Sigo para a tenda do Comandante Yai com o conjunto de xadrez, como ordenado. Passo pelos servos e soldados que se reúnem para jogar. Muitos me convidam para participar, mas sorrio e recuso.
Quando abro a cortina da tenda, o Comandante Yai já está lá dentro à minha espera. Ele está sentado de pernas cruzadas sobre a esteira de junco. A lanterna acesa está posicionada um pouco mais afastada, ao seu lado. Suas espadas repousam na cabeceira da cama, como sempre.
— Sente-se — ele ordena.
Acomodo-me à frente dele, deixando um espaço considerável entre nós. O Comandante Yai fixa seus olhos perspicazes em mim. Isso me faz baixar o olhar para o peito dele, com medo de encará-lo.
O peito nu do Comandante Yai está bronzeado pelo sol. Desvio meus olhos para o seu braço. A tatuagem que desce do ombro até o pulso me lembra os guardas do reinado do Rei Narai, o Grande. Embora Seehasingkorn não se submeta ao Reino de Ayutthaya no momento, julgando pelas roupas, acessórios e utensílios, acho que a cultura deles é influenciada pelos países vizinhos — da mesma forma que a cultura tailandesa sempre foi influenciada por Khmer, Mon, Laos, Mianmar e até China e Índia.
— Disseram que você joga com pedras.
— Xadrez — digo eu. — Pode chamar de tabuleiro de xadrez, já que deveríamos jogar em um tabuleiro, pois é mais confortável para mover as peças. Usei um pedaço de pano porque é tudo o que consegui encontrar. Gostaria que eu explicasse as regras, Comandante Yai?
Quando ele assente, apresso-me a posicionar o que trouxe. Estendo o pano de xadrez entre nós e organizo as pedras brancas e pretas em lados opostos. Dezesseis pedras de cada lado em linha. Duas fileiras em suas posições, tanto do meu lado quanto do lado dele.
Meu coração dispara quando os lábios dele se curvam enquanto coloco um Cavalo no lugar. Escolhi uma pedra comprida e pintei a ponta para lembrar um cavaleiro.
— Estas pedras devem ser divididas por cores para marcar as peças dos dois jogadores. Nós as chamamos de peças de xadrez. Elas parecem diferentes umas das outras devido aos seus movimentos.
Aponto para uma pedra.
— Esta é pequena e redonda. Eu a chamo de peão. Cada jogador tem oito peões. Eles se movem verticalmente para frente, uma casa por vez, assim.
Deslizo um peão uma casa para frente. O Comandante Yai assente em silêncio. Explico as regras e os movimentos de cada peça. Os Peões movem-se para frente e capturam na diagonal. As Torres movem-se na horizontal ou vertical. Os Cavalos movem-se em formato de "L" e podem pular outras peças. A Rainha move-se na diagonal. Os Bispos movem-se uma casa na diagonal e uma para frente. Os Reis movem-se uma casa em qualquer direção.
— O Rei é a peça mais importante. Você precisa ter cuidado, porque o Rei é o equivalente ao comandante supremo. Se o Rei for capturado, significa que o comandante supremo foi morto. Não importa quantas peças restem no tabuleiro, você perde — explico.
O Comandante Yai parece maravilhado com as regras. Ele estuda cada peça em contemplação por um momento e comenta:
— É uma estratégia militar.
— Exatamente como o senhor disse — sorrio para ele. — Um exercício para o cérebro. Enriquece a mente. — Você entende dessas coisas?
O jeito que o Comandante Yai estreita levemente os olhos me pega desprevenido.
— Oh... espere, Comandante Yai! — exclamo. — É apenas um jogo... quero dizer, é uma brincadeira para entretenimento. Por favor, não veja isso de forma negativa e presuma que sou um espião ou um estrategista militar ou algo assim. Não possuo tal inteligência. Sou um mero plebeu, e minha cidade não tem sede de conquista!
— Eu não disse uma palavra. Por que está tão nervoso? — O Comandante soa simultaneamente divertido e irritado. — Quanto à sua inteligência, eu a conheci quando você avançou estupidamente contra o javali.
— Estupidamente? — repito a palavra dele. — Estupidamente ou agilmente? Por favor, defina claramente, Comandante Yai.
— Estupidamente — ele enfatiza.
Encaro-o, querendo xingar, mas as palavras somem. Uma onda de emoções transborda no meu peito. Sinto-me magoado e chateado. Será que ele tem ideia de que fiz tudo aquilo por ele?
— O senhor tem razão — retruco para o meu eu lamentável. — Sou estúpido como o senhor disse. Pessoas inteligentes não fariam algo assim, não é?
Ele fica em silêncio por um momento e continua:
— Por que não pegou a lança? Eu deveria te chamar de inteligente pelo que fez? Se aqueles servos não tivessem aparecido, você teria derrubado o javali trombando com ele?
Pressiono meus lábios e baixo o queixo, não querendo ver o rosto dele. Ele tem um ponto, mas eu não queria ouvir apenas reprimendas. Desde que o conheci nesta vida, ele não disse uma única coisa positiva sobre mim.
O Comandante Yai murmura:
— Seu único traço bom é sua coragem cega.
Levanto a cabeça num solavanco.
— Sim, eu acho você corajoso — o Comandante Yai enfatiza e balança a cabeça com cansaço. — Agora, pare de fazer essa cara de quem vai chorar. Isso me irrita.
Assinto rapidamente, sem saber por que o pequeno elogio dele espanta mais da metade da minha amargura. Foco no jogo de xadrez e começo permitindo que ele faça o primeiro movimento. Jogo casualmente, como alguém experiente, enquanto o Comandante Yai leva muito mais tempo que eu para decidir cada jogada. Ele aprende rápido. Mas, como esta é sua primeira partida, eu tenho a vantagem.
— Oh... Oh, se o senhor fizer um movimento imprudente desses, perderá sua peça para mim, Comandante Yai.
Capturo a torre dele com meu cavalo e a coloco de lado com um barulho um pouco alto, por pura satisfação... Hum? Ainda vai me chamar de estúpido? O Comandante Yai resmunga, irritado por perder a torre. Ele toca o queixo com os dedos e estuda as peças no pano com mais intensidade.
Aproveito a chance para observar o rosto dele. Os cílios do Comandante Yai são grossos e longos. Pena que não são curvados; do contrário, seus olhos seriam mais ternos e doces. Ele seria um comandante com cílios lindos. Honestamente, embora o Comandante Yai e o Khun-Yai sejam parecidos, noto diferenças sutis agora que vejo seus traços de perto.
Não há muito o que dizer sobre a segunda rodada: ele perdeu de novo, porque nossa experiência não está no mesmo nível. Eu não facilito para ele. Por que facilitaria? Ele é melhor que eu em quase todos os aspectos de sobrevivência nesta era. Deixe-me ter ao menos uma coisa para equilibrar a superioridade dele.
Na terceira rodada, o Comandante Yai começa a pegar o jeito. Ele está mais prudente ao lidar com as situações e terminamos o jogo empatados, em parte por causa do meu descuido. Eu me distraí várias vezes. Quando a rodada acaba, decido encerrar por hoje.
— Comandante Yai, estou com sono — digo a ele. — Vou me retirar para descansar na minha carroça agora.
O Comandante Yai franze a testa como se eu tivesse dito algo errado. Ele obviamente quer continuar jogando.
— Por que está com sono tão cedo?
— Eu simplesmente estou, Comandante Yai. É cansativo usar o cérebro por tanto tempo.
Bocejo e lanço um olhar para a cama dele, o colchão grosso sobre o tapete.
— Ou o senhor prefere que eu continue jogando até cair no sono aqui dentro? O senhor decide.
Ele responde sem pensar:
— Vá dormir na sua carroça.
Sinto vontade de revirar os olhos, mas me contenho. Por que ele é tão protetor consigo mesmo? O que eu poderia fazer além de olhar? Se ele pudesse engravidar só de ser encarado, aí seria outra história. Junto as peças no pano de xadrez e me afasto. Antes de eu sair pela cortina, o Comandante Yai fala:
— Espere.
Eu me viro e o vejo sentado no colchão. Ele segura algo na mão e atira para mim. Eu pego e olho: é um frasco de cerâmica em forma de um pequeno vaso.
— Um óleo essencial para dores musculares — diz ele. Notando minha expressão confusa, continua: — Passe onde dói.
Meu rosto de bobo se ilumina instantaneamente. Seguro o frasco na palma da mão como se fosse um objeto valioso.
— Massa... quer dizer, muito obrigado, Comandante Yai. Vou usar bem. Vou ficar esfregando... e esfregando no meu corpo todo dia.
O Comandante Yai me olha com uma cara de "não tenho paciência para isso", como se estivesse falando com um louco, e me dispensa com um gesto de mão. Naquela noite, durmo na carroça com o Capitão Mun como de costume, mas com o coração bem menos pesado. Não acho que as coisas serão tão suaves e agradáveis quanto foram na era do Khun-Yai, mas ao menos quero essa esperança para o meu coração se agarrar.
Na noite seguinte, eu e meu conjunto de xadrez somos solicitados novamente na tenda do Comandante. Desta vez, trago um elemento especial. Passei o dia pensando que isso me ajudaria a tirar mais proveito da situação, já que o Comandante Yai não é tão experiente e tem grandes chances de ser derrotado em várias rodadas.
É o licor de Baan Thung Hin que pedi dos suprimentos. Minha desculpa foi que eu o serviria ao Comandante. Não... não pretendo deixá-lo bêbado, já que aprendi que ele é resistente. Eu só quero animá-lo e deixá-lo relaxado. Isso pode derrubar os muros entre nós e nos fazer abrir o coração um para o outro.
O Comandante Yai já está me esperando. Ele levanta a sobrancelha ao notar o tubo de bambu com licor na minha mão.
— O perdedor bebe uma dose. Não tem graça se a gente só jogar. Vamos fazer uma aposta — digo.
O Comandante Yai me encara como se quisesse perfurar meu crânio e ler meus pensamentos. Assustado, balbucio:
— Bem... se o senhor não concordar, não precisamos fazer isso.
— Que sejam duas — diz ele. — Uma dose é inútil.
Uau... ok. Sento-me oposto a ele, estendo o pano e organizo as peças. Olho para ele e despejo o licor no copo ao lado do tabuleiro para lembrá-lo da punição do perdedor.
O jogo começa comigo. O Comandante Yai parece pronto para a batalha hoje. Ele não move mais as peças aleatoriamente como na outra noite. Está mais discreto e melhor em ler os próximos passos do inimigo, embora demore às vezes. Espio o rosto dele sempre que surge uma chance. Olhe para ele... franzindo a testa de um jeito adorável. Sinto vontade de massagear a testa dele com meus dedos para relaxá-la, mas duvido que teria uma boa reação.
— Hum... tem certeza de que vai fazer isso? — provoco-o quando ele hesita em mover uma peça. — Pense bem, Comandante Yai. Se o senhor for descuidado ou cometer um erro, eu vou... capturá-lo.
Abro um sorriso convencido com o meu flerte descarado. Sempre quis fazer isso e finalmente tive a chance. No entanto, ele consegue prever meu movimento. Ele sacrifica seu bispo para afastar o rei da minha peça.
O Comandante Yai levanta o olhar e sorri, os olhos brilhando sob a luz tremulante da lanterna.
— Não vou deixar você me capturar tão facilmente, Jom.
Meu coração vacila como uma folha soprada pelo vento, mas não é o vento que o sopra. É o sorriso dele. Limpo a garganta para espantar esse sentimento e me concentro em outra coisa.
O Comandante Yai tem uma beleza marcante e rústica. Ele possui uma estrutura facial bem definida de um homem tailandês do passado: nariz longo, sobrancelhas cerradas, olhos perspicazes e ferozes. Por outro lado, a estrutura de Khun-Yai é mais delicada, especialmente os olhos que herdou de Khun-Kae — límpidos e sonhadoramente afetuosos.
Um tempo depois, encurralo o Comandante Yai.
— Xeque-mate — sorrio, encerrando o lance com meu cavalo. — Eu o venci.
O Comandante Yai faz um som na garganta em sinal de admissão, enquanto eu ostento um sorriso convencido. Ele exige outra rodada imediatamente, e eu não recuso.
— Seu anel é lindo. Nunca vi um anel como este.
O Comandante Yai olha para o anel e volta os olhos para o jogo. É um anel com o topo em forma de cabeça de leão, segurando uma gema branco-acinzentada entre as presas.
— Eu o consegui durante a batalha de Ban Rahaeng. Sua Alteza Real, o Príncipe Seeharaj, presenteou-me por termos alcançado a vitória.
— Ban Rahaeng... — murmuro, pensando. — Não conheço essa cidade.
— Naquela época, eu me voluntariei para ser o capitão da unidade de vanguarda para lutar contra o exército de Mianmar, que tentava tomar as cidades no caminho de Seehasingkorn até Ban Rahaeng. Eles esperavam anexar desde o Reino de Tak até o Reino de Ayutthaya.
Eu paro, meus olhos se arregalando com a informação inesperada.
— Seehasingkorn faz fronteira com o Reino de Tak?
O Comandante Yai faz um som afirmativo baixo, com os olhos fixos no pano de xadrez, enquanto uma excitação percorre todo o meu corpo.
— E... o senhor já travou guerra contra o Reino de Tak? — Tento manter a voz firme. — Quem é o governante do Reino de Tak? É o Rei Taksin?
Desta vez, o Comandante Yai levanta os olhos para mim.
— Nunca ouvi esse nome. Embora Seehasingkorn faça fronteira com o Reino de Tak, nunca travamos guerra uns contra os outros. Maha Thammaracha, do Reino de Ayutthaya, também nunca nos atacou. Sua pergunta é bastante estranha. O que você sabe?
...Isso é o suficiente.
Reprimo o turbilhão de emoções no meu peito. Se o Reino de Tak ainda não é governado pelo Rei Taksin e o rei de Ayutthaya neste período é Maha Thammaracha, significa que estou no Final do Período Ayutthaya, anos antes da segunda queda do reino.
Engulo em seco e forço um sorriso para disfarçar meu comportamento suspeito.
— Nada — balanço a cabeça. — Acho que confundi as coisas. O senhor sabe que sou de outra terra, não daqui de perto.
Embora ele esteja visivelmente desconfiado, o assunto é encerrado porque eu o distraio com o jogo. Funciona. Agora ele precisa lutar contra minha ofensiva; se ele piscar, perde.
A primeira rodada termina em empate porque eu ainda não me recuperei da descoberta sobre a época para a qual viajei. Bebemos uma dose cada, já que ninguém venceu. Eu faço uma careta, lembrando o quanto o licor é forte. Só um gole queimou minha garganta. E agora entornei uma dose inteira. Tento me recompor para a próxima rodada, com relativo sucesso. Ainda não perdi a consciência totalmente.
— Espera aí! — disparo, percebendo que a peça do Comandante Yai mudou magicamente de lugar sem ser o turno dele. — Essa peça estava ali agora há pouco. O senhor a moveu, Comandante Yai?
Ele se recusa a admitir.
— Seus olhos estão pregando peças em você?
— Não — objeto, confiante. Eu ia capturar aquela peça e ela se moveu do nada. — Eu virei para coçar o braço, mas quando olhei de volta, ela tinha mudado de lugar. Ela definitivamente se moveu. Eu sei disso.
Ele esfrega o nariz de forma suspeita. ...Meu Deus, o Comandante Yai trapaceou!
— Uau... Comandante Yai, o senhor não pode simplesmente trapacear na cara dura assim — exclamo, irredutível. — O senhor perdeu esta rodada!
— Que seja, então. Eu não me importo — ele estala a língua como se não fosse nada demais. — Na batalha, Jom, escute: embora você seja ensinado de uma certa maneira, não pode ser totalmente fiel a isso. Se você busca a vitória, precisa de esquemas.
...Inacreditável!
— Pare de dar desculpas, Comandante Yai! Aquilo é guerra. Isso aqui é xadrez, algo que jogamos por diversão. São coisas diferentes, e o senhor trapaceou. Beba quatro doses, ou vou contar para todo mundo que o senhor trapaceou!
Dito isso, fico de joelhos para me levantar, coloco as mãos em concha sobre a boca e grito em direção à cortina da tenda:
— Pessoal... pessoal, escutem! O Comandante Yai trapaceou no xadrez!
O Comandante Yai me agarra imediatamente. Ele puxa meu corpo contra o peito dele e cobre minha boca com a mão. Meus olhos se arregalam de choque. Minha têmpora toca a bochecha dele, minhas costas estão coladas no seu peito, enquanto o braço dele se aperta ao meu redor para me manter no lugar.
— Por que raios você estava gritando aquilo?
Ele força a voz, inclinando a cabeça para falar comigo, tão perto que meu coração dispara.
— Tudo bem, eu bebo seis doses por você, então cale a boca.
Assinto em concordância. O Comandante Yai retira a mão e o braço. Apoio as mãos no chão, tentando respirar, e afasto meu corpo do abraço dele. Meu nariz roça o pescoço do Comandante Yai e, por coincidência, eu inspiro naquele momento.
Sem um pingo de vergonha, cheiro o pescoço dele. Foi instintivo, não planejado. Se eu tivesse tido um segundo para pensar, teria me controlado. Após sentir o perfume dele por menos de um minuto, eu enlouqueço. Não consigo mais me concentrar. O Comandante Yai usa perfume destilado de folhas de cannabis? Por que isso domina e cativa tanto o meu coração?
Não consigo nem buscar um empate nesta rodada, muito menos encurralá-lo como no jogo anterior. Como resultado de ter sido enfeitiçado pelo cheiro de um guerreiro, perco para o Comandante Yai no segundo jogo e tenho que virar duas doses conforme apostamos. Não ganhei nada com isso. Sinto-me tonto, minha visão começando a embaçar.
Sou totalmente derrotado na terceira rodada e bebo mais duas doses. Minha consciência flutua como fumaça, e só consigo observar a mão do Comandante Yai mover as peças sem sequer precisar se defender. Minhas peças são capturadas continuamente, e logo ele me dará o xeque-mate.
— Jom, por que não corrige seus movimentos com inteligência? — O Comandante Yai ostenta um sorriso de mofa. — Estou esperando para ver como você pretende capturar meu rei.
Olho para o rosto dele. Como alguém pode ser tão atraente até mesmo provocando? Seus lábios são lindos. Seus olhos são lindos. Desvio o olhar para as mãos dele... Que loucura. Até aquelas mãos grandes são bonitas. Encaro as mãos do Comandante Yai com saudade, desejando tocá-lo da forma como costumava fazer. O Comandante não tem ideia de que está me seduzindo. Começo a respirar pesadamente, tentando ao máximo me conter. Não... cheguei ao meu limite!
Agarro os pulsos dele. O Comandante Yai se assusta e livra as mãos imediatamente.
— Ei! O que você está fazendo?! — ele brada.
Eu não desisto. Minha determinação é assustadoramente forte. Avanço para segurar seus pulsos novamente, meus joelhos caindo sobre o pano de xadrez e derrubando as peças. Tento agarrar seus braços, mas o Comandante Yai me empurra e se levanta. Meu corpo escorrega da cintura dele para as pernas. Seguro sua coxa com força, como uma sanguessuga.
— Solte minha perna!
— Não! — grito, de olhos fechados. — Não importa se é nesta vida ou na próxima, eu nunca vou te soltar!
— Que bobagem você está falando?! O que tem a ver essa sua maldita vida?
Ele tenta me sacudir, mas falha.
— Eu não estou louco. Estou falando a verdade! Você não se perguntou por que eu já te conhecia, mesmo quando você nunca tinha me visto? Eu vou te contar. Nós costumávamos ficar juntos. Você era meu amante em outra vida. Mesmo que você não se lembre de mim nesta vida, eu não consigo te esquecer. Eu te amo... Eu te amo tanto que meu coração está prestes a explodir. Por favor, não seja tão cruel comigo, Comandante Yai.
— Ai-Jom, solte-me agora.
— Me ame primeiro.
— Argh! Maldito seja você!
Na última tentativa fracassada de manter a consciência, acho que sou arrastado para fora da tenda. Ouço pessoas gritando. Meu corpo se move obedientemente para onde sou puxado e, então, apago completamente.
Pela manhã, abro os olhos na carroça de bagagem, como sempre faço. Pisco e aperto os olhos contra a luz do sol, sentindo tanta dor que preciso esfregá-los para aliviar o desconforto. Minha cabeça está pesada, como se houvesse um monte de pedras no lugar do cérebro.
Quando me forço a levantar a cabeça, levo um susto. O Capitão Mun está deitado de lado, com a cabeça apoiada na palma da mão, encarando-me.
— Ugh, Capitão Mun, o senhor me assustou.
Minha voz está rouca devido à garganta ressecada. Meu corpo inteiro dói.
— Hum. —
O Capitão Mun assente e se vira para me passar um tubo de bambu com água.
— Beba isso.
Bebo a água até me sentir melhor e devolvo o tubo com um agradecimento.
— Você estava bêbado como um tolo ontem à noite — diz o Capitão Mun.
Desvio o olhar, envergonhado, e tento abrir caminho entre as "pedras" na minha cabeça para lembrar o que aconteceu. Lembro-me de algumas situações enquanto jogava xadrez com o Comandante Yai. Recordo-me de perder para ele repetidamente e de virar dose após dose. O que aconteceu depois disso é um borrão, porque eu estava bêbado. Meu coração afunda quando lembro vagamente de ter me agarrado à perna do Comandante. Mas não tenho certeza.
— E eu... Ah, o que eu fiz?
— Você apagou e falou dormindo. Tive que te carregar para fora da tenda do comandante.
— Hum...? — De repente, sinto-me sóbrio.
Será que fiquei bêbado, dormi durante o jogo e tive um sonho maluco? Seria embaraçoso, mas não tão ruim quanto o que eu temia.
— Eu não disse nada estranho enquanto dormia, disse, Capitão Mun?
— Não. — O Capitão Mun balança a cabeça.
Ufa... que alívio. Eu estava com medo.
— Mas — o Capitão Mun continua — antes de você apagar e eu ter que te arrastar para fora da tenda, eu ouvi perfeitamente: no momento em que o comandante te despregou da perna dele e te empurrou para mim, você disse que o amava.
...Isso é um desastre. Minha vida está condenada.
