender isso? — ele sugeriu. — A gente… sai pra almoçar.
— É o nosso ritual, né? — brinquei.
— É.
— Tudo bem — concordei. — Mas eu preciso me trocar, dependendo de onde a gente for.
— Eu sempre deixo umas roupas no carro — ele respondeu. — E você?
— Tenho roupa extra na mochila. Acho que dá certo. Só preciso…
— Tomar um banho.
Olhei em direção ao chuveirão.
— Tem um ali.
Voltamos rápido, jogamos água no corpo, só o suficiente para tirar o sal e acalmar a pele. Depois caminhamos até o carro, usando as toalhas como cobertura, rindo da improvisação.
Ali, trocando de roupa, com o sol ainda alto e o corpo ainda quente, ficou claro: o dia estava longe de terminar.
Era curioso como, em tão pouco tempo, a gente tinha saído da areia quente para algo que beirava o elegante improvisado. O corpo ainda guardava vestígios do mar — o sal seco na pele, o cabelo úmido, a sensação de relaxamento que só um dia bem vivido provoca.
Eu estava simples. Bermuda clara, leve, caindo solta nas pernas. Chinelo nos pés, daqueles que a gente leva sem pensar muito, mas que acabam salvando o dia. A camisa de botão, em tons quase brancos e azulados, estava entreaberta, deixando o peito respirar. Nada chamativo. Confortável. Discreto.
Jonas, por outro lado, me pegou de surpresa.
A bermuda preta, um pouco acima do joelho, desenhava bem as pernas já marcadas pelo sol. O chinelo dava um ar despretensioso, mas foi a regata do Flamengo que roubou toda a cena. O tecido colava levemente no corpo ainda úmido, destacando o peito, os ombros, os braços. O cabelo molhado, preso sob o boné, dava a ele um ar ainda mais bonito — daquele tipo de beleza que não se esforça.
— Não vai dar pra arrumar o cabelo aqui — ele disse, ajustando o boné.
Eu ri.
— Tudo bem. Não tem problema nenhum.
Olhei mais uma vez, sem disfarçar.
— Você tá muito bonito assim.
Ele deu de ombros, meio sem jeito.
— Roupas improvisadas, né? A gente nunca sabe quando vai precisar.
— E o que você tem em mente pra gente almoçar? — perguntei, já caminhando em direção ao carro.
— Tem um restaurante temático aqui perto — ele respondeu. — Comida mineira.
— Sério? — sorri. — Pensei exatamente nisso.
— Ele fica numa região ali perto da praia. Tem um shopping em frente também.
— Acho que pode ser uma boa. Vamos lá.
Entramos no carro, e ele assumiu a direção. A música que escolheu era leve, quase um pano de fundo para o silêncio confortável que se instalou. O corpo ainda relaxado, o cansaço gostoso.
Em algum momento, senti a mão dele pousar sobre a minha perna.
Não foi invasivo. Foi natural. Firme o suficiente para ser sentido, suave o bastante para parecer cuidado.
Inclinei a cabeça e encostei no ombro dele, retribuindo com um carinho lento no braço, sentindo a musculatura sob a pele. Ele não tirou a mão dali em nenhum momento.
Chegamos rápido.
O restaurante estava cheio. Fila, gente esperando, um burburinho que deixava claro que não seria algo imediato. Olhei para ele.
— É muito importante pra você comer aqui?
— Não — ele respondeu prontamente. — A gente pode mudar.
Olhei em direção ao shopping.
— Então vamos ali. Almoçamos, damos uma volta… acho que funciona.
— Perfeito.
Optamos pela praça de alimentação. Nada sofisticado, nada temático. Apenas comida, conversa e presença. Pedimos uma porção de churrasco com fritas. Comemos devagar, falando de coisas soltas, do dia a dia, de detalhes pequenos que, estranhamente, pareciam importantes naquele momento.
Em um instante de silêncio, Jonas estendeu a mão por cima da mesa.
— Obrigado pelo dia de hoje — disse, e beijou minha mão com delicadeza.
Ri, sentindo algo aquecer no peito.
— Obrigado você. Tá sendo muito legal tudo isso.
Depois de comer, levantamos e começamos a andar pelo shopping. Sem combinar, ele segurou minha mão.
E não soltou.
As pessoas olhavam. Algumas de relance, outras sem disfarçar. Eu percebia. Ele também. Mesmo assim, continuamos.
— Vamos parar ali rapidinho — eu disse. — Preciso comprar alguma coisa pra tirar esse gosto de comida da boca.
Entramos numa loja simples. Balas, besteiras rápidas. Saímos rindo e seguimos andando até que ele parou, de repente, em frente a uma loja esportiva.
— Olha essa camisa nova do Flamengo — comentou.
— É bonita mesmo — respondi. — Mas essa que você tá usando também é linda.
— Essa é modelo antigo. Tô querendo uma nova.
Entramos. O vendedor nos recebeu com um sorriso aberto.
— Boa tarde, casal. Posso ajudar?
Troquei um olhar rápido com Jonas e segurei o riso.
— Casal? — murmurei, baixo.
— Desculpa — o vendedor corrigiu. — Não são um casal?
Jonas respondeu com naturalidade:
— Somos um casal de amigos.
— Formam um belo casal de amigos — ele respondeu, rindo.
Jonas escolheu algumas camisas e foi experimentar. Enquanto isso, observei. Quando saiu com a branca, perguntou:
— E aí?
— Ficou boa — respondi. — Mas experimenta a preta também.
Quando ele voltou com a preta, foi impossível não reparar. O contraste com a pele bronzeada, o corte marcando o corpo… ficou irresistível.
— Essa — eu disse, sem hesitar. — Essa ficou melhor.
— Você acha?
— Acho.
Ele sorriu, voltou, e minutos depois saiu com duas sacolas.
No carro, só percebi quando ele separou uma delas.
— Isso aqui é pra você.
— Quando você comprou isso?
— Agora. — Ele riu. — Como sei que você é flamenguista…
— Como você sabe disso?
— Na sua pasta, na sala dos professores, tem um adesivo do Flamengo.
Abri a sacola. Camisa branca. Meu número. Perfeita.
— Eu acho que não errei — ele disse.
— Não errou mesmo.
Sem pensar, tirei a camisa que eu estava usando e coloquei a nova, ali mesmo, no banco do carro.
— Ficou muito boa — ele comentou.
— A preta ficou ótima em você também.
Tirei a camisa branca para vestir a minha, mas não cheguei a colocá-la. Jonas se inclinou e me beijou.
A mão dele pousou no meu corpo com familiaridade, deslizando pelo abdômen, subindo até o peito. O olhar dele era intenso, carregado daquele mesmo desejo silencioso da praia.
— Jonas… — murmurei.
— O quê? — ele respondeu, sem parar.
Eu ainda estava sem camisa, as duas dobradas sobre o colo. A mão dele continuava ali, explorando com calma, enquanto os beijos se tornavam mais demorados, mais quentes, dentro daquele carro parado.
O ar-condicionado do carro lutava contra o calor que subia do asfalto do estacionamento, mas dentro daquele lugar, a temperatura já tinha ultrapassado qualquer limite suportável. Eu sentindo a pele do meu torso nua e arrepiada sob o olhar faminto de Jonas. O que começou como um agradecimento por um presente transformou-se, em segundos, em um incêndio.
Jonas não esperou por um convite formal. Ele se inclinou, atravessando o console central, e me puxou para ele. Suas mãos, grandes e firmes, espalharam-se pelas minhas costas nuas, trazendo meu peito contra o dele com uma urgência que me fez perder o fôlego. Nossos lábios se chocaram com uma sede antiga, um beijo que não tinha nada de calmo. Era uma exploração profunda, nossas línguas se entrelaçando num ritmo que ditava o que viria a seguir.
Quando ele desceu os beijos para o meu pescoço, minha cabeça pendeu para trás involuntariamente. Eu soltei um suspiro longo, uma respiração que saiu como um gemido contido, sentindo a barba rala dele arranhar levemente a minha pele sensível. Cada sucção, cada mordida leve que ele dava na base da minha orelha, fazia meu corpo vibrar.
— Jonas... calma... — murmurei, mas minhas mãos o contradiziam, puxando-o ainda mais para perto, meus dedos se perdendo nos cabelos úmidos sob o boné que ele agora jogava para o banco de trás.
Ele parou por um segundo, a respiração batendo quente no meu pescoço. Ele olhou para mim, os olhos cheios de desejo, e depois para o movimento discreto do estacionamento lá fora.
— Tem um hotel aqui embaixo no shopping, Bernardo — ele disse, a voz num tom tão baixo e rouco que parecia vir das profundezas. — E se eu te fizer esse convite agora? Vamos pra lá. Quero você sem pressa, sem risco.
Eu olhei para ele, sentindo a adrenalina correr nas minhas veias. O risco, longe de me afastar, era exatamente o que alimentava o fogo. Eu sorri, um sorriso lento e desafiador.
— Hotel? Não precisa disso, Jonas.
Ele franziu o cenho, confuso, mas sem soltar minha cintura.
— Como não precisa disso? Você não quer que aconteça o que temos vontade? Porque eu tenho certeza que você também tá sentindo isso.
Ele deslizou a mão pela minha barriga, chegando perigosamente perto do cós da minha bermuda, provando seu ponto. Meu corpo deu um solavanco em resposta.
— Eu quero — confessei, aproximando meu rosto do dele até que nossas pontas de nariz se tocassem. — Mas a gente não precisa de hotel. Não agora.
Eu levei minhas mãos até a barra da regata dele. Olhei fixamente nos seus olhos enquanto subia o tecido lentamente, revelando os músculos definidos do seu abdômen, o peito largo e bronzeado. Ele levantou os braços, permitindo que eu retirasse sua camisa. Quando o tecido caiu no chão do carro, a visão do seu corpo nu da cintura para cima me deixou momentaneamente sem fala.
Aproximei-me do seu ouvido, sentindo o calor que emanava dele.
— Tem dias que a gente quer fazer algumas loucuras, Jonas. Coisas diferentes — sussurrei, deixando minha língua roçar de leve o lóbulo da orelha dele. — Assim como a gente fez cedo lá na praia... os vidros do seu carro são escuros. Ninguém vai ver nada do lado de fora. Por isso não precisamos de hotel. Só precisamos nos permitir e aproveitar o que temos agora.
Jonas soltou um riso baixo, uma mistura de surpresa e puro deleite. Ele me segurou pelo rosto, me beijando com uma força renovada, um beijo que selava o pacto daquela loucura.
— E se a gente aproveitar o agora então... — ele murmurou contra minha boca.
— É... exatamente isso. Aproveitar o agora.
O movimento seguinte foi uma dança coordenada pela luxúria. Jonas, com uma agilidade surpreendente para o seu tamanho, acionou os comandos para reclinar os bancos. O interior do carro, que já era amplo, transformou-se em um espaço vasto e privado. Ele passou para a parte de trás por cima do console, e eu o segui, sentindo o tapete do carro sob meus joelhos e o cheiro do estofado misturado ao perfume dele.
Ali, naquele casulo de vidro fumê, o mundo lá fora deixou de existir. Jonas sentou-se no banco de trás e eu me posicionei entre suas pernas, de frente para ele. Sem dizer uma palavra, ele levou as mãos à cintura e desabotoou a bermuda. Eu fiz o mesmo, sentindo o peso do tecido cair.
Foi quando a surpresa veio. Assim como eu, Jonas não estava usando cueca. O contato com a água do mar e a pressa de sair da praia tinham nos deixado libertos sob a roupas vestidas anteriormente. Ao ver a rigidez do seu pau, já pulsante e marcado pela excitação, senti minha própria pulsação acelerar no baixo ventre. Eu estava exatamente da mesma forma: pronto, ansioso e completamente entregue.
Eu estendi a mão, envolvendo-o com firmeza. Senti o calor intenso, a textura da pele esticada e a vida que pulsava ali.
— Nossa... — apertei com força, ouvindo-o soltar um gemido rouco. — Isso aqui não dá descanso mesmo, hein?
Jonas deu uma risada curta, jogando a cabeça para trás no encosto do banco, enquanto suas mãos encontravam meu próprio membro, fechando-se em torno dele com uma pegada que me fez arquear as costas.
— Já descansou um pouco na água — ele disse, voltando o olhar para mim, um olhar carregado de promessas. — Agora tá na hora de trabalhar de novo, né?
Ele começou a movimentar a mão, um ritmo lento e torturante que me fazia perder os sentidos.
— E isso aqui? — ele perguntou, referindo-se à minha ereção que batia contra a palma dele. — Quando é que vai perder o controle de vez?
Eu não respondi com palavras. Aproximei meu corpo do dele, sentindo o calor da pele com pele, o peito dele subindo e descendo contra o meu. O espaço do carro parecia diminuir à medida que nossa intimidade crescia. Eu sentia o cheiro do suor, do mar e do desejo puro. Cada carícia dele era um convite ao abismo, e eu estava mais do que pronto para pular.
Nossas mãos trabalhavam em conjunto, um ajudando o outro a explorar limites que o sol da manhã apenas tinha sugerido. Jonas me puxou para um beijo longo, enquanto suas mãos desciam para minha bunda, apertando-me contra ele, unindo nossas excitações num atrito que me fazia ver estrelas. O som da nossa respiração pesada preenchia o carro, competindo com o zumbido baixo do ar que continuava ligado para manter o clima fresco, embora nada pudesse esfriar o que acontecia ali atrás.
O som do zíper descendo e o metal dos botões se abrindo soaram como disparos de adrenalina naquele silêncio tenso do estacionamento. No banco de trás do carro, o espaço parecia encolher à medida que nossa vontade crescia. Eu me livrei do meu short com uma pressa febril, e Jonas fez o mesmo, chutando a peça para o canto do assoalho. Pela segunda vez naquele dia, estávamos completamente nus, pele com pele, sem barreiras, apenas dois corpos em combustão.
Jonas me devorou com os olhos, a respiração tão ruidosa quanto a minha.
— Caralho, Bernardo... você é muito, muito, muito gostoso — ele soltou, a voz falhando diante da visão do meu corpo totalmente entregue a ele.
Eu soltei um riso baixo, sentindo o calor das bochechas e a excitação latejando entre as pernas.
— Melhor você desligar o ar-condicionado — falei, inclinando-me para perto do rosto dele, sentindo o cheiro do suor e do mar que ainda emanava da sua pele. — Eu não quero que o barulho do motor chame atenção. Não quero ser pego no meio de um shopping, transando.
Ele deu um sorriso de canto, uma expressão predatória e divertida.
— Transando, é? — Ele se esticou, desligou a ignição e o silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelos nossos batimentos cardíacos. — Gostei da escolha de palavras.
Jonas não perdeu tempo. Ele jogou o peso do seu corpo sobre o meu, me prensando contra o estofado macio do banco de trás. O espaço era curto, mas a gente se ajustou como peças de um quebra-cabeça de carne. Eu entrelacei minhas pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para o centro, sentindo o peso e a solidez dos seus músculos. Nossos membros se chocaram, cabeça com cabeça, a pele sensível queimando no contato direto.
Começamos um movimento de sarrada frenético, um atrito bruto que fazia o couro do banco ranger. Eu mordi a orelha dele com força, sentindo o gosto salgado da sua pele, e sussurrei com uma voz que eu mal reconhecia:
— Eu quero que você me foda, Jonas. Quero que você gaste toda a sua energia e toda a sua vontade aqui. Agora.
Minhas unhas cravaram-se nas costas dele, sentindo a musculatura reagir a cada comando meu.
— Você só vai parar quando eu sentir prazer — continuei, desafiando-o. — Faz o que eu estou pedindo. Aqui, nesse lugar. Eu me entrego a você.
Jonas me olhou fundo nos olhos, um brilho de possessividade e fúria sexual tomando conta dele.
— Tem certeza disso? Você tá decidido, Bernardo? — ele perguntou, a voz vibrando no meu peito.
— É uma ordem — respondi, puxando o pescoço dele para um beijo que foi mais uma batalha do que um carinho.
A esfregação tornou-se mais intensa. Eu sentia o líquido pré-ejaculatório, aquele "pregoso" quente e transparente, escapando do meu pau e se misturando ao dele. Era uma lubrificação natural, fruto de horas de repressão e desejo acumulado. Jonas gemeu baixo, um som literal, e levou a mão lá embaixo. Ele colheu toda aquela umidade viscosa, aquele mel que saía da gente, e usou para envolver nossos membros num movimento de subida e descida que quase me fez perder os sentidos.
Com a mão agora brilhante e molhada pelo nosso próprio desejo, ele abriu um pouco mais as minhas pernas. Senti o frio momentâneo e a pressão dos dedos dele descendo, usando aquele lubrificante natural para preparar o caminho no meio da minha bunda. O toque era firme, audacioso.
Ele inclinou o rosto, a respiração ofegante batendo direto no meu ouvido.
— A gente só precisa ser menos barulhento, tá? — ele avisou, os olhos fixos na janela de vidro fumê, onde o mundo lá fora continuava ignorante à nossa loucura.
— Sem problemas — respondi, a voz entrecortada, o quadril já se movendo por conta própria, buscando o preenchimento que só ele poderia dar. — Não se segura... eu dou um jeito.
— Eu tampo a sua boca se precisar. Pode deixar — ele respondeu, e antes que eu pudesse retrucar, ele me calou com um beijo devastador enquanto se posicionava.
O choque dos corpos era abafado, mas intenso. Dava para ouvir o som da pele batendo contra a pele, um estalo úmido e rítmico que ecoava no ambiente fechado do carro. Jonas estava me dominando, usando sua força para me manter firme enquanto me explorava com uma vontade primitiva. Cada investida dele me fazia cravar as mãos nos seus ombros, tentando segurar o grito que subia pela minha garganta.
Eu sentia o suor escorrer pelo meu peito, misturando-se ao dele. O cheiro dentro do carro era de puro sexo, um aroma pesado e inebriante. Jonas não tinha pressa, mas agia com uma voracidade que me deixava em transe. Ele cumpria minha ordem: não parava, não hesitava, gastando cada grama daquela tensão que tínhamos construído desde o primeiro toque na areia da praia.
Ali, naquele estacionamento comum, dentro de um carro parado, estávamos vivendo o ápice do que o "agora" poderia oferecer. Eu me perdi nos movimentos, no calor absurdo e na sensação de ser completamente possuído pelo homem que, horas antes, apenas me admirava sob o sol. E agora eu estou em suas mãos, poucos centímetros de ter esse homem todo dentro de mim...
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Oi, leitores! Tudo bem com vocês?
Espero, de coração, que estejam gostando do conto e da forma como essa história vem sendo construída. Confesso que tenho gostado muito de compartilhar um pouco da minha intimidade com vocês; essa troca tem sido especial pra mim.
Queria pedir uma ajuda que é realmente importante. Sei que muita gente não tem cadastro no site, e isso não é um problema. Mas, se puderem, deixem comentários, avaliações ou até sugestões sobre o conto. O feedback de vocês faz toda a diferença.
Pra quem não tem cadastro e ainda assim quiser falar comigo, estou deixando meu e-mail (berblanco@yahoo.com) disponível. Fiquem à vontade para escrever; opiniões sinceras são sempre bem-vindas.
Peço também, com carinho, que avaliem o conto usando as estrelinhas aqui embaixo, seja neste capítulo ou nos anteriores. Essas notas me ajudam muito a entender se a linguagem está funcionando, se a narrativa está envolvente e qual público estou alcançando, especialmente quando falamos de literatura.
Desde já, agradeço demais a presença e o apoio de vocês. Nos vemos no próximo capítulo. 💫