Largados e Pelados: A Viagem Escolar que Terminou em Uma Ilha Deserta! (Capítulo 35)

Um conto erótico de Exhib
Categoria: Heterossexual
Contém 3713 palavras
Data: 27/01/2026 15:01:57

O confortável silêncio pairava sobre a planície verdejante iluminada pelo Sol naquela tarde parcialmente nublada. A fogueira, bem menor agora, era apenas a memória da brasa ardente que atirava a fumaça pouco densa no ar. Carolina e Andressa conversavam baixinho a alguns metros de distância, deitadas uma ao lado da outra em um pufe de palha seca. Ao meu lado, Adrien rabiscava o chão com um graveto, distraído como eu também estava assistindo ali no chão o peitoral marcado de Guilherme se mover lentamente para cima e para baixo ao ritmo de sua respiração.

Lembrei das coisas que a gente fez hoje de manhã. Ainda sentia um incômodo bem leve ali no meio de minhas nádegas. Loucura que algo assim realmente ocorreu… Pensei com o rosto quente. Viajei olhando para seu abdômen trincado. Guilherme se mexeu um pouco, revelando mais de sua coxa torneada. Sob os fracos raios de sol, sua pele negra exibia um tom tão hipnotizante. Céus, como ele é gostoso… Pensei sentindo a consciência me abandonar cada vez mais.

A calma me pesou os olhos e o conforto relaxou meus músculos. Senti com as costas escoradas na rocha morna. Tudo escureceu por alguns minutos. Ouvia a voz distante de Carol e o relaxante som do vento. Me assustei bem de leve por um momento. Meu próprio ronco acordou-me por alguns segundos, mas imediatamente fechei os olhos de novo. Quantos minutos se passaram? dois? vinte? Não sabia e voltei a dormir.

Então, despertei naturalmente. Senti um leve desconforto no trapézio, consequência de passar tanto tempo naquela posição. Deveria ter me deitado como Guilherme. Percebi bocejando enquanto o via também levantar a cabeça e se espreguiçar ali deitado. Olhei para o lado. Adrien sumiu. Logo depois, ele surgiu em pé ao meu lado. Ele era mesmo um garoto bonito. Reparei inconscientemente na franja levemente bagunçada em sua testa e lábios rosados naquele rosto tão feminino para um cara.

— Já se passaram mais de meia hora e eles não voltaram ainda. — Adrien falou, trazendo-me de volta para a realidade.

Cambaleei tonto para me levantar. Tateei minha saia de folhas. Felizmente, as coisas ficaram em seu devido lugar ali embaixo. Guilherme mudou de posição e se deitou de lado. Ali em suas folhas, reparei por um segundo como seu pau estava marcado. Estava com uma ereção parcial. Pudera, ele acabou de acordar, afinal.

— Devem estar conversando bastante. — Guilherme disse com um bocejo. Esfreguei meus olhos tentando controlar minha mente que já cogitava o pior.

Cara, por quanto tempo eu dormi, afinal? Me questionei. Não tinha como saber ao certo. Bem, se Guilherme também sabia que Eric e Edward tinham saído, é porque acordou, recebeu tal informação de Adrien ou as garotas e adormeceu de novo. Porra, eu dormi tão pesado assim para perder isso? Me perguntei também e a resposta era óbvia. Andressa e Carol também não estavam mais onde me lembrava, mas distantes perto de uma das cabanas e conversando bem mais alto do que anteriormente.

— Você acha que eles estão conversando? — Perguntei a Guilherme. Ele deu de ombros como se não se importasse muito.

— Sobre o que será? — Adrien pensou alto. Parecia curioso também.

A mesma dúvida também pairava sob meus pensamentos. Eu bem tinha percebido que Edward surgiu como uma pedra no sapato de Eric. Ele estava nitidamente insatisfeito em ter por perto alguém tão politicamente habilidoso. Ao julgar por seu comportamento, sua frieza e fato de que não aparentava ter problemas para matar, admito, temi pela segurança do presidente. O garoto tinha motivos para tentar algo e desapareceu no meio da floresta sozinho com Edward que o acompanhou totalmente desarmado. Mais uma vez, me repreendi por pensar em algo assim, embora ainda arrependido por não ter impedido aquilo de ocorrer.

A demora devia se dever a conversa mesmo. Como Edward comentou anteriormente conosco, tínhamos novidades as quais ele necessitava saber… Mas porque foram sozinhos? Me questionei mesmo assim. O presidente encobriu suas intenções com sua simpatia magnética, mas também contribuiu para tal desfecho. Me lembrei. Também tinha aquele boato…

Porra, o que eu to pensando? Me repreendi novamente. Não queria acreditar que aqueles dois estivessem conspirando juntos de alguma forma. Não só me decepcionaria se Edward fosse esse tipo de pessoa, como também conseguia sentir o baque em meu orgulho.

Era estranho, mas, mesmo não sendo verdade aquilo tudo, senti um pouco de inveja daqueles dois. Eric e Edward… Eram os nomes das duas pessoas em que todos agora pensavam a respeito, como se fossemos apenas peões em uma trama maior e mais importante que apenas o presidente e o garoto mais estranho da sala pareciam conhecer.

Desde a escola, percebia, todos, especialmente as garotas, olhavam para Edward, o respeitavam e até ficavam tímidas em sua presença que exalava confiança e simpatia. Desde que chegamos no acampamento na margem do lago, reparei também como Eric se tornou rapidamente no centro das atenções. É claro, inicialmente, muito dela foi negativa, mas notei, quando as garotas todas se juntaram e começaram a conversar, muitos dos cochichos que ouvi quando passava perto delas eram sobre Eric. Dentre algumas coisas que escutei inicialmente, as palavras “estranho”, “assassino” e “psicopata” surgiram ali entre elas, mas, à medida que o tempo foi passando, logo elas mudaram os adjetivos para “corajoso”, “inteligente” e até “homem de verdade”.

Decidi. Eu tinha de ser mais proativo. A partir de agora, vou me impor também como aqueles dois. Eu seria uma figura inspiradora como Edward para todos ali. Se tinha algum tipo de jogo obscuro ocorrendo debaixo de nossos narizes, também queria ser um player e não apenas espectador. Para começar, confrontaria Edward sobre tudo aquilo.

Lembrei de quando questionei Eric sobre os boatos acerca da eleição. Aquele moleque teve a audácia de nem sequer me responder. O presidente me diria a verdade quando a sós com ele. Disso, eu precisava ter certeza.

— A quanto tempo aqueles dois saíram? — Andressa perguntou subitamente. Junto com Carol, também parecia impaciente.

— Já deve ter se passado quase uma hora. — Adrien respondeu.

A ansiedade estava me consumindo. Olhei para Guilherme que finalmente se levantou. Ele parecia assustado também. Só agora, provavelmente, percebera a gravidade da situação. Notei, Carol e Andressa também trocaram olhares preocupados. Engoli o seco e decidi agir:

— Eu vou atrás deles.

— O que? Não prefere esperar mais um pouco? — Guilherme perguntou surpreso. Neguei com a cabeça. — Beleza cara. Vou contigo então. — Ele se ofereceu de imediato.

— De boa. Melhor você ficar aqui. — Disse-lhe com o peito estufado e reunindo confiança. Fazia isso pelas garotas também. Adrien tinha a altura de Eric e um físico não muito trabalhado, Gabriel embora mais alto, era magro e sem muita atitude. Os dois e meu amigo seriam os únicos homens naquele lugar depois que eu partisse também. Era fácil decidir quem gostaria que ficasse para proteger Carol, Andressa e as outras meninas.

— Endoidou? Vai andar sozinho até o acampamento? — Andressa brigou comigo.

— Eu posso ir com você. — Adrien disse antes que pudesse respondê-la. As garotas pareciam mais tranquilas com aquilo, embora Carolina ainda me lançasse um olhar preocupado. Aquilo me desconcertou por um momento.

Entretanto, quando dei um passo para frente, vi duas sombras distantes. Finalmente, ao lado do rapaz alto e forte, o garoto mais baixo andava lentamente. Eram Edward e Eric. Suspirei de alívio, sentimento certamente compartilhado entre todos nós ali presentes. Esperamos aqueles dois se aproximarem pacientemente.

— Porra, vocês demoraram demais! — Guilherme brigou. Percebi, Eric estava levemente ofegante. Juntos, aqueles dois trouxeram duas bolsas enormes feitas de folhas e lotadas de objetos. O presidente nos lançou um meio sorriso.

— Era realmente bastante coisa para trazer, então fizemos uma pausa no caminho para descansar. — Edward disse de forma amigável.

— Já até sei. Afinal, quem teve essa ideia de mandar justo o Eric carregar peso? — Meu amigo disse. Rimos, entretanto, o fiz com desconfiança. Naquele momento, confirmei que aqueles dois realmente tinham conversado sobre algo. Havia um segredo ali.

Cerrei os punhos. Cansado de tudo aquilo, senti o ímpeto de confrontar Edward ali na frente de todos.

Entretanto, notei algo de estranho. Eric apenas se sentou ali perto, olhando para nós com indiferença e atenção. Pontual e inteligente como era, estranho uma desculpa tão esfarrapada. O que aquilo significava? O garoto sequer tentou complementar ou se justificar para nós, confiando apenas na capacidade persuasiva de Edward. Verdadeiramente não conseguiram pensar em nada melhor? Era Eric… Improvável. Aquilo foi de propósito. Mas por que?

Minha cabeça doía pensando na possível psicologia reversa daquele ato. Dar uma desculpa convincente soaria como planejamento de algo grande, enquanto que uma ruim soava como algo feito para encobrir um segredo bobo de menor importância. Seria isso?

Não. Percebi observando os olhos de Edward. Embora sorrisse, estava também preocupado. Já Eric, permanecia totalmente indecifrável.

Ele antecipou minha suspeita, talvez até estivesse tentando instrumentalizá-la. Soube na hora.

Merda, eu quase caminhei exatamente para onde Eric devia querer. Recuei. Queria ser proativo, mas, ainda assim, tinha de ser estratégico também. Se o objetivo daquele moleque era ver Edward desmoralizado frente a todos, eu não seria o peão que ele utilizaria para fazer aquilo acontecer. Respirei fundo e até senti medo. A minutos atrás, disse a mim mesmo que queria fazer parte do jogo de verdade, mas agora via o quão complexo ele realmente podia ser. Se não tomasse cuidado, seria engolido vivo por aqueles dois.

Pela primeira vez na vida, enxergava mais de Edward do que gostaria. Faltara com a verdade e eu sabia daquilo. Se Eric queria que isso ocorresse, era útil, embora eu não soubesse ao certo se intencional. Aparentando ser confiável, honesto e simpático, o presidente era da mesma laia daquele garoto estranho: um mentiroso manipulador. Não, talvez até pior… Eric ao menos era sincero sobre não ser uma boa pessoa. Talvez algo tenha mudado em Edward lá na floresta ou talvez ele sempre tivesse aquilo dentro de si. Se isso fosse verdade, eu era inocente demais por não ter percebido esse tempo todo.

Agora que finalmente reunidos, nos preparamos para ir investigar além daquelas montanhas. As garotas pareciam animadas e Eric muito focado. Levamos bolsas de folhas e cipó trançado, cabaças cheias de água, facas de pedra e outras ferramentas como martelos e picaretas. O objetivo, para Adrien, parecia ser apenas conhecer melhor os arredores, para as meninas, tomar um banho quente e, para Eric, investigar a suposta caverna lá perto das fontes termais. Também carregamos algumas daquelas tochas que Eric fez usando uma mistura de madeira gordura animal e vegetal, bem como sabonetes e um estoque generoso de óleo de babaçu perfumado que as garotas gostavam de usar no cabelo. O caminho, de acordo com Adrien, não deveria demorar mais de 20 minutos. Eu estava também curioso sobre o que encontraríamos lá, portanto, quando adentramos a mata, perguntei:

— Eric, o que você espera encontrar quando chegarmos, afinal?

Ele olhou para mim. Claramente notava minha desconfiança sempre presente. Como todos carregavamos aquelas bolsas enormes em nossas costas, praticamente vazias, era de se esperar que retornaremos ao acampamento com bastante material.

— Quem sabe? — Ele respondeu para minha surpresa. — Rochas ricas em metais como hematita, magnetita ou calcita… A argila e os cristais no lago me indicam algo assim, mas realmente só dá para saber ao certo indo para lá. — Complementou. Sua incerteza parecia genuína. Suspirei. Ele provavelmente faria algo de impressionante com o que quer que encontremos lá. Algo que serviria ao grupo, o que era bom e, ao mesmo tempo, devia ser de valia para que Eric ganhasse alguns pontos de confiança com todos. Acho que o melhor que podia fazer era ajudar na aquisição de tais recursos se também queria ser visto como alguém útil.

Bem, Eric certamente sabia como distrair a própria cabeça em um ambiente como aquele. É claro, suas ideias nos faziam trabalhar bastante durante todos aqueles dias, mas, admito, se não fossem por elas, provavelmente teria enlouquecido naquele lugar em que não muito além de comer, dormir e cagar no meio do mato restava para fazer.

Ainda hoje, eu às vezes olhava para o céu, esperava, torcia e rezava para que um helicóptero aparecesse ali. Antes de dormir, repetia para mim mesmo “eles vão nos achar amanhã”, mas, de novo, nada acontecia e vivia um dia após o outro naquele lugar. Prosseguimos andando no meio da mata cada vez mais densa enquanto pensava. Meus pais devem estar aos prantos agora… Eram 4 dias desaparecido. Será que, lá fora, todos já tinham desistido de nos achar? Alguém ainda acreditava que estávamos vivos?

No primeiro dia, me lembrava bem, Eric falou que ninguém ia nos encontrar. Ele realmente parecia acreditar naquilo. Notei vendo-o dia após dia totalmente focado em desvendar aquela ilha, como se aquela fosse realmente nossa nova casa agora. Eu não queria acreditar em algo assim e tinha medo de perguntar para ele sobre o tempo. Em breve, completariamos uma semana… Era para ser essa a duração de nossa estadia na Nova Zelândia. Eu aguentaria se ficássemos ali por mais tempo? Meu sangue gelava quando pensava em duas semanas ou até um mês.

Não! Afastei tais pensamentos. Como todos pareciam fazer, tinha de focar no aqui e agora. Tinha de agir como se nossa estadia naquele local fosse durar bem mais que o planejado. Era assim que Edward e Eric deviam ver as coisas. Afinal, aqueles dois se deram ao trabalho de salgar e defumar a carne do ibex para que durasse vários dias. Provavelmente abandonaremos todas aquelas provisões em breve, mas a precaução deveria ser a chave para a sobrevivência. Quanto mais tempo ficamos aqui, mais perto estamos de ser resgatados. Repeti para mim mesmo. Aquilo tinha de ser verdade.

Éramos em seis e nos distribuímos em duplas no caminho. Atrás de nós, Carol e Andressa, no meio, Guilherme e eu e, lá na frente, Eric e Adrien lideravam o caminho. Três conversas diferentes eram conduzidas, sendo o assunto da minha com meu amigo aqueles imediatamente à frente de nós.

Reparei com Guilherme que Eric inicialmente demandou de Adrien direções mais específicas, tais como latitude, longitude e distância em quilômetros. O outro garoto não conseguiu lhe produzir tanta precisão, o que o frustrou. Logo depois, bastante interessado, o rapaz loiro começou a fazer perguntas, sobre como Eric conseguia saber onde estavamos, que horas eram, como fez o sabonete etc. Eram monólogos longos, como sempre, mas Adrien os ouvia de forma muito atenta, tentando recolher as poucas informações que compreendia.

Era muito nítido que ali tinha uma admiração. Talvez uma relação de amizade que parecia ser bastante unilateral, dado os sorrisos e elogios que Adrien jogava ao ar, mas que não eram correspondidos. Eric sendo Eric. Pensei. Poucas vezes lá na escola, vi aqueles dois colegas trocarem algumas palavras, mas certamente eles tinham alguma proximidade. Às vezes, assim como Eric conversava com Taywan, aqueles dois discutiam em língua estrangeira. Parecia ser francês. Eu não falava aquele idioma, então não entendi metade do papo daqueles dois.

Ao meu lado, Guilherme comentava sobre as garotas. Impossível não concordar com ele sobre Thais e Micaela serem sim bem gostosas, ainda mais agora que vimos as duas em tão pouca “roupa”. Ele também percebeu como as meninas eram solicitas com Adrien. Ele era bem tratado, constantemente observado e eventualmente recebia algumas demonstrações de afeto, como afagos no cabelo e até massagens nos ombros. Bem, ele era loiro e tinha os olhos azuis… Pensei com divertimento. Seu comportamento tímido e aparência inocente contrastavam com o fato de ser tão popular. Lá na escola, ouvia falar que ele até fazia alguns trabalhos pontuais como modelo, bem como, durante a infância, chegou a fazer aparições em alguns filmes e comerciais de televisão.

— Aposto que ele é gay. — Guilherme me disse levantando mais uma de suas suspeitas antigas.

— Você fala isso sobre todo mundo que não é tarado igual você, cara. — O repreendi e era verdade. Adrien apenas parecia ser um garoto reservado, não mais que Eric, é claro. Eu também me considerava um cara assim e, antes de ir parar naquela ilha, recusava investidas femininas por saber que tinha Carol como meu único interesse romântico. Se Guilherme não me conhecesse, me julgaria daquela forma também.

Ele deu de ombros. Ainda estava convicto de suas opiniões malucas. Os caras falavam aquelas coisas sobre Adrien frequentemente, mas, sabia, não deviam ser outra coisa se não inveja. Afinal, ele era realmente muito bem quisto com as garotas. Eu não conhecia bem o rapaz, considerado o garoto mais bonito de nossa sala, mas, ao julgar por sua discrição, era possível até que já namorasse alguma garota fora de nossa escola e, por isso, não tivesse interesse nas moças que o abordavam frequentemente.

Ali a distância, reparei, coberta pela saia de palha, Adrien tinha uma bunda tão bonita quanto a de Eric. Sua cintura também era fina e sua pele tão pálida que era possível ver algumas veias em suas costas. Lembrei que já vi Eric pelado uma vez… Ele tinha motivos para se orgulhar. Adrien era o único ali que não tinha visto como era.

Eu podia ir tirando logo aquela ideia da minha cabeça. Porra, estava parecendo as garotas quando falavam sobre aquele cara. Tímido como era, é claro que Adrien seria cuidadoso para não revelar muito de si, mesmo durante o banho que tomaríamos hoje a noite. Lembrei do que ocorreu hoje de manhã lá no nosso acampamento. Eric e as garotas não pareciam se importar de ir tomar banho juntos de todos e, embora também devessem estar curiosas, agora pareciam mais pudicas uma vez que Adrien estava conosco. Era melhor que fosse assim. Fiquei convicto. Carol olhava bastante para o belo rapaz também que, sem roupas, certamente se tornaria no centro das atenções.

Aquela ideia já era toda errada a princípio. Homens e mulheres não deviam tomar banho juntos. Andressa era louca e estava feliz pelo ibex ter nos impedido de fazer tal loucura. Aliás, eu também não achava certo ter que fazer aquilo na presença dos caras também. Esperava que aquele lugar, se fosse verdade que tivesse fontes termais, fornecesse as condições para que todos conseguissem se banhar individualmente.

A floresta foi se ausentando, dando lugar à pedra enegrecida onde mato crescia e um pouco de terra se esgueirava pelas frestas. Subimos o morro cuidadosamente quando um cheiro suave mas muito marcante surgiu no ar naquela parte mais baixa da montanha.

— Porra Eric, você peidou? — Guilherme comentou e olhou para mim, pronto para me indagar também. Balancei a cabeça em negação. Carol e Andressa tapavam o nariz com os dedos.

— Que merda, meninos! A gente tá aqui atrás de vocês. — Andressa reclamou. Meu amigo riu

— Eu não sinto nada. — Adrien reparou. Fiquei perplexo. Se verdade, aquele garoto não tinha olfato.

— Não é peido e sim enxofre. — Eric disse com desdém. Ele então se agachou e passou os dedos na rocha. Lá, havia um pó amarelado. — Provavelmente sulfeto de hidrogênio e dióxido de enxofre… Isso é bom. Estamos perto. — Ao se levantar, olhou para Adrien. — Você não sente o cheiro pois já passou por aqui. Os gases de enxofre dessensibilizam os receptores olfativos. — Concluiu.

— Espera, isso não é perigoso? — Questionei assustado.

— Em altas concentrações, sim. — Respondeu friamente. — Alguém sente tontura, irritação nos olhos e garganta? — Questionou o grupo. Olhei para Carol. Felizmente, todos respondemos em negativo. — A concentração está baixa então. Esses gases são mais pesados que o ar, então se concentram mais na base da montanha. Se subirmos mais, devemos ficar bem. — Concluiu e prosseguiu a caminhada.

Fiquei meio relutante com aquilo, mas, só podia concluir: Se Adrien já passou por aquele caminho e estava bem, não devia ter problema em continuar. Assim andamos sobre os pedregulhos irregulares, indo cada vez mais alto. Como Eric disse, o cheiro realmente desapareceu. A paisagem foi substituída por paredões de rocha e chão de pedra à medida em que prosseguimos. No caminho, ajudei Carol a subir um pedregulho puxando-a pelo braço no local que realmente não parecia perigoso.

Quando olhamos lá de cima, vimos o vale de pedra repleto de vapor que se alçava sobre todo o mar verde ali embaixo. Ajustei a vista. Poças e mais poças de água se encontravam perto de uma caverna escura de grande abertura na montanha. Quando o vento soprou em nossa direção, veio quentinho, trazendo consigo o vapor d’água das piscinas naturais esculpidas no solo daquela depressão.

Com cautela, inspecionamos o local, todos impressionados e muito animados com o que parecia ser um paraíso natural. A água era realmente quente, não o suficiente para queimar minha mão quando a toquei, mas morna como a de um chuveiro. A maior piscina quente tinha cerca de 10 metros de comprimento de lado a lado, se segmentando em algumas outras menores e, escorrendo por debaixo de um paredão de rochas enorme, onde, atrás dela, dava origem a outra ainda maior.

Era perfeito, ou quase. Andressa já nos alertou assim que chegamos: Garotas de um lado e garotos do outro. Mas ainda não era hora. A alguns metros, o caminho levava a aquela caverna. Eric só tinha olhos para aquela coisa. Todos nos aproximamos com tochas nas mãos. Ainda era cedo, longe do final da tarde. Como a água estava quente e não sairia de lá, o banho podia esperar um pouco e ocorrer até durante a noite.

O ar soprou por entre as ranhuras da rocha, produzindo um assobio gutural nas frestas da caverna. Lá dentro, o breu total nos aguardava. Engoli o seco. Não podia demonstrar medo na frente de todos, ainda mais vendo que Eric, logo ali na frente, parecia tão tranquilo, mesmo diante do ambiente totalmente inóspito que estávamos prestes a explorar. O que ele estava planejando, afinal? Me questionei receoso.

Respirei fundo e dei um passo a frente. Seria extremamente cuidadoso em como proceder a partir de agora.

Ainda assim, nada nesse mundo podia me preparar para o que aconteceria ali naquele lugar. Em questão de segundos, tudo desmoronou.

*****

Olá leitores(as)

Obrigado pelos comentários e avaliações ao último capítulo.

No momento, estou escrevendo as próximas partes da história, ou seja, capítulos maiores, mas que não tardarão a ser publicados. Considero, a partir daqui, que preparei o terreno para alguns acontecimentos. Agradeço também vossa paciência em entender que a trama tem de progredir, bem como relações humanas devem ser exploradas nesse caminho.

Um abraço!

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