Aniversario

Um conto erótico de Alemão18
Categoria: Heterossexual
Contém 1041 palavras
Data: 26/01/2026 12:50:40

O presente não veio embrulhado. Veio como ideia.
Minha esposa falou com naturalidade demais para algo que me atravessou o corpo inteiro: uma sessão de massagem tântrica. Não era provocação, era permissão. E isso, por si só, já carregava uma eletricidade diferente.

Na semana marcada, cuidei do corpo como quem se prepara para um ritual. A cera quente, a pele ficando lisa, cada área exposta era também uma entrega antecipada. Não era vaidade — era disponibilidade.

No dia, deixei minha esposa na aula de Zumba. O carro seguiu sozinho depois disso. O silêncio do trajeto parecia mais pesado que o normal. Eu já não estava indo apenas a um endereço; estava indo a um limite.

Ela me recebeu na garagem.

Kali.

Baixa, firme, loira, segura de si. O tipo de presença que não pede atenção — toma. O perfume veio antes da voz. Um cheiro doce e profundo, desses que desorganizam a linha de raciocínio. O vestido rosa solto, leve, acompanhava o movimento do corpo, e o salto alto fazia cada passo parecer intencional. O cabelo loiro, solto, tocava as costas e descia até onde o vestido permitia adivinhar.

Subimos a escada com ela à frente. Eu não precisava tocar para sentir. O perfume ficava no ar, grudava na pele, entrava pelos pulmões como uma promessa.

A sala era um mundo à parte. Luz baixa, quente. Incenso queimando lentamente. Um silêncio respeitoso, quase cúmplice. Sentamos frente a frente. A anamnese não parecia um questionário, mas uma conversa íntima.

Expliquei. Os contos, a curiosidade, a autorização clara da minha esposa. Patrícia ouviu sem julgamento, com um sorriso tranquilo, como quem já tinha escutado tudo — e ainda assim fazia você se sentir único.

Quando ela explicou a sessão, senti algo se expandir no peito. Tântrica, nuru, vivência. Não era uma técnica; era um percurso.

No banheiro, ao tirar a roupa, o corpo já respondia. Não de forma óbvia — mas profunda. Voltei.

Ela já não usava o vestido.

A lingerie preta com cinta-liga parecia menos uma roupa e mais uma moldura. Não havia pressa. Ela ficou à minha frente. Seguramos as mãos. A pele dela era quente. O toque firme, presente. Respiramos juntos. Lento. Guiado. Cada inspiração parecia abrir espaço dentro de mim. Cada expiração me fazia descer mais para o corpo.

Deitei.

O primeiro toque não foi exatamente um toque. Foram as pontas dos dedos, quase ar, quase intenção, percorrendo a pele como se mapeassem cada centímetro. Depois o lençol, deslizando, provocando sem cumprir. Meu corpo tentava antecipar, e ela sempre chegava um segundo depois — o suficiente para me desmontar.

A massagem foi ficando mais profunda. Relaxante, envolvente. O tempo perdeu contorno. Em alguns momentos, eu sentia mais do que entendia. Em outros, simplesmente sentia.

E então, aos poucos, ela começou a se desfazer da própria roupa.

Não como um striptease. Como um despojamento natural. Uma peça a menos, uma presença a mais. Cada mudança alterava o clima, a energia da sala, o peso do ar.

Quando ela ficou nua, não houve anúncio. Apenas aconteceu. E parecia absolutamente certo.

Ela me virou de costas. Recomeçou. As mãos firmes, o ritmo preciso. E então o corpo dela entrou na massagem. Não apenas as mãos — mas o contato amplo, quente, vivo. A pele dela contra a minha, o peso dos seios, o deslizar lento, contínuo. Não era sexual no sentido comum. Era algo mais primal. Mais inteiro.

Meu corpo respondia sem pedir permissão. A respiração ficou mais profunda, mais sonora. Cada toque parecia atravessar camadas que eu nem sabia que carregava.

Não havia urgência. Não havia objetivo. Só presença.

Ela me vira de novo. Barriga pra cima.
Meu corpo já não era meu fazia tempo.

Patrícia não diz nada. O silêncio dela pesa mais que qualquer palavra. Ela sobe na maca com naturalidade, como se aquele corpo tivesse sido feito pra ocupar exatamente aquele espaço. O dela sobre o meu. Pele quente. Escorregadia. Viva.

Ela começa a deslizar. Lento. Controlado. Como quem sabe exatamente o que está fazendo — e sabe que eu sei disso. O contato não é apressado, é insistente. Calculado. Cada movimento parece desenhado pra me manter no limite, nunca além… ainda.

Sinto o peso do corpo dela. O calor. O ritmo. Minha respiração perde qualquer tentativa de controle. Não existe mais pensamento organizado, só sensação bruta.

Em determinado momento, ela muda de posição. Se senta sobre mim roçando sua vagina sobre o meu peito, de costas. O corpo dela se encaixa com precisão incômoda. Não é confortável — é provocador. É o tipo de desconforto que acorda tudo. O movimento é lento, quase preguiçoso, mas carrega uma intenção que me desmonta.

Ela se inclina. O cabelo cai pra frente. O corpo dela encosta de novo no meu. E então, por um instante curto demais pra virar certeza, sinto algo quente, inesperado, fora do roteiro. Um toque rápido. Único. Ambíguo.

Meu corpo reage antes da mente entender. Ela passou a língua na minhas bolas?!!

Mas ela não muda nada. Não comenta. Não confirma. Continua como se nada tivesse acontecido. Como se aquilo tivesse sido só um detalhe — ou uma armadilha.

Minhas mãos percorrem o corpo dela sem pedir licença. A pele firme. As curvas artificiais e reais misturadas. Tudo nela é excesso. Presença. Domínio.

Quando ela começa a conduzir a massagem de forma mais direta, executando a massagem lingam, não existe mais resistência possível. O ritmo cresce. A pressão muda. O toque deixa de ser gentil e passa a ser exato. Não há espaço pra fuga, só pra entrega.

Meu corpo responde de um jeito que nunca tinha respondido antes. Não é descarga — é colapso. Um gozo que não vem só de baixo, vem de dentro, da cabeça, do peito, de algum lugar que eu nunca tinha acessado.

Quando termina, eu fico ali. Parado. Ofegante. Vazio e cheio ao mesmo tempo.

Algo tinha mudado.

Não era só o corpo relaxado. Era a cabeça bagunçada. As referências fora do lugar. Eu me sentia deslocado dentro de mim mesmo, como se tivesse cruzado uma linha invisível sem perceber.

Levantei confuso. Diferente. Demais.

E foi ali que entendi: aquela sessão não tinha acabado quando eu saí da sala.
Ela tinha aberto algo que eu não sabia fechar.

Por isso eu voltei.

Mas essa…
essa fica para o próximo conto.

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