Virei Escravo da Minha Madrasta - Parte 2

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 2984 palavras
Data: 27/01/2026 15:08:07

Um mês se passou desde o contrato no jantar, e eu havia descoberto que meu pai, apesar de tudo, havia me poupado de um tipo de inferno: o inferno do trabalho.

Não era a academia, onde o cansaço tinha um propósito vazio, mas glorioso. Era um cansaço sujo, que entrava nos ossos e ficava. O sol queimava minha nuca enquanto eu mexia a terra, minhas mãos, antes cuidadas, agora estavam calejadas e com arranhões das podas. Eu conhecia cada centímetro daquele jardim imenso, cada praga, cada erva daninha que teimava em nascer. O cheiro de grama cortada, que antes me remetia a dias preguiçosos, agora era o cheiro da minha prisão.

E Clara... Clara era a carcereira. Implacável. Uma sombra silenciosa que aparecia para inspecionar. Uma olhada na piscina, avaliando se não tinha alguma folha caída na água. Um olhar crítico para um canto do gramado que, aos meus olhos, estava perfeito. Ela nunca levantava a voz, apenas anotava meus erros mentalmente.

Aquela noite, a exaustão era um peso nos meus ombros. Tinha passado a tarde toda capinando um canteiro sob um sol implacável. Minhas costas doíam, minhas mãos formigavam. Desci para a cozinha, o reino que eu também já dominava, ou melhor, servia. Ia pegar uma garrafa de água e subir, desabar na cama.

Ela estava lá. Parada no meio da cozinha, iluminada pela luz fria da geladeira aberta. Vestia uma camisola de seda azul escura, tão curta que eu conseguia ver com perfeição a polpa de sua bunda grande, tão decotada que seus peitos ficavam saltados. Seus cabelos soltos, algo raro, caíam em ondas escuras sobre os ombros. Parecia... humana. Por um segundo.

- A manteiga com sal - a voz dela, plana, cortou o silêncio como uma faca.

Eu parei, encarando a garrafa de água que segurava.

- O quê?

Ela fechou a porta da geladeira lentamente e se virou para mim. Seu rosto estava sereno, mas os olhos, aqueles olhos claros, eram dois pedaços de gelo.

- Na lista de compras da semana estava escrito claramente: manteiga com sal. Você trouxe sem sal - ela cruzou os braços. - Além disso, já que estou apontando suas falhas, a grama do jardim está muito alta. Parece que está fazendo seu trabalho com desleixo.

Algo dentro de mim estalou. Aquele fio fino que ainda sustentava minha sanidade, puxado dia após dia pela humilhação, pelo cansaço, pela presença constante e opressiva dela, simplesmente arrebentou.

- Você tá de brincadeira? - minha voz saiu rouca, carregada de um veneno que fervilhava há um mês. - Você está falando de manteiga? Eu andei dez quarteirões carregando aquelas malditas sacolas porque você dispensou o motorista e não me deixa usar nenhum dos carros! Eu fiquei três horas no sol cortando grama! E você vem me encher o saco porque a grama está muito alta e porque a porra da manteiga está sem sal?!

Eu dei um passo à frente, jogando a garrafa de água na pia com força. Ela nem se moveu.

- É isso que você faz o dia todo? Fica aí, nessa casa que nem é sua de verdade, inventando falhas? Procurando pelo em ovo para me torturar? Não basta ter tomado tudo, você tem que ficar esfregando na minha cara que eu sou seu empregado?

As palavras jorravam, torrenciais, amargas. Todo o ódio, a frustração, a sensação de impotência, encontraram voz.

- Você é uma piada! Uma vagabunda interesseira que deu golpe em um velho! E agora acha que é uma rainha? Que pode me mandar, me humilhar? Você não é nada! Não é ninguém! Só uma puta cara com um papel de herança na mão!

Aa palavras ecoaram na cozinha silenciosa. Então eu vi, finalmente. Um pequeno tremor no queixo. Um estreitar dos olhos. Eu havia conseguido tirá-la do sério.

Ela se moveu rápido. Tão rápido que eu não pude reagir. A mão dela, aberta, cortou o ar e encontrou minha face com um estalo seco e alto que pareceu reverberar em todos os meus ossos. A dor foi aguda, instantânea, mas foi ofuscada pelo choque absoluto. Eu nunca, em toda a minha vida, tinha levado um tapa. Fiquei paralisado, a bochecha ardendo, o gosto metálico do sangue onde meu dente cortou a parte interna da boca.

Meus olhos, arregalados, encontraram os dela. E o que vi me congelou. Não era raiva descontrolada, era uma fúria concentrada. Era o olhar de alguém que não apenas detestava o que eu era, mas desprezava cada molécula do meu ser.

- Chega - a voz dela não era um grito. Era um sibilo, baixo e mais aterrorizante do que qualquer berro. - Chega de ser esse moleque mimado, esse lixo ingrato que acha que o mundo te deve algo.

Ela deu um passo à frente. Eu, involuntariamente, dei um passo para trás, minhas costas encontrando a borda fria da pia.

- Você acha que isso é humilhação? Você acha que isso é tortura? - ela riu, um som seco e sem humor. - Isto foi um mês de folga. Um mês de adaptação. E você falhou espetacularmente.

Seu olhar percorreu meu corpo suado, minha roupa suja de terra, meu rosto ainda marcado pela mão dela, com um desprezo que me fez querer sumir.

- O acordo de seis meses pelo Porsche está cancelado. Anulado. Você não mereceu nem esse um mês de crédito.

Meu coração pareceu parar.

- O quê? Não! Você não pode...

- Eu posso! - a explosão de voz foi tão súbita e poderosa que me fez encolher. Ela recuperou o fôlego, o controle voltando aos poucos, mas a intensidade permanecendo. - Eu estabeleço as regras. Eu sou a autoridade aqui. E você, Daniel, é nada. Menos que nada. É um estorvo que eu tolero por... educação e comodidade.

Ela se aproximou mais, eu podia sentir o calor do corpo dela, sentir o cheiro do seu perfume amadeirado misturado com o de sabonete. Era uma intimidade violenta, invasiva.

- A partir de agora - ela disse, articulando cada palavra com uma clareza que doía -, além de todas as suas tarefas diárias, você vai se dirigir a mim apenas como “Senhora”: sim, senhora, não, senhora, como a senhora deseja. Esse é o único pronome ou tratamento que você vai usar para mim. Está absolutamente claro?

Um riso escapou de mim. Foi um som curto, seco, nascido do cansaço, da raiva e do absurdo total daquela situação. Meus lábios se retraíram em um sorriso de descrença.

- Isso... isso é uma piada, né?

O movimento dela foi um borrão. Eu era mais alto, fisicamente muito mais forte, mas nada na minha estrutura treinada na academia reagiu a tempo. Os dedos finos dela, frios como mármore, se fecharam no meu queixo, comprimindo a carne contra os ossos com uma força surpreendente, forçando minha boca a se calar e minha cabeça a ficar imóvel. A dor foi aguda e humilhante.

Ela puxou meu rosto para perto do dela, e eu, pego de choque, me deixei dobrar. O absurdo físico da cena era gritante: eu, um homem grande, sendo fisicamente dominado e contido por uma mulher mais baixa, que nem precisou se erguer na ponta dos pés. Sua presença, no entanto, naquele momento, era mil vezes mais imponente do que qualquer estatura.

Seu rosto estava a centímetros do meu. Senti seu hálito. Um sopro quente, surpreendentemente doce. Ela falou, num sussurro que era mais íntimo e mais ameaçador do que qualquer grito. As palavras, envoltas naquele hálito doce, entraram em mim como dardos envenenados.

- Parece que estou rindo, Daniel?

O orgulho, reduzido a cinzas, tentou um último suspiro. Mas o cansaço, a derrota, o medo daquela mulher e daqueles olhos... eram mais fortes.

Minha boca se abriu. Nada saiu. A palavra era um nó na garganta, um veneno que eu teria que engolir para sobreviver.

Eu fechei os olhos. A bochecha ainda latejava. O gosto do sangue na boca era amargo. E quando as palavras saíram, elas não foram minhas. Foram de um estranho, de um escravo, de um homem que tinha acabado de morrer ali, naquela cozinha.

- Já entendi, senhora.

O silêncio que se seguiu foi total. Clara observou por um longo momento, como um cientista observa uma rara e repulsiva amostra que finalmente reagiu ao estímulo desejado.

- Melhor. Bem melhor - ela disse finalmente, a voz voltando à sua placidez aterradora. Me soltou e se afastou de mim. - Amanhã, você acorda às cinco. A grama será cortada novamente. E você vai ao mercado comprar manteiga com sal. Agora, limpe essa bagunça que você fez na pia e vá para o seu quarto. Não quero ouvir um único ruído.

Ela se virou e saiu da cozinha, desaparecendo na penumbra do corredor.

Eu fiquei ali, encostado na pia, tremendo. A água da garrafa derramada escorria lentamente pela bancada. Olhei para o reflexo borrado no aço escuro do forno. Um homem sujo, com o rosto vermelho e os olhos assustados de um animal acuado me encarou.

Ali, naquele silêncio opressivo, com o eco da palavra “Senhora” ainda queimando meus ouvidos, eu entendi.

A guerra não tinha acabado.

Algumas semanas depois, uma oportunidade surgiu como um milagre de segunda categoria. Clara anunciou pela manhã, sem nem olhar para mim, que teria "assuntos" na cidade o dia todo. O que importava era que ela não voltaria antes do anoitecer.

O ar da casa, normalmente carregado pela presença opressiva dela, parecia de repente respirável. E naquele vácuo de autoridade, a única coisa que me veio à cabeça, com uma urgência quase animal, foi Paloma.

A influenciadora com quem eu estava namorando há alguns meses. Bonita de um jeito genérico e caro, vazia, e tão interessada no meu nome (ou no que sobrou dele) e no meu cartão (que agora rangia de tão pouco uso) quanto eu estava interessado no corpo dela e no esquecimento temporário que ele proporcionava. Não nos víamos há semanas. Desde o funeral, na verdade. Ela mandou mensagens vagas, perguntando sobre "festas" e "viagens” e eu evitei responder. A vergonha da minha nova condição era um bloqueio maior que qualquer portão da mansão.

Mas naquele dia, a necessidade de provar para mim mesmo que ainda era alguém, que ainda podia ter algo que fosse meu, mesmo que fosse uma mentira combinada, falou mais alto. Liguei.

- Oi, gata, tudo bem? Estou morrendo de saudades. Dá um pulo aqui, estou sozinho.

A voz dela do outro lado era melada, previsível.

- Nossa, amor, que surpresa! Tava sumido, hein? Mas eu posso passar aí sim. Às três?

Duas horas depois, o portão eletrônico rangia anunciando o carro esportivo barulhento dela. Desci para abrir a porta da frente, me sentindo um impostor em meu próprio lar. Ela entrou, cheirando a perfume doce e caro, e seus olhos percorreram o hall de entrada com aquela avidez calculada que eu conhecia tão bem.

- E aí, playboy, cadê a festa? - ela disse, dando um selinho molhado na minha boca.

- Hoje é festinha privada. Só nós dois - respondi, tentando inflar uma confiança que não sentia. A puxei pela cintura, e ela riu, aquele riso de campainha que antes me soava como vitória e agora soava a esforço.

Paloma era baixinha, loira, mais nova que eu, esguia, toda magrinha. Eu nunca tinha gostado tanto assim das magrinhas, mas Paloma era linda.

Fomos para a sala de estar principal, aquele lugar imenso e formal que meu pai adorava para impressionar visitas. Naquele momento, ele me servia apenas como cenário para uma encenação patética. Paloma não perdia tempo. As mãos dela, com unhas perfeitas e longas, já desciam pelo meu peito, e a boca procurava a minha com uma familiaridade que eu não sentia há semanas.

Deitamos no sofá de couro e começamos a nos beijar. Me despi, meu corpo agora um pouco mais magro devido à falta da rotina de musculação. Minha rola já estava dura, ansiando pela boca da minha namorada. O boquete dela não era tudo isso, mas dava pro gasto, e eu estava precisando demais disso.

Ela se ajoelhou na frente do sofá e se encaixou entre minhas pernas, devorando a rola grande e grossa que eu ostentava.

- Ah, caralho! Que boquinha gostosa da porra - eu gemi.

Ela tentava enfiar a rola na garganta e não conseguia, sempre acabava engasgando na metade. Mas eu precisava tanto disso que já estava quase gozando na boca dela, mesmo com o boquete mixuruca que ela conseguia fazer.

Paloma era apenas um corpo quente e consentido, um espelho onde eu tentava desesperadamente ver o reflexo do Daniel de antes, do Daniel que importava.

Então a porta da sala se abriu.

Não houve barulho. Apenas o deslizar silencioso da porta de madeira maciça. E lá estava ela.

Clara.

Parada no vão da porta, imóvel como uma estátua. Vestia uma saia cinza impecável, sapatos de salto alto que não haviam feito um único ruído no caminho até ali. Na mão, segurava uma pequena bolsa de couro. Seu rosto não expressava surpresa, nem choque, nem raiva. Expressava... tédio. Um tédio profundo, monumental, como quem acaba de ver a mesma peça de teatro ruim pela centésima vez.

O mundo parou. Eu congelei, a respiração presa em um gemido truncado. Paloma, abaixo de mim, deu um pequeno guincho e se levantou, os olhos arregalados de pânico genuíno.

Clara deixou o olhar percorrer a cena. Meu suor, minha rola dura e pulsando, as roupas jogadas no tapete, a maquiagem borrada nos olhos de Paloma. Seus olhos claros, quando finalmente encontraram os meus, não tinham fogo. Tinham gelo. O gelo de um desprezo tão absoluto que era pior do que qualquer ódio.

Ela abriu a boca e falou. A voz era plana, clara, cortante como um bisturi em um ambiente estéril.

- Patético - a palavra pairou no ar. - Pelo menos depois trate de limpar tudo. E passe um pano no sofá.

Sem esperar resposta, sem alterar em um milímetro a expressão de tédio, ela se virou e saiu. Os saltos agora ecoavam firmes no corredor de mármore, subindo as escadas em direção aos seus aposentos. O som era a marcação cerimoniosa do fim do meu mundo.

O silêncio que ficou foi ensurdecedor. O encanto, se é que algum existiu, estava completamente quebrado.

- Meu Deus, Daniel - sussurrou Paloma. Seu rosto estava pálido, a excitação falsa substituída por um horror genuíno. - Quem era essa? Que situação horrível! Eu não aguento isso.

Ela se levantou, pegando suas roupas com movimentos bruscos, sem me olhar mais.

- Paloma, espera... - minha voz saiu fraca, quebrada.

- Não, Daniel. Isso me deixou muito desconfortável. Muito. E você tá super estranho, tá magro - ela me avaliou com os olhos. - Não sei se tá metido com droga ou algo assim. Mas é melhor a gente dar um tempo.

Ela não disse "até você resolver isso" ou "te ligo depois". Disse " darum tempo". No dicionário dela, e eu o conhecia bem, "um tempo" era o prelúdio do silêncio eterno. Em cinco minutos, ela estava arrumada, com o perfume ainda no ar mas o desejo completamente morto, e saiu pela porta da frente sem se voltar. O ronco do carro dela sumiu na distância, e eu fiquei ali, nu no meio da sala imensa.

A raiva veio então. Uma onda quente, ácida, que começou na boca do estômago e subiu até meu cérebro, turvando minha visão. Não era raiva da Paloma, pela sua covardia. Era raiva dela. Da Clara. Ela estragava tudo. Tudo! Até meu último refúgio, o último ato de autonomia que eu tinha, mesmo que fosse uma farsa, ela invadia e destruía com um olhar e uma palavra. "Patético". A palavra martelava em meus ouvidos. Meu pau, agora flácido e insignificante, era a prova física do adjetivo.

Subi as escadas como um touro encurralado, me enfiei no meu quarto e tranquei a porta. A respiração saía em golfadas curtas. Precisei de uma válvula de escape, de algo, qualquer coisa para extravasar aquele vulcão de ódio e frustração. Minha mão desceu pelo corpo, encontrando minha rola. Não era desejo. Era pura necessidade química de descarga. Fechando os olhos, as imagens se atropelaram.

A primeira foi de Paloma, com a boca em volta da minha pica, sugando e babando. Mas a imagem não se sustentou. Desbotou, como uma fotografia exposta ao sol. Em seu lugar, invadindo com a força de um trator, veio o rosto de Clara. O olhar de tédio. O lábio levemente torcido em um arremedo de desprezo. A postura rígida, impecável, intocada. "Patético."

Um choque percorreu minha espinha. Não era prazer. Era algo mais primitivo, mais escuro. Era raiva pura, combustível fóssil. Minha mão se moveu mais rápido, a pressão aumentando. A imagem na minha mente não era mais de dominação sobre Paloma. Era... era de submissão. De Clara de pé, olhando para mim, com aquele mesmo desprezo, enquanto eu... enquanto eu...

Um gemido gutural escapou de meus lábios. Não era de prazer, era de fúria. A cena se misturava: eu de joelhos, o olhar frio dela, a palavra "patético" saindo da boca dela como um chicote, e eu, aceitando, me alimentando daquela humilhação, transformando em algo... em algo necessário.

A onda de calor explodiu na minha barriga e se espalhou, violenta e suja. Gozei com um solavanco, a imagem final nítida atrás das pálpebras fechadas sendo os olhos claros de Clara, julgando, possuindo, destruindo o último pedaço do meu orgulho.

Abri os olhos, ofegante, o corpo coberto de um suor frio. A raiva ainda estava lá, mas agora misturada com um vazio aterrador e uma vergonha tão profunda que me fez encolher. Olhei para o teto, a respiração aos poucos se acalmando.

Ela não tinha apenas estragado a minha foda. Ela tinha invadido até a minha solidão. Até o meu ódio privado agora tinha o gosto e a forma dela. E o pior, o pior de tudo, foi que naquele momento de explosão cega, movido pelo ódio mais puro que eu conseguia sentir... Eu tinha usado ela para chegar lá.

(N.A.: Talvez essa temática não agrade a tantas pessoas assim aqui no site, mas, para quem estiver lendo, espero que esteja gostando! Imagino a Clara como a Cate Blanchett, kkkk)

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Comentários

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Muito bom o seu texto. A conquista da predadora está espetacular. Parabéns.

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